O desafio de transformar o ensino básico até 2022

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues Presidente do Conselho de Administração da ABMES ***
A preocupação com o impacto que as mudanças tecnológicas podem causar no processo de ensino-aprendizagem impõe a área da educação a compreender as transformações do mundo, produzir o conhecimento pedagógico para auxiliar o homem a dominar a tecnologia em benefício do progresso. (SAMPAIO e LEITE, 2000, op cit SANTOS, 2012, p. 9).
Aspectos e mudanças muitas vezes nos passam despercebidos e isso pode fazer toda a diferença. Para ilustrar a afirmativa, a Suíça era o país que dominava o mundo da relojoaria na década de sessenta, com mais de cem anos de reconhecida experiência. Eles detinham cerca de 65% do mercado mundial. Dez anos depois, a fatia de mercado havia caído para menos de 10% e nos três seguintes tiveram de demitir 50 mil dos seus 65 mil relojoeiros. Hoje, que nação domina a relojoaria no mundo? O Japão, que na década de 1960 não tinha nenhum mercado. Como puderam os suíços ser tão rapidamente derrotados? A resposta é dolorosamente simples: voltaram a zero com a mudança de paradigma. Muitos estão usando esse novo paradigma no pulso agora: relógios de quartzo, totalmente eletrônicos, movidos à bateria, incrivelmente versáteis, mais precisos do que os mecânicos. Eles merecem ser o novo paradigma de marcação do tempo, uma ideia brilhante! Quem inventou o relógio de quartzo? Foram os próprios suíços, em seus laboratórios de pesquisa. Mas quando os pesquisadores apresentaram a ideia aos fabricantes, em 1967, ela foi rejeitada. Afinal, o relógio não tinha engrenagens, não tinha mola mestra, e, portanto, nunca poderia ter futuro. Eles nem patentearam o invento. Mais tarde, aqueles pesquisadores mostraram o relógio ao mundo no congresso anual de relojoaria. A Texas Instruments, dos Estados Unidos, e a Seiko, do Japão, estavam lá, deram uma olhada e o resto é história. Admitamos: no Brasil ainda temos uma agenda educacional que deveria ter sido executada no século passado. Estamos sempre vendo o urgente e não o importante. Pensar no que surgirá nas próximas décadas é um exercício de muitas reflexões, sobretudo sobre quais devem ser as políticas necessárias hoje para garantir a educação que queremos no futuro. E educação implica na exigência de políticas e garantias. O mundo é um desafio de mil faces proposto ao homem, e suas leituras se transmutam – ora podem partir de uma referência histórica, ora do emprego de uma figura de linguagem, ora do diálogo com outros textos. Enfim, o mundo é composto por elementos explícitos e implícitos que atuam simultaneamente, exigindo do homem um olhar sempre apurado. Antes de tudo, então, precisamos perceber e conhecer o mundo à nossa volta, as pessoas, os sinais, as imagens, os sons. Precisamos fazer um reconhecimento do contexto que nos cerca e de tudo o que procuramos compreender e comunicar. Precisamos, portanto, olhar e ver o mundo! É preciso ter consciência de que a transformação do mundo se dá pelo conhecimento e o conhecimento é sempre construído pelo próprio sujeito, com base em suas referências, crenças e valores que moldam sua percepção. Ou seja, só consegue ver o que as estruturas que construímos permitem e com isso apalpar realidades sem vaticinar. Não há bola de cristal na educação. O que devemos é impor um domínio de leituras do mundo. O fato, e a realidade, é que precisamos adotar o urgente e o importante agora, consagrando aos jovens condições que estimulem habilidades e competências para o século 21, que não tem similaridade com nenhum outro na linha temporal. E tudo isso já está esboçado pelo consórcio ATC21S - Collaborative Problem Solving, liderado pela Universidade de Melbourne em colaboração com governos, organizações internacionais, pesquisadores, empresas e instituições de ensino, definindo as competências em quatro categorias:
  • maneiras de pensar (criatividade e inovação, pensamento crítico, resolução de problemas, tomada de decisões, capacidade de aprender a aprender e metacognição),
  • ferramentas para o trabalho (tecnologia da informação e alfabetização digital),
  • formas de trabalhar (comunicação e colaboração) e
  • maneiras de viver no mundo atual (cidadania, responsabilidade pela própria vida, desenvolvimento profissional, pessoal e social).
Para os países em desenvolvimento, o desafio é enorme ao se pretender transformar a Educação, de modo a se ajustar no século 21. Os currículos de hoje não preparam totalmente os alunos para viver e trabalhar na atual sociedade. Como resultado, os empregadores de hoje são muitas vezes confrontados com trabalhadores recém-formados, que não possuem as habilidades práticas que é preciso para criar, construir e ajudar a sustentar um negócio rico em informações. Apesar da leitura, da escrita, da matemática e das ciências serem os grandes pilares da educação de hoje, os currículos devem ir mais longe para incluir habilidades, tais como a colaboração e a fluência digital que irá preparar os alunos para os desafios do século 21. O estabelecimento de novas formas de avaliação pode começar com uma mudança fundamental na maneira como abordamos a educação em todo o mundo. Os formuladores de políticas educacionais necessitam de informações precisas sobre as habilidades da população estudantil. A coleta de dados por meio de avaliação é um componente crítico. Por isso, o ATC21S tem o desenvolvimento de métodos para avaliar habilidades que servirão de base para os currículos do século 21, com ênfase na comunicação e colaboração, resolução de problemas, alfabetização em TICs na sala de aula. O ATC21S oferece recomendações curriculares para os sistemas educativos para apoiar uma força de trabalho educacional. Traduzindo essas habilidades para a sala de aula, será moldado o desenvolvimento econômico e social dos países e comunidades para os próximos anos. É o que se pretende e deseja. Particularmente no Brasil, por questão de ótica, estamos nos mexendo contra ou a favor pelo Plano Nacional de Educação? Uns dizem que vamos com ele até 2025. Os operadores estão com a palavra. Enquanto isso, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) adota uma concepção de competências socioemocionais que envolve as capacidades de atingir objetivos (perseverança, autocontrole, entusiasmo para alcançar objetivos), de trabalhar com os outros (cordialidade, respeito, cuidado) e de gerir emoções (calma, otimismo e confiança). É tarefa hercúlea conciliar habilidades, competências e capacidades diante de uma fragmentação das agendas e atuação dos movimentos sociais. São tantos os cenários que dificilmente se conseguirá avanços porquanto existe pouca vontade política para reduzir desigualdades, o que resulta a manutenção de políticas sociais compensatórias. A educação é massificada e a escola formal quase não tem inovação, em todos os sentidos. Senão vejamos, em 40% dos municípios brasileiros não tem secretarias de educação; doze estados brasileiros não possuem planos estaduais de educação; em 74% das cidades usam a indicação política para nomear o diretor da escola; todo mês são 172 professores que pedem demissão no Estado de São Paulo. No dia 16 de junho, o MEC deve divulgar o documento que vai subsidiar o debate sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Tentativa de definir o que deve ser ensinado no país, partindo de um pressuposto: quais são as competências e habilidades que um estudante brasileiro deve ter para navegar com autonomia no século 21? Enquanto isso, o “Common Core Standards”, maior sucesso do plano educacional do Presidente Obama já em andamento, avalia os conhecimentos dos estudantes americanos cobrando-lhes padrões de alta qualidade em matemática, inglês, artes e compreensão de textos. São metas de aprendizagem em que cada um deve conhecer e ser capaz de dominar ao final de cada ano escolar. E na conclusão os formados do ensino médio devem ter habilidades e conhecimentos necessários para ter sucesso na faculdade, em sua carreira e vida. Atinge 42 estados e o programa pode ser visto no http://www.corestandards.org. E no Brasil, estamos cada vez mais distantes dos bons resultados alcançados pelos demais países devido à morosidade, à desconfiança de novas propostas e às constantes mudanças no desenho nunca completado das prováveis políticas públicas para uma educação de qualidade.

24/05/2016

Harry Fockink

Basta um público deixar - os professores - que em dois anos se terá a evolução no ensino que Uber, Netflix, AirBnB, etc fizeram nos outros negócios. EAD e seus instrumentos são muito melhor que qualquer ensino presencial que não exija prática. Os demais públicos vão no embalo.

Identificação de Riscos Psicossociais NR-01: A Triagem

Júlio Cesar de Castro Ferreira

Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

Os Silêncios Metacognitivos do Psicanalista e do Professor

Ronaldo Mota

Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

Diploma e o desafio de transformar formação em oportunidade

Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

Caso o formulário de cadastro não apareça no seu navegador, envie um e-mail para relacionamento@abmes.org.br que ficaremos felizes em atendê-lo.