Pós-verdade

Wanda Camargo

wanda_camargoWanda Camargo Educadora e assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil – UniBrasil *** A disseminação das redes sociais produziu efeitos positivos, acesso de muito mais pessoas à informação e possibilidade de comunicação global é um deles. No entanto, a verdade, essa frágil planta de difícil definição, é bombardeada por todos os lados; divulgam-se com rapidez astronômica fatos e versões acerca de absolutamente tudo, com ou sem relação com a realidade ou possibilidade de comprovação. Parte da imprensa preocupa-se com a enxurrada de factoides e procura criar filtros que a protejam de divulga-los inadvertidamente, mas nem sempre consegue tal intento. A questão milenar “o que é a verdade?” ainda não foi respondida satisfatoriamente e a busca de resposta à pergunta mais simples “qual é a verdade?” aparentemente resultou numa criação digna dos melhores sofistas, a pós-verdade. O termo (post-truth) é usado para situações em que os fatos objetivos são ignorados na argumentação, declaração ou persuasão; passou a ser muito empregado após algumas afirmações estapafúrdias de Donald Trump que expressariam, na opinião cândida dos áulicos, sua visão acerca do que fala, estritamente particular e descompromissada com quaisquer fatos. Uma verdade alternativa, nas suas palavras. Em qualquer telejornal assistimos esta técnica chegar a paroxismos, com as afirmações absurdas dos suspeitos, indiciados, réus, condenados: ao contrário de todas as evidências e provas, não disseram o que disseram, não fizeram o que fizeram, não roubaram o que roubaram, não estavam onde foram vistos... Atribui-se ao filósofo Friedrich Hegel a declaração de que a História é um mito consentido, e se pensarmos nas diversas interpretações dos acontecimentos, tendemos a concordar: cada povo, cada corrente ideológica, cada grupo de interesse, contará a história de acordo com sua versão e será esta versão que prosperará e será aceita por algumas, ou muitas, pessoas. O evento que nós brasileiros denominamos “Guerra do Paraguai” é narrado aqui como um conflito provocado pelo “sanguinário ditador Solano Lopez” que teria invadido parte de nosso território; os paraguaios e alguns historiadores a contam como um genocídio cometido pela tríplice aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) instigada pela Inglaterra para conter o “modernizador humanista Solano Lopez” que pretenderia implantar algum tipo de socialismo em seu país. Evidentemente, duas versões tão divergentes não podem ser concomitantemente verdadeiras, o mais próximo da verdade pode estar em algum ponto entre uma e outra. É dito popular que a história é, efetivamente, escrita pelos vencedores, e suas versões tenderão a prevalecer, tão ou mais fantasiosas quanto maior for a necessidade de justificativa para os atos cometidos ou a necessidade de utilização autopromocional em ambições futuras. Não por coincidência, comunicólogos nazistas afirmavam que uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade, e embora saibamos que não, isso será consentido pela maior parte das pessoas a que se destina, ou seja, tudo o que os manipuladores desejam. Apenas o conhecimento da verdade nos libertaria, disse um apóstolo referindo-se às verdades da crença que pregava, e a procura pela verdade é de fato libertadora. Ainda que muito difícil e por vezes dolorosa, a retirada das escamas que recobrem os olhos torna-se condição para amadurecimento e é quando realmente começa o aprendizado. Esta é a profissão de fé e missão de milhares de professores, mesmo numa época de tantas pós-verdades e pré-mentiras, e ainda que o processo educativo seja reflexo e refletor das atitudes e valores sociais, sofrendo dos mesmos males que afetam a época e sistema de crença da comunidade em que se insere.

19/06/2017

Lioudmila Batourina

É verdade que cada lado da Guerra do Paraguai irá contar a sua própria parte da Truth. Para mim, como estrangeiro, era interessante ler sobre esta guerra porque meu coração não estava envolvido em nenhum dos lados e o que eu vi através das páginas dos livros históricos é repetido uma e outra vez na história da humanidade, a luta por dinheiro, poder, traição e uso cruel da guerra na America Latina pelo mundo financeiro.

Rumo a Paris, com o futuro da educação superior na bagagem

Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

Identificação de Riscos Psicossociais NR-01: A Triagem

Júlio Cesar de Castro Ferreira

Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

Os Silêncios Metacognitivos do Psicanalista e do Professor

Ronaldo Mota

Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

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