A cultura da solidariedade

Valmor Bolan

Professor da Unisa e ex-reitor e dirigente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras Doutor em Sociologia e especialista em Gestão Universitária pela Organização Universitária Interamericana (OUI), sediada em Montreal, Canadá

Valmor BolanValmor Bolan Doutor em Sociologia e especialista em Gestão Universitária Representa o Ensino Superior Particular na Comissão Nacional de Acompanhamento e Controle Social do Programa Universidade para Todos do MEC *** Temos que reforçar a cultura da solidariedade em nosso meio, em todas as instâncias, a começar pela família. A cada dia vamos vendo o individualismo tornando as pessoas menos receptivas, incapazes de gestos concretos de proximidade desinteressada, de afeto, de atenção, de acolhida. O que antes era mais natural, hoje vai se perdendo um pouco aquela espontaneidade nos relacionamentos, onde, muitas vezes, o coração humano parece ir se resfriando. A família deve ser sempre a primeira base da solidariedade, por isso os laços de afeto, em família, devem ser valorizados. A partir da família, na escola, na empresa, nas atividades de lazer e até mesmo nas redes sociais, devemos criar um ambiente mais favorável de escuta, de doação, de paciência, de troca de ideais e afetos, para que haja um relacionamento humano mais fraterno e saudável. Tais valores precisam ser cultivados diariamente, exigindo de nós o que temos de melhor: renúncia, sacrifício, disposição. É esse o sentimento naturalmente das mães para com seus filhos, e é isso que não pode ser perdido. Por ser cultivado, é que falamos em cultura da solidariedade, que precisamos revigorar, a cada dia. O corre-corre do dia-a-dia tem feito muitas pessoas ficarem demasiadamente concentradas em si próprias, incapazes de se abrir ao outro, de ver quem está próximo, sentir os problemas alheios, e não se dispor a ajudar quando precisa. O hedonismo contribui muito para essa nova mentalidade, quando as pessoas procuram se mover apenas para aquilo que dá prazer, evitando qualquer problema ou aborrecimento. Ocorre que os problemas, muitas vezes, são oportunidades em que as pessoas têm para se ajudarem, por isso que sempre se ganha na disposição de procurar ajudar a quem precisa. Por isso precisamos nos educar para isso, para que a cultura da solidariedade seja vivida melhor. É necessário que estejamos abertos a isso. Nesse sentido, a escola é um ambiente propício para reforçar tais valores. Precisamos de uma educação para o afeto, para a acolhida do próximo, para que possamos conversar mais, buscar entender mais as pessoas, estarmos mais abertos a todos, aprender a ouvir, conviver com as diferenças, pois vivemos em uma sociedade global e plural e é preciso saber viver e conviver na pluralidade, mantendo cada um a sua própria originalidade e identidade. É preciso, portanto uma pedagogia para isso, que nos ensine a sermos efetivamente mais solidários, para que a solidariedade não seja apenas uma palavra bonita, mas uma vivência concreta, em nosso cotidiano. É assim que estaremos enriquecendo a nossa vida e dando-lhe um sentido verdadeiramente humano.

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Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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