Exageros consagrados

Antonio de Oliveira

Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001) antonioliveira2011@live.com Instagram: @prof.antoniooliveira

Do grego, hyper, além, e ballein, lançar, passando pelo latim, hipérbole. Figura retórica que engrandece ou diminui exageradamente a realidade ou a verdade das coisas. Exagero comumente aceito, desde que tomado em sentido figurado. Desaba um dilúvio, em vez de chove copiosamente. Morri de ódio. Chama-se hiperbolismo o emprego abusivo das hipérboles literárias. Exagero para mais denomina-se auxese: Esse gigante. “Já disse isso mil vezes.” Exagero para menos, geralmente pejorativo: Esse anão. “Esse aborto da natureza.” Nesse caso, o nome é tapinose. 

 

Hoje em dia, em vez de Mil e uma Noites se fala: Mil e uma utilidades, Mil cores, Mil coisas. E isso não parece exagero. Em Sapiens, o autor, Yuval Noah Harari, lembra que podemos ir ao supermercado e escolher comer mil pratos diferentes. Podemos visitar mil lugares incríveis. O exagero linguístico tornou-se realidade. Mas nem por isso, continua o autor, esse progresso nos deixa mais felizes. Dispomos de mil pratos, mas os consumimos às pressas, diante do televisor; visitamos mil lugares mas não nos desprendemos do nosso smartphone... Harari indaga se Neil Armstrong, cujos pés deixaram intacta sua marca na Lua sem vento, foi mais feliz que os caçadores-coletores, anônimos, que há trinta mil anos deixaram suas marcas de mão em uma parede na caverna de Chauvet.

 

Os historiadores descrevem, narram a história. Não se perguntam se os cidadãos desta ou daquela era, deste ou daquele lugar, foram ou têm sido mais felizes que os seus antepassados. Programas ideológicos e políticos sinalizam o bem-estar do cidadão. No entanto, indivíduos padecem de depressão, em relação ao seu passado, de estresse no presente e de ansiedade em relação ao futuro. A soma de prazeres não constitui felicidade. Pode ser um contínuo quero mais. Somente a paz interior sedimenta nosso desejo de felicidade. Sem hipérboles... A não ser no caso da pandemia atual, cujos iniciadores não mentem... 

 

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Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

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Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

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