Hamilton Werneck Revista Profissão Mestre, publicado em setembro de 2012 ***
Em princípio, o importante é que haja leitura, seja no tablet, seja no papel. O grande equívoco no caso da leitura é o professor querer que, de imediato, seu aluno entre em contato com os clássicos da literatura. Alguns conseguem tal fei­to muito cedo – ótimo, estimule-os. A maioria só chega aos clássicos depois de adquirir o gosto pela leitura – nesse caso, acompanhe e aguarde. Na leitura, o importante é que o leitor encontre seu livro. E quando isto ocorrer, o devore. É assim que se cria um amante de leituras. Tal fato pode se dar através do papel ou dos tablets que geralmente reúnem centenas de livros, disponibilizando grandes bibliotecas para o portador de uma ferramenta extremamente leve. Como todos os inventos e todas as novidades, precisamos analisar os vários ângulos da questão porque, se de um lado existem vantagens, de outro devem existir cuidados importantes. Os tablets e as telas de computadores são painéis que emitem luz. Seria como comparar com um leitor que estivesse lendo um livro de frente para uma janela por onde entrasse a luminosidade num dia ensolarado. Assim, mesmo com corretores adaptados às novas regras gramaticais, podem passar despercebidos vários erros ou então, devido a essa emissão de luz, ter o leitor pequenas perdas de expressões que podem ser cruciais para a melhor compreensão do texto. No entanto, não é algo tão terrível que deva ser banido. O que é importante é estar atento para o fato de que os tablets, no auge do lançamento, com apoio de grandes redes midiáticas, têm seus aspectos negativos. Se uma pessoa desejar fazer uma leitura sem perdas substanciais deve desenvolver a própria concentração. O papel facilita tal fato porque não emite luz e, sim, reflete-a, tornando a leitura menos cansativa e sem perdas de seus detalhes. A tecnologia já percebeu tal fato e, para diminuir esse impacto, está disponibilizando softwares que conseguem deixar a tela de um computador ou tablet muito semelhante ao papel, emitindo menos luz. O que cabe aos educadores, diante das tecnologias avançadas, é a capa­cidade de discernir, buscando os seus aspectos positivos e negativos e evitan­do a satanização do novo por ser novo. Há vantagens enormes e há problemas. Mas, em se tratando de uma revisão de texto ou mesmo de uma leitura que requer muita atenção, o melhor ainda é copiar para ler numa folha de papel que reflete luz. Sua retina e o sistema de percepção de seu cérebro agradecem!

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Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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