Roberto Leal Lobo e Silva Filho Blog Estadão, publicado em 14 de maio de 2013 ***
A aceitação e a valorização da avaliação foi um processo lento e penoso no sistema de ensino, em geral, no Brasil. Muitos defendiam que a educação não poderia ser avaliada porque ela é complexa, depende de muitos fatores intangíveis e não pode ser quantificada sem correr o risco de se tornar simplista. No entanto, essas mesmas pessoas sempre souberam escolher (ou achavam que sabiam) a escola adequada para seus filhos. Sem a prática da avaliação, a coleta e organização de dados relevantes aos processos educacionais foram constantemente desprestigiados e concentrados na cabeça de funcionários que os dominavam estritamente para cumprirem suas tarefas setoriais e burocráticas. Quase ninguém, nem as próprias instituições, tinha uma visão gerencial dos dados que pudessem caracterizar o que de mais importante se realizava no processo educacional. No entanto, como dizem os especialistas em avaliações institucionais, o que não se mede não se avalia e o que não se avalia não se melhora. A avaliação, juntamente com o planejamento, são ferramentas indispensáveis a qualquer gestão. Para isso é necessário, porém, que se organizem os dados de forma confiável a partir de uma metodologia competente que possa extrair destes dados respostas às perguntas relevantes. Este processo vale tanto para instituições públicas quanto privadas e, também, para órgãos de governo em todos os níveis. Para que avaliações de órgãos públicos tenham qualidade, transparência e credibilidade, é fundamental que elas se baseiem em dados acessíveis a todos os cidadãos interessados e, de preferência, além das avaliações realizadas pelos próprios órgãos, haja avaliações conduzidas – e isso é muito importante – por organizações independentes do poder político do órgão interessado. É muito importante também que os critérios e metodologias, além de tornados públicos, sejam preservados ao longo de alguns aos, para que se possa fazer uma análise da evolução dos resultados e relacioná-los com as políticas adotadas para o setor. Quando uma estatística se baseia em metodologia que muda muito em curto espaço de tempo, só se pode estudar os dados disponibilizados pelo órgão interessado (que fez a avaliação e a divulgação dos mesmos), o que cria naturais e justificadas dúvidas sobre a imparcialidade das respostas às eventuais críticas da imprensa ou de especialistas, que por isso parecem ter mais a forma de uma manifestação política do que base em um estudo objetivo. Seria muito interessante se ministérios, secretarias e outros órgãos de governo adotassem as medidas sugeridas acima, que não são de nossa autoria, mas consensuais entre todos os especialistas em processos de diagnóstico e planejamento institucional nos países que avançaram muito nos resultados da educação.

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Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

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