Saber, não saber e saber resolver

Ronaldo Mota

Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

Ronaldo MotaRonaldo Mota Reitor da Universidade Estácio de Sá Diretor Corporativo de Pesquisa/Estácio ***
O ensino tradicional, que representa a quase totalidade do processo ensino-aprendizagem adotado atualmente, tem na avaliação um de seus mais importantes pilares. As avaliações são quase sempre individuais e baseadas em aferir fundamentalmente se o educando sabe um determinado tema ou não. Baseados nos pressupostos acima, orgulhosos professores e dedicados alunos dirigem-se às salas de aula todos os dias certos de que estão todos cumprindo suas missões com galhardia, competência e justiça. Ao final de cada período letivo regular ou sistema de ingresso ou seleção, resultados são emitidos e elogios são conferidos ao mérito de termos legitimamente separado aqueles que, aprovados, seguem em frente e os demais, reprovados, aos quais resta a opção de tentar de novo ou desistir. O que há de errado no sistema acima? Aparentemente nada, sendo o que foi descrito o sumário do mais clássico ritual acadêmico que se conhece, desde a Academia de Platão ou do Liceu de Aristoteles, há quase 400 anos antes de Cristo, até a prática regular de qualquer escola, desde o ensino fundamental ao universitário, nos tempos atuais. Bem, lastimo informar que há novidades e inovações que conflitam fortemente com o cenário acima. Ingressamos, enquanto espécie homo sapiens, pela primeira vez, em uma sociedade em que, graças às tecnologias digitais, o conhecimento será, ou já é, totalmente, instantaneamente e gratuitamente acessível. Em total contraste com a nova realidade, as práticas avaliativas em curso ainda são fortemente influenciadas pela concepção socrática de que a escrita promoveria na juventude de Atenas a preguiça, desincentivando a memória, elemento central da aprendizagem. No mundo contemporâneo, a separação abrupta entre quem possui e quem não possui certas informações, além da incapacidade de identificar aqueles que, mesmo não possuindo um conhecimento enciclopédico, sabem resolver o problema, se constitui em um dos mais graves e inconscientes  crimes educacionais em curso. Há cada vez mais um contigente de talentos que se caracterizam por, dada uma missão, saber fazer bom uso das informações disponíveis, trabalhar em equipe, explorar a capacidade de aprendizagem independente, tomar iniciativas, ser empreendedor e dar conta de qualquer projeto. Tais talentos que sabem resolver têm sido parcialmente excluídos a priori na seleção simples, obtusa e antiquada entre o saber ou o não saber. Professores, gestores, autoridades educacionais e, no limite, os próprios alunos, não estão percebendo a atrocidade educacional cotidiana que a imensa maioria das avaliações comete, gerando desperdícios em massa de talentos que quase chegaram lá. Em geral, só lhes faltou a memória que hoje custa zero, em valores e tempo, no mundo das tecnologias digitais.

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Ronaldo Mota

Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

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Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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Júlio Cesar de Castro Ferreira

Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

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