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Durante seminário da ABMES, especialistas apresentam panorama do Censo 2014

Durante seminário da ABMES, especialistas apresentam panorama do Censo 2014
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De acordo com o levantamento, instituições particulares detêm 82,3% de alunos ingressantes no ensino superior e 35% dos alunos são primeira geração de ensino superior da família

Em 2014, mais de 3,1 milhões de alunos ingressaram em cursos de educação superior de graduação no país. Deste total, 82,3% em instituições privadas. Os dados são do Censo da Educação Superior 2014, que foram apresentados nesta terça-feira (8) durante seminário promovido pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES). O evento teve por objetivo ampliar o entendimento acerca da interpretação dos dados da última edição do Censo e refletir sobre as tendências do segmento para os próximos anos.

O Diretor de Estatísticas Educacionais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais (DEED/Inep/MEC), Carlos Eduardo Moreno Sampaio, ressaltou a fundamental participação do setor privado no cenário educacional e destacou que “falar de educação superior no Brasil sem considerar a importância da rede privada seria um equívoco, uma vez que o segmento representa mais de 74% da rede federal de ensino”.

Moreno também enfatizou a evolução das matrículas na Educação a Distância, que representa 17,1% do total de 7.828.013  de matrículas registradas em 2014 e foi otimista em relação aos dados apresentados pelo Censo, que demonstram a possibilidade de que se atinja até 2024 a Meta 12 do Plano Nacional de Educação (PNE), que eleva a taxa bruta de matrícula no ensino superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos. O diretor de Estatísticas destacou ainda outras quatro metas de PNE que se relacionam com o ensino superior.

A Diretora de Avaliação da Educação Superior (DAES/Inep/MEC), Claudia Maffini Griboski, reforçou  o comprometimento do Pesquisador Institucional (PI) com o preenchimento do formulário que compõe o Censo e ressaltou a importância do cuidado com as informações fornecidas, uma vez que o levantamento gera políticas públicas.

Segundo Griboski todas as informações levantadas pelo Inep têm “intencionalidade”. Neste sentido, ela destacou que o questionário preenchido pelos estudantes que realizam o Exame Nacional de Avaliação da Educação Superior (Enade) delineia o perfil do novo aluno do ensino superior e que, a partir dessas respostas, o Inep decide qual será o foco a ser trabalhado para a formação acadêmica.

 

PERFIL DO NOVO ALUNO

 A diretora de avaliação do Inep falou durante o seminário sobre o perfil do novo aluno da educação superior. Algumas características desses novos estudantes apresentadas por ela são:

- 35% são alunos da primeira geração de educação superior da família;

- 64% são estudantes trabalhadores;

- 47% têm renda familiar entre 1,5 e 4,5 salários.

Sobre o conceito Enade, Griboski informou que existe por parte do Inep o planejamento de modificar o cálculo do conceito “buscando incorporar níveis de proficiência do estudante por curso e não mais por padronização com a curva de *Gauss”).

A diretora de Avaliação do Inep também disse que existem planos de aumentar o peso do Enade para o estudante e incentivar a dedicação dos alunos na hora da prova. Para reforçar o comprometimento, “há possibilidades de que a nota do Enade sirva de critério para ingresso em programas de pós-graduação”. Outra possível medida é que a nota do Exame  passe a constar no histórico escolar de todos que fizerem a prova.

Gribosky reiterou a pretensão do Inep em tornar a avaliação dos estudantes da graduação anual e digital, mas informou que ainda não tem data para que a metodologia entre em prática. “É preciso testar antes”, ressaltou a diretora.

 

TENDÊNCIAS DO ENSINO SUPERIOR

Durante o seminário promovido pela ABMES, Carlos Monteiro, pesquisador e especialista na área da educação e diretor presidente da CM Consultoria, analisou de forma mais crítica a crise no Brasil e seus reflexos nas instituições de ensino. Ele acredita que será preciso fazer um ajustamento na gestão das instituições, sobretudo daquelas com até 3 mil alunos.

Monteiro lamentou o momento atual e ressaltou que as instituições que estavam de olho no mercado e abriram cursos como engenharia de petróleo tiveram que fechá-los por conta da crise financeira do país.

“Além do mais, diversos profissionais estão desempregados, o que torna a carreira desinteressante”, destacou.

O especialista, alertando para o efeito dominó, ressaltou que  “a procura pelo vestibular é menor, menos emprego para professores e demais funcionários das instituições, agravando a crise econômica do país”, aponta Monteiro. 

Preocupado com o futuro especialmente das Pequenas e Médias Instituições de Ensino Superior (PMIES), o pesquisador sugere que os dirigentes passem a ver “seus concorrentes [grandes grupos] como parceiros e que façam alianças estratégicas”.

 

CENSO 2015

A Coordenadora-Geral do Censo da Educação Superior (CGCES/Inep/MEC), Laura Bernardes, ressaltou a importância do preenchimento do formulário do Censo no prazo estipulado pelo Inep. De acordo com a Portaria 563/2015, que estabelece o cronograma do levantamento, os pesquisadores institucionais terão até o dia 22 de abril para responderem ao formulário.

*Curva de Gauss - Serve de aproximação para o cálculo de outras distribuições quando o número de observações fica grande

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