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Por: ABMES

Cooperação Institucional em ecossistemas de inovação

<p style="text-align: justify;"><i>Por Carmem Tavares*</i></p>

<p style="text-align: justify;"><em>Tendo se originado como uma met&aacute;fora para identificar os protagonistas de um sistema ic&ocirc;nico de inova&ccedil;&atilde;o regional na Rota 128 em Boston, a H&eacute;lice Tr&iacute;plice tornou-se um modelo reconhecido internacionalmente, que est&aacute; no &acirc;mago da disciplina emergente de estudos de inova&ccedil;&atilde;o, e um guia de pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas nos &acirc;mbitos local, regional, nacional e multinacional. A H&eacute;lice Tr&iacute;plice prov&ecirc; uma metodologia para examinar pontos fortes e fracos locais e preencher lacunas nas rela&ccedil;&otilde;es entre universidades, ind&uacute;strias e governos, com vistas a desenvolver uma estrat&eacute;gia de inova&ccedil;&atilde;o bem-sucedida. Identificar a fonte generativa do desenvolvimento socioecon&ocirc;mico baseado no conhecimento &eacute; o cerne do projeto de inova&ccedil;&atilde;o da H&eacute;lice Tr&iacute;plice para aprimorar as intera&ccedil;&otilde;es universidade-ind&uacute;stria-governo. (ETZKOWITZ, Henry. ZHOU, Chunyan. H&eacute;lice Tr&iacute;plice: inova&ccedil;&atilde;o e empreendedorismo universidade-ind&uacute;stria-governo, 2017).</em></p>

<p style="text-align: justify;">Na crise global de sa&uacute;de em que vivemos observamos a busca da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica por tratamentos e vacinas sustentada em dois pilares: velocidade e coopera&ccedil;&atilde;o. Um dos parceiros de coopera&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica tem sido a universidade, como nos aponta a teoria da H&eacute;lice Tr&iacute;plice destacada acima.&nbsp;&nbsp;</p>

<p style="text-align: justify;">A Teoria da Tr&iacute;plice H&eacute;lice possui metodologia pr&oacute;pria para a cria&ccedil;&atilde;o de processos de coopera&ccedil;&atilde;o intersetorial e o link para que conhe&ccedil;am mais sobre a a teoria estar&aacute; dispon&iacute;vel no final do texto.</p>

<p style="text-align: justify;">Um bom conceito para compreens&atilde;o do processo de coopera&ccedil;&atilde;o intersetorial pode ser definido como a liga&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es em dois ou mais setores para alcan&ccedil;ar em conjunto, um resultado que n&atilde;o poderia ser alcan&ccedil;ado isoladamente.&nbsp;Portanto, simplificadamente compreende as organiza&ccedil;&otilde;es (parceiros da ind&uacute;stria, do setor de servi&ccedil;os e parceiros da universidade) se atentando para a liga&ccedil;&atilde;o estabelecida entre essas organiza&ccedil;&otilde;es e os resultados alcan&ccedil;ados no processo de coopera&ccedil;&atilde;o.</p>

<p style="text-align: justify;">Nos &uacute;ltimos anos, tornou-se amplamente reconhecido que os processos de inova&ccedil;&atilde;o s&atilde;o caracterizados por um consider&aacute;vel grau de intera&ccedil;&atilde;o e coopera&ccedil;&atilde;o entre empresas que se destaca como uma configura&ccedil;&atilde;o organizacional alternativa para suportar os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos e com objetivo de sustentabilidade econ&ocirc;mica. Mas, nesse texto abordaremos brevemente as coopera&ccedil;&otilde;es em que as institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior s&atilde;o partes do processo.</p>

<p style="text-align: justify;">A complexidade dos processos de inova&ccedil;&atilde;o levou a um grande crescimento no processo de coopera&ccedil;&atilde;o entre as institui&ccedil;&otilde;es de ensino com o mercado (industrias, servi&ccedil;os). Essa intera&ccedil;&atilde;o entre o ensino superior e a ind&uacute;stria, ou o segmento de servi&ccedil;os, tem por objetivo principal estimular o conhecimento e a troca de tecnologia. Portanto, o tema tem recebido maior aten&ccedil;&atilde;o por parte de gestores, tanto de empresas, quanto das institui&ccedil;&otilde;es de ensino.</p>

<p style="text-align: justify;">A necessidade de inova&ccedil;&atilde;o no ambiente de neg&oacute;cios e a pr&oacute;pria necessidade de pol&iacute;ticas de transfer&ecirc;ncia do conhecimento acad&ecirc;mico intensifica a tendencia de coopera&ccedil;&atilde;o intersetorial fazendo com que sejam realizadas pesquisas que pontuem fatores que influenciam o sucesso de tais colabora&ccedil;&otilde;es.</p>

<p style="text-align: justify;">Alguns fatores podem ser apontados na necessidade de coopera&ccedil;&atilde;o. &Eacute; o que nos demonstra a figura abaixo:</p>

<p style="text-align: center;"><img alt="" src="/arquivos/noticias/images/grafico01momentotech.png" style="width: 360px; height: 200px; border-width: 5px; border-style: solid; margin: 5px;" /></p>

<p style="text-align: center;">Fonte: Adaptada de Bonaccorsi &amp; Piccaluga (1994) por Mendes e Sbragia, Revista de Administra&ccedil;&atilde;o FEA/USP 2021.</p>

<p style="text-align: justify;">O primeiro deles seria as motiva&ccedil;&otilde;es de cada um dos setores para o desenvolvimento de coopera&ccedil;&otilde;es intersetoriais, observa-se que para as universidades h&aacute; constante press&atilde;o para a produ&ccedil;&atilde;o de novos conhecimentos, em contrapartida existe o desafio dos custos e financiamentos cont&iacute;nuos que suportem as pesquisas para que as universidades permane&ccedil;am na vanguarda em todas as &aacute;reas tem&aacute;ticas e assim possam contribuir para os mais variados neg&oacute;cios sendo vistas como motores de desenvolvimento econ&ocirc;mico.</p>

<p style="text-align: justify;">J&aacute; para o mercado, os fatores de motiva&ccedil;&atilde;o seriam as press&otilde;es vinculadas a r&aacute;pida mudan&ccedil;a tecnol&oacute;gica, ciclos de vida de produto mais curtos e intensa competi&ccedil;&atilde;o global que gera um ambiente totalmente competitivo. Ou seja, a troca de conhecimentos entre dom&iacute;nios acad&ecirc;micos e comerciais torna-se totalmente necess&aacute;ria. Um outro fator importante &eacute; que a coopera&ccedil;&atilde;o aumenta a capacidade organizacional de inova&ccedil;&atilde;o aberta, aquela em que uma organiza&ccedil;&atilde;o acopla redes externas no desenvolvimento de inova&ccedil;&atilde;o e conhecimento, al&eacute;m do seu pr&oacute;prio segmento de PD&amp;I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inova&ccedil;&atilde;o).</p>

<p style="text-align: justify;">Um segundo fator trata-se da forma como geralmente ocorrem essas coopera&ccedil;&otilde;es. &nbsp;Segundo uma revis&atilde;o da literatura e relat&oacute;rios de neg&oacute;cios elas se estabelecem atrav&eacute;s da pr&aacute;tica de:</p>

<ul>
<li style="text-align: justify;">Joint Ventures (acordo entre duas ou mais empresas que estabelece&nbsp;<strong>alian&ccedil;as estrat&eacute;gicas por um objetivo comercial comum, por tempo determinado</strong>).</li>
<li style="text-align: justify;">Networks (a&ccedil;&atilde;o de trabalhar a rede de contatos, trocando informa&ccedil;&otilde;es relevantes com base na colabora&ccedil;&atilde;o e ajuda m&uacute;tua).</li>
<li style="text-align: justify;">Cons&oacute;rcios (quando uma empresa <em>participa ativamente de cons&oacute;rcios de pesquisa conjuntamente com outras companhias, com o objetivo de acessar conhecimento no estado da arte em alguns campos especializados e de monitorar o movimento dos clientes e concorrentes)</em>. COSTA, Priscila. Management of Company-University Cooperation: a Brazilian Multinational Case. FEA/USP, 2010.</li>
<li style="text-align: justify;">Alian&ccedil;as de apoio a pesquisa (Endowment, Trust fund) atrav&eacute;s de acordos institucionais, acordos de grupos, instala&ccedil;&otilde;es institucionais.</li>
<li style="text-align: justify;">Transfer&ecirc;ncia de conhecimento atrav&eacute;s da contrata&ccedil;&atilde;o de rec&eacute;m formados, intera&ccedil;&otilde;es pessoais com pesquisadores, programas de educa&ccedil;&atilde;o corporativa.</li>
<li style="text-align: justify;">Transfer&ecirc;ncia de tecnologia (ou seja, atividades de desenvolvimento e comercializa&ccedil;&atilde;o de produtos atrav&eacute;s de centros de pesquisa universit&aacute;rios).</li>
</ul>

<p style="text-align: justify;">Importante pontuar que nos &uacute;ltimos anos a forma de se estabelecer coopera&ccedil;&otilde;es intersetoriais tornou-se t&atilde;o diversificada que dificilmente pode ser retratada pela literatura, sobretudo pela diversidade de culturas institucionais, pol&iacute;ticas internacionais na &aacute;rea de tecnologia, entre outros.</p>

<p style="text-align: justify;">Fatores como barreiras ou facilitadores do processo de coopera&ccedil;&atilde;o s&atilde;o apresentados na figura abaixo de forma resumida, bem como a satisfa&ccedil;&atilde;o resultante entre os atores destas parcerias.</p>

<p style="text-align: center;"><img alt="" src="/arquivos/noticias/images/grafico02momentotech.png" style="width: 567px; height: 333px; border-width: 5px; border-style: solid; margin: 5px;" /><br />
Fonte: Mendes e Sbragia, Revista de Administra&ccedil;&atilde;o FEA/USP, 2021.</p>

<p style="text-align: justify;">Torna-se importante ressaltar que as institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior, al&eacute;m das fun&ccedil;&otilde;es de pesquisa e ensino, nessa perspectiva, possuem como processos facilitadores outras a&ccedil;&otilde;es tais como comercializa&ccedil;&atilde;o do conhecimento acad&ecirc;mico, por exemplo, por meio de programas de educa&ccedil;&atilde;o continuada no segmento de extens&atilde;o universit&aacute;ria, patentes, setores de transfer&ecirc;ncia de tecnologia, parques tecnol&oacute;gicos, incubadoras, aceleradoras, intensificando assim a sua relev&acirc;ncia econ&ocirc;mica e social.</p>

<p style="text-align: justify;">Conclu&iacute;mos identificando a compet&ecirc;ncia de intera&ccedil;&atilde;o como primordial para toda institui&ccedil;&atilde;o de ensino superior ou empresas objetivando a sobreviv&ecirc;ncia dentro de um ecossistema de neg&oacute;cios cada dia mais complexo e inovador e este texto procura estimul&aacute;-los &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o na pr&aacute;tica. A sustentabilidade e sobreviv&ecirc;ncia &eacute; a maior motiva&ccedil;&atilde;o para coopera&ccedil;&atilde;o entre os setores e toda IES, por menor que seja, tem como faz&ecirc;-lo. A mentalidade empreendedora &eacute; que deve ser despertada nas institui&ccedil;&otilde;es e gestores para que possam come&ccedil;ar a agir proativamente.</p>

<p style="text-align: justify;">Link do Instituto Internacional de Tripla H&eacute;lice - &nbsp;<a href="http://www.triplehelix.net/" target="_self">http://www.triplehelix.net/</a></p>

<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>

<p style="text-align: justify;">_____________<br />
<em>*</em><i>Carmem Tavares &eacute;&nbsp;</i><em>Gestora Educacional e de Inova&ccedil;&atilde;o com 28 anos de experi&ecirc;ncia no mercado educacional privado brasileiro em institui&ccedil;&otilde;es de diversos portes e regi&otilde;es</em></p>

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