Por: ABMES
De laboratório à mercado: como a universidade pode fomentar o empreendedorismo científico

<p style="text-align: right;"><em>Por: Carmen Tavares*</em></p>
<p style="text-align: justify;">A inovação é fundamental para qualquer segmento. Entendida como crucial no fortalecimento da economia e para o desenvolvimento do país. Tenho assistido a milhares de eventos cuja proposta é falar sobre as tendências de inovação educacional. Quase todas elas esvaziadas de uma fundamentação capaz de construir os aportes teóricos necessários ao campo temático da inovação.</p>
<p style="text-align: justify;">No artigo dessa quinzena abordaremos um <em>case </em>de <strong>empreendedorismo científico</strong> que rompe e desconstrói um modelo já consolidado como referência no Brasil para propor uma atividade inovadora de caráter empreendedor que possibilita a formação de futuros profissionais para atuarem num mercado albergado pela economia criativa, baseada na educação empreendedora como forma de inovação.</p>
<p style="text-align: justify;">O empreendedorismo científico, também conhecido como empreendedorismo de tecnologia ou científico, é o processo de criar novas empresas ou produtos a partir de inovações tecnológicas e científicas. Esse tipo de empreendedorismo envolve a aplicação <strong>de pesquisas científicas e tecnológicas para criar soluções inovadoras para problemas práticos e para criar novos produtos </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O empreendedorismo científico é considerado importante para a inovação e o desenvolvimento econômico, pois cria novas oportunidades de negócios, gera empregos e pode levar a avanços significativos em áreas como saúde, energia, meio ambiente e tecnologia da informação, e acredite: ele pode nascer dentro das nossas universidades. Contudo, observa-se no ensino superior, sobretudo no particular, poucas instituições com uma política clara de inovação. A desculpa é sempre a mesma: inovar onera as instituições. Em nossa narrativa veremos que, quando existe criatividade e cooperação intersetorial, podemos inovar com baixo custo contando com aporte da instituição parceira e gerando valor para todos os players envolvidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, trarei como <em>case</em> para ser estudado o programa denominado <em><strong>Academic Working Capital</strong></em><em>, </em>iniciativa que eu tive o prazer de acompanhar. Criado em 2015 pelo Instituto Tim e pelos professores Marcos Pereira Barretto, Artur Tavares Vilas Boas e Diogo Dutra , é destinado a transformar TCCs em Startups. Todos os anos, dezenas de alunos da graduação de todo o Brasil são contemplados pelo programa que possui a seguinte estrutura: Workshops online e presenciais onde são realizadas atividades práticas com o objetivo de desenvolvimento de um produto ou serviço/negócio; orientação com professores durante todo o processo de desenvolvimento da solução; realização do protótipo financiado pelo Instituo Tim e, finalmente, os alunos são levados para uma feira de investidores, geralmente realizada em ambientes empresariais, como a FIESP ou o CUBO/Itaú, onde o negócio é apresentado para aceleradoras e investidores. Desta iniciativa já saíram dezenas de startups que ganharam o mercado. Entre elas a <a href="file:///C:/Users/lidyl/Google%20Drive/ABMES/ABMES%204.0/Coluna%20MTE/joboot.com"><strong>Binahki</strong></a><strong>, a </strong><a href="file:///C:/Users/lidyl/Google%20Drive/ABMES/ABMES%204.0/Coluna%20MTE/kartado.com.br"><strong>Kartado</strong></a><strong> e a </strong><a href="file:///C:/Users/lidyl/Google%20Drive/ABMES/ABMES%204.0/Coluna%20MTE/mvisia.com.br"><strong>Mvisia</strong></a>, sistema de visão com inteligência artificial , entre muitas outras que seria difícil de enumerar.</p>
<p style="text-align: justify;">Os professores criaram uma <strong>metodologia própria denominada SHELL4STARTUPS</strong> com base no empreendedorismo científico. A metodologia se transformou no livro “Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship”, disponível com “<a href="https://openaccess.blucher.com.br/article-list/9788580393903-429/list#undefined">open access</a>”, link também no final do texto. Em setembro de 2020, foi lançada a sua segunda edição em inglês devido ao sucesso da primeira edição em português.</p>
<p style="text-align: justify;">A metodologia segue o pressuposto de que o crescimento de um ecossistema empresarial se assenta em dois pilares: a expansão de financiamento e a criação de startups universitárias. Portanto, a educação para o empreendedorismo é importantíssima no processo de formação em qualquer carreira e pode ser considerada a base para que alunos empreendam. Para os autores, pesquisadores do empreendedorismo científico,</p>
<p align="right" style="margin-left:141.6pt;"><em><strong>“a educação para o empreendedorismo desempenha um papel importante na expansão do conjunto de startups promissoras, treinando empreendedores sobre como avaliar oportunidades de negócios, como projetar modelos de negócios escaláveis e como acelerar o processo de descoberta de clientes e negócios validação do modelo. Programas de educação empreendedora também podem inspirar novas gerações de empreendedores em escolas, universidades, incubadoras, e comunidades locais.” (</strong></em><strong>Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship, 2020)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Aqui reside uma oportunidade de inovação dentro das instituições de ensino superior. Através de um projeto dessa natureza é possível se engajar com o mercado em um processo de cooperação intersetorial. No site do Instituto Tim, pode-se conferir todas as etapas do projeto, cases e eventos da <em><strong>Academic Word Capital</strong></em><em>. </em>Abaixo uma imagem que demonstra as fases da metodologia utilizada no empreendedorismo acadêmico.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="/arquivos/noticias/images/Imagem1-coluna23052023.png" style="border-width: 0px; border-style: solid; width: 588px; height: 390px;" /></p>
<p align="center"><em>Fonte: Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship, 2020.</em></p>
<p style="margin-left:90.0pt;"> </p>
<p style="margin-left: 90pt; text-align: justify;"><em>“O Empreendedorismo de base tecnológica aborda a curva exponencial de uma startup, que geralmente passa pelas seguintes fases: (i) zero-stage/ideação, na qual há a descoberta de um problema relevante e de uma solução interessante para a necessidade identificada; (ii) validação/estabelecimento, quando as primeiras soluções começam a fazer sentido e iniciam-se as tentativas de vendas e adaptação do produto a uma demanda real, são as versões iniciais; (iii) crescimento, momento no qual o produto já está melhor elaborado e a startup começa a azeitar seu processo de vendas e a estruturar um time maior; (iv) maturidade, momento de escalar processos e tecnologias, bem como definir políticas para atração e retenção de talentos, além de traçar estratégias para cenários de competição mais intensa”. (Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship, 2020)</em></p>
<p style="text-align: justify;">Percebo que, para realizar as modificações necessárias aos currículos universitários é preciso entender que o foco tem que colaborar no estudo, no equacionamento e na solução de problemas da comunidade, ligado às áreas de abrangência dos cursos mantidos pela Instituição, bem como atender às exigências do contínuo desenvolvimento tecnológico, do interesse e necessidades locais e regionais de forma criativa, inteligente e empreendedora, como a demonstrada neste case.</p>
<p style="text-align: justify;">Para reafirmar toda a narrativa do case que trouxemos hoje, retrato a declaração de Jeff Dean, diretor de IA do Google, à estudantes universitários ocorrido em 22 de setembro de 2020 em uma live, na qual incentivou os alunos a buscarem áreas de estudo que gere impacto coletivo na sociedade. Dean afirmou que em 2020 está havendo uma <em><strong>“confluência incomum de eventos</strong></em><em>”,</em> ambiente propício a buscar inspiração a fim de detectar lacunas sociais. Através de inúmeros eventos gratuitos os alunos podem se capacitar para buscarem carreiras onde poderão desenvolver soluções inovadoras <em><strong>“que abordem grandes problemas, como mudança climática, saúde e justiça social”.</strong></em> Em referências as grandes queimadas, a pandemia e as lutas sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse artigo retrata mais um projeto acompanhado pela <strong>PRO INNOVARE</strong> para propiciar inovação no mercado e nas universidades brasileiras. Acesse nosso site: <a href="http://www.proinnovare.com.br/">www.proinnovare.com.br</a></p>
<p style="text-align: justify;">Acesso ao livro <em>Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship</em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://openaccess.blucher.com.br/article-list/9788580393903-429/list#undefined">https://openaccess.blucher.com.br/article-list/9788580393903-429/list#undefined</a></p>
<p style="text-align: justify;">-----------------------------------------------</p>
<p style="text-align: justify;"><em>*Maria Carmen Tavares Christóvão é Mestre em Gestão da Inovação com área de pesquisa em Inovação Educacional. Diretora da Pro Innovare Consultoria de Inovação atuou como Reitora, Pró Reitora e Diretora de Instituições de Ensino de diversos portes e regiões no Brasil. www.proinnovare.com.br</em></p>
<p style="text-align: justify;">A inovação é fundamental para qualquer segmento. Entendida como crucial no fortalecimento da economia e para o desenvolvimento do país. Tenho assistido a milhares de eventos cuja proposta é falar sobre as tendências de inovação educacional. Quase todas elas esvaziadas de uma fundamentação capaz de construir os aportes teóricos necessários ao campo temático da inovação.</p>
<p style="text-align: justify;">No artigo dessa quinzena abordaremos um <em>case </em>de <strong>empreendedorismo científico</strong> que rompe e desconstrói um modelo já consolidado como referência no Brasil para propor uma atividade inovadora de caráter empreendedor que possibilita a formação de futuros profissionais para atuarem num mercado albergado pela economia criativa, baseada na educação empreendedora como forma de inovação.</p>
<p style="text-align: justify;">O empreendedorismo científico, também conhecido como empreendedorismo de tecnologia ou científico, é o processo de criar novas empresas ou produtos a partir de inovações tecnológicas e científicas. Esse tipo de empreendedorismo envolve a aplicação <strong>de pesquisas científicas e tecnológicas para criar soluções inovadoras para problemas práticos e para criar novos produtos </strong></p>
<p style="text-align: justify;">O empreendedorismo científico é considerado importante para a inovação e o desenvolvimento econômico, pois cria novas oportunidades de negócios, gera empregos e pode levar a avanços significativos em áreas como saúde, energia, meio ambiente e tecnologia da informação, e acredite: ele pode nascer dentro das nossas universidades. Contudo, observa-se no ensino superior, sobretudo no particular, poucas instituições com uma política clara de inovação. A desculpa é sempre a mesma: inovar onera as instituições. Em nossa narrativa veremos que, quando existe criatividade e cooperação intersetorial, podemos inovar com baixo custo contando com aporte da instituição parceira e gerando valor para todos os players envolvidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, trarei como <em>case</em> para ser estudado o programa denominado <em><strong>Academic Working Capital</strong></em><em>, </em>iniciativa que eu tive o prazer de acompanhar. Criado em 2015 pelo Instituto Tim e pelos professores Marcos Pereira Barretto, Artur Tavares Vilas Boas e Diogo Dutra , é destinado a transformar TCCs em Startups. Todos os anos, dezenas de alunos da graduação de todo o Brasil são contemplados pelo programa que possui a seguinte estrutura: Workshops online e presenciais onde são realizadas atividades práticas com o objetivo de desenvolvimento de um produto ou serviço/negócio; orientação com professores durante todo o processo de desenvolvimento da solução; realização do protótipo financiado pelo Instituo Tim e, finalmente, os alunos são levados para uma feira de investidores, geralmente realizada em ambientes empresariais, como a FIESP ou o CUBO/Itaú, onde o negócio é apresentado para aceleradoras e investidores. Desta iniciativa já saíram dezenas de startups que ganharam o mercado. Entre elas a <a href="file:///C:/Users/lidyl/Google%20Drive/ABMES/ABMES%204.0/Coluna%20MTE/joboot.com"><strong>Binahki</strong></a><strong>, a </strong><a href="file:///C:/Users/lidyl/Google%20Drive/ABMES/ABMES%204.0/Coluna%20MTE/kartado.com.br"><strong>Kartado</strong></a><strong> e a </strong><a href="file:///C:/Users/lidyl/Google%20Drive/ABMES/ABMES%204.0/Coluna%20MTE/mvisia.com.br"><strong>Mvisia</strong></a>, sistema de visão com inteligência artificial , entre muitas outras que seria difícil de enumerar.</p>
<p style="text-align: justify;">Os professores criaram uma <strong>metodologia própria denominada SHELL4STARTUPS</strong> com base no empreendedorismo científico. A metodologia se transformou no livro “Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship”, disponível com “<a href="https://openaccess.blucher.com.br/article-list/9788580393903-429/list#undefined">open access</a>”, link também no final do texto. Em setembro de 2020, foi lançada a sua segunda edição em inglês devido ao sucesso da primeira edição em português.</p>
<p style="text-align: justify;">A metodologia segue o pressuposto de que o crescimento de um ecossistema empresarial se assenta em dois pilares: a expansão de financiamento e a criação de startups universitárias. Portanto, a educação para o empreendedorismo é importantíssima no processo de formação em qualquer carreira e pode ser considerada a base para que alunos empreendam. Para os autores, pesquisadores do empreendedorismo científico,</p>
<p align="right" style="margin-left:141.6pt;"><em><strong>“a educação para o empreendedorismo desempenha um papel importante na expansão do conjunto de startups promissoras, treinando empreendedores sobre como avaliar oportunidades de negócios, como projetar modelos de negócios escaláveis e como acelerar o processo de descoberta de clientes e negócios validação do modelo. Programas de educação empreendedora também podem inspirar novas gerações de empreendedores em escolas, universidades, incubadoras, e comunidades locais.” (</strong></em><strong>Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship, 2020)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Aqui reside uma oportunidade de inovação dentro das instituições de ensino superior. Através de um projeto dessa natureza é possível se engajar com o mercado em um processo de cooperação intersetorial. No site do Instituto Tim, pode-se conferir todas as etapas do projeto, cases e eventos da <em><strong>Academic Word Capital</strong></em><em>. </em>Abaixo uma imagem que demonstra as fases da metodologia utilizada no empreendedorismo acadêmico.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="/arquivos/noticias/images/Imagem1-coluna23052023.png" style="border-width: 0px; border-style: solid; width: 588px; height: 390px;" /></p>
<p align="center"><em>Fonte: Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship, 2020.</em></p>
<p style="margin-left:90.0pt;"> </p>
<p style="margin-left: 90pt; text-align: justify;"><em>“O Empreendedorismo de base tecnológica aborda a curva exponencial de uma startup, que geralmente passa pelas seguintes fases: (i) zero-stage/ideação, na qual há a descoberta de um problema relevante e de uma solução interessante para a necessidade identificada; (ii) validação/estabelecimento, quando as primeiras soluções começam a fazer sentido e iniciam-se as tentativas de vendas e adaptação do produto a uma demanda real, são as versões iniciais; (iii) crescimento, momento no qual o produto já está melhor elaborado e a startup começa a azeitar seu processo de vendas e a estruturar um time maior; (iv) maturidade, momento de escalar processos e tecnologias, bem como definir políticas para atração e retenção de talentos, além de traçar estratégias para cenários de competição mais intensa”. (Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship, 2020)</em></p>
<p style="text-align: justify;">Percebo que, para realizar as modificações necessárias aos currículos universitários é preciso entender que o foco tem que colaborar no estudo, no equacionamento e na solução de problemas da comunidade, ligado às áreas de abrangência dos cursos mantidos pela Instituição, bem como atender às exigências do contínuo desenvolvimento tecnológico, do interesse e necessidades locais e regionais de forma criativa, inteligente e empreendedora, como a demonstrada neste case.</p>
<p style="text-align: justify;">Para reafirmar toda a narrativa do case que trouxemos hoje, retrato a declaração de Jeff Dean, diretor de IA do Google, à estudantes universitários ocorrido em 22 de setembro de 2020 em uma live, na qual incentivou os alunos a buscarem áreas de estudo que gere impacto coletivo na sociedade. Dean afirmou que em 2020 está havendo uma <em><strong>“confluência incomum de eventos</strong></em><em>”,</em> ambiente propício a buscar inspiração a fim de detectar lacunas sociais. Através de inúmeros eventos gratuitos os alunos podem se capacitar para buscarem carreiras onde poderão desenvolver soluções inovadoras <em><strong>“que abordem grandes problemas, como mudança climática, saúde e justiça social”.</strong></em> Em referências as grandes queimadas, a pandemia e as lutas sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse artigo retrata mais um projeto acompanhado pela <strong>PRO INNOVARE</strong> para propiciar inovação no mercado e nas universidades brasileiras. Acesse nosso site: <a href="http://www.proinnovare.com.br/">www.proinnovare.com.br</a></p>
<p style="text-align: justify;">Acesso ao livro <em>Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship</em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://openaccess.blucher.com.br/article-list/9788580393903-429/list#undefined">https://openaccess.blucher.com.br/article-list/9788580393903-429/list#undefined</a></p>
<p style="text-align: justify;">-----------------------------------------------</p>
<p style="text-align: justify;"><em>*Maria Carmen Tavares Christóvão é Mestre em Gestão da Inovação com área de pesquisa em Inovação Educacional. Diretora da Pro Innovare Consultoria de Inovação atuou como Reitora, Pró Reitora e Diretora de Instituições de Ensino de diversos portes e regiões no Brasil. www.proinnovare.com.br</em></p>
Quer saber como a ABMES pode atender as demandas específicas da sua IES?
Nossos consultores estão prontos para apresentar todos os benefícios, serviços inclusos e condições exclusivas de filiação para o perfil da sua instituição.