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Por: Carmen Tavares

Educação em Inteligência Artificial como infraestrutura estratégica: uma leitura internacional

<p>Por: Carmen Tavares*</p>

<p>A intelig&ecirc;ncia artificial (IA) deixou de ser apenas uma promessa tecnol&oacute;gica e passou a ocupar o centro das estrat&eacute;gias corporativas globais. O que se observa em diferentes pa&iacute;ses &eacute; que a ado&ccedil;&atilde;o de IA n&atilde;o se limita &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o de ferramentas sofisticadas, mas exige a constru&ccedil;&atilde;o de uma base cultural e educacional s&oacute;lida. Empresas que compreenderam essa necessidade t&ecirc;m investido em programas de capacita&ccedil;&atilde;o que transformam a rela&ccedil;&atilde;o entre tecnologia e pessoas, criando condi&ccedil;&otilde;es para que a inova&ccedil;&atilde;o seja sustent&aacute;vel e governada de forma respons&aacute;vel.</p>

<p>O desafio inicial &eacute; universal: alinhar a lideran&ccedil;a &agrave;s pr&aacute;ticas de IA, preparar equipes para o uso cotidiano das ferramentas e estabelecer mecanismos de governan&ccedil;a que garantam conformidade &eacute;tica e regulat&oacute;ria. Pesquisas internacionais mostram que a falta de talentos especializados, a infraestrutura defasada e o desalinhamento estrat&eacute;gico entre executivos e &aacute;reas operacionais s&atilde;o barreiras recorrentes. Sem superar esses entraves, a IA tende a permanecer como um recurso subutilizado, restrito a projetos piloto que n&atilde;o avan&ccedil;am.</p>

<p>A resposta encontrada por multinacionais tem sido investir em programas de capacita&ccedil;&atilde;o multifacetados. A Amazon, por exemplo, estruturou a Machine Learning University para treinar centenas de milhares de colaboradores, criando uma linguagem comum em IA em todas as &aacute;reas da empresa. Esse movimento n&atilde;o apenas democratizou o acesso ao conhecimento, mas vinculou o aprendizado &agrave; progress&atilde;o de carreira, tornando a IA parte integrante da trajet&oacute;ria profissional. J&aacute; a Unilever optou por aplicar treinamentos voltados para problemas concretos, como processos de recrutamento. O resultado foi a redu&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica do tempo de sele&ccedil;&atilde;o, que passou de meses para dias, demonstrando como a capacita&ccedil;&atilde;o pode gerar impacto direto em indicadores de neg&oacute;cio.</p>

<p>No setor financeiro, o DBS Bank de Singapura implementou o programa AI for Everyone, capacitando todos os funcion&aacute;rios a identificar oportunidades de aplica&ccedil;&atilde;o da IA em suas rotinas. Essa abordagem inclusiva resultou em centenas de projetos internos e milh&otilde;es em valor incremental, refor&ccedil;ando a ideia de que a inova&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deve ficar restrita a especialistas, mas ser disseminada por toda a organiza&ccedil;&atilde;o. A Siemens, por sua vez, estruturou bootcamps vinculados a indicadores operacionais, como redu&ccedil;&atilde;o de downtime e aumento da efici&ecirc;ncia industrial. Ao conectar o aprendizado a m&eacute;tricas tang&iacute;veis, a empresa conseguiu ganhos de at&eacute; 20% em efici&ecirc;ncia, provando que a capacita&ccedil;&atilde;o pode ser diretamente associada a resultados mensur&aacute;veis. A IBM seguiu um caminho semelhante, personalizando trilhas de aprendizado com Watson para mais de 250 mil colaboradores. Essa estrat&eacute;gia reduziu o tempo de treinamento e aumentou as taxas de conclus&atilde;o, mostrando que a personaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; um fator decisivo para engajar equipes em larga escala.</p>

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<p>Esses casos revelam um padr&atilde;o: programas de capacita&ccedil;&atilde;o em IA bem-sucedidos n&atilde;o se limitam a transmitir conhecimento t&eacute;cnico, mas criam condi&ccedil;&otilde;es para que a tecnologia seja incorporada &agrave; cultura organizacional. O impacto observado vai al&eacute;m de m&eacute;tricas financeiras imediatas. Empresas relatam acelera&ccedil;&atilde;o da maturidade digital, constru&ccedil;&atilde;o de portf&oacute;lios de projetos de alto impacto, engajamento das equipes e fortalecimento da governan&ccedil;a. Um estudo da PwC indica que organiza&ccedil;&otilde;es que investem em capacita&ccedil;&atilde;o estruturada em IA t&ecirc;m 2,5 vezes mais chances de escalar projetos com retorno positivo em at&eacute; dois anos.</p>

<p>O Brasil, com seus pr&oacute;prios desafios, encontra-se em sintonia com essa tend&ecirc;ncia global. O case de uma multinacional de bens dur&aacute;veis que estruturou imers&atilde;o de lideran&ccedil;as, forma&ccedil;&atilde;o de multiplicadores internos e cria&ccedil;&atilde;o de um roadmap para governan&ccedil;a mostra que os obst&aacute;culos locais &mdash; falta de alinhamento estrat&eacute;gico, lacunas t&eacute;cnicas e aus&ecirc;ncia de estrutura de governan&ccedil;a &mdash; s&atilde;o reflexo de uma realidade compartilhada. A diferen&ccedil;a est&aacute; na escala e na velocidade de implementa&ccedil;&atilde;o, mas a converg&ecirc;ncia &eacute; clara: sem capacita&ccedil;&atilde;o, a IA permanece superficial; com capacita&ccedil;&atilde;o, torna-se motor de inova&ccedil;&atilde;o autossustent&aacute;vel.</p>

<p>A an&aacute;lise internacional refor&ccedil;a uma verdade fundamental: a transforma&ccedil;&atilde;o digital impulsionada pela IA &eacute;, antes de tudo, uma jornada de capacita&ccedil;&atilde;o humana. A tecnologia &eacute; a ferramenta, mas s&atilde;o as pessoas &mdash; alinhadas, capacitadas e engajadas &mdash; que geram valor real. Empresas que tratam a educa&ccedil;&atilde;o em IA como infraestrutura estrat&eacute;gica n&atilde;o apenas colhem ganhos imediatos, mas constroem uma vantagem competitiva duradoura. No Brasil e no mundo, o futuro da inova&ccedil;&atilde;o corporativa ser&aacute; escrito por aquelas organiza&ccedil;&otilde;es que souberem investir naquilo que realmente destrava o potencial da intelig&ecirc;ncia artificial: educa&ccedil;&atilde;o e cultura organizacional.</p>

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<p><em>*Maria Carmen Tavares Christ&oacute;v&atilde;o &eacute; Mestre em Gest&atilde;o da Inova&ccedil;&atilde;o com &aacute;rea de pesquisa em Inova&ccedil;&atilde;o Educacional. Diretora da Pro Innovare Consultoria de Inova&ccedil;&atilde;o Educacional, atuou como Reitora, Pr&oacute; Reitora e Diretora de Institui&ccedil;&otilde;es de Ensino de diversos portes e regi&otilde;es no Brasil.</em></p>

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