Por: Gustavo Fagundes
Educação Superior Comentada | A invasão e depredação do MEC e a preparação para a cidadania na educação superior

Ano 4 - Nº 43 - 07 de novembro de 2016 A Coluna Educação Superior Comentada desta semana trata sobre a recente invasão e depredação do prédio do Ministério da Educação, por supostos manifestantes, que deixaram, ainda, rastro de destruição na Esplanada dos Ministérios, com extensos danos aos patrimônios público e privado
<p><iframe frameborder="0" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/GJplktGWG-U" width="640"></iframe></p>
<p>Recebi sugestão de tratar, nesta derradeira coluna do ano de 2016, da recente invasão e depredação do prédio do Ministério da Educação, por supostos manifestantes, que deixaram, ainda, rastro de destruição na Esplanada dos Ministérios, com extensos danos aos patrimônios público e privado.</p>
<p>Inicialmente, resisti à ideia, temendo que minhas concepções ideológicas contaminassem o texto, mas percebi que, como cidadão, não poderia permanecer calado diante de tão abjeta conduta.</p>
<p>Não pretendo, e nem poderia, questionar o direito constitucional à livre manifestação do pensamento, muito menos à realização de protestos, desde que realizados nos moldes dos princípios que norteiam o estado democrático de direito, com respeito à ordem pública e sem causar danos de qualquer espécie.</p>
<p>Acontece que os fatos havidos recentemente não podem, de forma alguma, ser classificados como legítimos atos de protesto ou manifestação de contrariedade a propostas de mudança no ensino médio ou de limitação de gastos públicos, como aventado pelos organizadores para justificar a convocação.</p>
<p>O que presenciamos foram atos de vandalismo e banditismo explícitos, com depredação de patrimônio público e privado, atos de violência deliberada e previamente organizada, ou seja, sem qualquer vinculação lógica ao suposto fundamento da atividade programada.</p>
<p>Cidadão honesto que se dispõe a sair de casa para protestar de forma legítima não esconde o rosto, muito menos carrega consigo mochila repleta de pedras, barras de ferro ou coquetéis molotov.</p>
<p>Quem vai para as ruas com este arsenal está, inequivocamente, adotando uma conduta previamente ajustada com vistas ao cometimento de atos criminosos, organizada e preparada com antecedência.</p>
<p>A imensa maioria daquelas pessoas não tinham a menor noção do conteúdo da proposta de reforma do ensino médio ou das medidas destinadas à necessária limitação dos gastos públicos, mas se apresentavam como manifestantes contrários aos dois projetos, apenas para justificar seu verdadeiro desiderato: a prática de crimes e atos de vandalismo, apostando na impunidade gerada pelo contexto coletivo.</p>
<p>Descortina-se, com isso, a desabrida intenção por trás do evento, que, evidentemente, jamais foi participar propositivamente, de discussões sobre a reforma do ensino médio do da proposta de limitação de gastos públicos.</p>
<p>A intenção, desde a etapa de planejamento e organização, era buscar a intimidação pela violência, pelo desprezo aos princípios que embasam o estado democrático de direito e pela depredação do patrimônio público e privado.</p>
<p>Pichar prédios públicos, quebrar suas vidraças, invadi-los e depredar móveis, equipamentos e instalações não é protestar ou manifestar ideias, é simplesmente cometer crimes injustificáveis, sob o abrigo covarde da coletividade.</p>
<p>O exercício pleno da cidadania passa, necessariamente, pelo protesto, pela manifestação do pensamento e pela participação ativa na vida do País, mas não passa, de forma alguma, pelo vandalismo ou pelo desrespeito ao ordenamento jurídico.</p>
<p>Tão alarmante quanto a inequívoca e preordenada intenção dos vândalos travestidos de manifestantes foi a incompetência das forças de segurança neste caso, evidente desde os serviços de inteligência, que parecem não ter acompanhado adequadamente os preparativos para a suposta manifestação, passando pelos serviços de policiamento ostensivo, que não tiveram a capacidade de conter a turba em sua sanha depredatória, chegando aos serviços de investigação, que ainda não foram capazes de identificar e individualizar suas condutas criminosas.</p>
<p>Chega a parecer que essa conduta foi intencional, buscando apenas permitir que o foco das atenções fosse desviado do Congresso Nacional, onde atos tão lesivos quanto o badernaço eram praticados na calada da noite.</p>
<p>Mas, voltando ao tema central deste espaço, que é a educação superior, esses fatos, aliados a tantos outros que presenciamos nos últimos tempos, conduzem a uma conclusão, no mínimo, preocupante.</p>
<p>Nossas instituições parecem estar tão preocupadas com o ensino que estão deixando de lado sua missão maior, a educação, em suas três vertentes, sobretudo no que se refere à preparação para a cidadania.</p>
<p>É uma preocupação enorme com quantidade de livros, quantidade de doutores, resultados do ENADE, CPC e IGC, mas o que, de fato, tem sido feito para a preparação de nossos acadêmicos para a cidadania?</p>
<p>Qual é o tipo de formação humana e cidadã que está sendo oferecida, além da mera informação técnica que está sendo disponibilizada?</p>
<p>Qual é o tipo de cidadão que está sendo devolvido à sociedade, para atuar indissociavelmente com o profissional bem informado que está sendo entregue?</p>
<p>Gostaria de convidar todos a, junto com as tradicionais reflexões de final de ano, dedicar um pouco de tempo a refletir sobre o real compromisso das instituições de ensino superior com a formação efetiva e a preparação para a cidadania, para a gritante diferença entre os conceitos de “educação” e “ensino”.</p>
<p>Encerro esta derradeira coluna do ano de 2016 desejando a todos um excelente final de ano, com os votos de um 2017 menos turbulento, lembrando que, como bem colocado pela Ministra Cármem Lúcia, <em>“os ‘brasileiros de bem’ precisam ter a mesma ousadia dos ‘canalhas’ para ajudar a tirar o país da crise política, econômica e financeira que o Brasil enfrenta”.</em></p>
<p>Podemos fazer a diferença, mas não conseguiremos isso agindo apenas no conforto de nossos lares e gabinetes de trabalho, pois, para isso, precisamos ser tão ou mais ousados que <em>“eles”</em>.</p>
<p>Tenhamos, pois, um 2017 pleno de cidadania e de ousadia!</p>
<p>•</p>
<p>Qualquer crítica, dúvida ou correções, por favor, entre em contato com a <a href="mailto:gustavo@ilape.edu.br" style="color: rgb(0, 150, 65); box-sizing: border-box; background-color: transparent; text-decoration: none;" target="_blank">Coluna Educação Superior Comentada, por Gustavo Fagundes</a>, que também está à disposição para sugestão de temas a serem tratados nas próximas edições.</p>
<p>A ABMES presta também <a href="http://abmes.org.br/eventos/detalhe/464/agendamento-para-atendimento-juridico-e-academico-das-pmies" style="color: rgb(0, 150, 65); box-sizing: border-box; background-color: transparent; text-decoration: none;" target="_blank">atendimento presencial</a> nas áreas jurídica e acadêmica. Saiba mais sobre o serviço e verifique as datas disponíveis.</p>
<p>Recebi sugestão de tratar, nesta derradeira coluna do ano de 2016, da recente invasão e depredação do prédio do Ministério da Educação, por supostos manifestantes, que deixaram, ainda, rastro de destruição na Esplanada dos Ministérios, com extensos danos aos patrimônios público e privado.</p>
<p>Inicialmente, resisti à ideia, temendo que minhas concepções ideológicas contaminassem o texto, mas percebi que, como cidadão, não poderia permanecer calado diante de tão abjeta conduta.</p>
<p>Não pretendo, e nem poderia, questionar o direito constitucional à livre manifestação do pensamento, muito menos à realização de protestos, desde que realizados nos moldes dos princípios que norteiam o estado democrático de direito, com respeito à ordem pública e sem causar danos de qualquer espécie.</p>
<p>Acontece que os fatos havidos recentemente não podem, de forma alguma, ser classificados como legítimos atos de protesto ou manifestação de contrariedade a propostas de mudança no ensino médio ou de limitação de gastos públicos, como aventado pelos organizadores para justificar a convocação.</p>
<p>O que presenciamos foram atos de vandalismo e banditismo explícitos, com depredação de patrimônio público e privado, atos de violência deliberada e previamente organizada, ou seja, sem qualquer vinculação lógica ao suposto fundamento da atividade programada.</p>
<p>Cidadão honesto que se dispõe a sair de casa para protestar de forma legítima não esconde o rosto, muito menos carrega consigo mochila repleta de pedras, barras de ferro ou coquetéis molotov.</p>
<p>Quem vai para as ruas com este arsenal está, inequivocamente, adotando uma conduta previamente ajustada com vistas ao cometimento de atos criminosos, organizada e preparada com antecedência.</p>
<p>A imensa maioria daquelas pessoas não tinham a menor noção do conteúdo da proposta de reforma do ensino médio ou das medidas destinadas à necessária limitação dos gastos públicos, mas se apresentavam como manifestantes contrários aos dois projetos, apenas para justificar seu verdadeiro desiderato: a prática de crimes e atos de vandalismo, apostando na impunidade gerada pelo contexto coletivo.</p>
<p>Descortina-se, com isso, a desabrida intenção por trás do evento, que, evidentemente, jamais foi participar propositivamente, de discussões sobre a reforma do ensino médio do da proposta de limitação de gastos públicos.</p>
<p>A intenção, desde a etapa de planejamento e organização, era buscar a intimidação pela violência, pelo desprezo aos princípios que embasam o estado democrático de direito e pela depredação do patrimônio público e privado.</p>
<p>Pichar prédios públicos, quebrar suas vidraças, invadi-los e depredar móveis, equipamentos e instalações não é protestar ou manifestar ideias, é simplesmente cometer crimes injustificáveis, sob o abrigo covarde da coletividade.</p>
<p>O exercício pleno da cidadania passa, necessariamente, pelo protesto, pela manifestação do pensamento e pela participação ativa na vida do País, mas não passa, de forma alguma, pelo vandalismo ou pelo desrespeito ao ordenamento jurídico.</p>
<p>Tão alarmante quanto a inequívoca e preordenada intenção dos vândalos travestidos de manifestantes foi a incompetência das forças de segurança neste caso, evidente desde os serviços de inteligência, que parecem não ter acompanhado adequadamente os preparativos para a suposta manifestação, passando pelos serviços de policiamento ostensivo, que não tiveram a capacidade de conter a turba em sua sanha depredatória, chegando aos serviços de investigação, que ainda não foram capazes de identificar e individualizar suas condutas criminosas.</p>
<p>Chega a parecer que essa conduta foi intencional, buscando apenas permitir que o foco das atenções fosse desviado do Congresso Nacional, onde atos tão lesivos quanto o badernaço eram praticados na calada da noite.</p>
<p>Mas, voltando ao tema central deste espaço, que é a educação superior, esses fatos, aliados a tantos outros que presenciamos nos últimos tempos, conduzem a uma conclusão, no mínimo, preocupante.</p>
<p>Nossas instituições parecem estar tão preocupadas com o ensino que estão deixando de lado sua missão maior, a educação, em suas três vertentes, sobretudo no que se refere à preparação para a cidadania.</p>
<p>É uma preocupação enorme com quantidade de livros, quantidade de doutores, resultados do ENADE, CPC e IGC, mas o que, de fato, tem sido feito para a preparação de nossos acadêmicos para a cidadania?</p>
<p>Qual é o tipo de formação humana e cidadã que está sendo oferecida, além da mera informação técnica que está sendo disponibilizada?</p>
<p>Qual é o tipo de cidadão que está sendo devolvido à sociedade, para atuar indissociavelmente com o profissional bem informado que está sendo entregue?</p>
<p>Gostaria de convidar todos a, junto com as tradicionais reflexões de final de ano, dedicar um pouco de tempo a refletir sobre o real compromisso das instituições de ensino superior com a formação efetiva e a preparação para a cidadania, para a gritante diferença entre os conceitos de “educação” e “ensino”.</p>
<p>Encerro esta derradeira coluna do ano de 2016 desejando a todos um excelente final de ano, com os votos de um 2017 menos turbulento, lembrando que, como bem colocado pela Ministra Cármem Lúcia, <em>“os ‘brasileiros de bem’ precisam ter a mesma ousadia dos ‘canalhas’ para ajudar a tirar o país da crise política, econômica e financeira que o Brasil enfrenta”.</em></p>
<p>Podemos fazer a diferença, mas não conseguiremos isso agindo apenas no conforto de nossos lares e gabinetes de trabalho, pois, para isso, precisamos ser tão ou mais ousados que <em>“eles”</em>.</p>
<p>Tenhamos, pois, um 2017 pleno de cidadania e de ousadia!</p>
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<p>Qualquer crítica, dúvida ou correções, por favor, entre em contato com a <a href="mailto:gustavo@ilape.edu.br" style="color: rgb(0, 150, 65); box-sizing: border-box; background-color: transparent; text-decoration: none;" target="_blank">Coluna Educação Superior Comentada, por Gustavo Fagundes</a>, que também está à disposição para sugestão de temas a serem tratados nas próximas edições.</p>
<p>A ABMES presta também <a href="http://abmes.org.br/eventos/detalhe/464/agendamento-para-atendimento-juridico-e-academico-das-pmies" style="color: rgb(0, 150, 65); box-sizing: border-box; background-color: transparent; text-decoration: none;" target="_blank">atendimento presencial</a> nas áreas jurídica e acadêmica. Saiba mais sobre o serviço e verifique as datas disponíveis.</p>
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