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Por: ABMES

Educação Superior Comentada | A necessidade da efetivação das ações de supervisão e monitoramento

Na edição desta semana, o consultor jurídico da ABMES, Gustavo Fagundes, fala sobre as atividades de supervisão e monitoramento no âmbito do novo marco regulatório para a educação superior. Ele afirma que é preciso que o Ministério da Educação permaneça vigilante e sistemático em ambas as atividades e acrescenta que é necessário que todos amadureçam e percebam a nova realidade do mercado. "Mais do que isso, todos somos responsáveis pela prestação adequada de um serviço tão importante como a educação", diz

<p>Desde o final do ano de 2017, apresentei diversas manifesta&ccedil;&otilde;es acerca do novo marco regulat&oacute;rio para a educa&ccedil;&atilde;o superior, editado naquela ocasi&atilde;o, com a publica&ccedil;&atilde;o do <a href="http://abmes.org.br/legislacoes/detalhe/2289/decreto-n-9.235" target="_blank">Decreto n&deg; 9.235/2017</a> e das diversas portarias normativas que o seguiram.</p>

<p>Uma das quest&otilde;es suscitadas dizia respeito &agrave; necessidade de incremento nas atividades de supervis&atilde;o e nas ent&atilde;o criadas atividades de monitoramento, com o regramento trazido, inicialmente, pela <a href="http://abmes.org.br/legislacoes/detalhe/2298" target="_blank">Portaria Normativa n&deg; 22/2017</a> e, em seguida, pela <a href="https://abmes.org.br/legislacoes/detalhe/2419/portaria-mec-n-315" target="_blank">Portaria n&deg; 315/2018</a>, que revogada a anterior e trazia pequenas altera&ccedil;&otilde;es no texto original, como j&aacute; abordado neste espa&ccedil;o, na edi&ccedil;&atilde;o n&deg; 11, veiculada em 11.4.2018.</p>

<p>Como mencionado em outras ocasi&otilde;es, o novo pacote regulat&oacute;rio, encabe&ccedil;ado, na verdade, pelo <a href="http://abmes.org.br/legislacoes/detalhe/2120" target="_blank">Decreto n&deg; 9.057/2017</a>, mas abordado de forma mais efetiva a partir da edi&ccedil;&atilde;o do Decreto n&deg; 9.235/2017, face a especificidade do tema tratado naquele, trouxe saud&aacute;veis ares de modernidade ao contexto regulat&oacute;rio, com flexibiliza&ccedil;&atilde;o das regras e abrandamento do antes vigente rigorismo burocr&aacute;tico.</p>

<p>O problema que se anunciava era que essa s&uacute;bita distens&atilde;o do sistema regulat&oacute;rio poderia ensejar excessos, decorrentes da redu&ccedil;&atilde;o do rigor e do abrandamento da postura regulat&oacute;ria, sobretudo se n&atilde;o houvesse, por motivos &oacute;bvios, a adequada atua&ccedil;&atilde;o do Estado no exerc&iacute;cio do poder-dever de supervisionar e fiscalizar a atua&ccedil;&atilde;o de todos os atores envolvidos no processo educacional.</p>

<p>Participando de debates sobre o contexto regulat&oacute;rio, procurei externar essa preocupa&ccedil;&atilde;o, e sempre recebi, dos gestores p&uacute;blicos do MEC, que esse risco fora previsto e que a redu&ccedil;&atilde;o da atividade regulat&oacute;ria, antes excessiva, permitiria a efetiva&ccedil;&atilde;o das atividades das a&ccedil;&otilde;es de supervis&atilde;o e monitoramento, justamente para detectar e evitar eventuais excessos.</p>

<p>Decorrido mais de um ano da edi&ccedil;&atilde;o do Decreto n&deg; 9.057/2017 e mais de sete meses da edi&ccedil;&atilde;o do pacote regulat&oacute;rio capitaneado pelo Decreto n&deg; 9.235/2017, a triste constata&ccedil;&atilde;o &eacute; de que a prometida efetiva&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es de supervis&atilde;o e monitoramento ainda n&atilde;o foi capaz de decolar e sair do protocolo de inten&ccedil;&otilde;es.</p>

<p>Em virtude desse descompasso entre teoria e pr&aacute;tica, temos presenciado alguns excessos decorrentes do abrandamento regulat&oacute;rio, divorciado da efetividade das a&ccedil;&otilde;es de supervis&atilde;o e monitoramento e, aparentemente, da falta de maturidade do pr&oacute;prio mercado, como um todo considerado.</p>

<p>Exemplos desses excessos, alguns naturalmente n&atilde;o advindos das modifica&ccedil;&otilde;es do contexto regulat&oacute;rio, mas certamente decorrentes do pouco caso e de aparente descompromisso com a qualidade s&atilde;o noticiados todos os dias.</p>

<p>V&atilde;o desde a divulga&ccedil;&atilde;o de campanhas e not&iacute;cias com erros crassos no uso do vern&aacute;culo &agrave; instala&ccedil;&atilde;o de polos de apoio presencial em locais sem condi&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas de desenvolvimento das atividades presenciais previstas, passando pela oferta de cursos com pre&ccedil;os que parecem ter sa&iacute;do de panfletos de Black Friday.</p>

<p>Recentemente, cheguei a receber um material de divulga&ccedil;&atilde;o convidando os interessados a se tornarem donos de faculdade com o m&oacute;dico investimento de R$ 14.000,00 (catorze mil reais), o que, evidentemente, n&atilde;o permite sequer o pagamento das taxas de avalia&ccedil;&atilde;o <em>in loco</em> necess&aacute;rias ao credenciamento institucional e &agrave; autoriza&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico curso de gradua&ccedil;&atilde;o.</p>

<p>Naturalmente, esses s&atilde;o casos veiculados pelos pr&oacute;prios interessados ou que acabam entrando em circula&ccedil;&atilde;o pelas m&atilde;os de pessoas que testemunham tais fatos ou recebem tais promo&ccedil;&otilde;es, existindo, decerto, outras situa&ccedil;&otilde;es que evidenciam os excessos que vem sendo praticados.</p>

<p>Acompanhamos, h&aacute; pouco tempo, a grave situa&ccedil;&atilde;o dos institutos n&atilde;o credenciados, que atuam em boa parte do Pa&iacute;s oferecendo cursos de extens&atilde;o que s&atilde;o indevidamente vendidos como cursos regulares, com a garantia de acesso desses alunos a processos esp&uacute;rios de aproveitamento de estudos e emiss&atilde;o de diplomas &ldquo;esquentados&rdquo;.</p>

<p>Neste caso concreto, a atua&ccedil;&atilde;o do MEC na supervis&atilde;o e sancionamento dos envolvidos somente ocorreu depois de disseminada tal pr&aacute;tica em quase todo o Pa&iacute;s, depois de milhares de estudantes prejudicados recorrerem a &oacute;rg&atilde;os do Minist&eacute;rio P&uacute;blico e mesmo do Poder Legislativo, inclusive com instaura&ccedil;&atilde;o de Comiss&otilde;es Parlamentares de Inqu&eacute;rito em alguns Estados da Federa&ccedil;&atilde;o.</p>

<p>No caso dos excessos, n&atilde;o surgidos, mas certamente intensificados, depois da moderniza&ccedil;&atilde;o, e consequente flexibiliza&ccedil;&atilde;o, do contexto regulat&oacute;rio, parece que, mais uma vez, a atua&ccedil;&atilde;o do MEC somente vem sendo efetivada depois da mobiliza&ccedil;&atilde;o de outros segmentos do poder p&uacute;blico para coibir os abusos.</p>

<p>Entendo que o correto seria uma postura ativa, e n&atilde;o meramente reativa, do &oacute;rg&atilde;o respons&aacute;vel pela regula&ccedil;&atilde;o, supervis&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito do sistema federal de ensino, principalmente enquanto os demais atores do processo ainda se encontram em processo de amadurecimento, precisando dar mais alguns passos firmes na dire&ccedil;&atilde;o de uma responsabilidade compat&iacute;vel e proporcional &agrave; import&acirc;ncia da atividade que desempenham.</p>

<p>Conv&eacute;m lembrar que, al&eacute;m das atividades de supervis&atilde;o, o contexto regulat&oacute;rio trouxe a figura da atua&ccedil;&atilde;o do poder p&uacute;blico sob a forma de monitoramento, que certamente tem como escopo o acompanhamento da atua&ccedil;&atilde;o dos atores do processo, de forma geral e preventiva, para, em caso de ind&iacute;cios de irregularidade ou inadequa&ccedil;&atilde;o aos padr&otilde;es de qualidade, dar in&iacute;cio a procedimento administrativo de supervis&atilde;o.</p>

<p>A grande, e talvez desagrad&aacute;vel verdade, &eacute; que precisamos todos amadurecer como protagonistas do processo de mudan&ccedil;a da situa&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o no Brasil, pois cada um de n&oacute;s tem sua indel&eacute;vel parcela de responsabilidade na condu&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as que, com acerto, julgamos necess&aacute;rias.</p>

<p>Caso o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o assegure, com brevidade, a efetiva&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es de supervis&atilde;o e monitoramento, n&atilde;o tardar&aacute; o dia em que encontraremos cursos superiores sendo oferecidos a R$ 1,99 ou polos de apoio presencial instalados em quiosques nos corredores dos principais shoppings do Pa&iacute;s.</p>

<p>&bull;</p>

<p>Qualquer cr&iacute;tica, d&uacute;vida ou corre&ccedil;&otilde;es, por favor, entre em contato com a&nbsp;<a href="mailto:gustavo@ilape.edu.br" style="box-sizing: border-box; background-color: transparent; color: rgb(0, 150, 65); text-decoration-line: none; outline: 0px;">Coluna Educa&ccedil;&atilde;o Superior Comentada, por Gustavo Fagundes</a>, que tamb&eacute;m est&aacute; &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para sugest&atilde;o de temas a serem tratados nas pr&oacute;ximas edi&ccedil;&otilde;es.</p>

<p>A ABMES tamb&eacute;m oferece atendimento presencial nas &aacute;reas jur&iacute;dica e acad&ecirc;mica. Para agendar um hor&aacute;rio, envie e-mail para&nbsp;<a href="mailto:faleconosco@abmes.org.br" style="box-sizing: border-box; background-color: transparent; color: rgb(0, 150, 65); text-decoration-line: none;">faleconosco@abmes.org.br</a>.</p>

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