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Por: ABMES

Educação Superior Comentada | A nova sistemática de avaliação dos indicadores relativos às bibliografias básica e complementar nos instrumentos de avaliação de cursos de graduação

Na edição desta semana, o consultor jurídico da ABMES, Gustavo Fagundes, comenta a mudança na sistemática de avaliação dos indicadores relativos às bibliografias básica e complementar nos instrumentos de avaliação de cursos de graduação. Segundo o especialista, o afastamento da utilização de parâmetros objetivos uniformes e impeditivos do pleno exercício da autonomia didático-científico das instituições representa um inegável avanço no respeito aos projetos pedagógicos das IES

<p>Como apontado na <a href="http://www.abmes.org.br/colunas/detalhe/1737/educacao-superior-comentada-as-principais-mudancas-trazidas-pelos-instrumentos-de-avaliacao-de-cursos-de-graduacao-relativamente-ao-corpo-docente">edi&ccedil;&atilde;o anterior</a>, os instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o est&atilde;o, finalmente, mudando o foco no procedimento avaliativo, objetivando, com o afastamento de indicadores essencialmente objetivos, assegurar a efetividade do princ&iacute;pio fundamental do Sinaes, qual seja, o respeito &agrave; identidade e a diversidade das institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o superior, conforme preceitua o inciso III do artigo 2&ordm; da <a href="https://abmes.org.br/legislacoes/detalhe/560/lei-n-10.861">Lei n&ordm; 10.861/2004</a>:</p>

<p style="margin-left:2.0cm"><em>&ldquo;Art. 2&ordm; O Sinaes, ao promover a avalia&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es, de cursos e de desempenho dos estudantes, dever&aacute; assegurar:</em></p>

<p style="margin-left:2.0cm"><em>.....</em></p>

<p style="margin-left:2.0cm"><em>III - o respeito &agrave; identidade e &agrave; diversidade de institui&ccedil;&otilde;es e de cursos;&rdquo;.</em></p>

<p>No que pertine &agrave;s bibliografias b&aacute;sica e complementar, bem como aos peri&oacute;dicos, o costume era apresentar crit&eacute;rios essencialmente objetivos, relacionando a quantidade de exemplares, na bibliografia b&aacute;sica, ao quantitativo de vagas pretendidas ou autorizadas, enquanto na bibliografia b&aacute;sica e nos peri&oacute;dicos n&atilde;o era feita qualquer rela&ccedil;&atilde;o entre n&uacute;mero de vagas e exemplares dispon&iacute;veis.</p>

<p>Al&eacute;m disso, releva destacar que a ado&ccedil;&atilde;o de acervo virtual somente era poss&iacute;vel no caso da bibliografia complementar e dos peri&oacute;dicos, sendo certo que, para a possibilidade de sua utiliza&ccedil;&atilde;o na bibliografia b&aacute;sica, era exigido que existisse uma indica&ccedil;&atilde;o de t&iacute;tulo virtual para cada unidade curricular, tornando, em muitos casos, simplesmente imposs&iacute;vel a utiliza&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncias virtuais, pela simples inexist&ecirc;ncia de obras que atendessem a todas as disciplinas do curso.</p>

<p>Crit&eacute;rios objetivos, estipulados como r&eacute;guas aplic&aacute;veis indistintamente a todas as institui&ccedil;&otilde;es, geralmente, ensejam a inobserv&acirc;ncia do imprescind&iacute;vel princ&iacute;pio do respeito &agrave; identidade institucional, pois promovem a avalia&ccedil;&atilde;o sem considerar as condi&ccedil;&otilde;es individuais de cada institui&ccedil;&atilde;o, como se todas tivessem as mesmas necessidades e, assim, estivessem obrigadas a apresentar solu&ccedil;&otilde;es id&ecirc;nticas para as demandas de suas comunidades acad&ecirc;micas, desconsiderando, por completo, suas peculiaridades e propostas pedag&oacute;gicas.</p>

<p>Estava firmado, naquele contexto, o conceito de que todas institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o superior, n&atilde;o importando suas caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas, deveria ter um acervo bibliogr&aacute;fico de id&ecirc;nticas propor&ccedil;&otilde;es, apresentando, assim, bibliografia b&aacute;sica composta por tr&ecirc;s t&iacute;tulos distintos e quantidade de exemplares calculada a partir do quantitativo de vagas e bibliografia complementar composta por tr&ecirc;s a cinco t&iacute;tulos distintos, com disponibiliza&ccedil;&atilde;o de dois exemplares por t&iacute;tulo indicado, sem olvidar a necessidade de peri&oacute;dicos especializados, indexados e correntes, com pelo menos metade do total dispon&iacute;vel contando com assinatura e acervo dos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos.</p>

<p>A partir da altera&ccedil;&atilde;o dos instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o dos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o, levada a efeito no final de 2017, percebemos significativa mudan&ccedil;a na an&aacute;lise dos indicadores relativos &agrave;s bibliografias b&aacute;sica e complementar, que passam, ainda, a incorporar a seu contexto os peri&oacute;dicos especializados, formando, com isso, o complexo informativo essencial a ser disponibilizado para os acad&ecirc;micos no &acirc;mbito de cada uma das unidades curriculares dos cursos.</p>

<p>A defini&ccedil;&atilde;o da composi&ccedil;&atilde;o do acervo, em termos quantitativos e qualitativos, passar&aacute; a ser resultado de dois fatores essenciais, quais sejam, o estabelecimento de uma politica institucional de composi&ccedil;&atilde;o de acervo, de aplica&ccedil;&atilde;o geral no &acirc;mbito da institui&ccedil;&atilde;o, e a realiza&ccedil;&atilde;o de estudo de adequa&ccedil;&atilde;o, sob os prismas quantitativo e qualitativo.</p>

<p>Esta modifica&ccedil;&atilde;o pretende dar efetividade &agrave; atua&ccedil;&atilde;o do N&uacute;cleo Docente Estruturante (NDE) dos cursos superiores, os quais passam a ter responsabilidades compat&iacute;veis com as atribui&ccedil;&otilde;es que lhe s&atilde;o conferidas pela Resolu&ccedil;&atilde;o CONAES n&ordm; 1/2010, passando a estabelecer, como no tema sob an&aacute;lise, os crit&eacute;rios a serem observados na composi&ccedil;&atilde;o das bibliografias b&aacute;sica e complementar das unidades curriculares de seus cursos, inclusive no que diz respeito aos peri&oacute;dicos especializados.</p>

<p>Esta defini&ccedil;&atilde;o, por &oacute;bvio, dever&aacute; considerar alguns crit&eacute;rios essenciais estabelecidos nos instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o, sem olvidar, &eacute; claro, a coer&ecirc;ncia com as premissas pedag&oacute;gicas lan&ccedil;adas no PPC e a garantia da atua&ccedil;&atilde;o com condi&ccedil;&otilde;es de qualidade minimamente satisfat&oacute;rias.</p>

<p>A inten&ccedil;&atilde;o descortinada com essa altera&ccedil;&atilde;o nos indicadores de qualidade e, via de consequ&ecirc;ncia, na sistem&aacute;tica de avalia&ccedil;&atilde;o dos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o, &eacute; promover o afastamento da ado&ccedil;&atilde;o de par&acirc;metros rigidamente objetivos e uniformizantes, assegurando n&atilde;o s&oacute; o multicitado respeito &agrave; individualidade e diversidade das institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o superior, mas tamb&eacute;m o empoderamento de suas inst&acirc;ncias de gest&atilde;o e decis&atilde;o internas, cuja responsabilidade pela melhoria constante da qualidade fica cada vez mais evidente.</p>

<p>Assim como apontado na edi&ccedil;&atilde;o anterior desta coluna, em que tratamos dos indicadores relativos ao corpo docente, essa constata&ccedil;&atilde;o emerge com razo&aacute;vel clareza a partir da leitura atenta dos crit&eacute;rios de an&aacute;lise para avalia&ccedil;&atilde;o dos indicadores de qualidade relativos &agrave;s bibliografias b&aacute;sica e complementar, adiante transcritos, com indica&ccedil;&atilde;o expressa do crit&eacute;rio relativo &agrave; atribui&ccedil;&atilde;o de conceito 4 a cada um dos indicadores pertinentes, conforme constantes do instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o de cursos de gradua&ccedil;&atilde;o para fins de autoriza&ccedil;&atilde;o e de reconhecimento/renova&ccedil;&atilde;o de reconhecimento, haja vista possu&iacute;rem, para tais indicadores, exatamente a mesma reda&ccedil;&atilde;o:</p>

<p style="margin-left:35.4pt">- Indicador 3.6. Bibliografia b&aacute;sica por Unidade Curricular (UC) &ndash; o conceito 4 ser&aacute; atribu&iacute;do quando:</p>

<p style="margin-left:70.8pt">a) O acervo f&iacute;sico esteja tombado e informativo e o acervo virtual possua contrato que garanta o acesso ininterrupto pelos usu&aacute;rios, estando ambos registrados em nome da institui&ccedil;&atilde;o;</p>

<p style="margin-left:70.8pt">b) O acerco da bibliografia b&aacute;sica seja adequado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s unidades curriculares e aos conte&uacute;dos descritos no PPC, estando, ainda, atualizado, de acordo com a natureza de tais unidades.</p>

<p style="margin-left:70.8pt">c) O acervo da bibliografia b&aacute;sica esteja referendado por relat&oacute;rio de adequa&ccedil;&atilde;o, assinado pelo NDE, comprovando a compatibilidade, em caso de bibliogr&aacute;fica b&aacute;sica da unidade curricular, entre o n&uacute;mero de vagas autorizadas do curso e de outros que utilizem a mesma refer&ecirc;ncia, e a quantidade de exemplares por t&iacute;tulo ou assinatura de acesso dispon&iacute;vel no acervo;</p>

<p style="margin-left:70.8pt">d) Exista, no caso dos t&iacute;tulos virtuais, garantia de acesso f&iacute;sico na institui&ccedil;&atilde;o, com instala&ccedil;&otilde;es e recursos tecnol&oacute;gicos que atendam &agrave; demanda e &agrave; oferta ininterrupta via internet, bem como de ferramentas de acessibilidade e de solu&ccedil;&otilde;es de apoio &agrave; leitura, estudo e aprendizagem; e</p>

<p style="margin-left:70.8pt">e) O acervo possua exemplares ou assinaturas de acesso virtual de peri&oacute;dicos especializados que suplementem o conte&uacute;do ministrado nas unidades curriculares.</p>

<p style="margin-left:35.4pt">- Indicador 3.7. Bibliografia complementar por Unidade Curricular (UC) &ndash; o conceito 4 ser&aacute; atribu&iacute;do quando:</p>

<p style="margin-left:70.8pt">a) O acervo f&iacute;sico esteja tombado e informativo e o acervo virtual possua contrato que garanta o acesso ininterrupto pelos usu&aacute;rios, estando ambos registrados em nome da institui&ccedil;&atilde;o;</p>

<p style="margin-left:70.8pt">b) O acerco da bibliografia complementar seja adequado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s unidades curriculares e aos conte&uacute;dos descritos no PPC, estando, ainda, atualizado, de acordo com a natureza de tais unidades.</p>

<p style="margin-left:70.8pt">c) O acervo da bibliografia complementar esteja referendado por relat&oacute;rio de adequa&ccedil;&atilde;o, assinado pelo NDE, comprovando a compatibilidade, em caso de bibliogr&aacute;fica complementar da unidade curricular, entre o n&uacute;mero de vagas autorizadas do curso e de outros que utilizem a mesma refer&ecirc;ncia, e a quantidade de exemplares por t&iacute;tulo ou assinatura de acesso dispon&iacute;vel no acervo;</p>

<p style="margin-left:70.8pt">d) Exista, no caso dos t&iacute;tulos virtuais, garantia de acesso f&iacute;sico na institui&ccedil;&atilde;o, com instala&ccedil;&otilde;es e recursos tecnol&oacute;gicos que atendam &agrave; demanda e &agrave; oferta ininterrupta via internet, bem como de ferramentas de acessibilidade e de solu&ccedil;&otilde;es de apoio &agrave; leitura, estudo e aprendizagem; e</p>

<p style="margin-left:70.8pt">e) O acervo possua exemplares ou assinaturas de acesso virtual de peri&oacute;dicos especializados que complementem o conte&uacute;do ministrado nas unidades curriculares.</p>

<p>A delimita&ccedil;&atilde;o das bibliografias b&aacute;sica e complementar, inclusive peri&oacute;dicos, nos aspetos quantitativos e qualitativos, portanto, passa a ser atribui&ccedil;&atilde;o do N&uacute;cleo Docente Estruturante (NDE) dos cursos superiores, que dever&aacute; elaborar relat&oacute;rio indicado os crit&eacute;rios adotados para a defini&ccedil;&atilde;o acerca da quantidade de t&iacute;tulos e exemplares (ou acessos), de forma a assegurar a qualidade do conjunto de t&iacute;tulos e peri&oacute;dicos disponibilizados para efetiva&ccedil;&atilde;o do PPC.</p>

<p>Como apontado anteriormente, esta defini&ccedil;&atilde;o dever&aacute; partir, inicialmente, da formata&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica institucional de composi&ccedil;&atilde;o de acervo bibliogr&aacute;fico, respons&aacute;vel pelo estabelecimento de diretrizes institucionais gerais a serem observadas pelo N&uacute;cleo Docente Estruturante (NDE) de cada um de seus cursos, a partir das especificidades de seus respectivos projetos pedag&oacute;gicos, chegando, assim, ao relat&oacute;rio fundamentado para composi&ccedil;&atilde;o, em termos quantitativos e qualitativos, das bibliografias b&aacute;sica e complementar das respectivas unidades curriculares.</p>

<p>Esta pol&iacute;tica, naturalmente, deve contemplar, ainda, aspectos relacionados &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o, atualiza&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o do acervo, definidos a partir, entre outros crit&eacute;rios, da pretens&atilde;o de expans&atilde;o da oferta e da an&aacute;lise criteriosa de demanda efetiva por t&iacute;tulos e exemplares, de modo a atender adequadamente aos leg&iacute;timos anseios da comunidade acad&ecirc;mica.</p>

<p>Esse seria, naturalmente, o processo correto para defini&ccedil;&atilde;o da composi&ccedil;&atilde;o das bibliografias b&aacute;sica e complementar dos cursos superiores, mesmo em tempos de aplica&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios objetivos, sendo certo, no entanto, que o uso regulat&oacute;rio do resultado da avalia&ccedil;&atilde;o, somado &agrave; imposi&ccedil;&atilde;o de celebra&ccedil;&atilde;o de medidas de saneamento em caso de defici&ecirc;ncias, tornava praticamente obrigat&oacute;rio abandonar a metodologia correta para adotar a uniformiza&ccedil;&atilde;o dos acervos em termos de quantidade e qualidade, como forma de evitar a celebra&ccedil;&atilde;o de protocolos de compromisso.</p>

<p>As institui&ccedil;&otilde;es, naquelas condi&ccedil;&otilde;es, abriam m&atilde;o de sua individualidade e de sua autonomia did&aacute;tico-cient&iacute;fica, como forma de, atendendo a padr&otilde;es de qualidade universalmente exigidos, escapar das consequ&ecirc;ncias regulat&oacute;rias advindas da desconformidade com esses padr&otilde;es de duvidosa efic&aacute;cia para aferi&ccedil;&atilde;o de qualidade.</p>

<p>Ineg&aacute;vel o avan&ccedil;o verificado nos indicadores de qualidade relativos &agrave;s bibliografias b&aacute;sica e complementar dos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o, finalmente sendo afastada a utiliza&ccedil;&atilde;o de par&acirc;metros objetivos uniformes e impeditivos do pleno exerc&iacute;cio da autonomia did&aacute;tico-cient&iacute;fico das institui&ccedil;&otilde;es, respons&aacute;veis pelo desrespeito &agrave; individualidade destas, para a ado&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios que permitem o estabelecimento de pol&iacute;ticas institucionais coerentes e sua ado&ccedil;&atilde;o, com responsabilidade e de forma motivada, no &acirc;mbito dos cursos superiores, em respeito &agrave;s peculiaridades de seus respectivos projetos pedag&oacute;gicos.</p>

<p>&bull;</p>

<p>Qualquer cr&iacute;tica, d&uacute;vida ou corre&ccedil;&otilde;es, por favor, entre em contato com a&nbsp;<a href="mailto:gustavo@ilape.edu.br">Coluna Educa&ccedil;&atilde;o Superior Comentada, por Gustavo Fagundes</a>, que tamb&eacute;m est&aacute; &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para sugest&atilde;o de temas a serem tratados nas pr&oacute;ximas edi&ccedil;&otilde;es.</p>

<p>A ABMES tamb&eacute;m oferece atendimento presencial nas &aacute;reas jur&iacute;dica e acad&ecirc;mica. Para agendar um hor&aacute;rio, envie e-mail para&nbsp;<a href="mailto:faleconosco@abmes.org.br">faleconosco@abmes.org.br</a>.</p>

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