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Por: Celso Frauches

Educação Superior Comentada | Políticas, diretrizes, legislação e normas do ensino superior

Ano 1 • Nº 30 • De 4 a 10 de outubro de 2011

<p><strong>AINDA OS BACHARELADOS EM TEOLOGIA: ESTADO LAICO X LIBERDADE DE ENSINAR E DE APRENDER</strong></p>

<p>A prop&oacute;sito do artigo <em>Teologia: normas para autoriza&ccedil;&atilde;o e reconhecimento dos cursos e aproveitamento de estudos de cursos livres</em>, com base no Parecer CNE/CES n&ordm; 241/1999, inserido na <em>Coluna do Celso n&ordm; 29</em>, atento leitor pergunta porque n&atilde;o abordei o <span style="color:#0000ff"><a href="http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/pces118_09.pdf" target="_blank">Parecer n&ordm; 118/2009</a></span> da C&acirc;mara de Educa&ccedil;&atilde;o Superior (CES) do CNE, aprovado em 6/5/2009.</p>

<p>O citado parecer n&atilde;o foi referenciado em virtude de n&atilde;o ter obtido a homologa&ccedil;&atilde;o ministerial, especialmente, por abordar inadequadamente as quest&otilde;es relativas &agrave; laicidade do Estado brasileiro.</p>

<p>O referido parecer contempla orienta&ccedil;&otilde;es para instru&ccedil;&atilde;o dos processos referentes &agrave; autoriza&ccedil;&atilde;o e reconhecimento dos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o em Teologia, bacharelado.</p>

<p>O parecer investe de forma equivocada contra os cursos de Teologia que se restringem &ldquo;a uma &uacute;nica vis&atilde;o teol&oacute;gica e se caracterizam como cursos catequ&eacute;ticos a servi&ccedil;o de uma confiss&atilde;o religiosa e terminam por <strong><em>ferir o princ&iacute;pio constitucional da separa&ccedil;&atilde;o entre Igreja e Estado</em></strong>, pois preparam o aluno para atuar em uma &uacute;nica religi&atilde;o, papel que n&atilde;o cabe ao Estado nem a institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior por ele credenciadas&rdquo;. (grifei)</p>

<p>Ao invocar &ldquo;a doutrina da separa&ccedil;&atilde;o entre Igreja e Estado&rdquo;, &ldquo;o car&aacute;ter leigo do Estado&rdquo; e &ldquo;a preserva&ccedil;&atilde;o da liberdade religiosa&rdquo; a C&acirc;mara de Educa&ccedil;&atilde;o Superior do CNE agride frontalmente a Constitui&ccedil;&atilde;o que, no inciso II do art. 206 assegura a &ldquo;liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber&rdquo; e, no inciso II, o &ldquo;pluralismo de id&eacute;ias e de concep&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas, e coexist&ecirc;ncia de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e privadas de ensino&rdquo;.</p>

<p>O Estado brasileiro ao credenciar uma institui&ccedil;&atilde;o de ensino superior privada n&atilde;o pode discriminar nenhuma delas pelo fato de serem ligadas a alguma religi&atilde;o ou seita religiosa. A iniciativa privada, confessional ou leiga, &eacute; livre na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o superior, estando sujeita apenas &agrave; Lei e &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o de qualidade.&nbsp; O Estado laico n&atilde;o &eacute; agredido por isso. Nenhuma lei pro&iacute;be a exist&ecirc;ncia de IES ou cursos que tenham v&iacute;nculo com determinada religi&atilde;o.</p>

<p>Apenas para reavivar a mem&oacute;ria dos que, equivocamente, pensam que o Estado laico n&atilde;o deve autorizar IES e cursos voltados para determinada religi&atilde;o, lembro da exist&ecirc;ncia das PUC&rsquo;s. O termo &ldquo;Pontif&iacute;cia&rdquo;, usado por diversas universidades cat&oacute;licas brasileiras, &eacute; concedido pelo Papa e aceito pelo Estado brasileiro, sem qualquer ofensa &agrave; laicidade.</p>

<p>Eis alguns exemplos: <strong>&nbsp;</strong></p>

<div style="padding-left: 50px;">
<p><strong>* Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo </strong>&ndash; segundo o seu portal na Internet, nasceu h&aacute; 60 anos &ldquo;da vontade pol&iacute;tica da comunidade cat&oacute;lica&rdquo; e, em 1947, &ldquo;<strong><em>recebeu do Papa Pio XII o t&iacute;tulo de Pontif&iacute;cia</em></strong>&rdquo;; o curso de bacharelado em Teologia tem as seguintes caracter&iacute;sticas, claramente delineadas pela Igreja Cat&oacute;lica:</p>

<p>Perfil Profissional</p>

<p><strong><em>O curso de bacharelado em teologia forma academicamente os alunos para sua atua&ccedil;&atilde;o pastoral, acad&ecirc;mica e cient&iacute;fica em conson&acirc;ncia com as diretrizes da igreja cat&oacute;lica</em></strong>. O aluno formado em teologia atua como agente de pastoral nas comunidades, como professor e pesquisador na &aacute;rea e outras atividades que exijam tal prepara&ccedil;&atilde;o. Por isso o curso forma candidatos &agrave;s ordens sacras, religiosos e leigos para o aprofundamento de seus compromissos eclesiais e de suas pr&aacute;ticas pastorais.</p>

<p>Reconhecimentos</p>

<p><strong><em>O diploma de bacharel em teologia da PUC-SP tem duplo reconhecimento: o civil, atrav&eacute;s do MEC, e o eclesi&aacute;stico, atrav&eacute;s da S&eacute; Apost&oacute;lica </em></strong>(Vaticano).</p>

<p>Organiza&ccedil;&atilde;o Curricular</p>

<p><strong><em>O conte&uacute;do do curso de teologia &eacute; determinado pelas pr&oacute;prias afirma&ccedil;&otilde;es da f&eacute; crist&atilde;</em></strong>. O eixo tem&aacute;tico de cada ano de estudo &eacute; o pr&oacute;prio itiner&aacute;rio da profiss&atilde;o de f&eacute;, que vai da acolhida da Revela&ccedil;&atilde;o ao encontro com Deus, passando pela compreens&atilde;o do Mist&eacute;rio Divino historicizado em Jesus Cristo e vivenciado pelo crente na comunidade eclesial. Estudos aprofundados de Sagrada Escritura e de hist&oacute;ria do cristianismo est&atilde;o presentes na grade curricular que se organiza a partir dos fundamentos da teologia (Teologia Fundamental), sistematiza seu conte&uacute;do (Teologia Sistem&aacute;tica ou Dogm&aacute;tica) e afirma as conseq&uuml;&ecirc;ncias existenciais da viv&ecirc;ncia da f&eacute; (Teologia Moral e Pastoral) (grifei).</p>

<p><strong>*Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Rio de Janeiro</strong> &ndash; segundo o seu Estatuto, aprovado pelo Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, &ldquo;<strong><em>&eacute; uma universidade particular e confessional</em></strong>&rdquo; e segundo o seu perfil institucional &ldquo;<strong><em>est&aacute; ligada a um grupo social que aceita a inspira&ccedil;&atilde;o da tradi&ccedil;&atilde;o human&iacute;stico-crist&atilde; da Igreja Cat&oacute;lica</em></strong>&rdquo; e &ldquo;sua legitimidade como entidade particular, confessional e comunit&aacute;ria est&aacute; fundamentada nos seguintes princ&iacute;pios estabelecidos pela Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica do Brasil: 1) &quot;liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber&quot; (art. 206, II; 2), &quot;pluralismo de id&eacute;ias e de concep&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas e coexist&ecirc;ncia de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e privadas de ensino&quot; (art. 206, III)&rdquo;.&nbsp; E em rela&ccedil;&atilde;o ao curso de Teologia, bacharelado, reconhecido pela Portaria MEC n&ordm; 2.602, de 25/7/2005 (DOU de 26/7/2005), que ministra, a PUC-RJ, assume &ldquo;a Teologia crist&atilde; cat&oacute;lica... (como um) estudo cient&iacute;fico da Revela&ccedil;&atilde;o de Deus realizada atrav&eacute;s de Jesus Cristo e atestada na Sagrada Escritura e na Tradi&ccedil;&atilde;o da Igreja&rdquo;. Diz mais: <strong><em>A fun&ccedil;&atilde;o do te&oacute;logo &eacute;, portanto, partindo da Revela&ccedil;&atilde;o divina</em></strong>, aprofundar cientificamente os fundamentos da f&eacute; crist&atilde;, dialogando com as ci&ecirc;ncias e a sociedade. Ele pode se dedicar ao campo da pesquisa, ao ensino de Teologia em diversos n&iacute;veis, a variadas fun&ccedil;&otilde;es pastorais e ao servi&ccedil;o de assessoria a grupos religiosos ou abertos &agrave; dimens&atilde;o religiosa. (grifei)</p>

<p><strong>* Pontif&iacute;cia Universidade do Rio Grande do Sul</strong> &ndash; por seu Estatuto, aprovado pelo CNE, &ldquo;<strong><em>&eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o confessional cat&oacute;lica</em></strong>, <strong><em>que se rege</em></strong> pela legisla&ccedil;&atilde;o federal, <strong><em>pelas disposi&ccedil;&otilde;es can&ocirc;nicas aplic&aacute;veis</em></strong>, por seu Estatuto e Regimento e, no que couber, pelo Estatuto da Entidade Mantenedora&rdquo; (Art. 2&ordm;)...&nbsp; &ldquo;<strong><em>fundamentada em princ&iacute;pios da &Eacute;tica e do Cristianismo e na tradi&ccedil;&atilde;o educativa marista</em></strong>&rdquo; (Art. 3&ordm;) (gn). A PUC-RS, conforme informa o seu portal na Internet &ldquo;&eacute; uma Institui&ccedil;&atilde;o confessional cat&oacute;lica e comunit&aacute;ria, tendo como Chanceler o Arcebispo de Porto Alegre. <strong><em>O t&iacute;tulo de Pontif&iacute;cia, outorgado pelo Papa Pio XII, em 1&ordm; de novembro de 1950, &ldquo;significa a marca de uni&atilde;o e de filial devotamento &agrave; Santa S&eacute;</em></strong>&rdquo;. A PUC-RS &eacute; mantida, desde o ano 1994, pela Uni&atilde;o Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o e Assist&ecirc;ncia (UBEA), entidade civil dos Irm&atilde;os Maristas, com sede em Porto Alegre. A miss&atilde;o da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Rio Grande do Sul, &ldquo;fundamentada em princ&iacute;pios da &Eacute;tica e do Cristianismo e na tradi&ccedil;&atilde;o educativa marista, tem por Miss&atilde;o produzir e difundir conhecimento e promover a forma&ccedil;&atilde;o humana e profissional, orientada por crit&eacute;rios de qualidade e relev&acirc;ncia, na busca de uma sociedade justa e fraterna&rdquo;. E esclarece: &ldquo;o substantivo &quot;Universidade&quot; &eacute; adjetivado pelo termo &quot;Cat&oacute;lica&quot;, pois <strong><em>se trata de uma Universidade que professa o Catolicismo, ou seja, que defende e proclama seus dogmas</em></strong>&rdquo;. O t&iacute;tulo de &quot;Pontif&iacute;cia&quot; &eacute; &ldquo;o reconhecimento &agrave; contribui&ccedil;&atilde;o de uma institui&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria ao bem da Igreja no que diz respeito &agrave; forma&ccedil;&atilde;o superior, tanto nas ci&ecirc;ncias, quanto nas artes&rdquo;. (grifei)</p>
</div>

<p>Por acaso a C&acirc;mara de Educa&ccedil;&atilde;o Superior do CNE desejava, com o Parecer n&ordm; 118/2009, cassar o credenciamento das universidades cat&oacute;licas? Das metodistas ou luteranas? Fechar os cursos de Teologia dessas universidades?</p>

<p>Ignorado esse lament&aacute;vel equ&iacute;voco, o Parecer CES/CNE n&ordm; 118/2009 tem orienta&ccedil;&otilde;es que podem e devem ser seguidas pelas IES que ofertam cursos de Teologia, na modalidade bacharelado.</p>

<p>Os bacharelados em Teologia, segundo o parecer, devem atender ao disposto no <span style="color:#0000ff"><a href="http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/1997/pces776_97.pdf" target="_blank"> Parecer CES/CES n&ordm; 776/1997</a></span>, e no art. 43 da<span style="color:#0000ff"> <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm" target="_blank">Lei n&ordm; 9.394</a></span>, de 1996, a LDB, &ldquo;em especial em seus incisos I, III e VI&rdquo;.</p>

<p>O Parecer n&ordm; 776/1997 cont&eacute;m orienta&ccedil;&otilde;es gerais sobre as diretrizes curriculares nacionais, resumidas a seguir:</p>

<div style="padding-left: 50px;">
<p>1.&nbsp; assegurar, &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior, ampla liberdade na composi&ccedil;&atilde;o da carga hor&aacute;ria a ser cumprida para a integraliza&ccedil;&atilde;o dos curr&iacute;culos, assim como na especifica&ccedil;&atilde;o das unidades de estudos a serem ministradas;</p>

<p>2.&nbsp; indicar os t&oacute;picos ou campos de estudo e demais experi&ecirc;ncias de ensino-aprendizagem que compor&atilde;o os curr&iacute;culos, evitando ao m&aacute;ximo a fixa&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do dos espec&iacute;ficos com cargas hor&aacute;rias pr&eacute;-determinadas, as quais n&atilde;o poder&atilde;o exceder 50% da carga hor&aacute;ria total dos cursos;</p>

<p>3.&nbsp; evitar o prolongamento desnecess&aacute;rio da dura&ccedil;&atilde;o dos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o;</p>

<p>4.&nbsp; incentivar uma s&oacute;lida forma&ccedil;&atilde;o geral, necess&aacute;ria para que o futuro graduado possa vir a superar os desafios de renovadas condi&ccedil;&otilde;es de exerc&iacute;cio profissional e de produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento, permitindo variados tipos de forma&ccedil;&atilde;o e habilita&ccedil;&otilde;es diferenciadas em um mesmo programa;</p>

<p>5.&nbsp; estimular pr&aacute;ticas de estudo independente, visando uma progressiva autonomia profissional e intelectual do aluno;</p>

<p>6.&nbsp; encorajar o reconhecimento de habilidades, compet&ecirc;ncias e conhecimentos adquiridos fora do ambiente escolar, inclusive os que se refiram &agrave; experi&ecirc;ncia profissional julgada relevante para a &aacute;rea de forma&ccedil;&atilde;o considerada;</p>

<p>7.&nbsp; fortalecer a articula&ccedil;&atilde;o da teoria com a pr&aacute;tica, valorizando a pesquisa individual e coletiva, assim como os est&aacute;gios e a participa&ccedil;&atilde;o em atividades de extens&atilde;o;</p>

<p>8.&nbsp; incluir orienta&ccedil;&otilde;es para a condu&ccedil;&atilde;o de avalia&ccedil;&otilde;es peri&oacute;dicas que utilizem instrumentos variados e sirvam para informar a docentes e a discentes acerca do desenvolvimento das atividades did&aacute;ticas.</p>
</div>

<p>Lembro, todavia, que nem a pr&oacute;pria C&acirc;mara de Educa&ccedil;&atilde;o Superior do CNE vem cumprindo as determina&ccedil;&otilde;es do referido parecer, especialmente, em rela&ccedil;&atilde;o aos itens 1, 2 e 3. Quase todas as diretrizes curriculares fixadas para os cursos de gradua&ccedil;&atilde;o n&atilde;o asseguram &ldquo;ampla liberdade&rdquo; &agrave;s IES na composi&ccedil;&atilde;o da carga hor&aacute;ria a ser cumprida para a integraliza&ccedil;&atilde;o dos curr&iacute;culos, assim como na especifica&ccedil;&atilde;o das unidades de estudos a serem ministradas&rdquo;, uma vez que indica &ldquo;t&oacute;picos ou campos de estudo&rdquo; que excedem a &ldquo;50% da carga hor&aacute;ria total dos cursos&rdquo;. Por outro lado, a carga hor&aacute;ria m&iacute;nima de todos os cursos foi ampliada pelo CNE, transgredindo, assim, o item 3, n&atilde;o evitando o &ldquo;prolongamento desnecess&aacute;rio da dura&ccedil;&atilde;o dos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Na realidade, o CNE vem reeditando os curr&iacute;culos m&iacute;nimos apelidados de &ldquo;diretrizes curriculares nacionais&rdquo;, para &ldquo;cumprir&rdquo; (?) a lei.</p>

<p>O art. 43 da LDB, referenciado no Parecer n&ordm; 118/2009, tem a seguinte reda&ccedil;&atilde;o:</p>

<div style="padding-left: 50px;">
<p>Art. 43. A educa&ccedil;&atilde;o superior tem por finalidade:</p>

<p><strong><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; I.&nbsp; </em></strong><strong><em>estimular a cria&ccedil;&atilde;o cultural e o desenvolvimento do esp&iacute;rito cient&iacute;fico e do pensamento reflexivo;</em></strong></p>

<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; II.&nbsp; formar diplomados nas diferentes &aacute;reas de conhecimento, aptos para a inser&ccedil;&atilde;o em setores profissionais e para a participa&ccedil;&atilde;o no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua forma&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua;</p>

<p><strong><em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; II.&nbsp; </em></strong><strong><em>incentivar o trabalho de pesquisa e investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, visando o desenvolvimento da ci&ecirc;ncia e da tecnologia e da cria&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive;</em></strong></p>

<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; IV.&nbsp; promover a divulga&ccedil;&atilde;o de conhecimentos culturais, cient&iacute;ficos e t&eacute;cnicos que constituem patrim&ocirc;nio da humanidade e comunicar o saber atrav&eacute;s do ensino, de publica&ccedil;&otilde;es ou de outras formas de comunica&ccedil;&atilde;o;</p>

<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; V.&nbsp; suscitar o desejo permanente de aperfei&ccedil;oamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretiza&ccedil;&atilde;o, integrando os conhecimentos que v&atilde;o sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada gera&ccedil;&atilde;o;</p>

<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; VI.&nbsp; <strong><em>estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar servi&ccedil;os especializados &agrave; comunidade e estabelecer com esta uma rela&ccedil;&atilde;o de reciprocidade</em></strong>;</p>

<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; VII.&nbsp; promover a extens&atilde;o, aberta &agrave; participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o, visando &agrave; difus&atilde;o das conquistas e benef&iacute;cios resultantes da cria&ccedil;&atilde;o cultural e da pesquisa cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica geradas na institui&ccedil;&atilde;o. (grifei)</p>
</div>

<p>Os destaques s&atilde;o para os incisos citados no referido parecer, que conclui com as seguintes recomenda&ccedil;&otilde;es a respeito dos conte&uacute;dos curriculares e da dura&ccedil;&atilde;o dos bacharelados em Teologia:</p>

<div style="padding-left: 50px;">
<p>&Eacute; importante, portanto, que os cursos de gradua&ccedil;&atilde;o em Teologia, bacharelado, no Pa&iacute;s garantam o acesso &agrave; diversidade e &agrave; complexidade das teologias nas diferentes culturas e permitam analis&aacute;-las &agrave; luz dos diferentes momentos hist&oacute;ricos e contextos em que se desenvolvem. Devem, ainda, garantir uma ampla forma&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e metodol&oacute;gica, por meio da flexibilidade curricular na &aacute;rea do conhecimento e intera&ccedil;&atilde;o com as &aacute;reas afins.</p>

<p>Por essa raz&atilde;o, o estudo das teologias, da &aacute;rea de Ci&ecirc;ncias Humanas conforme classifica&ccedil;&atilde;o CAPES/CNPq, n&atilde;o pode prescindir de conhecimentos das ci&ecirc;ncias humanas e sociais, da filosofia, da hist&oacute;ria, da antropologia, da sociologia, da psicologia e da biologia entre outras. Essas ci&ecirc;ncias permitem estudar o universo teol&oacute;gico respeitando o princ&iacute;pio da &ldquo;exclus&atilde;o da transcend&ecirc;ncia&rdquo;, condi&ccedil;&atilde;o da abordagem cient&iacute;fica, ou seja, n&atilde;o se trata de afirmar ou negar a veracidade das afirma&ccedil;&otilde;es teol&oacute;gicas, mas, sim, estudar o modo como elas surgem, como se manifestam e como atuam nas diferentes dimens&otilde;es da vida, das experi&ecirc;ncias e do conhecimento humano. O estudo da teologia deve, ainda, buscar di&aacute;logo com outras &aacute;reas cient&iacute;ficas, possibilitando estudos interdisciplinares.</p>

<p>Salienta-se, outrossim, a import&acirc;ncia do respeito &agrave; laicidade do Estado, a fim de evitar que os cursos tenham um car&aacute;ter confessional, proselitista, fechados em uma &uacute;nica vis&atilde;o de mundo e de homem. Espera-se que os cursos de gradua&ccedil;&atilde;o em Teologia, bacharelado, formem te&oacute;logos cr&iacute;ticos e reflexivos, capazes de compreender a din&acirc;mica do fato religioso que perpassa a vida humana em suas v&aacute;rias dimens&otilde;es.</p>

<p>Prop&otilde;e-se que os curr&iacute;culos dos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o em Teologia, bacharelado, desenvolvam-se a partir dos seguintes eixos:</p>

<p>&nbsp;</p>

<p>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; eixo filos&oacute;fico &ndash; que contemple disciplinas que permitam avaliar as linhas de pensamento subjacentes &agrave;s teologias, conhecer as suas bases epistemol&oacute;gicas e desenvolver o respeito &agrave; &eacute;tica;</p>

<p>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; eixo metodol&oacute;gico &ndash; que garanta a apropria&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos e estrat&eacute;gias de produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico na &aacute;rea das ci&ecirc;ncias humanas;</p>

<p>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; eixo hist&oacute;rico &ndash; que garanta a compreens&atilde;o dos contextos culturais e hist&oacute;ricos;</p>

<p>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; eixo s&oacute;cio-pol&iacute;tico &ndash; que contemple an&aacute;lises sociol&oacute;gicas, econ&ocirc;micas e pol&iacute;ticas e seus efeitos nas rela&ccedil;&otilde;es institucionais e internacionais;</p>

<p>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; eixo lingu&iacute;stico &ndash; que possibilite a leitura e a interpreta&ccedil;&atilde;o dos textos que comp&otilde;em o saber espec&iacute;fico de cada teologia e o dom&iacute;nio de procedimentos da hermen&ecirc;utica;</p>

<p>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; eixo interdisciplinar &ndash; que estabele&ccedil;a di&aacute;logo com &aacute;reas de interface, como a psicologia, a antropologia, o direito, a biologia e outras &aacute;reas cient&iacute;ficas.</p>

<p>&nbsp;</p>

<p>Vale dizer que, no Brasil, existe cerca de uma centena de cursos de Teologia (em maio de 2009; em outubro de 2011, 134 cursos), j&aacute; autorizados ou reconhecidos, presentes em v&aacute;rios Estados. Eles s&atilde;o oferecidos por institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e particulares, pertencentes a mantenedoras confessionais ou n&atilde;o e contemplam teologias subjacentes a diferentes confiss&otilde;es: adventista, batista, cat&oacute;lica, esp&iacute;rita, evang&eacute;lica, luterana, messi&acirc;nica, metodista, umbandista, entre outras. Trata-se de cursos de gradua&ccedil;&atilde;o com dura&ccedil;&atilde;o entre 1.500 e 4.500 horas. Considerando que se trata de cursos de gradua&ccedil;&atilde;o, orienta-se que respeitem um m&iacute;nimo de 2.400 horas.</p>
</div>

<p>Tendo em vista que o Parecer CES/CNE n&ordm; 118/2009 n&atilde;o foi homologado pelo ministro da Educa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; obrigatoriedade para o cumprimento dessas diretrizes curriculares gerais. Podem, por&eacute;m, ser adotadas livremente, com o objetivo de tornar os bacharelados em Teologia sintonizados com a modernidade e os novos tempos abertos ao ecumenismo.</p>

<p>&nbsp;</p>

<p><u>***********************************************************************************************************************************************</u><strong> </strong><br />
&nbsp;</p>

<p><strong>O LEGADO DE STEVE JOBS </strong></p>

<p>Steve Jobs deixa um legado de import&acirc;ncia incalcul&aacute;vel, em todas as &aacute;reas do conhecimento humano. Tendo revolucionado as tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e da comunica&ccedil;&atilde;o, a sua heran&ccedil;a na &aacute;rea da gest&atilde;o e do desenvolvimento profissional e pessoal s&atilde;o, tamb&eacute;m, de raro significado, nesse mar de mediocridade que permeia as grandes organiza&ccedil;&otilde;es empresariais. Extra&iacute; da revista <em>Veja</em> (Edi&ccedil;&atilde;o 2238, ano 44, n&ordm; 41, de 12 de outubro de 2011, ps. 98/104) alguns desses ensinos:</p>

<p>&nbsp;</p>

<p>* <strong>Fa&ccedil;a aquilo de que voc&ecirc; gosta</strong> &ndash; mesmo que no come&ccedil;o pare&ccedil;a que n&atilde;o vai dar certo: &ldquo;Muitas vezes, as pessoas n&atilde;o sabem o que querem at&eacute; que algu&eacute;m lhes mostre&rdquo; (Entrevista &agrave; <em>Business Weeck</em>, em 1998);</p>

<p>* <strong>Aprenda com os erros</strong> &ndash; e jamais pare de errar: &ldquo;Se continuam correndo o risco de fracasso, eles ainda s&atilde;o artistas. Dylan e Picasso sempre corriam o risco de fracasso&rdquo; (Em reportagem &agrave; revista <em>Fortune</em>, em 1998);</p>

<p>* <strong>Trabalhe com equipes pequenas</strong>: &ldquo;&Eacute; dif&iacute;cil imaginar que uma empresa de 2 bilh&otilde;es de d&oacute;lares e mais de 4.300 pessoas n&atilde;o pudessem competir com seis pessoas vestindo jeans&rdquo; (Em 1985, depois de deixar a Apple, ao comentar os primeiros anos de embate com a IBM);</p>

<p>* <strong>Fa&ccedil;a as perguntas certas</strong> &ndash; e pense diferente do que voc&ecirc; pensa: &ldquo;Voc&ecirc; quer passar o resto da vida vendendo &aacute;gua com a&ccedil;&uacute;car ou quer ter a chance de mudar o mundo?&rdquo; (Em 1983, ao convidar John Sculley, ent&atilde;o executivo-chefe da Pepsi, para trabalhar na Apple);</p>

<p>* <strong>Crie uma cultura corporativa</strong> &ndash; mesmo na administra&ccedil;&atilde;o dom&eacute;stica: &quot;A inova&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem nada a ver com a quantidade de d&oacute;lares que voc&ecirc; investe em pesquisa e desenvolvimento. Quando a Apple lan&ccedil;ou o Mac, a IBM estava gastando no m&iacute;nimo cem vezes mais em P&amp;D. N&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de dinheiro. &Eacute; a equipe que voc&ecirc; tem, como voc&ecirc; lidera e quanto voc&ecirc; entende da coisa&rdquo; (Em entrevista &agrave; <em>Fortune</em>, em 1998);</p>

<p>* <strong>Simplifique</strong> &ndash; e diga n&atilde;o ao sup&eacute;rfluo: &ldquo;&Agrave; medida que aumenta a complexidade da tecnologia, tamb&eacute;m cresce a demanda pela for&ccedil;a b&aacute;sica da Apple de tornar compreens&iacute;vel para meros mortais recursos tecnol&oacute;gicos muito complexos&rdquo; (Em entrevista ao <em>New York Times</em>, em 2003);</p>

<p>* <strong>Guarde segredo e os alimente</strong>: &ldquo;A jornada &eacute; a recompensa&rdquo; (Aos criadores do Macintosh, em 1982);</p>

<p>* <strong>Ou&ccedil;as os outros</strong> &ndash; mas n&atilde;o tenha medo de tomar decis&otilde;es sozinho: &ldquo;N&atilde;o fazemos pesquisa de mercado. N&atilde;o contratamos consultores... S&oacute; queremos fazer produtos &oacute;timos&rdquo; (Em entrevista &agrave; <em>CNN</em>, em 2008);</p>

<p>* <strong>&Eacute; sempre melhor pegar um caminho alternativo do que correr onde todos j&aacute; est&atilde;o</strong>: &ldquo;Leonardo da Vinci era um grande artista e um grande cientista. Michelangelo conhecia a fundo o corte de pedras em pedreiras. Edwin Land, da Polaroid, um dia disse: &lsquo;Quero que a Polaroid se situe na intersec&ccedil;&atilde;o da arte e da ci&ecirc;ncia &ndash; nunca me esqueci disso&rdquo; (&Agrave; revista <em>Time</em>, em 1999);</p>

<p>* <strong>Um pouco de autossufici&ecirc;ncia &eacute; bom</strong> &ndash; valorize sua pr&oacute;pria marca: &ldquo;Eu valia mais de 1 milh&atilde;o de d&oacute;lares quando tinha 23 anos, mais de 10 milh&otilde;es quando tinha 24, mais de 100 milh&otilde;es quando tinha 25, e isso n&atilde;o era importante, porque nunca fiz nada por dinheiro&rdquo; (Em 1996, no document&aacute;rio para a tv &ndash; <em>O Triunfo dos Nerds</em>).</p>

<p>Qualquer d&uacute;vida em rela&ccedil;&atilde;o aos temas aqui tratados, entre em contato com a <span style="color:#0000ff"><a href="mailto:celso@ilape.edu.br"><em>Coluna do Celso</em></a></span>.</p>

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