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Por: Celso Frauches

Educação Superior Comentada | Políticas, diretrizes, legislação e normas do ensino superior

Ano 2 • Nº 56 • 8 a 14 de maio de 2012

<p><strong>V CONGRESSO BRASILEIRO DO EDUCA&Ccedil;&Atilde;O SUPERIOR PARTICULAR: IMPERD&Iacute;VEL</strong></p>

<p>O F&oacute;rum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular vai realizar, em Natal, de 14 a 16 de junho vindouro, o V Congresso Brasileiro do Educa&ccedil;&atilde;o Superior Particular, subordinado ao tema <em>Desafios do Ensino Superior no Brasil</em>.</p>

<p>O V CBESP abrir&aacute; um espa&ccedil;o &iacute;mpar para di&aacute;logos em torno dos desafios vivenciados pelo ensino superior particular em nosso Pa&iacute;s, nesta segunda d&eacute;cada do s&eacute;culo 21. As exposi&ccedil;&otilde;es e os di&aacute;logos devem abordar quest&otilde;es como:</p>

<div style="padding-left: 50px;">
<p>* A percep&ccedil;&atilde;o do contexto do futuro e suas implica&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento do ensino superior;<br />
* Inova&ccedil;&otilde;es na transmiss&atilde;o do conhecimento e seus reflexos no ensino/aprendizado;<br />
* A pol&iacute;tica de supervis&atilde;o governamental com suas nuances de regula&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o;<br />
* O desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico em n&iacute;vel nacional e internacional;<br />
* O desenvolvimento de nosso Pa&iacute;s e seus reflexos na forma&ccedil;&atilde;o para o mercado de trabalho.</p>
</div>

<p>O Congresso reunir&aacute; as principais lideran&ccedil;as do setor, autoridades governamentais e pol&iacute;ticas com responsabilidades na &aacute;rea de educa&ccedil;&atilde;o, renomados educadores e formuladores de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a educa&ccedil;&atilde;o no Brasil.</p>

<p>Voc&ecirc;, que atua na educa&ccedil;&atilde;o superior mantida pela livre iniciativa, n&atilde;o pode perder essa excelente oportunidade de ouvir e dialogar com as autoridades m&aacute;ximas do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e os pensadores que contribuem para o desenvolvimento da educa&ccedil;&atilde;o superior no segmento privado.<br />
Para maiores informa&ccedil;&otilde;es e inscri&ccedil;&atilde;o acesse <span style="color:#0000ff"><a href="http://www.cbesp.com.br/" target="_blank">www.cbesp.com.br</a></span>.</p>

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<p><strong>PAULO FREIRE &ndash; PATRONO DA EDUCA&Ccedil;&Atilde;O BRASILEIRA: O PROBLEMA EDUCACIONAL EST&Aacute; RESOLVIDO?</strong></p>

<p>A <span style="color:#0000ff"><a href="http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12612.htm" target="_blank">Lei n&ordm; 12.612</a></span>, de 2012, declara o educador Paulo Freire <em>Patrono da Educa&ccedil;&atilde;o Brasileira</em>. Excelente homenagem. Agora, a homenagem congruente com a filosofia educacional e a jornada pessoal e profissional de Paulo Freire seria os governos darem aos estudantes de suas escolas, oriundos das classes menos favorecidas economicamente, uma educa&ccedil;&atilde;o de qualidade. Essa justa homenagem perde o seu significado diante do desprezo dos pol&iacute;ticos e dos gestores p&uacute;blicos pela educa&ccedil;&atilde;o.</p>

<p>Um exemplo: na <span style="color:#0000ff"><a href="http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12593.htm" target="_blank">Lei n&ordm; 12.593</a></span>, de 2012, que institui o Plano Plurianual da Uni&atilde;o, para o per&iacute;odo de 2012 a 2015, a presidente da Rep&uacute;blica, ao estabelecer, no art. 4&ordm;, as diretrizes do referido Plano coloca em &uacute;ltimo lugar&nbsp; a educa&ccedil;&atilde;o, da ci&ecirc;ncia e da tecnologia. &Eacute; o que se depreende da leitura do citado artigo:</p>

<div style="padding-left: 50px;">
<p><em>Art. 4&ordm;<u>&nbsp;</u> O PPA 2012-2015 ter&aacute; como diretrizes: </em><em>&nbsp;</em>&nbsp; <em>&nbsp;</em></p>

<p><em>I.&nbsp;&nbsp;&nbsp; </em><em>a garantia dos direitos humanos com redu&ccedil;&atilde;o das desigualdades sociais, regionais, &eacute;tnico-raciais e de g&ecirc;nero; </em><em>&nbsp;</em>&nbsp;<br />
<em>II. </em><em>a amplia&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o social; </em><em>&nbsp;</em><br />
<em>III. </em><em>a promo&ccedil;&atilde;o da sustentabilidade ambiental; </em><em>&nbsp;</em>&nbsp;<br />
<em>IV. </em><em>a valoriza&ccedil;&atilde;o da diversidade cultural e da identidade nacional; </em><em>&nbsp;</em><br />
<em>V. </em><em>a excel&ecirc;ncia na gest&atilde;o para garantir o provimento de bens e servi&ccedil;os &agrave; sociedade;</em><em>&nbsp;</em><br />
<em>VI. </em><em>a garantia da soberania nacional;<br />
VII. </em><em>o aumento da efici&ecirc;ncia dos gastos p&uacute;blicos;</em><br />
<em>VIII. </em><em>o crescimento econ&ocirc;mico sustent&aacute;vel; e<br />
IX.&nbsp; </em><em>o est&iacute;mulo e a valoriza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, da ci&ecirc;ncia e da tecnologia. </em><em>&nbsp;</em></p>
</div>

<p>Penso que os fazedores de projetos presidenciais, numa &ldquo;pororoca de ideias&rdquo; ou <em>brainstorm</em>, foram elencando as prioridades do governo, de acordo com as suas prefer&ecirc;ncias, para a reda&ccedil;&atilde;o das diretrizes do Plano. Ap&oacute;s exclu&iacute;rem as bobagens que normalmente surgem nessa metodologia de explora&ccedil;&atilde;o de ideias, arrolaram nove prioridades. Mas tinham exigido dez, um n&uacute;mero esot&eacute;rico. Algu&eacute;m lembrou: &ldquo;faltam a educa&ccedil;&atilde;o, a ci&ecirc;ncia e a tecnologia!&rdquo;. Da&iacute; surgiu esse &ldquo;o est&iacute;mulo e a valoriza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, da ci&ecirc;ncia e da tecnologia&rdquo;.</p>

<p>A prop&oacute;sito, a ONG <em>Todos pela Educa&ccedil;&atilde;o</em> (<em>Veja</em>, Edi&ccedil;&atilde;o 2269, de 16/5/2012, p.103) realizou novo levantamento da situa&ccedil;&atilde;o do ensino p&uacute;blico brasileiro, a partir de dados extra&iacute;dos da Prova Brasil. Essa radiografia confirma o desprezo com que os poderes p&uacute;blicos tratam a educa&ccedil;&atilde;o em suas escolas. Revela que, enquanto nos pa&iacute;ses mais desenvolvidos 57% ou mais dos estudantes do ensino fundamental det&ecirc;m o conhecimento esperado para sua s&eacute;rie, no Brasil esse percentual &eacute; igual ou maior que 77%.</p>

<p>A pesquisa mostra que, das 180 mil escolas p&uacute;blicas, apenas cerca de 20% est&aacute; dotando estrat&eacute;gias e crit&eacute;rios para a melhoria da qualidade do ensino oferecido. Nesse universo sobressaem dez escolas p&uacute;blicas, que merecem destaque pelo esfor&ccedil;o desenvolvido, sendo as cinco primeiras do Estado de Minas Gerais, localizadas em S&atilde;o Thiago, Guaxup&eacute;, Ita&uacute; de Minas, Monte Santo de Minas e Capelinha. Alguns fatores explicam o bom desenvolvimento do ensino nesses munic&iacute;pios, tais como: diretores selecionados por crit&eacute;rios t&eacute;cnicos; incentivo financeiro aos professores com os melhores resultados; cursos constantes para a atualiza&ccedil;&atilde;o dos mestres; curr&iacute;culo &uacute;nico e bem organizado; valoriza&ccedil;&atilde;o da leitura; participa&ccedil;&atilde;o dos alunos em competi&ccedil;&otilde;es nacionais em todas as disciplinas; iniciativas para atrair a fam&iacute;lia &agrave; escola. A receita, todavia, deve ser aplicada completa para que o processo tenha &ecirc;xito.</p>

<p>Gustavo Ioschpe, na mesma edi&ccedil;&atilde;o de <em>Veja</em> (p. 109), em excelente artigo, levanta uma quest&atilde;o que est&aacute; na base da falta de compromisso de pol&iacute;ticos e governos com a qualidade da educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica: o conformismo dos pais com o ensino ministrado aos filhos. Ele acredita que esse quadro &ldquo;s&oacute; mudar&aacute; quando a popula&ccedil;&atilde;o passar a ver a educa&ccedil;&atilde;o brasileira como ela realmente &eacute;&rdquo;. E conclui: &ldquo;somente a&iacute; poderemos esperar a press&atilde;o popular por uma educa&ccedil;&atilde;o de qualidade, que gerar&aacute; incentivo para que pol&iacute;ticos cobrem desempenhos dos funcion&aacute;rios do sistema&rdquo;.</p>

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<p>&nbsp;</p>

<p><strong>HEUTAGOGIA: AUTONOMIA DO EDUCANDO</strong></p>

<p>H&aacute; pouco tempo fui despertado, pela curiosidade, para aprender um pouco sobre a <em>heutagogia</em>. Pedagogia e andragogia eu j&aacute; tinha razo&aacute;vel conhecimento, tamb&eacute;m como curioso, pois n&atilde;o sou professor, no exato significado deste termo.</p>

<p>A <span style="color:#0000ff"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Heutagogia" target="_blank"><em>heutagogia</em></a><strong>&nbsp;</strong></span>(do grego <em>heuta</em> = auto + <em>agogus</em> = guiar) prop&otilde;e um processo educacional no qual o estudante &eacute; o &uacute;nico respons&aacute;vel pela aprendizagem, com o uso intenso das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e da comunica&ccedil;&atilde;o (TICs). A <em>heutagogia</em> pode estar alinhada &agrave; educa&ccedil;&atilde;o a dist&acirc;ncia.</p>

<p>O termo <em>heutagogia</em> (heutagogy) foi criado pelo psic&oacute;logo <span style="color:#0000ff"><a href="http://works.bepress.com/stewart_hase/" target="_blank">Stewart Hase</a></span> e Chris Kenyon,&nbsp; da <span style="color:#0000ff"><a href="http://www.scu.edu.au" target="_blank"><em>Southern Cross University</em></a></span>, de Melbourne, Austr&aacute;lia, no in&iacute;cio desde s&eacute;culo. Trata-se de uma proposta em contraposi&ccedil;&atilde;o a andragogia e a pedagogia, em um processo de ensino onde n&atilde;o h&aacute; professor.</p>

<p>Segundo Fredric Litto, presidente da <span style="color:#0000ff"><a href="http://www2.abed.org.br/" target="_blank">Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Ensino a Dist&acirc;ncia (Abed)</a></span>, &quot;[...] j&aacute; passamos pela pedagogia, m&eacute;todo que o professor determina o que e como aprender. Estamos tentando utilizar a andragogia, teoria na qual &eacute; o professor quem determina o que, mas &eacute; o aluno quem determina como. Mas hoje, j&aacute; temos de ingressar na heutagogia, m&eacute;todo pelo qual &eacute; o aprendiz quem fixa o que e o como aprender&quot;. Uma aprendizagem autodirigida e autodeterminada.</p>

<p>Conhecia a experi&ecirc;ncia, com algumas semelhan&ccedil;as com a heutagogia, da <span style="color:#0000ff"><a href="http://beta.escoladaponte.com.pt/ponte/projeto" target="_blank">Escola da Ponte</a></span>, em Vila das Aves, Porto, Portugal, mas onde h&aacute; o professor e o ensino &eacute; presencial.&nbsp; A heutagogia, contudo, &eacute; apropriada &agrave; aprendizagem do adulto, com o uso do processo de EAD.</p>

<p>A heutagogia ganha destaque nesta segunda d&eacute;cada do s&eacute;culo 21, quando &eacute; intensificado, no Brasil, o modelo de ensino eletr&ocirc;nico nos processos de EAD. Merece estudos mais aprofundados por parte dos especialistas na mat&eacute;ria.</p>

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<p><strong>EQUIVAL&Ecirc;NCIA DE ESTUDOS MILITARES NO ENSINO CIVIL</strong></p>

<p>Recebo consultas sobre a possibilidade de aproveitamento de estudos realizados no sistema de ensino militar no sistema civil, em faculdades, centros universidades ou universidades.</p>

<p>Diz o art. 83 da <span style="color:#0000ff"><a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm" target="_blank">Lei n&ordm; 9.394</a></span>, de 1996, a LDB, que &quot;o ensino militar &eacute; regulado por lei espec&iacute;fica, admitida a equival&ecirc;ncia de estudos, de acordo com as normas fixadas pelos sistemas de ensino&quot;.</p>

<p>No sistema federal de ensino, integrado pelas IES mantidas pela Uni&atilde;o e pela iniciativa privada, os diplomas expedidos por organiza&ccedil;&otilde;es de ensino militar devem ter a equival&ecirc;ncia reconhecida por universidade, para que possam ser aceitos no sistema de ensino civil.</p>

<p>A C&acirc;mara de Educa&ccedil;&atilde;o Superior (CES) do Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o (CNE) trata dessa mat&eacute;ria nos <span style="color:#0000ff"><a href="http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=12636&amp;Itemid=866" target="_blank">Pareceres 247/1999, 460/1999, 1.295/2001, 272/2002, 287/2002 e 220/2003</a></span>, estabelecendo que o diploma de curso superior obtido no sistema militar, para ser aceito no ensino civil, deve ser reconhecido em universidade, sendo apostilado no verso do mesmo a equival&ecirc;ncia reconhecida.</p>

<p>Caso o diploma apresentado pelo candidato a curso superior contenha o registro previsto nos pareceres mencionados, os estudos realizados no ensino militar podem ser aproveitados no ensino civil, em cursos de gradua&ccedil;&atilde;o ou para acesso a cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, em n&iacute;veis de especializa&ccedil;&atilde;o, mestrado e doutorado.</p>

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<p><strong>NOVIDADE DA SEMANA: ASSUME NOVO TITULAR DA SERES/MEC</strong></p>

<p>Mediante ato publicado hoje, 14, no Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o, a ministra Gleisi Hoffmann nomeou Jorge Rodrigo Ara&uacute;jo Messias, procurador da Fazenda Nacional, para substituir Luis Fernando Massonetto na Secretaria de Regula&ccedil;&atilde;o e Supervis&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o Superior (Seres) do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o.</p>

<p>O novo titular da Seres ocupava o cargo de Consultor Jur&iacute;dico do MEC.</p>

<p>?</p>

<p>Qualquer d&uacute;vida em rela&ccedil;&atilde;o aos temas aqui tratados, entre em contato com a <span style="color:#0000ff"><span style="color:#0000ff"><a href="mailto:celso@ilape.edu.br" target="_blank"><em>Coluna do Celso</em></a></span></span>.</p>

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