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Por: Gustavo Fagundes

Educação Superior Comentada | Políticas, diretrizes, legislação e normas do ensino superior

Ano 1 • Nº 6 • De 2 a 8 de abril de 2013 A coluna desta semana analisa a ineficácia dos processos seletivos realizados pelas instituições de ensino superior.

<p><strong>INEFICI&Ecirc;NCIA DOS PROCESSOS SELETIVOS REALIZADOS PELAS INSTITUI&Ccedil;&Otilde;ES DE ENSINO SUPERIOR</strong></p>

<p>Na esteira da discuss&atilde;o sobre o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes &ndash; ENADE, inevitavelmente surge a quest&atilde;o do d&eacute;ficit de conhecimentos b&aacute;sicos com que os ingressantes se apresentam &agrave;s portas da educa&ccedil;&atilde;o superior.</p>

<p>Essa &eacute;, costumeiramente, uma das justificativas apresentadas para a disparidade de resultados entre as institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e as particulares, sempre sob o argumento de que as institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas conseguem captar os melhores alunos do ensino m&eacute;dio privado, enquanto para as particulares sobram apenas os alunos rejeitados naquelas institui&ccedil;&otilde;es.</p>

<p>N&atilde;o h&aacute; como negar a premissa de que, como regra geral, os alunos do ensino m&eacute;dio particular s&atilde;o mais bem preparados do que os alunos da rede p&uacute;blica, como demonstram, rotineiramente, os resultados do Exame Nacional do Ensino M&eacute;dio &ndash; ENEM.</p>

<p>Por outro lado, existe outra quest&atilde;o que n&atilde;o vem sendo enfrentada pelas institui&ccedil;&otilde;es particulares de ensino superior, que &eacute; a inefic&aacute;cia dos processos seletivos realizados, que, na grande maioria dos casos, pouco ou nada conseguem avaliar, muito menos, por &oacute;bvio, selecionar os candidatos aptos a ingressar na educa&ccedil;&atilde;o superior.</p>

<p>E, registre-se, desde que o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o limitou a obrigatoriedade de realiza&ccedil;&atilde;o de prova de reda&ccedil;&atilde;o no processo seletivo para acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o superior, esta conclus&atilde;o vem se tornando cada vez mais &oacute;bvia.</p>

<p>Com certeza, todos os leitores dessa coluna j&aacute; ouviram as piadas e lendas urbanas que cercam os processos seletivos das institui&ccedil;&otilde;es particulares, geralmente apontando para o descaso com qualquer crit&eacute;rio efetivo de avalia&ccedil;&atilde;o dos candidatos.</p>

<p>Os defensores desse simulacro de processo seletivo argumentam que, impondo rigor ao procedimento, haver&aacute; um imediato esvaziamento das salas de aula, reduzindo ainda mais o j&aacute; insuficiente preenchimento das vagas ofertadas.</p>

<p>Isto pode at&eacute; acontecer, mas provavelmente &eacute; mais resultado da oferta excessiva de vagas, com quantidades divorciadas da realidade e da pr&oacute;pria necessidade da regi&atilde;o onde funcionam as institui&ccedil;&otilde;es, do que da rigidez do processo seletivo propriamente dita.</p>

<p>A falta de efetividade do processo seletivo como ferramenta de sele&ccedil;&atilde;o e diagn&oacute;stico dos ingressantes &eacute;, na verdade, uma bomba rel&oacute;gio, preparada para ser detonada no ENADE, ou, ainda, no momento de encaminhamento desses alunos para oportunidades de est&aacute;gio, como demonstra a leitura de <span style="color:#0000ff"><a href="http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/04/02/estudantes-perdem-vagas-de-estagio-por-erros-de-portugues.htm" target="_blank">reportagem</a></span> que aponta para o fato de estarem alunos perdendo vagas de est&aacute;gio em decorr&ecirc;ncia de erros, alguns crassos, decorrentes do absoluto desconhecimento da l&iacute;ngua portuguesa.</p>

<p>O desconhecimento de fundamentos do conhecimento n&atilde;o se restringe, contudo, apenas &agrave; l&iacute;ngua portuguesa, podendo ser facilmente diagnosticado em todas as &aacute;reas que demandem conhecimentos oriundos das etapas anteriores do processo educacional, assim como nas &aacute;reas pertinentes &agrave; educa&ccedil;&atilde;o superior.</p>

<p>Pelo que tenho visto, existem duas alternativas para desarmar essa bomba rel&oacute;gio, ambas envolvendo mudan&ccedil;as de concep&ccedil;&atilde;o e de postura na oferta da educa&ccedil;&atilde;o superior, especialmente no &acirc;mbito do segmento privado.</p>

<p>A primeira alternativa, e mais &oacute;bvia, seria assegurar efetividade ao processo seletivo, ampliando-se a exig&ecirc;ncia de conhecimentos e habilidades necess&aacute;rias ao adequado acompanhamento das atividades inerentes &agrave; educa&ccedil;&atilde;o superior.</p>

<p>Abrir m&atilde;o de cumprir apenas o m&iacute;nimo exigido pelo MEC, ampliando o processo seletivo para exigir dom&iacute;nio m&iacute;nimo dos requisitos de conhecimento para acesso ao curso pretendido pelo ingressante, seria o passo inicial para adequar a demanda por educa&ccedil;&atilde;o superior &agrave;s exig&ecirc;ncias com que nossos alunos ser&atilde;o em breve confrontados.</p>

<p>Seria importante, ainda, aplicar provas de conhecimentos espec&iacute;ficos para aqueles cursos superiores que tenham requisitos individuais, como &eacute; feito, por exemplo, nas universidades p&uacute;blicas para os cursos na &aacute;rea de Artes, em que os candidatos s&atilde;o submetidos a exames de conhecimentos e habilidades espec&iacute;ficas, como forma de diagnosticar sua capacidade de efetivamente participar do processo de forma&ccedil;&atilde;o inerente ao curso escolhido.</p>

<p>A segunda alternativa &eacute; assegurar efetividade &agrave;s atividades de nivelamento, exigidas pelos crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o em vigor, mas que usualmente existem apenas nos projetos pedag&oacute;gicos de cursos, pouco sendo realizado de forma efetiva.</p>

<p>Ora, se a prova de reda&ccedil;&atilde;o &eacute; obrigat&oacute;ria, e as institui&ccedil;&otilde;es se acomodam exigindo apenas isso, o m&iacute;nimo que deve ser feito &eacute; utilizar as reda&ccedil;&otilde;es como ferramenta de diagn&oacute;stico das condi&ccedil;&otilde;es das turmas em rela&ccedil;&atilde;o ao dom&iacute;nio da l&iacute;ngua portuguesa, para adequar a oferta das disciplinas correspondentes e orientar a elabora&ccedil;&atilde;o e efetiva aplica&ccedil;&atilde;o dos programas de nivelamento!</p>

<p>Infelizmente, na maioria dos casos, nem isso &eacute; feito, sendo a prova de reda&ccedil;&atilde;o do processo seletivo o princ&iacute;pio, meio e fim do processo em si mesmo, pouco importando as li&ccedil;&otilde;es que dela as institui&ccedil;&otilde;es deveriam tirar para orientar a oferta de sua atividade educacional.</p>

<p>As institui&ccedil;&otilde;es particulares de educa&ccedil;&atilde;o superior que pretendam assegurar a qualidade efetiva de sua atividade educacional, portanto, devem dedicar uma aten&ccedil;&atilde;o mais efetiva ao processo seletivo, n&atilde;o apenas assegurando mais efic&aacute;cia em sua finalidade de sele&ccedil;&atilde;o de ingressantes, mas tamb&eacute;m o aproveitando como ferramenta de diagn&oacute;stico dos novos alunos e, assim, de efetivo planejamento e aprimoramento no desempenho das atividades acad&ecirc;micas.</p>

<p>?</p>

<p>Qualquer cr&iacute;tica, d&uacute;vida ou corre&ccedil;&otilde;es, por favor, entre em contato com a <span style="color:#0000ff"> <a href="mailto:gustavo@ilape.edu.br" target="_blank">Coluna Educa&ccedil;&atilde;o Superior Comentada, por Gustavo Fagundes</a></span>, que tamb&eacute;m est&aacute; &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para sugest&atilde;o de temas a serem tratados nas pr&oacute;ximas edi&ccedil;&otilde;es.</p>

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