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Por: Gustavo Fagundes

Educação Superior Comentada | Políticas, diretrizes, legislação e normas do ensino superior

Ano 1 • Nº 7 • De 9 a 15 de abril de 2013 A coluna desta semana analisa o desafio de manter em funcionamento uma instituição de ensino superior de pequeno porte.

<p><strong>O DESAFIO DA SOBREVIV&Ecirc;NCIA DAS INSTITUI&Ccedil;&Otilde;ES DE ENSINO SUPERIOR DE PEQUENO PORTE</strong></p>

<p>&nbsp;</p>

<p>No &uacute;ltimo dia 9 de abril, a ABMES realizou importante <span style="color:#0000ff"><a href="../../detalhe/id/776" target="_blank">semin&aacute;rio</a></span>, abordando a dif&iacute;cil situa&ccedil;&atilde;o em que se encontram as institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior de pequeno e m&eacute;dio porte, principalmente as pequenas faculdades localizadas fora dos grandes centros.</p>

<p>O evento realizado pela ABMES, que deve ser encarado como o in&iacute;cio de um trabalho efetivo de apoio mais intenso &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es de pequeno e m&eacute;dio porte, trouxe uma s&eacute;rie de informa&ccedil;&otilde;es que reafirmam a import&acirc;ncia vital dessas institui&ccedil;&otilde;es para o sistema federal de ensino e para a educa&ccedil;&atilde;o nacional, assim como permitiu, atrav&eacute;s do depoimento de mantenedores que lutam de forma exemplar pela oferta de educa&ccedil;&atilde;o de qualidade, contra todos os empecilhos, uma vis&atilde;o clara do esfor&ccedil;o realizado por esses educadores.</p>

<p>Essas institui&ccedil;&otilde;es desempenham a &aacute;rdua e nobre tarefa de levar educa&ccedil;&atilde;o superior aos mais long&iacute;nquos rinc&otilde;es do Pa&iacute;s, atuando de forma incans&aacute;vel e solit&aacute;ria nos distantes pontos em que o ensino p&uacute;blico n&atilde;o chega e nos quais a &uacute;nica forma de acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o superior &eacute; fornecida pelo denodo desses educadores idealistas, que lutam contra todas as barreiras que lhes s&atilde;o impostas, almejando assegurar, como preconiza o <span style="color:#0000ff"><a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm" target="_blank">inciso I do artigo 3&ordm; da LDB</a></span>, a igualdade de condi&ccedil;&otilde;es de acesso e perman&ecirc;ncia na escola.</p>

<p>E n&atilde;o sou poucas as dificuldades enfrentadas para que se consiga manter em funcionamento essas institui&ccedil;&otilde;es!</p>

<p>A dificuldade mais evidente &eacute; o enfrentamento do cipoal normativo em vigor, decorrente de uma atividade regulat&oacute;ria insana e insens&iacute;vel &agrave; multifacetada realidade nacional, desenvolvida nos climatizados gabinetes do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, sem um contato efetivo e real com os m&uacute;ltiplos cen&aacute;rios e desafios cotidianos impostos &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es de ensino, sobretudo, repita-se, &agrave;quelas afastadas dos grandes centros, em localidades que at&eacute; mesmo o acesso &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es e a contrata&ccedil;&atilde;o de docentes com um m&iacute;nimo de qualifica&ccedil;&atilde;o &eacute; tarefa herc&uacute;lea, um desafio diuturno.</p>

<p>Navegar nos mares revoltos da atividade regulat&oacute;ria &eacute; tarefa que se mostra complicada at&eacute; para as grandes institui&ccedil;&otilde;es, tornando-se um desafio ingl&oacute;rio para as institui&ccedil;&otilde;es de pequeno e m&eacute;dio porte, tamanha a voracidade da m&aacute;quina normativa e regulat&oacute;ria do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o!</p>

<p>A leitura dos instrumentos oficiais de divulga&ccedil;&atilde;o das normas legais pertinentes &agrave; educa&ccedil;&atilde;o &eacute; atividade di&aacute;ria e cercada de sobressaltos, pois sempre existe o temor da edi&ccedil;&atilde;o de normas draconianas, sobretudo depois de per&iacute;odos de relativa calmaria, geralmente utilizados para preparar os &ldquo;pacotes&rdquo; de novidades regulat&oacute;rias.</p>

<p>Rotineiramente, as institui&ccedil;&otilde;es s&atilde;o surpreendidas com novas normas, com altera&ccedil;&atilde;o das regras em vigor, muitas vezes atingindo processos j&aacute; em andamento, alterando situa&ccedil;&otilde;es de fato j&aacute; estabelecidas e impondo novas exig&ecirc;ncias para a consuma&ccedil;&atilde;o de processos at&eacute; mesmo em fase decis&oacute;ria.</p>

<p>Lidar com essa profus&atilde;o normativa, certamente, &eacute; uma atividade complexa, que imp&otilde;e grandes dificuldades para as institui&ccedil;&otilde;es de menor porte, impossibilitadas de manter um profissional capacitado para desempenhar as tarefas de atualiza&ccedil;&atilde;o no campo das atividades regulat&oacute;rias.</p>

<p>Ainda nessa seara, temos como outro grande complicador a aplica&ccedil;&atilde;o inadequada do SINAES, institu&iacute;do pela <span style="color:#0000ff"><a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.861.htm" target="_blank">Lei n&ordm; 10.861/2004</a></span>, com a utiliza&ccedil;&atilde;o de indicadores de qualidade &ndash; Conceito Preliminar de Curso (CPC) e &iacute;ndice Geral de Cursos Avaliados (IGC) como substitutos indevidos dos conceitos de qualidade &ndash; Conceito de Curso (CC) e Conceito Institucional (CI).</p>

<p>Esta pr&aacute;tica contraria frontalmente os pressupostos essenciais do SINAES, pois impede que sejam assegurados os princ&iacute;pios basilares da avalia&ccedil;&atilde;o no sistema federal de ensino, conforme expressamente lan&ccedil;ados no artigo 2&ordm; da Lei n&ordm; 10.861/2004, <em>verbis</em>:</p>

<p>&nbsp;</p>

<div style="padding-left: 50px;"><em>&ldquo;Art. 2<u><sup>o</sup></u> O SINAES, ao promover a avalia&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es, de cursos e de desempenho dos estudantes, dever&aacute; assegurar:</em>

<p><strong><em>I &ndash; avalia&ccedil;&atilde;o institucional, interna e externa, contemplando a an&aacute;lise global e integrada das dimens&otilde;es, estruturas, rela&ccedil;&otilde;es, compromisso social, atividades, finalidades e responsabilidades sociais das institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o superior e de seus cursos;</em></strong></p>

<p><em>II &ndash; o car&aacute;ter p&uacute;blico de todos os procedimentos, dados e resultados dos processos avaliativos;</em></p>

<p><strong><em>III &ndash; o respeito &agrave; identidade e &agrave; diversidade de institui&ccedil;&otilde;es e de cursos</em></strong><em>;</em></p>

<p><em>IV &ndash; a participa&ccedil;&atilde;o do corpo discente, docente e t&eacute;cnico-administrativo das institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o superior, e da sociedade civil, por meio de suas representa&ccedil;&otilde;es.&rdquo;</em></p>

<p>&nbsp;</p>
</div>

<p>Descartar a avalia&ccedil;&atilde;o <em>in loco</em>, sobretudo para fins de imposi&ccedil;&atilde;o de san&ccedil;&otilde;es &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es de ensino, &eacute; deixar de considerar, no processo avaliativo, a realidade da atividade educacional realizada, sobretudo no que pertine &agrave; inser&ccedil;&atilde;o e &agrave; responsabilidade social das institui&ccedil;&otilde;es, bem como ignorar, completamente, a premissa fundamental de respeito &agrave; identidade e &agrave; diversidade de institui&ccedil;&otilde;es e de cursos.</p>

<p>A ado&ccedil;&atilde;o indiscriminada dos indicadores de qualidade como se conceitos fossem, sobretudo para fins de supervis&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o de penalidades como a redu&ccedil;&atilde;o de vagas e suspens&atilde;o do processo seletivo, se mostra excessivamente onerosa para as institui&ccedil;&otilde;es de pequeno e m&eacute;dio porte, podendo, inclusive, significar a decreta&ccedil;&atilde;o do fim de sua exist&ecirc;ncia!</p>

<p>Torna-se ainda mais grave essa constata&ccedil;&atilde;o quando se verifica a morosidade na condu&ccedil;&atilde;o dos processos de supervis&atilde;o, como pode ser atestado por qualquer institui&ccedil;&atilde;o que neles esteja inclu&iacute;da.</p>

<p>Desvencilhar-se do processo de supervis&atilde;o, mesmo depois de atestada a qualidade da atividade educacional por meio do procedimento de reavalia&ccedil;&atilde;o, tem sido um desafio gigantesco para as institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior, sendo comum os processos permanecerem estagnados por meses a fio nesta situa&ccedil;&atilde;o, com as restri&ccedil;&otilde;es ao funcionamento pleno ainda vigorando, mesmo depois de demonstrado o cumprimento das medidas de saneamento propostas.</p>

<p>Vemos, portanto, que n&atilde;o se pode negar o peso das atividades de regula&ccedil;&atilde;o e supervis&atilde;o nas dificuldades enfrentadas pelas institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior de pequeno e m&eacute;dio porte, embora, decerto, n&atilde;o sejam o &uacute;nico complicador.</p>

<p>Outro fator, contudo, surge como desafio a ser enfrentado por essas institui&ccedil;&otilde;es, qual seja, a necessidade de defini&ccedil;&atilde;o de sua identidade institucional.</p>

<p>Com efeito, percebemos que falta a diversas institui&ccedil;&otilde;es de pequeno e m&eacute;dio porte uma clara defini&ccedil;&atilde;o de sua identidade institucional, uma vis&atilde;o efetiva de seu papel na sua comunidade, no seu compromisso de inser&ccedil;&atilde;o regional, de sua personalidade, de seu DNA, em suma!</p>

<p>Essa perda de identidade pode ser decisiva no comprometimento da sobreviv&ecirc;ncia das institui&ccedil;&otilde;es de pequeno e m&eacute;dio porte, pois pode descaracteriz&aacute;-las e, assim, fazer com que percam a sua ess&ecirc;ncia e a sua individualidade, atributos que certamente s&atilde;o imprescind&iacute;veis para sua exist&ecirc;ncia.</p>

<p>Desse modo, al&eacute;m de encontrar meios de manter-se no rumo certo em meio &agrave; profus&atilde;o de normas e procedimentos de regula&ccedil;&atilde;o e supervis&atilde;o, as pequenas e medidas institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior precisam, inequivocamente, manter-se fi&eacute;is &agrave; sua identidade, assegurando sua plena inser&ccedil;&atilde;o local e regional e assegurando a preserva&ccedil;&atilde;o de seu DNA, de suas caracter&iacute;sticas inatas e do pleno atendimento &agrave; sua miss&atilde;o institucional.</p>

<p>?</p>

<p>Qualquer cr&iacute;tica, d&uacute;vida ou corre&ccedil;&otilde;es, por favor, entre em contato com a <span style="color:#0000ff"> <a href="mailto:gustavo@ilape.edu.br" target="_blank">Coluna Educa&ccedil;&atilde;o Superior Comentada, por Gustavo Fagundes</a></span>, que tamb&eacute;m est&aacute; &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para sugest&atilde;o de temas a serem tratados nas pr&oacute;ximas edi&ccedil;&otilde;es.</p>

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