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Por: Gustavo Fagundes

Educação Superior Comentada | Políticas, diretrizes, legislação e normas do ensino superior

Ano 1 • Nº 15 • De 11 a 17 de junho de 2013 A coluna desta semana trata da parcialidade da atuação do MEC no campo da supervisão

<p><strong>A PARCIALIDADE DA ATUA&Ccedil;&Atilde;O DO MEC NO CAMPO DA SUPERVIS&Atilde;O</strong></p>

<p>&nbsp;</p>

<p>Encontra-se em pleno vigor o Decreto n&ordm; 7480/2011, que aprovou a estrutura do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e a delimita&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncia dos diversos &oacute;rg&atilde;os que a integram, entre eles a Secretaria de Regula&ccedil;&atilde;o e Supervis&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o Superior &ndash; SERES/MEC, cujas atribui&ccedil;&otilde;es est&atilde;o claramente lan&ccedil;adas no artigo 27 do referido Decreto, entre as quais destaco:</p>

<p>&nbsp;</p>

<div style="padding-left: 50px;">
<p>*Zelar pelo cumprimento da legisla&ccedil;&atilde;o educacional no &acirc;mbito da educa&ccedil;&atilde;o superior, profissional e &nbsp; &nbsp;tecnol&oacute;gica (inciso I); e<br />
<br />
*Promover a&ccedil;&otilde;es de supervis&atilde;o relacionadas ao cumprimento da legisla&ccedil;&atilde;o educacional e &agrave; indu&ccedil;&atilde;o da &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;melhoria dos padr&otilde;es de qualidade (inciso II).</p>
</div>

<p>&nbsp;</p>

<p>Desse modo, &eacute; evidente que incumbe &agrave; SERES/MEC, pela atua&ccedil;&atilde;o de suas Diretorias e Coordena&ccedil;&otilde;es, exercer as atividades de supervis&atilde;o no &acirc;mbito do sistema federal de ensino, zelando pela regularidade das atividades de todas as institui&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o que integram o referido sistema, sejam elas p&uacute;blicas ou privadas.</p>

<p>No que diz respeito &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es particulares, a atividade de supervis&atilde;o tem sido exercida com rigidez draconiana, com a instaura&ccedil;&atilde;o rotineira de processos de supervis&atilde;o e a imposi&ccedil;&atilde;o de medidas cautelares restritivas de direitos.</p>

<p>Aqui, cabe destacar o aspecto mais perverso da atividade de supervis&atilde;o, qual seja, a incapacidade dos agentes p&uacute;blicos de levar a efeito os processos instaurados, tornando a vida das institui&ccedil;&otilde;es submetidas aos mesmos um verdadeiro calv&aacute;rio, pois, mesmo depois de cumpridas as medidas saneadoras e comprovado este cumprimento por avalia&ccedil;&atilde;o <em>in loco</em>, n&atilde;o conseguem se desvencilhar dos processos administrativos e retomar a normalidade de sua vida institucional.</p>

<p>&Eacute; raro encontrar uma institui&ccedil;&atilde;o que tenha conseguido a tramita&ccedil;&atilde;o regular de um processo de supervis&atilde;o, com o cumprimento dos prazos legais e a solu&ccedil;&atilde;o &aacute;gil e tempestiva.</p>

<p>Esta realidade s&oacute; muda quando olhamos para as institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, que vem se mostrando praticamente imunes aos olhos da atividade de supervis&atilde;o.</p>

<p>Curiosamente, os absurdos verificados nas institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, denunciados pela imprensa, pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico e pelos pr&oacute;prios membros da comunidade acad&ecirc;mica parecem insuficientes para desencadear a atividade de supervis&atilde;o por parte da SERES/MEC.</p>

<p>Nas &uacute;ltimas semanas, tivemos v&aacute;rios exemplos dessas situa&ccedil;&otilde;es teratol&oacute;gicas, amplamente veiculados nos diversos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, sem que se tenha not&iacute;cia de qualquer ato de supervis&atilde;o ou da imposi&ccedil;&atilde;o de qualquer tipo de medida cautelar para resguardar interesse dos alunos, nitidamente prejudicados pelo descaso e pelo desmando dos dirigentes de algumas institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas.</p>

<p><span style="color:#0000ff"><a href="http://g1.globo.com/ro/rondonia/noticia/2013/03/universidade-de-ro-tem-formol-vencido-e-corpos-em-decomposicao.html" target="_blank">Laborat&oacute;rios da Universidade Federal de Rond&ocirc;nia foram interditados</a></span> por atua&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho e do Tribunal Regional do Trabalho, por apresentarem condi&ccedil;&otilde;es inadequadas de funcionamento, entre as quais produtos vencidos e cad&aacute;veres em avan&ccedil;ado estado de decomposi&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m do que n&atilde;o existe disponibilidade de equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o individual, que devem ser adquiridos pelos pr&oacute;prios alunos, e das condi&ccedil;&otilde;es inadequadas de armazenamento de produtos qu&iacute;micos.</p>

<p><span style="color:#0000ff"><a href="http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/03/07/alunos-da-federal-fluminense-tem-aulas-dentro-de-conteineres-no-interior-do-rj.htm" target="_blank">Alunos da Universidade Federal Fluminense &ndash; UFF &ndash; dos campi de Rio das Ostras e Campos de Goytacazes assistem aulas em containers adaptados</a></span><a href="http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/03/07/alunos-da-federal-fluminense-tem-aulas-dentro-de-conteineres-no-interior-do-rj.htm" target="_blank"> </a>, numa situa&ccedil;&atilde;o de completa falta de estrutura e de condi&ccedil;&otilde;es adequadas de funcionamento, tanto que, no Esp&iacute;rito Santo, o poder p&uacute;blico foi duramente criticado por usar este tipo de instala&ccedil;&atilde;o (containers adaptados) para interna&ccedil;&atilde;o de detentos do sistema prisional.</p>

<p><span style="color:#0000ff"><a href="http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/ribeiraopreto/1248434-alunos-protestam-contra-cursos-de-universidades-sem-professores.shtml" target="_blank">Nas universidades p&uacute;blicas da regi&atilde;o de Ribeiro Preto/SP, &eacute; constante a falta de docentes</a></span>, de preceptores e de campo para atividades pr&aacute;ticas para os cursos na &aacute;rea da sa&uacute;de, tanto que alunos da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos &ndash; UFSCar &ndash; deflagraram movimento de greve objetivando a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de oferta.</p>

<p>A lista n&atilde;o se esgota nesses tr&ecirc;s exemplos recentes de descumprimento da legisla&ccedil;&atilde;o educacional e mesmo trabalhista, pois s&atilde;o comuns relatos de situa&ccedil;&otilde;es irregulares em diversas institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior p&uacute;blicas, colocando em risco n&atilde;o apenas a qualidade da educa&ccedil;&atilde;o ofertada, mas tamb&eacute;m a sa&uacute;de e a incolumidade de todos os membros da comunidade acad&ecirc;mica.</p>

<p>Se estas situa&ccedil;&otilde;es fossem verificadas em institui&ccedil;&otilde;es privadas, certamente a pesada m&atilde;o da supervis&atilde;o j&aacute; se teria feito sentir, com instaura&ccedil;&atilde;o de processo administrativo e aplica&ccedil;&atilde;o de medidas cautelares.</p>

<p>Todavia, curiosamente, esses atos de manifesto descumprimento da legisla&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o capazes de provocar a a&ccedil;&atilde;o de supervis&atilde;o por parte da Secretaria de Regula&ccedil;&atilde;o e Supervis&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o Superior do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o &ndash; SERES/MEC.</p>

<p>Ser&atilde;o os agentes p&uacute;blicos lotados na SERES/MEC incapazes de enxergar essas situa&ccedil;&otilde;es? Ou esses agentes, intencionalmente, fingem n&atilde;o ver esses flagrantes de descumprimento da legisla&ccedil;&atilde;o, preferindo direcionar sua atividade de supervis&atilde;o exclusivamente para as institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior privadas por determina&ccedil;&atilde;o dos dirigentes p&uacute;blicos, estes sim os verdadeiros respons&aacute;veis pelos descalabros acima relacionados?</p>

<p>&nbsp;</p>

<p>?</p>

<p>Qualquer cr&iacute;tica, d&uacute;vida ou corre&ccedil;&otilde;es, por favor, entre em contato com a <span style="color:#0000ff"> <a href="mailto:gustavo@ilape.edu.br" target="_blank">Coluna Educa&ccedil;&atilde;o Superior Comentada, por Gustavo Fagundes</a></span>, que tamb&eacute;m est&aacute; &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para sugest&atilde;o de temas a serem tratados nas pr&oacute;ximas edi&ccedil;&otilde;es.</p>

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