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Por: Gustavo Fagundes

Educação Superior Comentada | Políticas, diretrizes, legislação e normas do ensino superior

Ano 1 • Nº 17 • De 25 junho a 1º de julho de 2013 A coluna desta semana trata do ensino de Medicina no país

<p><strong>O ENSINO DE MEDICINA NO PA&Iacute;S</strong></p>

<p>Enquanto o Pa&iacute;s est&aacute; mobilizado, exigindo profundas mudan&ccedil;as sociais, pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas, o ensino de Medicina est&aacute; vivendo uma situa&ccedil;&atilde;o extremamente complicada e paradoxal.</p>

<p>Enquanto as institui&ccedil;&otilde;es particulares s&atilde;o obrigadas a realizar pesados investimentos para oferecer infraestrutura adequada e corpo docente qualificado em todos os seus cursos superiores, notadamente nos cursos de Medicina, come&ccedil;am a surgir evid&ecirc;ncias de que o mesmo cuidado n&atilde;o vem sendo observado pelas institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas.</p>

<p>Qualquer institui&ccedil;&atilde;o particular que tenha pleiteado autoriza&ccedil;&atilde;o para ofertar curso de Medicina ou aumentar vagas em cursos j&aacute; autorizados sabe, por experi&ecirc;ncia pr&oacute;pria, das complica&ccedil;&otilde;es que envolvem esses processos administrativos.</p>

<p>No caso das autoriza&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o obrigadas a fazer investimentos alt&iacute;ssimos, com disponibiliza&ccedil;&atilde;o de infraestrutura completa para os tr&ecirc;s primeiros anos do curso para que possam receber avalia&ccedil;&atilde;o <em>in loco</em>, inclusive no que diz respeito &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de livros e equipamentos laboratoriais car&iacute;ssimos, sem olvidar a necessidade de contratar e qualificar os integrantes do corpo docente para esses mesmos tr&ecirc;s anos iniciais do curso.</p>

<p>Mais perversa do que a exig&ecirc;ncia de tamanho investimento em fase inicial do processo &eacute; a inexist&ecirc;ncia de qualquer previs&atilde;o acerca do resultado do mesmo, porquanto tem sido comum o indeferimento dos pedidos de autoriza&ccedil;&atilde;o ou a eterniza&ccedil;&atilde;o do tr&acirc;mite processual, mesmo com a obten&ccedil;&atilde;o de conceitos satisfat&oacute;rios no procedimento avaliativo.</p>

<p>Esta conduta deixa evidente o vi&eacute;s pol&iacute;tico que orienta a condu&ccedil;&atilde;o dos processos administrativos, desprezando os aspectos t&eacute;cnicos e qualitativos, que deveriam, em homenagem &agrave;s normas contidas na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal e na pr&oacute;pria LDB, ser os orientadores primordiais do processo decis&oacute;rio relativo aos pedidos de autoriza&ccedil;&atilde;o de cursos superiores de Medicina, bem como de quaisquer outros cursos superiores, registre-se!</p>

<p>O mesmo drama se repete nos pedidos de aumento de vagas nos cursos de Medicina, ainda que atendidas as exig&ecirc;ncias n&atilde;o estabelecidas em lei (no sentido estrito).</p>

<p>Do outro lado, vemos o Governo adotando medidas desencontradas e absurdas, como a proposta de contrata&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos estrangeiros sem a necessidade de revalida&ccedil;&atilde;o de t&iacute;tulo obtido no exterior, o que &eacute; negado aos estudantes brasileiros que optem por estudar em outros pa&iacute;ses.</p>

<p>Vemos, ainda, o Governo alardeando o aumento de vagas nos cursos de Medicina nas institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, dando a impress&atilde;o de que esses cursos oferecem ensino com atendimento aos rigorosos padr&otilde;es de qualidade estabelecidos pelo Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o.</p>

<p>Infelizmente, essa premissa n&atilde;o &eacute; absolutamente verdadeira!</p>

<p>Com efeito, enquanto as institui&ccedil;&otilde;es particulares s&atilde;o obrigadas, como j&aacute; apontado, a vultosos investimentos para manuten&ccedil;&atilde;o e atualiza&ccedil;&atilde;o de sua infraestrutura, a situa&ccedil;&atilde;o em boa parte das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas caminha em sentido diametralmente oposto.</p>

<p>A situa&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de oferta em boa parte dos cursos de Medicina das universidades p&uacute;blicas vem se deteriorando de forma acentuada nos &uacute;ltimos tempos, sendo comuns os protestos de alunos e mesmo de docentes, apontando para a precariedade das instala&ccedil;&otilde;es, equipamentos e de locais para est&aacute;gio.</p>

<p>Mat&eacute;ria recentemente publicada no portal <span style="color:#0000ff"><a href="http://noticias.terra.com.br/educacao/medicina-enquanto-dilma-anuncia-ampliacao-federais-querem-cortar-vagas,81055e3e80b7f310VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html)" target="_blank">Terra</a></span> demonstra a situa&ccedil;&atilde;o real nesses cursos, os quais, se ofertados em institui&ccedil;&otilde;es particulares, certamente j&aacute; teriam sido alvo da atua&ccedil;&atilde;o da SERES/MEC, com instaura&ccedil;&atilde;o de processo administrativo de supervis&atilde;o e imposi&ccedil;&atilde;o de severas medidas cautelares de redu&ccedil;&atilde;o de vagas e suspens&atilde;o de processo seletivo.</p>

<p>Evidentemente, esta situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o representa todas as institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, mas certamente &eacute; um indicativo das condi&ccedil;&otilde;es em que funcionam esses cursos de Medicina, ao mesmo tempo em que desmascaram o processo de amplia&ccedil;&atilde;o de vagas nas universidade p&uacute;blicas, evidentemente desacompanhado de uma efetiva an&aacute;lise qualitativa no tocante, essencialmente, &agrave; infraestrutura.</p>

<p>Desmascara, ainda, a absoluta parcialidade e o vi&eacute;s pol&iacute;tico do processo de expans&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior, no qual uma parcela das institui&ccedil;&otilde;es (as particulares) &eacute; submetida a crit&eacute;rios avaliativos r&iacute;gidos e a processos regulat&oacute;rios morosos, enquanto a outra parcela (as p&uacute;blicas) tem flexibilizadas as exig&ecirc;ncias qualitativas, obtendo autoriza&ccedil;&atilde;o e aumento de vagas atrav&eacute;s de processos menos r&iacute;gidos.</p>

<p>Sendo a qualidade do ensino da Medicina a real inten&ccedil;&atilde;o do Estado, for&ccedil;a &eacute; admitir que os atos praticados n&atilde;o s&atilde;o condizentes com o discurso apresentado &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, como deixam evidentes os fatos noticiados na mat&eacute;ria acima mencionada, cujo conte&uacute;do, na verdade, vem sendo apresentado em diversas outras publica&ccedil;&otilde;es editadas ao longo dos &uacute;ltimos meses.</p>

<p>Aproveitando a onda de mobiliza&ccedil;&atilde;o por tantas justas reivindica&ccedil;&otilde;es, concluo ousando sugerir a inclus&atilde;o, entre estas, de estabelecimento de um compromisso por educa&ccedil;&atilde;o de qualidade, independentemente da natureza da institui&ccedil;&atilde;o, porquanto as entidades particulares e as p&uacute;blicas devem ter, na qualidade da educa&ccedil;&atilde;o ofertada, sua &uacute;nica forma de distin&ccedil;&atilde;o, ou seja, deve ser atividade da SERES/MEC separar o joio do trigo, sem influ&ecirc;ncia da natureza da institui&ccedil;&atilde;o, afinal, existem excelentes institui&ccedil;&otilde;es particulares, ao mesmo tempo em que h&aacute; institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas que deixam muito a desejar em termos de qualidade.</p>

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<p>?</p>

<p>Qualquer cr&iacute;tica, d&uacute;vida ou corre&ccedil;&otilde;es, por favor, entre em contato com a <span style="color:#0000ff"> <a href="mailto:gustavo@ilape.edu.br" target="_blank">Coluna Educa&ccedil;&atilde;o Superior Comentada, por Gustavo Fagundes</a></span>, que tamb&eacute;m est&aacute; &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para sugest&atilde;o de temas a serem tratados nas pr&oacute;ximas edi&ccedil;&otilde;es.</p>

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