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Por: ABMES

Impactos das políticas de educação no sistema de inovação

<p style="text-align: justify;"><i>Por Carmem Tavares*</i></p>

<p style="text-align: justify;">Alvo generalizado de debates &eacute; o sucesso econ&ocirc;mico obtido por Israel citado como claro exemplo de um sistema educacional que fomenta o empreendedorismo e a inova&ccedil;&atilde;o. Da mesma forma que, ao longo da hist&oacute;ria, alguns povos t&ecirc;m demonstrado que &eacute; poss&iacute;vel superar adversidades naturais, culturais, sociais, demogr&aacute;ficas e edificar um novo modelo de sociedade, Israel ilustra com perfei&ccedil;&atilde;o esta possibilidade. Vejam a ficha t&eacute;cnica:</p>

<ul>
<li style="text-align: justify;">Um pa&iacute;s com menos de 70 anos;</li>
<li style="text-align: justify;">Um dos menores pa&iacute;ses do mundo em dimens&atilde;o territorial;</li>
<li style="text-align: justify;">Durante toda sua hist&oacute;ria passou por mais conflitos de guerra que o Jap&atilde;o ou o Reino Unido;</li>
<li style="text-align: justify;">Apenas 9,021 milh&otilde;es de habitantes;</li>
<li style="text-align: justify;">Escassos recursos h&iacute;dricos;</li>
<li style="text-align: justify;">Fustigado intensamente com conflitos entre pa&iacute;ses fronteiri&ccedil;os.</li>
</ul>

<p style="text-align: justify;">Ainda assim, chegou aonde chegou. Possui hoje um n&uacute;mero bastante expressivo de empresas cient&iacute;ficas de tecnologia avan&ccedil;ada no mercado de a&ccedil;&otilde;es de tecnologia (NASDAQ). Destaca-se mundialmente em &aacute;reas importantes como seguran&ccedil;a, biotecnologia, equipamentos m&eacute;dicos, tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o e tecnologias sustent&aacute;veis.</p>

<p style="text-align: justify;">Nos &uacute;ltimos dois anos, no processo de transforma&ccedil;&atilde;o digital de Israel, Patr&iacute;cia Lahy, diretora s&ecirc;nior de pesquisa e desenvolvimento em inova&ccedil;&atilde;o do governo israelense, aposta na inova&ccedil;&atilde;o para agregar import&acirc;ncia aos investimentos de impacto com o objetivo de gerar aportes na &aacute;rea social, de sa&uacute;de, de educa&ccedil;&atilde;o, entre outros. Diz Patr&iacute;cia que <em>&quot;esses investimentos fornecem capital utilizado para criar solu&ccedil;&otilde;es para desafios sociais ou ambientais, como energia renov&aacute;vel, agricultura sustent&aacute;vel, acesso a servi&ccedil;os b&aacute;sicos, incluindo sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e moradia acess&iacute;vel.&quot;</em> Os investimentos v&ecirc;m, na realidade, atrav&eacute;s de iniciativas que incentivam empreendedores e organiza&ccedil;&otilde;es a oferecerem solu&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas inovadoras para atender as demandas do setor p&uacute;blico nas &aacute;reas de sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, previd&ecirc;ncia, economia, direito, governo local, entre outros. Ela ainda apresenta uma s&eacute;rie de ferramentas criadas por <em>startups</em> para melhorar o processo de alfabetiza&ccedil;&atilde;o digital, e outras para preparar os alunos para o mundo do trabalho.</p>

<p style="text-align: justify;">Dan Senor e Saul Singer, autores do livro Na&ccedil;&atilde;o Empreendedora, definem o pa&iacute;s de Israel como a terra das empresas iniciantes (<em>startups</em>) e dizem que mais empreendimentos se abrem no local do que em na&ccedil;&otilde;es est&aacute;veis e sem conflitos, como Jap&atilde;o e Reino Unido. Tamb&eacute;m relacionam a disposi&ccedil;&atilde;o para o empreendimento e para inova&ccedil;&atilde;o demonstrada pela ind&uacute;stria do pa&iacute;s com caracter&iacute;sticas culturais, educacionais e filos&oacute;ficas do povo de Israel. Os autores apontam que esse comportamento empreendedor pode ser adotado por empres&aacute;rios de todo o mundo. Isso alberga, como vimos acima, o segmento educacional diante de um mundo cada vez mais competitivo em que o conhecimento assume papel extremamente relevante e onde h&aacute; um ambiente prop&iacute;cio para a gera&ccedil;&atilde;o e transfer&ecirc;ncia de novos conhecimentos.</p>

<p style="text-align: justify;">Ao observarmos os rankings internacionais, o Brasil aparece na lanterna das posi&ccedil;&otilde;es em que se mensura o grau e a qualidade de instru&ccedil;&atilde;o. Esse &eacute; um dos aspectos, entre muitos outros, em que se conclui que a educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; prioridade para o pa&iacute;s, portanto, &eacute; perif&eacute;rica.</p>

<p style="text-align: justify;">Quando a educa&ccedil;&atilde;o se torna perif&eacute;rica deve-se buscar alternativas para imprimir caracter&iacute;sticas inovadoras nos espa&ccedil;os formais e informais nesta &aacute;rea.&nbsp;Percebe-se a necessidade de a&ccedil;&otilde;es inovativas partindo de gestores, educadores e professores&nbsp;conscientes que atuam nos espa&ccedil;os acad&ecirc;micos e tamb&eacute;m nos espa&ccedil;os informais de educa&ccedil;&atilde;o.</p>

<p style="text-align: justify;">Trata-se da busca pela desconstru&ccedil;&atilde;o de modelos arcaicos que resultam&nbsp; em uma forma&ccedil;&atilde;o pouco competitiva e efetiva para a realidade do s&eacute;culo XXI. Na sociedade do conhecimento, o curr&iacute;culo ou os saberes dentro dos espa&ccedil;os formais de educa&ccedil;&atilde;o devem estar em sintonia com as demandas globais e com a nova natureza do conhecimento, que n&atilde;o &eacute; mais cumulativa, mas alicer&ccedil;ada nos desafios globais presentes e futuros. H&aacute;, portanto, a necessidade de buscar e incorporar novas t&eacute;cnicas, tecnologias, metodologias e procedimentos, tanto na &aacute;rea de entrega da educa&ccedil;&atilde;o, quanto na &aacute;rea de relacionamento com os seus pares, alunos, professores e a sociedade em geral, que possam transformar institui&ccedil;&otilde;es de ensino em espa&ccedil;os para inova&ccedil;&atilde;o que realmente colabore para o desenvolvimento de CT&amp;I (Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o).</p>

<p style="text-align: justify;">Se h&aacute; um lugar que deva albergar uma metodologia criativa e instigante, composta por uma boa dose de est&iacute;mulo ao empreendedorismo e inova&ccedil;&atilde;o, esse espa&ccedil;o &eacute; o ambiente universit&aacute;rio, pois &eacute; preciso considerar que na economia formal, o emprego com carteira assinada est&aacute; cada dia mais escasso. Como em Israel, &eacute; necess&aacute;rio desenvolver uma cultura de empreendedorismo e inova&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas nos ambientes de neg&oacute;cios e nas universidades, mas no entorno social das institui&ccedil;&otilde;es educacionais.</p>

<p style="text-align: justify;">Voltando ao contexto que muitos desconhecem sobre a educa&ccedil;&atilde;o em Israel. Desde a inf&acirc;ncia, os judeus s&atilde;o levados a desenvolver o lado criativo que resultar&aacute; em processos de inova&ccedil;&atilde;o. Os parques infantis deixam &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as materiais como sucata que estimulam a cria&ccedil;&atilde;o na experi&ecirc;ncia l&uacute;dica. O ato de questionar e interrogar est&atilde;o presentes desde a inf&acirc;ncia, diferentemente de outras culturas. Para o ex-presidente israelense, Shimon Peres, <em>&ldquo;as pessoas preferem se lembrar a imaginar. A mem&oacute;ria cuida de aspectos familiares; a imagina&ccedil;&atilde;o trata do desconhecido e, por isso, pode ser assustadora&rdquo;.</em></p>

<p style="text-align: justify;">Nas escolas em Israel, a experi&ecirc;ncia de atuar coletivamente e no enfrentamento de desafios e problemas &eacute; uma pr&aacute;tica muito comum.&nbsp;Ao t&eacute;rmino do ciclo que, para n&oacute;s, representaria o ensino b&aacute;sico, antes de ingressarem na faculdade, tanto os meninos quanto as meninas passam pelo servi&ccedil;o militar, onde o exerc&iacute;cio de tomada de decis&otilde;es, lideran&ccedil;a, criatividade e resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos s&atilde;o constantes. H&aacute; a necessidade de aprenderem a lidar com in&uacute;meras vari&aacute;veis buscando a melhor solu&ccedil;&atilde;o para as opera&ccedil;&otilde;es realizadas. Por exemplo, um jovem de 20 anos tem que estar pronto para uma situa&ccedil;&atilde;o de risco, pensar em poucos segundos como evacuar uma &aacute;rea, proteger pessoas, impedir cat&aacute;strofes e mobilizar o inimigo. Portanto, s&atilde;o habilidades e compet&ecirc;ncias adquiridas ao longo da vida que os tornam criativos e empreendedores, uma mola mestra para inova&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica e para o desenvolvimento econ&ocirc;mico do pa&iacute;s.</p>

<p style="text-align: justify;">Outro fator que deve ser considerado na cultura de Israel &eacute; que um jovem militar, que tenha alcan&ccedil;ado &ecirc;xito em uma miss&atilde;o, &eacute; t&atilde;o valorizado pela sociedade quanto um doutor em qualquer &aacute;rea do conhecimento. Este reconhecimento social faz com que o jovem desempenhe suas atividades militares com o m&aacute;ximo de compet&ecirc;ncia t&eacute;cnica, cognitiva, emocional e comportamental. O rabino Adri&aacute;n Gottfried, s&ecirc;nior da comunidade Shalow de S&atilde;o Paulo observa que <em>&ldquo;a criatividade, a capacidade de inova&ccedil;&atilde;o e o grau de prosperidade alcan&ccedil;ados por esta na&ccedil;&atilde;o em meio a tantos problemas &eacute; simplesmente admir&aacute;vel!&rdquo;.</em></p>

<p style="text-align: justify;">A inova&ccedil;&atilde;o educacional passa por um curr&iacute;culo que atenda&nbsp;&agrave;s reais demandas da sociedade e que construa novas compet&ecirc;ncias profissionais para o aluno que ir&aacute; atuar em um mercado cada vez mais global. Uma forma&ccedil;&atilde;o de sujeitos criativos, cr&iacute;ticos, aut&ocirc;nomos e empreendedores. Nesse sentido, no Brasil, as pr&aacute;ticas de forma&ccedil;&atilde;o s&atilde;o perif&eacute;ricas, ou seja, n&atilde;o atingem o &acirc;mago das quest&otilde;es realmente indispens&aacute;veis para uma s&oacute;lida forma&ccedil;&atilde;o, tornando, assim, p&iacute;fios os resultados, no sentido de levar o Brasil para um status de na&ccedil;&atilde;o empreendedora atrav&eacute;s da educa&ccedil;&atilde;o. Somando-se ao fator educacional existem, as pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas desanimadoras com escassez de financiamento e alta carga tribut&aacute;ria para a iniciativa privada.</p>

<p style="text-align: justify;">Os sistemas educacionais do s&eacute;culo XXI devem adquirir novas compet&ecirc;ncias apoiadas em a&ccedil;&otilde;es inovativas para forma&ccedil;&atilde;o de profissionais capazes de responder aos desafios e demandas globais do mercado e da sociedade. Uma na&ccedil;&atilde;o competitiva possui um modelo de educa&ccedil;&atilde;o que interage com a sociedade, criando condi&ccedil;&otilde;es para que as empresas e organiza&ccedil;&otilde;es nele instaladas cres&ccedil;am e se desenvolvam. S&oacute; assim ela&nbsp;deixar&aacute; de ser perif&eacute;rica.</p>

<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>

<p style="text-align: justify;">_____________<br />
<em>*</em><i>Carmem Tavares &eacute;&nbsp;</i><em>Gestora Educacional e de Inova&ccedil;&atilde;o com 28 anos de experi&ecirc;ncia no mercado educacional privado brasileiro em institui&ccedil;&otilde;es de diversos portes e regi&otilde;es</em></p>

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