Pular para o conteúdo

Para o termo exato, use aspas. Ex.: “44 anos”

Por: ABMES

Inovação Universitária: O Papel das Deep Techs no Empreendedorismo Acadêmico

<p style="text-align: justify;">Por Carmen Tavares*</p>

<p style="text-align: justify;">Nos &uacute;ltimos anos, tem havido um aumento significativo nas conversas em torno do Empreendedorismo Acad&ecirc;mico ou Empreendedorismo Universit&aacute;rio. Essa terminologia refere-se &agrave; monetiza&ccedil;&atilde;o de iniciativas acad&ecirc;micas, incluindo ensino, pesquisa e parcerias entre institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior e o setor produtivo. As discuss&otilde;es t&ecirc;m se concentrado na capacidade das universidades de se tornarem agentes no desenvolvimento econ&ocirc;mico e social, aplicando conhecimento acad&ecirc;mico de forma pragm&aacute;tica para fomentar atividades empreendedoras. Al&eacute;m disso, tem-se debatido o papel das universidades na cria&ccedil;&atilde;o de um ambiente favor&aacute;vel para a explora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da propriedade intelectual, do conhecimento t&aacute;cito e da pesquisa acad&ecirc;mica.</p>

<p style="text-align: justify;">Um dos exemplos &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o simbi&oacute;tica entre academia e mercado que ajuda a acelerar o ciclo de inova&ccedil;&atilde;o, desde a concep&ccedil;&atilde;o inicial das tecnologias at&eacute; sua aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica e comercializa&ccedil;&atilde;o. Ao colaborar de forma eficaz, tanto a academia quanto o mercado podem se beneficiar mutuamente, impulsionando o avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico e promovendo o crescimento econ&ocirc;mico e o progresso social. As Deep Techs, por exemplo, desempenham um papel crucial no avan&ccedil;o em dire&ccedil;&atilde;o aos Objetivos de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (ODS), estabelecidos pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) como uma agenda global para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir prosperidade para todos at&eacute; 2030. Assim, direcionamos nossa an&aacute;lise de hoje para o contexto das Deep Techs.</p>

<p style="text-align: justify;">Deep Techs s&atilde;o tecnologias baseadas em avan&ccedil;os cient&iacute;ficos e engenharia de ponta, geralmente fundamentadas em descobertas recentes em &aacute;reas como intelig&ecirc;ncia artificial, aprendizado de m&aacute;quina, biotecnologia, nanotecnologia, entre outras disciplinas. Essas tecnologias v&atilde;o al&eacute;m das inova&ccedil;&otilde;es incrementais e t&ecirc;m o potencial de causar impactos transformacionais em uma ampla gama de setores, desde a medicina e a ind&uacute;stria automotiva at&eacute; a agricultura e a energia. Dada a sua natureza altamente especializada e disruptiva, a ado&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de Deep Techs enfrentam desafios &uacute;nicos que v&atilde;o al&eacute;m dos limites universit&aacute;rios.</p>

<p style="text-align: justify;">No cen&aacute;rio empresarial, &eacute; preocupante observar o vasto potencial t&eacute;cnico e tecnol&oacute;gico presente no Brasil e a falta de iniciativas que traduzam esse potencial em valor tang&iacute;vel para o mercado, algo que &eacute; comum nos pa&iacute;ses desenvolvidos. Nesses pa&iacute;ses, a colabora&ccedil;&atilde;o entre universidades e o setor privado &eacute; uma pr&aacute;tica rotineira, resultando na transforma&ccedil;&atilde;o de ideias acad&ecirc;micas em produtos e servi&ccedil;os inovadores que impulsionam o desenvolvimento econ&ocirc;mico e tecnol&oacute;gico.</p>

<p style="text-align: justify;">Essa lacuna representa uma oportunidade perdida para o Brasil alcan&ccedil;ar seu pleno potencial como um hub global de inova&ccedil;&atilde;o e empreendedorismo. Para aproveitar ao m&aacute;ximo nossos recursos t&eacute;cnicos e tecnol&oacute;gicos, &eacute; crucial estabelecer parcerias estrat&eacute;gicas entre universidades, setor produtivo e governo, incentivando a transfer&ecirc;ncia de conhecimento e tecnologia da academia para o mercado.</p>

<p style="text-align: justify;">A rela&ccedil;&atilde;o entre academia e mercado desempenha um papel fundamental na implanta&ccedil;&atilde;o bem-sucedida de Deep Techs. A academia geralmente &eacute; o ber&ccedil;o onde muitas dessas tecnologias s&atilde;o concebidas e desenvolvidas. Pesquisadores e cientistas em universidades e institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa s&atilde;o respons&aacute;veis por avan&ccedil;os significativos em campos como intelig&ecirc;ncia artificial, biotecnologia, nanotecnologia e outros que impulsionam o desenvolvimento de Deep Techs.</p>

<p style="text-align: justify;">Por outro lado, o mercado &eacute; onde essas tecnologias encontram aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica e s&atilde;o comercializadas. As empresas t&ecirc;m o conhecimento e os recursos necess&aacute;rios para adaptar e implementar essas tecnologias em ambientes do mundo real. Portanto, a colabora&ccedil;&atilde;o e a transfer&ecirc;ncia de conhecimento entre academia e mercado s&atilde;o essenciais para o sucesso da implanta&ccedil;&atilde;o de Deep Techs.</p>

<p style="text-align: justify;">A academia fornece a base te&oacute;rica, as habilidades t&eacute;cnicas e o conhecimento especializado necess&aacute;rios para o desenvolvimento das tecnologias, enquanto o mercado oferece insights sobre as necessidades e demandas dos clientes, al&eacute;m de recursos financeiros e infraestrutura para levar essas tecnologias ao mercado.</p>

<p style="text-align: justify;">A colabora&ccedil;&atilde;o entre academia e mercado pode ocorrer de v&aacute;rias formas, como parcerias de pesquisa entre universidades e empresas, programas de est&aacute;gio e interc&acirc;mbio para estudantes e pesquisadores, organismos estudantis e at&eacute; mesmo a cria&ccedil;&atilde;o de incubadoras e centros de inova&ccedil;&atilde;o que facilitam a transfer&ecirc;ncia de tecnologia e o desenvolvimento de startups baseadas em Deep Techs.</p>

<p style="text-align: justify;">O empreendedorismo acad&ecirc;mico passou por mudan&ccedil;as significativas desde a cria&ccedil;&atilde;o dos primeiros escrit&oacute;rios de transfer&ecirc;ncia de tecnologia (TTOs) no final do s&eacute;culo passado. Houve um aumento na competitividade na economia baseada no conhecimento, o que consequentemente alterou o foco competitivo, com o crescimento econ&ocirc;mico sendo cada vez mais impulsionado pelo conhecimento, o que deliberadamente promove o desenvolvimento social.</p>

<p style="text-align: justify;">Universidades empreendedoras se apresentam como tend&ecirc;ncia de express&atilde;o internacional, com trajet&oacute;rias de desenvolvimento diversificadas, independente da forma com que se expressam socialmente ou das a&ccedil;&otilde;es que adotam para tal fim. Em artigo, tamb&eacute;m de fevereiro 2021, Shaping the entrepreneurial university: Two experiments and a proposal for innovation in higher education, Henry Etzcowitz, pesquisador de reputa&ccedil;&atilde;o internacional em estudos de inova&ccedil;&atilde;o como criador dos conceitos de &quot;Universidade Empresarial&quot; e &quot;Tripla H&eacute;lice&quot;, define alguns elementos como pr&aacute;tica de inova&ccedil;&atilde;o para que a universidades possa ser caracterizada como empreendedora. Um dos elementos, denominado como Novum Trivium, est&aacute; relacionado a pr&aacute;ticas inovativas e iniciativas dos professores. Ele fornece um modelo para integra&ccedil;&atilde;o do empreendedorismo no curr&iacute;culo de forma criativa e pr&aacute;tica e n&atilde;o designado como disciplina com o objetivo de <em>que &ldquo;alunos aprendam como colocar seu conhecimento em pr&aacute;tica adquirindo uma nova linguagem e uma nova compreens&atilde;o cultural para interagir globalmente&rdquo;. </em>Como ess&ecirc;ncia da teoria criada pelo autor, a Tripla H&eacute;lice preconiza a interliga&ccedil;&atilde;o entre empresas e universidades atrav&eacute;s de <em>&ldquo;pap&eacute;is duplos compartilhados em cada ambiente, atraindo de volta para a universidade, em regime de meio expediente, empreendedores cient&iacute;ficos da ind&uacute;stria para servirem como modelos empreendedores&rdquo;.</em> Ao citar ind&uacute;stria, subentende tamb&eacute;m o segmento de servi&ccedil;os/mercado.</p>

<p style="text-align: justify;">Na pesquisa de Etzcowitz, os projetos foram denominados de Link, pois fazem a ponte entre as institui&ccedil;&otilde;es, constroem la&ccedil;os entre uma universidade que tenha visibilidade e lideran&ccedil;a como institui&ccedil;&atilde;o empreendedora. Na pesquisa foi designada a Universidade de Stanford e uma outra institui&ccedil;&atilde;o, a Universidade de Edimburgo, denominada de aspirante, aproveitando o fator de que cada institui&ccedil;&atilde;o com inser&ccedil;&atilde;o loco regional possa realizar uma interface com a cultura empreendedora da outra<em>. &ldquo;O artigo demonstra como a ind&uacute;stria e o ensino superior s&atilde;o integrados por essas iniciativas&rdquo;,</em> afirma o autor.</p>

<p style="text-align: justify;">Para quem quer compreender com mais profundidade a Educa&ccedil;&atilde;o para o empreendedorismo e como tornar sua institui&ccedil;&atilde;o empreendedora indico o paper mais lido no mundo no ano de 2019 &ldquo;Building builders: entrepreneurship education from an ecosystem perspective at MIT&rdquo; (Artur Tavares Vilas Boas Ribeiro, Juliana Natsumi Uechi e Guilherme Ary Plonski).</p>

<p style="margin-left: 106.2pt; text-align: justify;">O estudo trata de novas possibilidades na educa&ccedil;&atilde;o para o empreendedorismo.&nbsp;Com o surgimento das universidades empreendedoras, acad&ecirc;micos e gestores universit&aacute;rios passaram a dar mais aten&ccedil;&atilde;o ao fomento do empreendedorismo entre os alunos.&nbsp;Contudo, a pesquisa em educa&ccedil;&atilde;o para o empreendedorismo tornou-se mais orientada para atividades de professores e negligenciou o ecossistema de empreendedorismo em torno da universidade e seu papel na educa&ccedil;&atilde;o de um empres&aacute;rio.&nbsp;Este artigo tem como objetivo apresentar novas possibilidades para educa&ccedil;&atilde;o para o empreendedorismo a partir desta perspectiva de ecossistema.&nbsp;O m&eacute;todo foi um estudo de caso do Instituto de Tecnologia de Massachusetts - MIT, e os resultados mostram pr&aacute;ticas que v&atilde;o al&eacute;m do modelo cl&aacute;ssico de sala de aula, envolvendo atividades, programas de mentoria, competi&ccedil;&otilde;es e outros.&nbsp;Cursos baseados em projetos, atividades baseadas na experi&ecirc;ncia e atividades baseadas em atividades s&atilde;o bem abordadas nos dados apresentados.&nbsp;Nas discuss&otilde;es, tamb&eacute;m apresentamos um modelo de organiza&ccedil;&atilde;o do empreendedorismo esfor&ccedil;os de educa&ccedil;&atilde;o e comparamos nossos resultados com outras pesquisas sobre universidades empreendedoras.&nbsp;A conclus&atilde;o refor&ccedil;a a necessidade de ver a educa&ccedil;&atilde;o empreendedora atrav&eacute;s da lente dos ecossistemas, destacando oportunidades para estudos futuros</p>

<p style="text-align: justify;">Voltando ao estudo das Deep Techs &eacute; como dar vida a tecnologias muito avan&ccedil;adas e complexas dentro de uma empresa ou organiza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; um processo que envolve v&aacute;rias etapas importantes para que essas tecnologias sejam adotadas e utilizadas com sucesso.</p>

<p style="text-align: justify;">Primeiro, &eacute; preciso identificar onde essas tecnologias podem ser &uacute;teis dentro da organiza&ccedil;&atilde;o, ou seja, em quais &aacute;reas elas podem resolver problemas ou melhorar processos j&aacute; existentes.</p>

<p style="text-align: justify;">Depois disso, &eacute; necess&aacute;rio avaliar se &eacute; realmente vi&aacute;vel usar essas tecnologias. Isso significa pensar se &eacute; financeiramente poss&iacute;vel, se temos os recursos t&eacute;cnicos necess&aacute;rios e se faz sentido para a nossa situa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica.</p>

<p style="text-align: justify;">Uma vez que tenhamos decidido seguir em frente, entramos na fase de desenvolvimento e testes. Aqui, trabalhamos para criar as tecnologias e test&aacute;-las em situa&ccedil;&otilde;es controladas, para garantir que elas funcionem como esperado e atendam &agrave;s nossas necessidades.</p>

<p style="text-align: justify;">Ap&oacute;s termos certeza de que as tecnologias funcionam, precisamos integr&aacute;-las aos processos j&aacute; existentes na empresa. Isso pode exigir ajustes nos fluxos de trabalho, treinamento da equipe e adapta&ccedil;&atilde;o de sistemas.</p>

<p style="text-align: justify;">E, &eacute; claro, uma vez que as Deep Techs estejam em opera&ccedil;&atilde;o, precisamos monitor&aacute;-las de perto para garantir que est&atilde;o funcionando conforme o esperado e que est&atilde;o trazendo os resultados desejados. Isso pode envolver a coleta e an&aacute;lise de dados, identifica&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas de melhoria e ajustes conforme necess&aacute;rios.</p>

<p style="text-align: justify;">No final das contas, implantar Deep Techs &eacute; um processo desafiador, mas que pode trazer muitos benef&iacute;cios se for feito com cuidado e aten&ccedil;&atilde;o aos detalhes.</p>

<p style="text-align: justify;">Em s&iacute;ntese, &eacute; preciso pensar sobre a intera&ccedil;&atilde;o entre o mercado e a universidade como esfor&ccedil;o fundamental para impulsionar o desenvolvimento socioecon&ocirc;mico, a inova&ccedil;&atilde;o e o progresso cient&iacute;fico evitando inclusive a fuga de c&eacute;rebros e massa cr&iacute;tica. A colabora&ccedil;&atilde;o entre essas duas esferas cria um ambiente prop&iacute;cio para a troca de conhecimento, a forma&ccedil;&atilde;o de profissionais mais qualificados e a gera&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas para os desafios contempor&acirc;neos. A uni&atilde;o entre mercado e universidade n&atilde;o apenas fortalece a competitividade das empresas, mas tamb&eacute;m enriquece o ambiente acad&ecirc;mico, aproximando-o das demandas reais da sociedade. Portanto, investir e incentivar parcerias estrat&eacute;gicas entre o mercado e a universidade &eacute; essencial para promover o crescimento sustent&aacute;vel e a inova&ccedil;&atilde;o em todas as esferas da sociedade.</p>

<p style="text-align: justify;">A inova&ccedil;&atilde;o e o empreendedorismo acad&ecirc;mico &eacute; o prop&oacute;sito que move a Pro Innovare. Estamos abertos para atend&ecirc;-los e trocarmos experi&ecirc;ncias. Venha conversar conosco!</p>

<p style="text-align: justify;">Contato: <a href="mailto:contato@proinnovare.com.br">contato@proinnovare.com.br</a></p>

<p style="text-align: justify;">.</p>

<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>

<p style="text-align: justify;">-------------------------------------</p>

<p style="text-align: justify;">*Maria Carmen Tavares Christ&oacute;v&atilde;o &eacute; Mestre em Gest&atilde;o da Inova&ccedil;&atilde;o com &aacute;rea de pesquisa em Inova&ccedil;&atilde;o Educacional. Diretora da Pro Innovare Consultoria de Inova&ccedil;&atilde;o atuou como Reitora, Pr&oacute; Reitora e Diretora de Institui&ccedil;&otilde;es de Ensino de diversos portes e regi&otilde;es no Brasil.&nbsp;<a href="https://www.proinnovare.com.br/" target="_blank">&nbsp;www.proinnovare.com.br&nbsp;</a></p>

Voltar para Colunas

Quer saber como a ABMES pode atender as demandas específicas da sua IES?

Nossos consultores estão prontos para apresentar todos os benefícios, serviços inclusos e condições exclusivas de filiação para o perfil da sua instituição.