Por: ABMES
Meditação para a aprendizagem: orientações básicas

<p style="text-align: justify;"><em style="text-align: justify;">Por Ronaldo Mota*</em></p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto espécie, o homo sapiens deixa registros de práticas explícitas de meditação, nas mais variadas culturas, há mais de cinco mil anos. Contemporaneamente, não há conflitos entre meditação e o mundo das tecnologias digitais. Pelo contrário, essa prática tem se mostrado essencial em situações do cotidiano, tal como no combate ao stress e à ansiedade decorrentes da exposição excessiva ao ambiente virtual. </p>
<p style="text-align: justify;">Lembremos que, especialmente nesta etapa da pandemia, marcas expressivas de pós-trauma estão ou estarão presentes em todos os ambientes educacionais, demandando múltiplas abordagens tentando propiciar ambientes os mais saudáveis possíveis no retorno às atividades escolares. </p>
<p style="text-align: justify;">A complexa arte da meditação propriamente dita demanda abordagens que não são objeto deste texto, tampouco são de competência deste autor. A prática meditativa aqui proposta trata unicamente de explorar um de seus aspectos e de caráter puramente funcional. Ou seja, enquanto instrumento simples para colaborar na preparação das mentes dos educandos (e dos educadores) para a aprendizagem nos momentos que antecedem as aulas.</p>
<p style="text-align: justify;">Cabe destacar também que esta proposta não se confunde com a estratégia mais ampla de atenção total (“mindfulness”), a qual é especialmente voltada a despertar a consciência do praticamente, totalmente focada no presente, acerca de seu próprio estado mental. </p>
<p style="text-align: justify;">Ainda que modesta em pretensões, a adoção da prática meditativa por um breve período (em torno de cinco minutos) antecedendo as aulas pode ter consequências pedagógicas positivas e surpreendentes. Estabelecidos os limites não pretensiosos da prática aqui proposta, não existem regras ou receitas prontas e acabadas. O ponto inicial indispensável é a compreensão e concordância do contexto escolar (docentes, alunos e gestores) de que é possível estabelecer um clima mental mais apropriado para receber novas informações e sobre elas refletir de tal forma a ampliar a aprendizagem do conteúdo, seja ele qual for. </p>
<p style="text-align: justify;">A adoção desta estratégia guarda uma correspondência com os elementos metacognitivos, ou seja, a ênfase em ampliar a consciência do educando acerca de sua própria aprendizagem. Tal abordagem prepara o futuro profissional ou cidadão para ir além do domínio simples do conteúdo e dos procedimentos e técnicas a ele associados. Desta forma, é possível capacitá-los para, a partir do estímulo ao aprender a aprender continuamente, estarem preparados à aprendizagem permanente ao longo de toda a vida. </p>
<p style="text-align: justify;">Nossas mentes são naturalmente habitadas por pensamentos, receios, planos, memórias etc. É preciso uma indução e aceitação para provocar uma interrupção nesse fluxo. Portanto, a parte mais delicada, complexa e desafiadora desta iniciativa é convencer os alunos (às vezes, também os professores e gestores) em efetivamente participarem de forma ativa e consciente deste processo.</p>
<p style="text-align: justify;">Aconselha-se aos alunos sentarem-se confortavelmente (o que é da natureza da sala de aula, seja ela presencial ou virtual). Recomenda-se manter a coluna o mais vertical possível, favorecendo um ciclo respiratório consciente e eficiente. Esta orientação é somente o marco zero de um processo sem limites, permitindo em um segundo momento explorar inúmeras outras sugestões e detalhamentos, as quais dependem de sugestões específicas dos professores, dos gestores e do contexto escolar. </p>
<p style="text-align: justify;">O fato é que pelo exercício do silêncio nesse curto período, concentrando-se na respiração, é possível despertar nos educandos a conexão a um estado mental mais propício à aprendizagem, livrando-os, ao menos parcialmente, de outras distrações e, às vezes, angústias.</p>
<p style="text-align: justify;">Em situações mais difíceis (nem tão incomuns), alguns alunos podem achar a tarefa de permanecerem em silêncio muito difícil. Nesses casos, é sugerido solicitar aos estudantes que simplesmente coloquem a cabeça sobre a mesa, fechem os olhos e, se possível, descansem. </p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo que nem todos os professores possam aderir à iniciativa (fundamental ser atividade voluntária aos docentes), à medida que alguns educadores adotam é bastante comum os demais, incialmente refratários, gradativamente irem também incorporando. </p>
<p style="text-align: justify;">O docente, enquanto gestor do processo meditativo deve ser aconselhado a praticar exercícios similares antes de introduzir o processo para os alunos. A experiência de praticar antes, certamente, ajudará o professor a criar empatia com seus estudantes, viabilizando antecipar possíveis dificuldades, colaborando em encontrar soluções a partir de sua própria experiência.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste texto são apresentados elementos muito preliminares de um tema extremamente complexo, mas há que se iniciar de algum ponto. Portanto, são essas as orientações básicas para testarmos o quanto a adoção de estratégias simples pode ter um profundo impacto na aprendizagem subsequente.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">_____________<br />
<em>*</em><em>Ronaldo Mota</em><em> é Diretor acadêmico do IPD/ITuring e diretor científico da Digital Pages</em></p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto espécie, o homo sapiens deixa registros de práticas explícitas de meditação, nas mais variadas culturas, há mais de cinco mil anos. Contemporaneamente, não há conflitos entre meditação e o mundo das tecnologias digitais. Pelo contrário, essa prática tem se mostrado essencial em situações do cotidiano, tal como no combate ao stress e à ansiedade decorrentes da exposição excessiva ao ambiente virtual. </p>
<p style="text-align: justify;">Lembremos que, especialmente nesta etapa da pandemia, marcas expressivas de pós-trauma estão ou estarão presentes em todos os ambientes educacionais, demandando múltiplas abordagens tentando propiciar ambientes os mais saudáveis possíveis no retorno às atividades escolares. </p>
<p style="text-align: justify;">A complexa arte da meditação propriamente dita demanda abordagens que não são objeto deste texto, tampouco são de competência deste autor. A prática meditativa aqui proposta trata unicamente de explorar um de seus aspectos e de caráter puramente funcional. Ou seja, enquanto instrumento simples para colaborar na preparação das mentes dos educandos (e dos educadores) para a aprendizagem nos momentos que antecedem as aulas.</p>
<p style="text-align: justify;">Cabe destacar também que esta proposta não se confunde com a estratégia mais ampla de atenção total (“mindfulness”), a qual é especialmente voltada a despertar a consciência do praticamente, totalmente focada no presente, acerca de seu próprio estado mental. </p>
<p style="text-align: justify;">Ainda que modesta em pretensões, a adoção da prática meditativa por um breve período (em torno de cinco minutos) antecedendo as aulas pode ter consequências pedagógicas positivas e surpreendentes. Estabelecidos os limites não pretensiosos da prática aqui proposta, não existem regras ou receitas prontas e acabadas. O ponto inicial indispensável é a compreensão e concordância do contexto escolar (docentes, alunos e gestores) de que é possível estabelecer um clima mental mais apropriado para receber novas informações e sobre elas refletir de tal forma a ampliar a aprendizagem do conteúdo, seja ele qual for. </p>
<p style="text-align: justify;">A adoção desta estratégia guarda uma correspondência com os elementos metacognitivos, ou seja, a ênfase em ampliar a consciência do educando acerca de sua própria aprendizagem. Tal abordagem prepara o futuro profissional ou cidadão para ir além do domínio simples do conteúdo e dos procedimentos e técnicas a ele associados. Desta forma, é possível capacitá-los para, a partir do estímulo ao aprender a aprender continuamente, estarem preparados à aprendizagem permanente ao longo de toda a vida. </p>
<p style="text-align: justify;">Nossas mentes são naturalmente habitadas por pensamentos, receios, planos, memórias etc. É preciso uma indução e aceitação para provocar uma interrupção nesse fluxo. Portanto, a parte mais delicada, complexa e desafiadora desta iniciativa é convencer os alunos (às vezes, também os professores e gestores) em efetivamente participarem de forma ativa e consciente deste processo.</p>
<p style="text-align: justify;">Aconselha-se aos alunos sentarem-se confortavelmente (o que é da natureza da sala de aula, seja ela presencial ou virtual). Recomenda-se manter a coluna o mais vertical possível, favorecendo um ciclo respiratório consciente e eficiente. Esta orientação é somente o marco zero de um processo sem limites, permitindo em um segundo momento explorar inúmeras outras sugestões e detalhamentos, as quais dependem de sugestões específicas dos professores, dos gestores e do contexto escolar. </p>
<p style="text-align: justify;">O fato é que pelo exercício do silêncio nesse curto período, concentrando-se na respiração, é possível despertar nos educandos a conexão a um estado mental mais propício à aprendizagem, livrando-os, ao menos parcialmente, de outras distrações e, às vezes, angústias.</p>
<p style="text-align: justify;">Em situações mais difíceis (nem tão incomuns), alguns alunos podem achar a tarefa de permanecerem em silêncio muito difícil. Nesses casos, é sugerido solicitar aos estudantes que simplesmente coloquem a cabeça sobre a mesa, fechem os olhos e, se possível, descansem. </p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo que nem todos os professores possam aderir à iniciativa (fundamental ser atividade voluntária aos docentes), à medida que alguns educadores adotam é bastante comum os demais, incialmente refratários, gradativamente irem também incorporando. </p>
<p style="text-align: justify;">O docente, enquanto gestor do processo meditativo deve ser aconselhado a praticar exercícios similares antes de introduzir o processo para os alunos. A experiência de praticar antes, certamente, ajudará o professor a criar empatia com seus estudantes, viabilizando antecipar possíveis dificuldades, colaborando em encontrar soluções a partir de sua própria experiência.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste texto são apresentados elementos muito preliminares de um tema extremamente complexo, mas há que se iniciar de algum ponto. Portanto, são essas as orientações básicas para testarmos o quanto a adoção de estratégias simples pode ter um profundo impacto na aprendizagem subsequente.</p>
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<em>*</em><em>Ronaldo Mota</em><em> é Diretor acadêmico do IPD/ITuring e diretor científico da Digital Pages</em></p>
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