Por: ABMES
Momento Tech Educacional

Empreendedorismo Científico e a Extensão Universitária
<p style="text-align: justify;"><i style="text-align: justify;">Por Carmem Tavares*</i></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">A inovação é fundamental para qualquer segmento. Entendida como crucial no fortalecimento da economia e para o desenvolvimento do país. Tenho assistido a milhares de eventos cuja proposta é falar sobre as tendências de inovação no ensino superior. Quase todas elas esvaziadas de uma fundamentação capaz de construir os aportes teóricos necessários ao campo temático da inovação.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">No artigo dessa quinzena vamos tratar da Extensão Universitária trazendo um <em>case</em> que rompe e desconstrói um modelo já consolidado como referência no Brasil para propor uma atividade inovadora de caráter empreendedor que possibilita a formação de futuros profissionais para atuarem num mercado albergado pela economia criativa, baseada na educação empreendedora como forma de inovação.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">No processo de regulação do ensino superior somos incentivados a inovar, basta observar o Manual da DAES, Diretoria de Avaliação do Ensino Superior – MEC, onde são apresentados os novos instrumentos de avaliação <em>in loco</em> e podemos verificar a ênfase sobre as <em>“</em><em>práticas comprovadamente exitosas, inovadoras e diferenciadas e termos correlatos nos instrumentos de avaliação” </em>e ainda,</span></span></p>
<p style="margin-left: 141.6pt; text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;"><em>“É importante notar a existência de diferentes termos nos instrumentos, como ‘inovação tecnológica’ e ‘prática comprovadamente inovadora’, por exemplo. No caso da inovação tecnológica, tal termo é consagrado e possui definição amplamente divulgada: Inovação tecnológica: ‘trata-se do processo de invenção, adaptação, mudança ou evolução da atual tecnologia, melhorando e facilitando a vida ou o trabalho das pessoas’. Para o caso de ‘ação inovadora’, o glossário do instrumento menciona: ‘relaciona-se com a adoção de práticas e procedimentos que oportunizem a criação ou o desenvolvimento de novos produtos ou ideias e permitam a melhoria de processos, apontando para ganhos de eficiência e para a adaptação inédita a situações que se apresentem”. (Manual de Instrumentos de Avaliação In Loco – DAES/MEC, 2018)</em></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">Tanto a inovação tecnológica, quanto as ações inovadoras referidas acima, são pressupostos importantes para o diferencial de uma instituição ou curso. Contudo, observa-se no ensino superior particular poucas instituições com uma política clara de inovação. A desculpa é sempre a mesma: inovar onera as instituições. Em nossa narrativa veremos que, quando existe criatividade e cooperação intersetorial, podemos inovar com baixo custo contando com aporte da instituição parceira e gerando valor para todos os players envolvidos.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">Um espaço fantástico para criarmos ações inovativas é a Extensão, que pode ser compreendida pela <a href="https://abmes.org.br/legislacoes/detalhe/2665">Resolução CNE/MEC nº 7/2018</a>. Num momento em que as Instituições de Ensino precisam ajustar suas práticas de Extensão até dezembro de 2021, incluindo na oferta de Graduação até 10% de atividades de extensão, é importante pontuarmos algumas iniciativas que podem trazer para o curso e IES esse DNA de inovação. Na maior parte das vezes, as instituições acabam por inserir o conteúdo dos Cursos de Extensão na grade da Graduação, perpetuando assim uma prática sem nenhuma inovação. Porque não trabalhar projetos interdisciplinares, TCCs ou prestação de serviços em parceria com mercado e governo conforme preconiza a teoria da Tríplice Hélice de Henry Etzcowitz?</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">Portanto, trarei como <em>case</em> para ser estudado o programa denominado <em>Academic Working Capital, </em>iniciativa que eu tive o prazer de acompanhar. Criado em 2015 pelo Instituto Tim e pelos professores Marcos Pereira Barretto, Diogo Dutra e Artur Tavares Vilas Boas, é destinado a transformar TCCs em Startups. Todos os anos, dezenas de alunos da graduação de todo o Brasil são contemplados pelo programa que possui a seguinte estrutura: Workshops online e presenciais onde são realizadas atividades práticas com o objetivo de desenvolvimento de um produto ou serviço/negócio; orientação com professores durante todo o processo de desenvolvimento da solução; realização do protótipo financiado pelo Instituo Tim e, finalmente, os alunos são levados para uma feira de investidores, geralmente realizada em ambientes empresariais, como a FIESP ou o CUBO/Itau, onde o negócio é apresentado para aceleradoras e investidores. Desta iniciativa já saíram dezenas de startups que ganharam o mercado. Entre elas a <a href="file:///C:/Users/lidyl/Google%20Drive/ABMES/ABMES%204.0/Coluna%20MTE/joboot.com">Binahki</a>, a <a href="file:///C:/Users/lidyl/Google%20Drive/ABMES/ABMES%204.0/Coluna%20MTE/kartado.com.br">Kartado</a> e a <a href="file:///C:/Users/lidyl/Google%20Drive/ABMES/ABMES%204.0/Coluna%20MTE/mvisia.com.br">Mvisia</a>.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">Os professores criaram uma metodologia própria denominada SHELL4STARTUPS com base no empreendedorismo científico. A metodologia se transformou no livro “Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship”, disponível com “<a href="https://openaccess.blucher.com.br/article-list/9788580393903-429/list#undefined">open access</a>”. Em setembro de 2020, foi lançada a sua segunda edição em inglês devido ao sucesso da primeira edição em português.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">A metodologia segue o pressuposto de que o crescimento de um ecossistema empresarial se assenta em dois pilares: a expansão de financiamento e a criação de startups universitárias. Portanto, a educação para o empreendedorismo é importantíssima no processo de formação em qualquer carreira e pode ser considerada a base para que alunos empreendam. Para os autores, pesquisadores do empreendedorismo científico,</span></span></p>
<p style="margin-left: 141.6pt; text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;"><em>“a</em><em> educação para o empreendedorismo desempenha um papel importante na expansão do conjunto de startups promissoras, treinando empreendedores sobre como avaliar oportunidades de negócios, como projetar modelos de negócios escaláveis ??e como acelerar o processo de descoberta de clientes e negócios validação do modelo. Programas de educação empreendedora também podem inspirar novas gerações de empreendedores em escolas, universidades, incubadoras, e comunidades locais.” (</em>Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship, 2020)</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">Aqui reside uma oportunidade de ação extensionista inovadora. Através de um projeto dessa natureza é possível envolver Graduação e Extensão numa mesma atividade, somando-se o fato de que a instituição se engaja com o mercado em um processo de cooperação intersetorial. No site do Instituto Tim, pode-se conferir todas as etapas do projeto, cases e eventos da <em>Academic Word Capital. </em>Abaixo uma imagem que demonstra as fases da metodologia utilizada no empreendedorismo acadêmico.</span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;"><input alt="" src="/arquivos/noticias/images/Scientific%20Entrepreneruship.png" style="width: 900px; height: 609px;" type="image" /></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;"><em>Fonte: Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship, 2020.</em></span></span></p>
<p style="margin-left: 120px; text-align: justify;"> </p>
<p style="margin-left: 120px; text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;"><em>“O Empreendedorismo de base tecnológica aborda a curva exponencial de uma startup, que geralmente passa pelas seguintes fases: (i) zero-stage/ideação, na qual há a descoberta de um problema relevante e de uma solução interessante para a necessidade identificada; (ii) validação/estabelecimento, quando as primeiras soluções começam a fazer sentido e iniciam-se as tentativas de vendas e adaptação do produto a uma demanda real, são as versões iniciais; (iii) crescimento, momento no qual o produto já está melhor elaborado e a startup começa a azeitar seu processo de vendas e a estruturar um time maior; (iv) maturidade, momento de escalar processos e tecnologias, bem como definir políticas para atração e retenção de talentos, além de traçar estratégias para cenários de competição mais intensa”. (Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship, 2020)</em></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">O artigo 3º da Resolução CNE/MEC nº 7/2018 define que:</span></span></p>
<p style="margin-left: 120px; text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;"><em>“a Extensão na Educação Superior Brasileira é a atividade que se integra à matriz curricular e à organização da pesquisa, constituindo-se em processo interdisciplinar, político educacional, cultural, científico, tecnológico, que promove a interação transformadora entre as instituições de ensino superior e os outros setores da sociedade, por meio da produção e da aplicação do conhecimento, em articulação permanente com o ensino e a pesquisa”.</em></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">Para demonstrar que o mundo está olhando para a educação empreendedora como uma grande alavanca da economia acredito que seja interessante que todos conheçam o 13º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Econômico e Social Nacional da República Popular da China (2016-2020). Afinal, essa potência não chegou onde chegou sem um planejamento minucioso. A cada quinquênio elegem poucas metas e não poupam esforços para atingi-las. Neste plano em vigor uma das prioridades é:</span></span></p>
<p style="margin-left: 120px; text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;"><em>“Ponha a base de desenvolvimento na inovação, tome a inovação científica e tecnológica como o núcleo e o desenvolvimento de talentos como o suporte, promova a combinação orgânica de inovação científica e tecnológica e <strong>empreendedorismo e inovação em massa</strong> e molde o desenvolvimento líder que é mais impulsionado pela inovação e mais vantagens pioneiras.” (13º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Econômico e Social Nacional da República Popular da China, capítulo 2)</em></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">Percebo que, para realizar as modificações necessárias aos programas de Extensão é preciso entender que o foco tem que colaborar no estudo, no equacionamento e na solução de problemas da comunidade, ligado às áreas de abrangência dos cursos mantidos pela Instituição, bem como atender às exigências do contínuo desenvolvimento tecnológico, do interesse e necessidades locais e regionais de forma criativa, inteligente e empreendedora, como a demonstrada neste case.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">Para reafirmar toda a narrativa do case que trouxemos hoje, retrato a declaração de Jeff Dean, diretor de IA do Google, à estudantes universitários ocorrido em 22 de setembro de 2020 em uma live, na qual incentivou os alunos a buscarem áreas de estudo que gere impacto coletivo na sociedade. Dean afirmou que em 2020 está havendo uma <em>“confluência incomum de eventos”,</em> ambiente propício a buscar inspiração a fim de detectar lacunas sociais. Através de inúmeros eventos gratuitos os alunos podem se capacitar para buscarem carreiras onde poderão desenvolver soluções inovadoras <em>“que abordem grandes problemas, como mudança climática, saúde e justiça social”.</em> Em referências as grandes queimadas, a pandemia e as lutas sociais.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">Por fim, gostaria de agradecer ao Prof. Dr. Marcos Pereira Barretto pelo incentivo à divulgação dessa experiência fantástica. Para saber mais sobre o case citado acima, ou entender como a Pro Innovare vem polinizando a inovação através de ações extensionistas, entre em contato conosco.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">_____________<br />
<em>*</em><i>Carmem Tavares é </i><em>Gestora Educacional e de Inovação com 28 anos de experiência no mercado educacional privado brasileiro em instituições de diversos portes e regiões</em></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p apple="" color="" dir="ltr" font-size:="" helvetica="" line-height:="" noto="" p="" segoe="" span="" style="box-sizing: border-box; margin-top: 0px; margin-bottom: 1rem; color: rgb(33, 37, 41); text-align: justify;" text-align:="" ui=""><span style="box-sizing: border-box; font-style: inherit; font-weight: inherit; font-size: 14px;"><span style="box-sizing: border-box; font-style: inherit; font-weight: inherit; font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em style="box-sizing: border-box;">Os textos aqui apresentados são de responsabilidade do autor e não representam necessariamente a opinião e/ou o posicionamento da ABMES.</em></span></span></p>
<p style="margin-left: 177pt; text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">A inovação é fundamental para qualquer segmento. Entendida como crucial no fortalecimento da economia e para o desenvolvimento do país. Tenho assistido a milhares de eventos cuja proposta é falar sobre as tendências de inovação no ensino superior. Quase todas elas esvaziadas de uma fundamentação capaz de construir os aportes teóricos necessários ao campo temático da inovação.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">No artigo dessa quinzena vamos tratar da Extensão Universitária trazendo um <em>case</em> que rompe e desconstrói um modelo já consolidado como referência no Brasil para propor uma atividade inovadora de caráter empreendedor que possibilita a formação de futuros profissionais para atuarem num mercado albergado pela economia criativa, baseada na educação empreendedora como forma de inovação.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">No processo de regulação do ensino superior somos incentivados a inovar, basta observar o Manual da DAES, Diretoria de Avaliação do Ensino Superior – MEC, onde são apresentados os novos instrumentos de avaliação <em>in loco</em> e podemos verificar a ênfase sobre as <em>“</em><em>práticas comprovadamente exitosas, inovadoras e diferenciadas e termos correlatos nos instrumentos de avaliação” </em>e ainda,</span></span></p>
<p style="margin-left: 141.6pt; text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;"><em>“É importante notar a existência de diferentes termos nos instrumentos, como ‘inovação tecnológica’ e ‘prática comprovadamente inovadora’, por exemplo. No caso da inovação tecnológica, tal termo é consagrado e possui definição amplamente divulgada: Inovação tecnológica: ‘trata-se do processo de invenção, adaptação, mudança ou evolução da atual tecnologia, melhorando e facilitando a vida ou o trabalho das pessoas’. Para o caso de ‘ação inovadora’, o glossário do instrumento menciona: ‘relaciona-se com a adoção de práticas e procedimentos que oportunizem a criação ou o desenvolvimento de novos produtos ou ideias e permitam a melhoria de processos, apontando para ganhos de eficiência e para a adaptação inédita a situações que se apresentem”. (Manual de Instrumentos de Avaliação In Loco – DAES/MEC, 2018)</em></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">Tanto a inovação tecnológica, quanto as ações inovadoras referidas acima, são pressupostos importantes para o diferencial de uma instituição ou curso. Contudo, observa-se no ensino superior particular poucas instituições com uma política clara de inovação. A desculpa é sempre a mesma: inovar onera as instituições. Em nossa narrativa veremos que, quando existe criatividade e cooperação intersetorial, podemos inovar com baixo custo contando com aporte da instituição parceira e gerando valor para todos os players envolvidos.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">Um espaço fantástico para criarmos ações inovativas é a Extensão, que pode ser compreendida pela <a href="https://abmes.org.br/legislacoes/detalhe/2665">Resolução CNE/MEC nº 7/2018</a>. Num momento em que as Instituições de Ensino precisam ajustar suas práticas de Extensão até dezembro de 2021, incluindo na oferta de Graduação até 10% de atividades de extensão, é importante pontuarmos algumas iniciativas que podem trazer para o curso e IES esse DNA de inovação. Na maior parte das vezes, as instituições acabam por inserir o conteúdo dos Cursos de Extensão na grade da Graduação, perpetuando assim uma prática sem nenhuma inovação. Porque não trabalhar projetos interdisciplinares, TCCs ou prestação de serviços em parceria com mercado e governo conforme preconiza a teoria da Tríplice Hélice de Henry Etzcowitz?</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">Portanto, trarei como <em>case</em> para ser estudado o programa denominado <em>Academic Working Capital, </em>iniciativa que eu tive o prazer de acompanhar. Criado em 2015 pelo Instituto Tim e pelos professores Marcos Pereira Barretto, Diogo Dutra e Artur Tavares Vilas Boas, é destinado a transformar TCCs em Startups. Todos os anos, dezenas de alunos da graduação de todo o Brasil são contemplados pelo programa que possui a seguinte estrutura: Workshops online e presenciais onde são realizadas atividades práticas com o objetivo de desenvolvimento de um produto ou serviço/negócio; orientação com professores durante todo o processo de desenvolvimento da solução; realização do protótipo financiado pelo Instituo Tim e, finalmente, os alunos são levados para uma feira de investidores, geralmente realizada em ambientes empresariais, como a FIESP ou o CUBO/Itau, onde o negócio é apresentado para aceleradoras e investidores. Desta iniciativa já saíram dezenas de startups que ganharam o mercado. Entre elas a <a href="file:///C:/Users/lidyl/Google%20Drive/ABMES/ABMES%204.0/Coluna%20MTE/joboot.com">Binahki</a>, a <a href="file:///C:/Users/lidyl/Google%20Drive/ABMES/ABMES%204.0/Coluna%20MTE/kartado.com.br">Kartado</a> e a <a href="file:///C:/Users/lidyl/Google%20Drive/ABMES/ABMES%204.0/Coluna%20MTE/mvisia.com.br">Mvisia</a>.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">Os professores criaram uma metodologia própria denominada SHELL4STARTUPS com base no empreendedorismo científico. A metodologia se transformou no livro “Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship”, disponível com “<a href="https://openaccess.blucher.com.br/article-list/9788580393903-429/list#undefined">open access</a>”. Em setembro de 2020, foi lançada a sua segunda edição em inglês devido ao sucesso da primeira edição em português.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">A metodologia segue o pressuposto de que o crescimento de um ecossistema empresarial se assenta em dois pilares: a expansão de financiamento e a criação de startups universitárias. Portanto, a educação para o empreendedorismo é importantíssima no processo de formação em qualquer carreira e pode ser considerada a base para que alunos empreendam. Para os autores, pesquisadores do empreendedorismo científico,</span></span></p>
<p style="margin-left: 141.6pt; text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;"><em>“a</em><em> educação para o empreendedorismo desempenha um papel importante na expansão do conjunto de startups promissoras, treinando empreendedores sobre como avaliar oportunidades de negócios, como projetar modelos de negócios escaláveis ??e como acelerar o processo de descoberta de clientes e negócios validação do modelo. Programas de educação empreendedora também podem inspirar novas gerações de empreendedores em escolas, universidades, incubadoras, e comunidades locais.” (</em>Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship, 2020)</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">Aqui reside uma oportunidade de ação extensionista inovadora. Através de um projeto dessa natureza é possível envolver Graduação e Extensão numa mesma atividade, somando-se o fato de que a instituição se engaja com o mercado em um processo de cooperação intersetorial. No site do Instituto Tim, pode-se conferir todas as etapas do projeto, cases e eventos da <em>Academic Word Capital. </em>Abaixo uma imagem que demonstra as fases da metodologia utilizada no empreendedorismo acadêmico.</span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;"><input alt="" src="/arquivos/noticias/images/Scientific%20Entrepreneruship.png" style="width: 900px; height: 609px;" type="image" /></span></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;"><em>Fonte: Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship, 2020.</em></span></span></p>
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<p style="margin-left: 120px; text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;"><em>“O Empreendedorismo de base tecnológica aborda a curva exponencial de uma startup, que geralmente passa pelas seguintes fases: (i) zero-stage/ideação, na qual há a descoberta de um problema relevante e de uma solução interessante para a necessidade identificada; (ii) validação/estabelecimento, quando as primeiras soluções começam a fazer sentido e iniciam-se as tentativas de vendas e adaptação do produto a uma demanda real, são as versões iniciais; (iii) crescimento, momento no qual o produto já está melhor elaborado e a startup começa a azeitar seu processo de vendas e a estruturar um time maior; (iv) maturidade, momento de escalar processos e tecnologias, bem como definir políticas para atração e retenção de talentos, além de traçar estratégias para cenários de competição mais intensa”. (Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship, 2020)</em></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">O artigo 3º da Resolução CNE/MEC nº 7/2018 define que:</span></span></p>
<p style="margin-left: 120px; text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;"><em>“a Extensão na Educação Superior Brasileira é a atividade que se integra à matriz curricular e à organização da pesquisa, constituindo-se em processo interdisciplinar, político educacional, cultural, científico, tecnológico, que promove a interação transformadora entre as instituições de ensino superior e os outros setores da sociedade, por meio da produção e da aplicação do conhecimento, em articulação permanente com o ensino e a pesquisa”.</em></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">Para demonstrar que o mundo está olhando para a educação empreendedora como uma grande alavanca da economia acredito que seja interessante que todos conheçam o 13º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Econômico e Social Nacional da República Popular da China (2016-2020). Afinal, essa potência não chegou onde chegou sem um planejamento minucioso. A cada quinquênio elegem poucas metas e não poupam esforços para atingi-las. Neste plano em vigor uma das prioridades é:</span></span></p>
<p style="margin-left: 120px; text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;"><em>“Ponha a base de desenvolvimento na inovação, tome a inovação científica e tecnológica como o núcleo e o desenvolvimento de talentos como o suporte, promova a combinação orgânica de inovação científica e tecnológica e <strong>empreendedorismo e inovação em massa</strong> e molde o desenvolvimento líder que é mais impulsionado pela inovação e mais vantagens pioneiras.” (13º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Econômico e Social Nacional da República Popular da China, capítulo 2)</em></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">Percebo que, para realizar as modificações necessárias aos programas de Extensão é preciso entender que o foco tem que colaborar no estudo, no equacionamento e na solução de problemas da comunidade, ligado às áreas de abrangência dos cursos mantidos pela Instituição, bem como atender às exigências do contínuo desenvolvimento tecnológico, do interesse e necessidades locais e regionais de forma criativa, inteligente e empreendedora, como a demonstrada neste case.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">Para reafirmar toda a narrativa do case que trouxemos hoje, retrato a declaração de Jeff Dean, diretor de IA do Google, à estudantes universitários ocorrido em 22 de setembro de 2020 em uma live, na qual incentivou os alunos a buscarem áreas de estudo que gere impacto coletivo na sociedade. Dean afirmou que em 2020 está havendo uma <em>“confluência incomum de eventos”,</em> ambiente propício a buscar inspiração a fim de detectar lacunas sociais. Através de inúmeros eventos gratuitos os alunos podem se capacitar para buscarem carreiras onde poderão desenvolver soluções inovadoras <em>“que abordem grandes problemas, como mudança climática, saúde e justiça social”.</em> Em referências as grandes queimadas, a pandemia e as lutas sociais.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size:14px;"><span style="font-family:verdana,geneva,sans-serif;">Por fim, gostaria de agradecer ao Prof. Dr. Marcos Pereira Barretto pelo incentivo à divulgação dessa experiência fantástica. Para saber mais sobre o case citado acima, ou entender como a Pro Innovare vem polinizando a inovação através de ações extensionistas, entre em contato conosco.</span></span></p>
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<em>*</em><i>Carmem Tavares é </i><em>Gestora Educacional e de Inovação com 28 anos de experiência no mercado educacional privado brasileiro em instituições de diversos portes e regiões</em></p>
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<p apple="" color="" dir="ltr" font-size:="" helvetica="" line-height:="" noto="" p="" segoe="" span="" style="box-sizing: border-box; margin-top: 0px; margin-bottom: 1rem; color: rgb(33, 37, 41); text-align: justify;" text-align:="" ui=""><span style="box-sizing: border-box; font-style: inherit; font-weight: inherit; font-size: 14px;"><span style="box-sizing: border-box; font-style: inherit; font-weight: inherit; font-family: verdana, geneva, sans-serif;"><em style="box-sizing: border-box;">Os textos aqui apresentados são de responsabilidade do autor e não representam necessariamente a opinião e/ou o posicionamento da ABMES.</em></span></span></p>
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