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Por: ABMES

Práticas inovativas e de empreendedorismo no Ensino Superior Brasileiro

<p style="text-align: justify;">Com o advento da sociedade do conhecimento e com as reconfigura&ccedil;&otilde;es dos interesses econ&ocirc;micos e demandas da globaliza&ccedil;&atilde;o, impulsionadas por novos padr&otilde;es de inova&ccedil;&atilde;o e pela r&aacute;pida mudan&ccedil;a tecnol&oacute;gica, existem v&aacute;rias reformas universit&aacute;rias em curso no mundo com o objetivo de tornar o sistema educacional de ensino de cada pa&iacute;s mais competitivo.</p>

<p style="text-align: justify;">A inova&ccedil;&atilde;o das universidades &eacute; um dos pilares de inser&ccedil;&atilde;o no mercado global propiciando um posicionamento mais competitivo diante do cen&aacute;rio econ&ocirc;mico. Para Vaidergorn (2001, p.84) a globaliza&ccedil;&atilde;o traz em si novos apelos para a modernidade que est&aacute; diretamente relacionado &agrave; competitividade e alberga <em>&ldquo;o dom&iacute;nio da tecnologia e a habilita&ccedil;&atilde;o do maior n&uacute;mero de trabalhadores em maiores quantidades de conhecimentos&rdquo;</em>. Como decorr&ecirc;ncia, educa&ccedil;&atilde;o superior passou a ser considerada como um dos pilares que possibilitam uma inser&ccedil;&atilde;o mais vantajosa do pa&iacute;s no mercado globalizado.</p>

<p style="text-align: justify;">No documento recente (2022) Inova&ccedil;&atilde;o e Empreendedorismo nas universidades da Am&eacute;rica Latina recente da OECD - Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico, registram-se algumas iniciativas de duas universidades p&uacute;blicas, a saber, USP e UFSCAR, tanto no apoio ao empreendedorismo quanto na transfer&ecirc;ncia do conhecimento. O documento estuda <em>&ldquo;</em><em>conex&otilde;es que as universidades geraram com stakeholders externos por meio dessas atividades no ecossistema de S&atilde;o Paulo, Brasil e exterior&rdquo;.</em></p>

<p style="text-align: justify;">O documento apresenta:</p>

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<li style="text-align: justify;">Pr&aacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o para o empreendedorismo em ambas universidades com resultados muito significativos do N&uacute;cleo de Empreendedorismo da USP, Centro de Inova&ccedil;&atilde;o INOVA USP com n&uacute;meros significativos: Mais de 400 alunos receberam investimentos e foram criadas 90 startups que est&atilde;o presentes em 30 pa&iacute;ses. Em junho de 2021 foi realizada uma confer&ecirc;ncia para start-ups de base cient&iacute;fica e 77 tecnologias foram apresentadas aos investidores. &nbsp;</li>
</ul>

<p style="text-align: justify;">Em recente entrevista para a R&aacute;dio USP, o Prof. Dr. Artur Tavares Vilas Boas, Coordenador do N&uacute;cleo de Empreendedorismo da USP e Prof. da POLI/USP, afirmou que hoje, quase todas as Faculdades da USP j&aacute; ofertam disciplinas e iniciativas que promovem o empreendedorismo e a inova&ccedil;&atilde;o no in&iacute;cio da gradua&ccedil;&atilde;o. Em semin&aacute;rio do N&uacute;cleo de Empreendedorismo da USP, ocorrido no dia 22.10.2022 foi apresentado cases de sucesso recentes daquele que &eacute; considerado o melhor ecossistema empreendedor da Am&eacute;rica latina. A entrevista pode ser conferida no link abaixo:</p>

<p style="text-align: justify;">-&nbsp;<a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/negocios-rejeitos-cidade/" target="_blank">https://revistapesquisa.fapesp.br/negocios-rejeitos-cidade/</a></p>

<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>

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<li style="text-align: justify;">CONEX&Atilde;O COM O ECOSSISTEMA GERADO PELA EDUCA&Ccedil;&Atilde;O PARA O EMPREENDEDORISMO</li>
</ul>

<p style="text-align: justify;">A USP possui quatro incubadoras, todas no estado de S&atilde;o Paulo, sendo duas na capital, H&aacute;bitos e Cytec. A universidade &eacute; um polo de inova&ccedil;&atilde;o, pois o n&uacute;mero de empresas incubadas &eacute; bastante alto: 576, al&eacute;m de 1.934 &ldquo;empresas DNA USP&rdquo; (empresas criadas por estudantes) e sete unic&oacute;rnios criados por ex-alunos.</p>

<p style="text-align: justify;">A universidade tamb&eacute;m possui um parque cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico que, diferentemente da incubadora, &eacute; mais gen&eacute;rico e voltado para o agroneg&oacute;cio. Seu objetivo &eacute; criar um ecossistema forte para que os alunos se conectem com empresas do setor de agroneg&oacute;cios e desenvolvam seus empreendimentos. A universidade n&atilde;o administra um programa de acelera&ccedil;&atilde;o, mas agora est&aacute; estabelecendo um relacionamento mais estreito com os investidores para que as startups tenham mais apoio para crescer. H&aacute; tamb&eacute;m o centro de inova&ccedil;&atilde;o da Universidade de S&atilde;o Paulo (INOVA.USP) que re&uacute;ne todas as atividades de pesquisa em toda a universidade e promove atividades colaborativas. Hackathons s&atilde;o organizados por associa&ccedil;&otilde;es de estudantes e s&atilde;o apoiados pela ag&ecirc;ncia de inova&ccedil;&atilde;o anualmente (100 alunos).</p>

<p style="text-align: justify;">AUFSCAR&nbsp;&nbsp; emitiu 300 patentes e 20 acordos de licen&ccedil;a trabalhando em inova&ccedil;&otilde;es como a modifica&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica da cana-de-a&ccedil;&uacute;car. A universidade recebeu cerca de R$ 6 milh&otilde;es em royalties de desenvolvimento de propriedade intelectual (PI) no per&iacute;odo 2017-2020. Sua Ag&ecirc;ncia de Inova&ccedil;&atilde;o &eacute; respons&aacute;vel por coordenar atividades e treinamentos para promover a cultura de inova&ccedil;&atilde;o e empreendedorismo dentro da universidade. A universidade oferece um Doutorado em Inova&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m &eacute; respons&aacute;vel pelas transfer&ecirc;ncias de IP e, portanto, funciona como uma esp&eacute;cie de TTO. A ag&ecirc;ncia acompanha todas as atividades que realiza, bem como os principais indicadores de desempenho em suas atividades de transfer&ecirc;ncia de conhecimento (n&uacute;mero de patentes, contratos de licen&ccedil;a). A ag&ecirc;ncia tamb&eacute;m realiza anualmente desafios de inova&ccedil;&atilde;o e atividades de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas com empresas. Possui tr&ecirc;s parques tecnol&oacute;gicos e um laborat&oacute;rio de inova&ccedil;&atilde;o. H&aacute; um ecossistema em torno da universidade com v&aacute;rios FabLabs e v&aacute;rios espa&ccedil;os makers.</p>

<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>

<ul>
<li style="text-align: justify;">ESTRAT&Eacute;GIA DE TRANSFER&Ecirc;NCIA DE CONHECIMENTO</li>
</ul>

<p style="text-align: justify;">A ag&ecirc;ncia INNOVA.USP est&aacute; no centro da estrat&eacute;gia de transfer&ecirc;ncia de conhecimento da universidade. Foi criado h&aacute; quatro anos, em 2018, e tem como miss&atilde;o alcan&ccedil;ar o setor privado e ser o destinat&aacute;rio das demandas do setor privado (de grandes empresas e pequenas e m&eacute;dias empresas [PMEs]). Al&eacute;m disso, o Departamento de Colabora&ccedil;&atilde;o (departamentos de conv&ecirc;nios), criado em 2021, acompanha todos os acordos firmados pela universidade com parceiros externos e abriga o escrit&oacute;rio de transfer&ecirc;ncia de tecnologia da universidade. (TO). H&aacute; tamb&eacute;m TTOs nos campi de Piracicaba, Ribeir&atilde;o Preto e S&atilde;o Carlos.</p>

<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>

<ul>
<li style="text-align: justify;">CONEX&Atilde;O COM O ECOSSISTEMA IMPULSIONADO POR ATIVIDADES DE TRANSFER&Ecirc;NCIA DE CONHECIMENTO</li>
</ul>

<p style="text-align: justify;">A USP possui quatro incubadoras em tr&ecirc;s cidades diferentes e em duas delas; a institui&ccedil;&atilde;o mant&eacute;m conv&ecirc;nios com a prefeitura para promover o desenvolvimento de start-ups por meio da cria&ccedil;&atilde;o de parques cient&iacute;ficos. Em Ribeir&atilde;o Preto, o campus da USP j&aacute; montou um parque tecnol&oacute;gico (em cons&oacute;rcio com a prefeitura) e na cidade (Piracicaba), o campus da USP pretende ter o parque tecnol&oacute;gico consolidado at&eacute; o final de 2022.</p>

<p style="text-align: justify;">Trabalha com qualquer empresa interessada em inova&ccedil;&atilde;o, principalmente nas &aacute;reas de energia, biotecnologia e constru&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, a USP assinou um acordo com a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Cimento Portland (ABCP). O acordo &eacute; administrado pela Escola Polit&eacute;cnica da USP e tem como foco o aprimoramento das tecnologias construtivas. Como a ABCP &eacute; uma associa&ccedil;&atilde;o de ind&uacute;strias, os empreendimentos est&atilde;o dispersos por toda a comunidade industrial. A USP tamb&eacute;m trabalha com a Federa&ccedil;&atilde;o das Ind&uacute;strias do Estado de S&atilde;o Paulo (FIESP) em um programa para melhorar as PMEs, mas a falta de cultura de inova&ccedil;&atilde;o nessas empresas &eacute; um problema mais dif&iacute;cil de ser superado.</p>

<p style="text-align: justify;">Colabora com o governo federal para apoiar a transfer&ecirc;ncia de conhecimento, principalmente com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inova&ccedil;&atilde;o Industrial (EMBRAPII), que possui sete unidades dentro da USP, por meio das quais as universidades celebram conv&ecirc;nios com as empresas sobre um assunto espec&iacute;fico.</p>

<p style="text-align: justify;">Outra forma de colabora&ccedil;&atilde;o inclui o envolvimento da ind&uacute;stria na educa&ccedil;&atilde;o. Em algumas disciplinas de neg&oacute;cios ou engenharia, representantes de empresas ou ind&uacute;strias frequentemente ministram palestras e os alunos trabalham em plantas industriais para desenvolver atividades. Em alguns dos cursos de empreendedorismo, os alunos s&atilde;o agrupados em equipas para desenvolver e apresentar um plano de neg&oacute;cios e recebem mentores da comunidade empresarial ou de capital de risco que participam na avalia&ccedil;&atilde;o final (e orientam as equipas durante o desenvolvimento do projeto).</p>

<p style="text-align: justify;">A universidade &nbsp;tamb&eacute;m garante que os alunos se beneficiem de sua estrat&eacute;gia de colabora&ccedil;&atilde;o. A universidade desenvolveu uma colabora&ccedil;&atilde;o com a FEA Angels (uma rede de ex-alunos da Faculdade de Administra&ccedil;&atilde;o e Neg&oacute;cios, criada para fomentar o empreendedorismo atrav&eacute;s de mentoria e financiamento) e reuniu 130 mentores para ajudar as start-ups nas incubadoras da universidade. Como outro exemplo, a construtora Tegra Incorporadora est&aacute; apoiando estudantes em desenvolvimento de start-ups no ramo da constru&ccedil;&atilde;o.</p>

<p style="text-align: justify;">A USP tamb&eacute;m est&aacute; elaborando uma &ldquo;pol&iacute;tica de investimento&rdquo; para permitir que a universidade invista em spin-offs, n&atilde;o apenas fomentar o empreendedorismo, mas tamb&eacute;m melhorar a troca de conhecimento. Para que as start-ups tenham sucesso, a ajuda de mentores e capital de risco &eacute; crucial.</p>

<p style="text-align: justify;">Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFSCar), conta com quatro campi: Araras, Lag&atilde;o do Sino, S&atilde;o Carlos e Sorocaba e mais de 20 mil alunos. Vinte disciplinas est&atilde;o relacionadas ao tema inova&ccedil;&atilde;o e empreendedorismo. O campus principal da universidade (cidade de S&atilde;o Carlos) se beneficia de um ecossistema vibrante: a Universidade de S&atilde;o Paulo tamb&eacute;m tem um campus l&aacute; e 20% da popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; envolvida em atividades acad&ecirc;micas. A universidade criou a primeira incubadora da Am&eacute;rica Latina e &eacute; apoiada por empres&aacute;rios e &oacute;rg&atilde;os federais e estaduais.</p>

<p style="text-align: justify;">Para desenvolver um ecossistema de inova&ccedil;&atilde;o e empreendedorismo as in&uacute;meras atividades realizadas pela universidade s&atilde;o muitas vezes mais importantes do que as pr&oacute;prias disciplinas ofertadas &eacute; o que nos demostra o Professor Dr. Artur Tavares Vilas Boas , em seu paper publicado recentemente no Journal Education+Training. Segundo o professor: <em>&ldquo;sempre foi uma das minhas maiores refer&ecirc;ncias para ensino de empreendedorismo. Considero-o um dos top 3 do mundo no assunto&rdquo;.</em></p>

<p style="text-align: justify;">Na figura abaixo &eacute; percept&iacute;vel o quanto outras pr&aacute;ticas colaboram para a forma&ccedil;&atilde;o do empreendedor nos alertando para o fato de as disciplinas em si s&atilde;o respons&aacute;veis apenas por 17% na carreira de um empreendedor que est&aacute; dentro da universidade ainda como aluno.</p>

<p style="text-align: center;"><img src="/arquivos/noticias/images/Imagem1.png" style="border-width: 0px; border-style: solid; width: 567px; height: 428px;" /></p>

<p style="text-align: justify;">Um das pr&aacute;ticas que mais contribui para essa forma&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os movimentos de base e para uma reflex&atilde;o mais aprofundada convido aos leitores para a participa&ccedil;&atilde;o gratuita da palestra &ldquo;Movimentos de base e mudan&ccedil;as universit&aacute;rias em dire&ccedil;&atilde;o ao empreendedorismo e inova&ccedil;&atilde;o&rdquo; que acontecer&aacute; no dia 03 de novembro &agrave;s 13:00 no seguinte link: <a href="https://blogs.brighton.ac.uk/centrim/2022/10/20/grassroots-movements-and-university-change-towards-entrepreneurship-and-innovation/" target="_blank">https://blogs.brighton.ac.uk/centrim/2022/10/20/grassroots-movements-and-university-change-towards-entrepreneurship-and-innovation/</a></p>

<p style="text-align: justify;">Que possamos aprender com experi&ecirc;ncias que est&atilde;o dando certo nas universidades p&uacute;blicas e adapt&aacute;-las para a realidade das Institui&ccedil;&otilde;es de Ensino Superior Privadas. A PROINNOVARE se coloca &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para auxiliar a sua IES nesse processo.</p>

<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>

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<p style="text-align: justify;">_____________<br />
<i>*Carmen Tavares &eacute; Gestora Educacional e de Inova&ccedil;&atilde;o com 28 anos de experi&ecirc;ncia no&nbsp;mercado educacional privado brasileiro em institui&ccedil;&otilde;es de diversos portes e regi&otilde;es</i></p>

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