Por: ABMES
Práticas inovativas em educação e as políticas de financiamento

<p style="text-align: justify;"><i>Por Carmem Tavares*</i></p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, aponta a educação como forma de impulsionar a inovação. Em um pronunciamento em que enfatiza a necessidade do país desenvolver as suas próprias tecnologias e talentos devido ao aumento das tensões com os EUA. O primeiro ministro enfatizou a necessidade de apoiar os cientistas em pesquisa e desenvolvimento. Li disse: <em>“Quero dizer algumas palavras aos jovens estudantes. Independentemente de quais sejam suas futuras carreiras ou ambições, você deve fortalecer seu aprendizado de conhecimentos básicos”. </em>Esse conhecimento “anda de mãos dadas” com a inovação, disse Li. Tal pronunciamento aponta para a capacidade da China em encontrar talentos para liderar pesquisas que possam contribuir com o esforço nacional de promoção da inovação.</p>
<p style="text-align: justify;">A ênfase dada para os alunos no fortalecimento dos conhecimentos básicos está associada as áreas de conteúdo, como alfabetização, ciência da computação e matemática. Em nossa matriz curricular seria Língua Portuguesa, Matemática e Computação. Para além da Matriz curricular, as ações inovativas já adotadas pelas escolas internacionais e algumas nacionais descontruindo seus modelos de sala de aula e propiciando que seus alunos passem seus dias trabalhando em laboratórios com projetos e/ou se reunindo com grupos consultivos (professores, tutores) é um dos caminhos para inovação. Nas metodologias ativas os discentes trabalham na construção do próprio conhecimento em momentos presenciais e online. Em algumas instituições são os alunos que decidem quando, onde e como aprender, pois desta forma consideram-se responsáveis e coparticipantes do próprio aprendizado. A resolução de problemas é uma rotina neste design flexível de aprendizagem que se apoia na criatividade e autonomia. O ambiente é dedicado à instrução baseada em pesquisa e promoção da inovação na educação, com processos e estratégias para estudar e compartilhar lições aprendidas sobre novas práticas educacionais o que gera uma mentalidade de solução de problemas e criação de negócios propício ao desenvolvimento de startups. Assim o jovem é formado para resolver problemas e para empreender. Acima, temos, portanto, um modelo ideal de práticas inovativas em educação que formará pesquisadores e empreendedores durante sua trajetória acadêmica que corrobore ao final com a inovação tecnológica.</p>
<p style="text-align: justify;">Em contraponto, demonstrando a desigualdade existente na educação entre países do primeiro mundo e os países mais pobres, um outro apelo importante realizado no início de abril, o do ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, pedindo às nações que façam grandes investimentos em educação para preencher a lacuna cada vez maior de desigualdade global criada pela crise do coronavírus. <em>“Uma tragédia humana está se desenrolando se não fizermos nada e deixarmos a educação completamente sem fundos”,</em> alertou ele, dizendo que <em>“a esperança morrerá”</em> se as nações mais pobres não forem capazes de direcionar o investimento em educação como parte de sua resposta à crise do coronavírus.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>″ Além de persuadir os países de que não podem construir um futuro de longo prazo sem investir em educação, devemos lembrá-los de que a educação abre oportunidades de emprego ″</em> acrescentou Brown. Nesta mesma linha de raciocínio o SEMESP (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo) apresentou recentemente gráficos relacionando o benefício de maior inserção no mercado de trabalho para alunos que concluem a graduação.</p>
<p style="text-align: justify;">Percebo que existe o maior interesse por parte das instituições de ensino e dos educadores em promover uma prática diferenciada de educação, por outro lado existe a dificuldade econômica em fazê-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Para Brown <em>“Oitenta bilhões devem ser gastos em pagamentos de serviço da dívida nos próximos 18 meses nos 76 países mais pobres do mundo”</em>, referindo-se aos países de baixa e média renda apoiados pela International Development Association (IDA), onde 80% dos as crianças do mundo chamam de lar.<em>“Em vez de cobrar o pagamento do serviço da dívida, vamos permitir que os países mais pobres tenham esse dinheiro para educação e saúde agora”</em>, disse ele. <em>“É provavelmente a maneira mais rápida de conseguirmos mais dinheiro para a educação e também para a saúde”,</em> acrescentou.</p>
<p style="text-align: justify;">Brow não especificou nenhum país específico foi nomeado. No entanto, já havia dito que os credores do setor privado e nações como a China - um grande provedor de fundos de investimento e detentora de dívida bilateral - serão essenciais para o avanço da proposta de alívio da dívida.</p>
<p style="text-align: justify;">Na corrida para inovação a educação é um setor fundamental. As instituições estão sendo submetidas a novos questionamentos críticos evocados pelos espaços multidimensionais de atuação das empresas, influenciados por uma nova diplomacia de relações internacionais com a entrada de novos atores, novos mercados regionais de consumo e os efeitos de uma crise econômica de longa duração. Fatores que no Brasil criam um grande distanciamento entre educação pública e privada.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, o que vimos durante o último ano foi a necessidade do aparato tecnológico, sobretudo para as escolas públicas, pois é um fator indispensável para diminuir a desigualdade existente entre alunos da iniciativa pública e privada, bem como a formação permanente de professores e educadores, juntamente com uma remuneração adequada.</p>
<p style="text-align: justify;"> Para as instituições privadas, onde a grande maioria já possui uma boa tecnologia para atuar com o ensino híbrido, o fator econômico é determinante para tornas as práticas de ensino e aprendizagem mais inovativas, e de igual forma, capacitar e valorizar professores e gestores.</p>
<p style="text-align: justify;">Observando as pontuações de Érica Dias e Fátima Pinto no artigo <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_serial&pid=0104-4036&lng=en&nrm=iso" target="_blank">Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação</a>,Scielo 2020, “Para construirmos um futuro mais saudável, próspero e seguro, precisamos de políticas públicas que garantam um financiamento adequado para a Educação”, nos perguntamos: Como enfrentar o desafio da queda das receitas vinculadas ao ensino e a necessidade de aporte financeiro no sistema educacional brasileiro?</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">_____________<br />
<em>*</em><i>Carmem Tavares é </i><em>Gestora Educacional e de Inovação com 28 anos de experiência no mercado educacional privado brasileiro em instituições de diversos portes e regiões</em></p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, aponta a educação como forma de impulsionar a inovação. Em um pronunciamento em que enfatiza a necessidade do país desenvolver as suas próprias tecnologias e talentos devido ao aumento das tensões com os EUA. O primeiro ministro enfatizou a necessidade de apoiar os cientistas em pesquisa e desenvolvimento. Li disse: <em>“Quero dizer algumas palavras aos jovens estudantes. Independentemente de quais sejam suas futuras carreiras ou ambições, você deve fortalecer seu aprendizado de conhecimentos básicos”. </em>Esse conhecimento “anda de mãos dadas” com a inovação, disse Li. Tal pronunciamento aponta para a capacidade da China em encontrar talentos para liderar pesquisas que possam contribuir com o esforço nacional de promoção da inovação.</p>
<p style="text-align: justify;">A ênfase dada para os alunos no fortalecimento dos conhecimentos básicos está associada as áreas de conteúdo, como alfabetização, ciência da computação e matemática. Em nossa matriz curricular seria Língua Portuguesa, Matemática e Computação. Para além da Matriz curricular, as ações inovativas já adotadas pelas escolas internacionais e algumas nacionais descontruindo seus modelos de sala de aula e propiciando que seus alunos passem seus dias trabalhando em laboratórios com projetos e/ou se reunindo com grupos consultivos (professores, tutores) é um dos caminhos para inovação. Nas metodologias ativas os discentes trabalham na construção do próprio conhecimento em momentos presenciais e online. Em algumas instituições são os alunos que decidem quando, onde e como aprender, pois desta forma consideram-se responsáveis e coparticipantes do próprio aprendizado. A resolução de problemas é uma rotina neste design flexível de aprendizagem que se apoia na criatividade e autonomia. O ambiente é dedicado à instrução baseada em pesquisa e promoção da inovação na educação, com processos e estratégias para estudar e compartilhar lições aprendidas sobre novas práticas educacionais o que gera uma mentalidade de solução de problemas e criação de negócios propício ao desenvolvimento de startups. Assim o jovem é formado para resolver problemas e para empreender. Acima, temos, portanto, um modelo ideal de práticas inovativas em educação que formará pesquisadores e empreendedores durante sua trajetória acadêmica que corrobore ao final com a inovação tecnológica.</p>
<p style="text-align: justify;">Em contraponto, demonstrando a desigualdade existente na educação entre países do primeiro mundo e os países mais pobres, um outro apelo importante realizado no início de abril, o do ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, pedindo às nações que façam grandes investimentos em educação para preencher a lacuna cada vez maior de desigualdade global criada pela crise do coronavírus. <em>“Uma tragédia humana está se desenrolando se não fizermos nada e deixarmos a educação completamente sem fundos”,</em> alertou ele, dizendo que <em>“a esperança morrerá”</em> se as nações mais pobres não forem capazes de direcionar o investimento em educação como parte de sua resposta à crise do coronavírus.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>″ Além de persuadir os países de que não podem construir um futuro de longo prazo sem investir em educação, devemos lembrá-los de que a educação abre oportunidades de emprego ″</em> acrescentou Brown. Nesta mesma linha de raciocínio o SEMESP (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo) apresentou recentemente gráficos relacionando o benefício de maior inserção no mercado de trabalho para alunos que concluem a graduação.</p>
<p style="text-align: justify;">Percebo que existe o maior interesse por parte das instituições de ensino e dos educadores em promover uma prática diferenciada de educação, por outro lado existe a dificuldade econômica em fazê-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Para Brown <em>“Oitenta bilhões devem ser gastos em pagamentos de serviço da dívida nos próximos 18 meses nos 76 países mais pobres do mundo”</em>, referindo-se aos países de baixa e média renda apoiados pela International Development Association (IDA), onde 80% dos as crianças do mundo chamam de lar.<em>“Em vez de cobrar o pagamento do serviço da dívida, vamos permitir que os países mais pobres tenham esse dinheiro para educação e saúde agora”</em>, disse ele. <em>“É provavelmente a maneira mais rápida de conseguirmos mais dinheiro para a educação e também para a saúde”,</em> acrescentou.</p>
<p style="text-align: justify;">Brow não especificou nenhum país específico foi nomeado. No entanto, já havia dito que os credores do setor privado e nações como a China - um grande provedor de fundos de investimento e detentora de dívida bilateral - serão essenciais para o avanço da proposta de alívio da dívida.</p>
<p style="text-align: justify;">Na corrida para inovação a educação é um setor fundamental. As instituições estão sendo submetidas a novos questionamentos críticos evocados pelos espaços multidimensionais de atuação das empresas, influenciados por uma nova diplomacia de relações internacionais com a entrada de novos atores, novos mercados regionais de consumo e os efeitos de uma crise econômica de longa duração. Fatores que no Brasil criam um grande distanciamento entre educação pública e privada.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, o que vimos durante o último ano foi a necessidade do aparato tecnológico, sobretudo para as escolas públicas, pois é um fator indispensável para diminuir a desigualdade existente entre alunos da iniciativa pública e privada, bem como a formação permanente de professores e educadores, juntamente com uma remuneração adequada.</p>
<p style="text-align: justify;"> Para as instituições privadas, onde a grande maioria já possui uma boa tecnologia para atuar com o ensino híbrido, o fator econômico é determinante para tornas as práticas de ensino e aprendizagem mais inovativas, e de igual forma, capacitar e valorizar professores e gestores.</p>
<p style="text-align: justify;">Observando as pontuações de Érica Dias e Fátima Pinto no artigo <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_serial&pid=0104-4036&lng=en&nrm=iso" target="_blank">Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação</a>,Scielo 2020, “Para construirmos um futuro mais saudável, próspero e seguro, precisamos de políticas públicas que garantam um financiamento adequado para a Educação”, nos perguntamos: Como enfrentar o desafio da queda das receitas vinculadas ao ensino e a necessidade de aporte financeiro no sistema educacional brasileiro?</p>
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<em>*</em><i>Carmem Tavares é </i><em>Gestora Educacional e de Inovação com 28 anos de experiência no mercado educacional privado brasileiro em instituições de diversos portes e regiões</em></p>
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