Por: ABMES
Um novo mundo: contratados pelo RH e demitidos por...algoritmos

<p style="text-align: justify;"><em>Por Ronaldo Mota</em><em>*</em></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Nós educadores já estamos habituados a fazermos uso de inovadoras plataformas de aprendizagem inteligentes. Muito além da educação a distância das décadas anteriores, esses novos ambientes virtuais de aprendizagem estão ou estarão recheados com analítica da aprendizagem, algoritmos, assistentes virtuais por fala, laboratórios de simulação e múltiplas realidades, metacognição, edugenômica etc. O que estamos menos acostumados é com a dimensão da aplicação dessas tecnologias e técnicas similares em outras áreas conexas, tais como empregabilidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1936, com Alan Turing (1912-1954), nasce a Ciência da Computação ou Ciência de Dados Moderna. A Máquina de Turing constitui o marco inicial, mas atualmente fomos muito além. “Machine Learning” ou Aprendizagem de Máquina, por exemplo, é uma área da Inteligência Artificial que permite que um sistema aprenda a partir de dados, não mais via somente uma programação explícita.</p>
<p style="text-align: justify;">Para lidar adequadamente com os dados em grandes quantidades (“Big Data”) e deles extrair funções, há que se construir modelos, cujos parâmetros são derivados do tratamento conferido a esses dados. “Deep Learning” ou Aprendizagem Profunda, por sua vez, descreve as técnicas para construir esses modelos utilizando Redes Neurais, as quais permitem aprender funções muito complexas.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que essas funcionalidades acima passaram a ser, rapidamente, tão relevantes no mundo contemporâneo? A resposta mais simples é que jamais tivemos a abundância de dados que dispomos hoje, bem como seria inimaginável a capacidade computacional absurda que temos em mãos. Isso tudo, agregado aos desenvolvimentos recentes em algoritmos e acesso a novas ferramentas e estruturas. Assim, está dada a receita para uma enorme revolução em curso.</p>
<p style="text-align: justify;">O impacto do vórtex digital está sendo em todos os setores da sociedade, sem exceção. No mundo da empregabilidade, por exemplo, ser demitido por um algoritmo é uma novidade cada vez mais comum a partir de agora. Infelizmente, mas esse é o destino que aguarda a maior parte das pessoas empregadas. Ou seja, ingressamos muito rapidamente em um cenário em que as pessoas serão contratadas e despedidas por máquinas, sem nenhuma intermediação humana. Aos mais jovens, é possível que muitos deles passem por esse ciclo de “destruição criativa” por diversas vezes. É, provavelmente, o fim do emprego para a vida toda, aquilo que era tão comum ao longo do século XX.</p>
<p style="text-align: justify;">Em meados do ano passado, somente a título de ilustração, a empresa de software Xsolla, fez uma reestruturação “inovadora” de sua equipe. Sem prévio aviso, ela decidiu demitir 150 dos 450 funcionários de seus escritórios em Los Angeles e em Moscou seguindo apenas a recomendação de um algoritmo de eficiência no trabalho que os considerou “improdutivos” e “pouco comprometidos” com os objetivos da empresa.</p>
<p style="text-align: justify;">Há um universo do mundo do “business” sobre o qual temos pouco controle. Mesmo assim, a nós, educadores, resta, ao lado de ensinarmos conteúdo, incorporarmos ética e civilidade na formação dos futuros formandos, quaisquer que sejam as áreas em que eles venham a atuar. Debatendo com os educandos a como se comportar em um ambiente recheado e preenchido por tecnologias. Essas complexas decisões, mesmo que via algoritmos, atendem sim a uma determinação que, em última instância, foi desenhada por um humano e que impacta a vida de tantos outros, igualmente colegas.</p>
<p style="text-align: justify;">Haveremos de empreender todos os esforços em nossas escolas para ensinarmos, profundamente, algoritmos e ciência de dados ao ponto que, enquanto profissionais e cidadãos, saibam lidar com essa realidade. Não temos, como professores, soluções prontas, dada a enorme complexidade do tema, mas que não seja por falta de conhecimento que esses nossos futuros gestores deixem de fazer aquilo que entendam correto. Cada qual a partir de seu juízo pessoal e intransferível.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">_____________<br />
<em>*Ronaldo Mota é </em><em>Diretor acadêmico do ITuring</em></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Nós educadores já estamos habituados a fazermos uso de inovadoras plataformas de aprendizagem inteligentes. Muito além da educação a distância das décadas anteriores, esses novos ambientes virtuais de aprendizagem estão ou estarão recheados com analítica da aprendizagem, algoritmos, assistentes virtuais por fala, laboratórios de simulação e múltiplas realidades, metacognição, edugenômica etc. O que estamos menos acostumados é com a dimensão da aplicação dessas tecnologias e técnicas similares em outras áreas conexas, tais como empregabilidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1936, com Alan Turing (1912-1954), nasce a Ciência da Computação ou Ciência de Dados Moderna. A Máquina de Turing constitui o marco inicial, mas atualmente fomos muito além. “Machine Learning” ou Aprendizagem de Máquina, por exemplo, é uma área da Inteligência Artificial que permite que um sistema aprenda a partir de dados, não mais via somente uma programação explícita.</p>
<p style="text-align: justify;">Para lidar adequadamente com os dados em grandes quantidades (“Big Data”) e deles extrair funções, há que se construir modelos, cujos parâmetros são derivados do tratamento conferido a esses dados. “Deep Learning” ou Aprendizagem Profunda, por sua vez, descreve as técnicas para construir esses modelos utilizando Redes Neurais, as quais permitem aprender funções muito complexas.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que essas funcionalidades acima passaram a ser, rapidamente, tão relevantes no mundo contemporâneo? A resposta mais simples é que jamais tivemos a abundância de dados que dispomos hoje, bem como seria inimaginável a capacidade computacional absurda que temos em mãos. Isso tudo, agregado aos desenvolvimentos recentes em algoritmos e acesso a novas ferramentas e estruturas. Assim, está dada a receita para uma enorme revolução em curso.</p>
<p style="text-align: justify;">O impacto do vórtex digital está sendo em todos os setores da sociedade, sem exceção. No mundo da empregabilidade, por exemplo, ser demitido por um algoritmo é uma novidade cada vez mais comum a partir de agora. Infelizmente, mas esse é o destino que aguarda a maior parte das pessoas empregadas. Ou seja, ingressamos muito rapidamente em um cenário em que as pessoas serão contratadas e despedidas por máquinas, sem nenhuma intermediação humana. Aos mais jovens, é possível que muitos deles passem por esse ciclo de “destruição criativa” por diversas vezes. É, provavelmente, o fim do emprego para a vida toda, aquilo que era tão comum ao longo do século XX.</p>
<p style="text-align: justify;">Em meados do ano passado, somente a título de ilustração, a empresa de software Xsolla, fez uma reestruturação “inovadora” de sua equipe. Sem prévio aviso, ela decidiu demitir 150 dos 450 funcionários de seus escritórios em Los Angeles e em Moscou seguindo apenas a recomendação de um algoritmo de eficiência no trabalho que os considerou “improdutivos” e “pouco comprometidos” com os objetivos da empresa.</p>
<p style="text-align: justify;">Há um universo do mundo do “business” sobre o qual temos pouco controle. Mesmo assim, a nós, educadores, resta, ao lado de ensinarmos conteúdo, incorporarmos ética e civilidade na formação dos futuros formandos, quaisquer que sejam as áreas em que eles venham a atuar. Debatendo com os educandos a como se comportar em um ambiente recheado e preenchido por tecnologias. Essas complexas decisões, mesmo que via algoritmos, atendem sim a uma determinação que, em última instância, foi desenhada por um humano e que impacta a vida de tantos outros, igualmente colegas.</p>
<p style="text-align: justify;">Haveremos de empreender todos os esforços em nossas escolas para ensinarmos, profundamente, algoritmos e ciência de dados ao ponto que, enquanto profissionais e cidadãos, saibam lidar com essa realidade. Não temos, como professores, soluções prontas, dada a enorme complexidade do tema, mas que não seja por falta de conhecimento que esses nossos futuros gestores deixem de fazer aquilo que entendam correto. Cada qual a partir de seu juízo pessoal e intransferível.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">_____________<br />
<em>*Ronaldo Mota é </em><em>Diretor acadêmico do ITuring</em></p>
Quer saber como a ABMES pode atender as demandas específicas da sua IES?
Nossos consultores estão prontos para apresentar todos os benefícios, serviços inclusos e condições exclusivas de filiação para o perfil da sua instituição.