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Para o termo exato, use aspas. Ex.: “44 anos”

Por: ABMES

Você já viu um elefante cor de rosa voando?

<div style="text-align: justify;">Por Carmen Tavares*</div>

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<div style="text-align: justify;">S&oacute; a torcida n&atilde;o decide o placar...</div>

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<div style="text-align: justify;">H&aacute; certas coisas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quais ningu&eacute;m &eacute; contra, muito pelo contr&aacute;rio, mas nem por isso, elas deixam de ser problem&aacute;ticas. Pensar em processos de mudan&ccedil;as e inova&ccedil;&atilde;o nas empresas beira a utopia. Isso porque efici&ecirc;ncia, qualidade, coopera&ccedil;&atilde;o entre os setores, paz, amor, enfim, tudo o que &eacute; bom possui uma legi&atilde;o fan&aacute;tica de adeptos em qualquer quadrante da face da terra.</div>

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<div style="text-align: justify;">Mas, entretanto, todavia, por&eacute;m, contudo, se boa vontade movesse montanhas, h&aacute; muito a humanidade teria reconquistado o para&iacute;so perdido, infelizmente, n&atilde;o &eacute; o que acontece. As empresas precisam ser competitivas e gerar inova&ccedil;&otilde;es que agreguem valor para os usu&aacute;rios finais, mas continuamos a ter que ganhar o p&atilde;o de cada dia com o suor do rosto. O &uacute;nico sen&atilde;o, em meu modesto ponto de vista, &eacute; que dar duro para construir uma cultura de inova&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; o melhor projeto para institui&ccedil;&otilde;es acomodadas. Muito menos nos dias de hoje, por raz&otilde;es que logo discutiremos.</div>

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<div style="text-align: justify;">Quem tem pressa come cru...</div>

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<div style="text-align: justify;">Sem precipita&ccedil;&otilde;es, eis a minha receita para um bom cozido. Por hora, proponho que continuemos a pavimentar o terreno do nosso di&aacute;logo, filosofando um pouco mais. Sinto ser este o melhor caminho rumo o cora&ccedil;&atilde;o do nosso tema &ndash; como inovar nas organiza&ccedil;&otilde;es. Fazendo escalas intermedi&aacute;rias nos dilemas, problemas e op&ccedil;&otilde;es sobre mudan&ccedil;as de paradigmas. Posto desta forma parece-me de bom tamanho.</div>

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<div style="text-align: justify;">A bola de cristal como artigo sup&eacute;rfluo...</div>

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<div style="text-align: justify;">Desde os anos 60, a Hist&oacute;ria d&aacute; sinais de que ingressamos numa nova era. Poetas, artistas e futuristas estavam com as antenas ligadas e foram os primeiros a captar os sinais dos tempos. Outros curtiam, alguns criticavam, a maioria silenciosa ignorava, fato que ainda hoje acontece. Por favor, n&atilde;o vejam nenhuma cr&iacute;tica nas minhas palavras, ao menos por enquanto, pois estou convencida de que n&atilde;o h&aacute; nenhum dem&eacute;rito pessoal se n&atilde;o temos em nossas veias algumas gotas de sangue dos profetas que conseguem prever o futuro. Assim, qualquer que fosse a rea&ccedil;&atilde;o criativa na d&eacute;cada de 60, de milit&acirc;ncia ou implic&acirc;ncia, a d&eacute;cada era suficientemente rica e confusa para ser inclusa. Nestas circunst&acirc;ncias ningu&eacute;m, mas ningu&eacute;m mesmo, tem a obriga&ccedil;&atilde;o de ser profeta! Afinal, como definir o norte nos anos que deram a luz...</div>

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<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Aos Beatles e a Che Guevara?</div>

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<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>A Kennedy e aos Vietcongs?</div>

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<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Aos Hippies e aos Falc&otilde;es do Pent&aacute;gono?</div>

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<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>A Chico Buarque e a Roberto Carlos?</div>

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<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>A Castelo Branco e a Salvador Allende?</div>

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<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Ao movimento feminista e ao renascimento da Ku, Klux, Klan?</div>

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<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>A alian&ccedil;a para o progresso e a revolu&ccedil;&atilde;o cultural do Camarada Mao?</div>

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<div style="text-align: justify;">S&oacute; com bola de cristal mesmo! E olha que fiquei nestes exemplos apenas. A d&eacute;cada foi muito mais louca e irreverente do que a minha capacidade de retrat&aacute;-la.&nbsp; Recordo-me bem que na bela letra &ldquo;O Som do Sil&ecirc;ncio&rdquo; (The Sound of Silence), Paul Simon e Art Garfunkel cantavam que os sinais dos profetas estavam escritos nas paredes do metr&ocirc;. Na mesma &eacute;poca, em que os estudantes de Paris ocupavam o Quartier Latin e pichavam os muros com os seus sinais, dentre os quais: &ldquo;a imagina&ccedil;&atilde;o no poder&rdquo;. E querem saber de uma coisa? Eles estavam certos.</div>

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<div style="text-align: justify;">Do futur&oacute;logo ao present&oacute;logo...</div>

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<div style="text-align: justify;">Nos anos 60, e at&eacute; certo ponto at&eacute; os anos finais do s&eacute;culo XX, para as organiza&ccedil;&otilde;es, o futuro era amanh&atilde;. Reinavam soberanas com poucos competidores no mercado e n&atilde;o havia raz&atilde;o para inova&ccedil;&atilde;o como estrat&eacute;gia competitiva. T&iacute;nhamos todo o tempo do mundo para: pensar, planejar, errar e consertar. Ap&oacute;s 1970 a Hist&oacute;ria dava mais uma volta no torniquete cercando o espa&ccedil;o de manobra para todos aqueles que tinham que sair em busca do tempo perdido. Mesmo assim, com boa vontade, podia se alegar que o desafio ent&atilde;o era o de construir o futuro no presente. Portanto, para quem n&atilde;o queria, n&atilde;o podia, ou n&atilde;o sabia mudar, convinha viver entre os anos 60 e 80. Apesar de todas as mudan&ccedil;as ocorridas nesse per&iacute;odo, para aqueles que preferiam n&atilde;o fazer nada al&eacute;m das rotinas do dia a dia, sempre havia uma boa desculpa ao alcance das m&atilde;os.</div>

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<div style="text-align: justify;">Basicamente, das duas uma (ou mesmo ambas):&nbsp;</div>

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<div style="text-align: justify;">Todo aquele agito parecia coisa de irreverentes e n&atilde;o de gente pacata, sensata e normal;</div>

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<div style="text-align: justify;">Depois, dos implicantes aos pacifistas, todos eram contra o sistema. S&oacute; que o sistema era quem os alimentava, abrigava etc. Ent&atilde;o porque toda essa barulheira se alguns preferiam ficar do lado do establishment?</div>

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<div style="text-align: justify;">Sem problemas! Quer dizer, at&eacute; ent&atilde;o sem problemas! <strong>S&oacute; que, hoje, o futuro foi ontem. E &eacute; justamente aqui que reside o drama dos retardat&aacute;rios, sejam eles pa&iacute;ses, pol&iacute;ticas, institui&ccedil;&otilde;es ou indiv&iacute;duos: ontem carentes de vis&atilde;o, hoje impotentes de a&ccedil;&atilde;o.</strong></div>

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<div style="text-align: justify;">Como viver com a necessidade de mudan&ccedil;as e inova&ccedil;&otilde;es constantes?</div>

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<div style="text-align: justify;">Hoje, do ocidente ao oriente, do primeiro ao terceiro mundo, n&atilde;o h&aacute; escapat&oacute;ria: o lema (ou dilema) &eacute; inovar, &eacute; mudar! Olhe a sua volta e veja se voc&ecirc; &eacute; capaz de encontrar os edif&iacute;cios do bom e velho sistema. Com certeza, sobrevivem apenas seus vest&iacute;gios arqueol&oacute;gicos. A velha ordem implodiu de vez, estamos diante da tarefa entusiasmante para alguns, apavorantes para outros de reinventar nossas organiza&ccedil;&otilde;es, seus credos e junto com elas nosso estilo de atua&ccedil;&atilde;o. Portanto, n&atilde;o estranhe se voc&ecirc; homem, mulher, rico ou pobre tiver mais:</div>

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<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>D&uacute;vida que certeza;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Perguntas que respostas;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Desafios que rotinas;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Inseguran&ccedil;a que seguran&ccedil;a;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Adrenalina que sacarina.</div>

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<div style="text-align: justify;">Afinal,</div>

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<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>O muro de Berlim ruiu;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>A sociedade industrial encolheu;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>A ind&uacute;stria de servi&ccedil;os eclodiu;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>O Apartheid escureceu;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Cor&eacute;ia e China e outras lanterninhas est&atilde;o na pole position.</div>

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<div style="text-align: justify;">E por a&iacute; vai. A melhor receita de sobreviv&ecirc;ncia para uma &eacute;poca de descontinuidade como a nossa &eacute;: mude, fa&ccedil;a, aconte&ccedil;a! Agora, aqueles que acham que o mar n&atilde;o est&aacute; pra peixe ajudariam muito se sa&iacute;ssem do caminho daqueles que est&atilde;o fazendo (ou tentado fazer) &agrave;s coisas acontecerem.</div>

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<div style="text-align: justify;">As bolas da vez...</div>

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<div style="text-align: justify;">Como disseram os profetas desde priscas eras: sinais dos tempos. Resta saber se o seu guru predileto prega o apocalipse, o eclipse ou salto tr&iacute;plice rumo ao admir&aacute;vel mundo novo. Em todo caso, a escolha &eacute; sua. Mesmo porque, hoje &eacute; bem mais f&aacute;cil ser profeta e anunciar aos quatro ventos que a sa&iacute;da est&aacute; na:</div>

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<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Fus&atilde;o;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Aquisi&ccedil;&atilde;o;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Globaliza&ccedil;&atilde;o da economia;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Empreendedorismo gerencial;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Terceiriza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Empowerment;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Orquestra&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Novas Tecnologias;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Intelig&ecirc;ncia Artificial;</div>

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<div style="text-align: justify;">Aceito palpites quanto &agrave;s pr&oacute;ximas bolinhas...</div>

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<div style="text-align: justify;">Eis o quadro de uma revolu&ccedil;&atilde;o fant&aacute;stica e nada convencional: sem partidos, sem pared&oacute;n, sem palanque, faixa, raiva, revolta, &oacute;dio. Uma revolu&ccedil;&atilde;o de talento, iniciativa e massa cef&aacute;lica.&nbsp;</div>

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<div style="text-align: justify;">Reaprendendo a mudar...</div>

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<div style="text-align: justify;">Dizem os especialistas que o homem possui tr&ecirc;s formas de reaprender a mudar:&nbsp;</div>

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<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Por adapta&ccedil;&atilde;o: Ac&uacute;mulo de conhecimentos. Imita&ccedil;&atilde;o, continuidade, de modo a manter o status quo.</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Por choque: Rela&ccedil;&atilde;o de p&acirc;nico diante do fracasso ou crise, numa tentativa desesperada de reconquistar o para&iacute;so perdido.</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Por inova&ccedil;&atilde;o: Antecipa&ccedil;&atilde;o e influ&ecirc;ncia sobre a realidade, de modo a criar um futuro desejado.</div>

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<div style="text-align: justify;">O admir&aacute;vel mundo novo que mencionei acima est&aacute; sendo reconstru&iacute;do atrav&eacute;s da terceira forma, retardada pela segunda e inviabilizado pela primeira. E isto por uma raz&atilde;o muito simples: dos australopitecos ao homo erectus, do paleol&iacute;tico aos nossos dias, a humanidade sempre esteve &agrave;s voltas com dois tipos de mudan&ccedil;as:</div>

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<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>As mudan&ccedil;as lineares s&atilde;o l&oacute;gicas, ordenadas, cumulativas, previs&iacute;veis, sequenciais, sujeitas &agrave;s leis de causa e efeito e evolucion&aacute;rias.&nbsp;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>As mudan&ccedil;as n&atilde;o lineares, por seu turno, s&atilde;o desordenadas, descont&iacute;nuas, imprevis&iacute;veis, ca&oacute;ticas e revolucion&aacute;rias.&nbsp;</div>

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<div style="text-align: justify;">Conforme o ciclo hist&oacute;rico, ora uma est&aacute; no comando, ora outra. Para sorte de alguns e azar de outros, os dias atuais s&atilde;o tipologicamente inclinados a padr&otilde;es de mudan&ccedil;as nada lineares. Obviamente elas coexistem com padr&otilde;es transformativos mais bem comportados, pois nem tudo que se faz hoje em dia &eacute; fatalmente subversivo. O esp&iacute;rito da &eacute;poca &eacute; uma quest&atilde;o de &ecirc;nfase, n&atilde;o de monop&oacute;lio absoluto.</div>

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<div style="text-align: justify;">Onde a porca torce o rabo...</div>

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<div style="text-align: justify;">Existe uma vasta literatura a respeito da afamada resist&ecirc;ncia &agrave; mudan&ccedil;a e o diagn&oacute;stico vai do medo &agrave; falta de car&aacute;ter. Seja como for, tenho para mim que, dentre muitas, tr&ecirc;s causas pesam contra a mudan&ccedil;a:</div>

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<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Nosso sistema formal e informal nunca demonstrou uma queda especial em rela&ccedil;&atilde;o a como fazer mudan&ccedil;as pessoais e sociais. Trata-se, portanto, de uma mat&eacute;ria na qual quase todos somos analfabetos.</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Depois, sempre &eacute; mais f&aacute;cil fazer as coisas como sempre as fizemos durante a vida toda. Aprender, reaprender exige que invistamos tempo, esfor&ccedil;os, tem um custo econ&ocirc;mico, pode ser estressante e vai por a&iacute; afora.</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Qualquer mudan&ccedil;a rompe com as rotinas, subverte rela&ccedil;&otilde;es conhecidas e nos atira, em maior ou menor grau, rumo ao desconhecido.</div>

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<div style="text-align: justify;">Sendo assim, cada um na sua, por que procurar sarna pr&aacute; se co&ccedil;ar? Enquanto n&atilde;o havia um mercado com alto grau de competitividade, n&atilde;o havia motivos para se preocupar com os aspectos como mudan&ccedil;as e inova&ccedil;&atilde;o.</div>

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<div style="text-align: justify;">Destorcendo (e distorcendo) o rabo da porca...</div>

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<div style="text-align: justify;">&Eacute; uma boa pergunta e creio que afora mudar, inexiste alternativa. Isto desde que n&atilde;o esteja em nosso projeto de vida, organizacional e social, sermos sobrepujados por outras partes do mundo e relegados &agrave; famosa lata de lixo da hist&oacute;ria. Ent&atilde;o, &eacute; preciso mudar! A boa not&iacute;cia &eacute; que existem estrat&eacute;gias e m&eacute;todos que facilitam a mudan&ccedil;a tal como existem estrat&eacute;gias e m&eacute;todos que nos ensinam a reproduzir o mundo que herdamos dos nossos pais ou av&oacute;s. N&atilde;o precisamos entrar em estado de choque para fazer alguma coisa (modelo do choque). Tamb&eacute;m n&atilde;o precisamos adotar o c&eacute;lebre prov&eacute;rbio franc&ecirc;s &ldquo;plus&ccedil;a change, plus c est la m&ecirc;me chose&rdquo; (modelo adaptativo). Para distorcer o rabo da porca a sa&iacute;da honrosa passa pelo modelo de aprendizagem para inova&ccedil;&atilde;o.</div>

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<div style="text-align: justify;">Eu, n&oacute;s e as circunst&acirc;ncias...</div>

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<div style="text-align: justify;">Os homens e as organiza&ccedil;&otilde;es sociais possuem o dom da aprendizagem que os habilita a not&aacute;veis proezas das quais outros seres est&atilde;o, no geral privados. Assim, indiv&iacute;duos podem transcender as adversidades impostas por uma inf&acirc;ncia de car&ecirc;ncia afetiva, social e cultural. Da mesma forma que, ao longo da hist&oacute;ria, alguns povos tem demonstrado que &eacute; perfeitamente poss&iacute;vel superar adversidades naturais, culturais, sociais, demogr&aacute;ficas e edificar uma nova civiliza&ccedil;&atilde;o. O Jap&atilde;o moderno ilustra com perfei&ccedil;&atilde;o esta possibilidade. Vejam a ficha t&eacute;cnica:</div>

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<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Uma ilha m&atilde;e rodeada de ilhas sat&eacute;lites;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Viveu at&eacute; o s&eacute;culo passado enclausurado num regime feudal;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Ingressou no Sec. XX com &iacute;ndices de pobreza e exclus&atilde;o social de fazer inveja aos atuais pa&iacute;ses do terceiro mundo;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Aproximadamente 70% do solo imprest&aacute;vel para agricultura, por ser montanhoso ou rochoso;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Os demais 30% s&atilde;o destinados a abrigar mais de 127 milh&otilde;es de habitantes, cidades, agriculturas e pecu&aacute;ria;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Carente de mat&eacute;ria prima;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Fustigado periodicamente por furac&otilde;es, maremotos e terremotos;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Derrotado na segunda grande guerra mundial, sendo o &uacute;nico pa&iacute;s at&eacute; hoje a sofrer um bombardeio nuclear e in&uacute;meros tsunamis.</div>

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<div style="text-align: justify;">Ainda assim, chegou aonde chegou. Outros povos, neste exato momento trilham o mesmo caminho. E ainda existem os que se embrenham pelo descaminho da desesperan&ccedil;a. Entre as diferen&ccedil;as que os separam gostaria, a partir de agora, de abrir um espa&ccedil;o para conversarmos sobre inconformismo e a vis&atilde;o do t&uacute;nel. Por&eacute;m, fica uma ideia como provoca&ccedil;&atilde;o: somos menos produto do meio do que o meio &eacute; nosso produto.</div>

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<div style="text-align: justify;">Positivamente inconformados...</div>

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<div style="text-align: justify;">Revolta e inconformismo s&atilde;o sentimentos humanos t&atilde;o leg&iacute;timos como o amor e o conformismo, podendo ser igualmente construtivos, como destrutivos.</div>

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<div style="text-align: justify;">Sen&atilde;o vejamos:</div>

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<div style="text-align: justify;">Amor - A face construtiva: crescei e multiplicai-vos.&nbsp; &nbsp;&nbsp;</div>

<div style="text-align: justify;">A face destrutiva: morrer de amor.&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;</div>

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<div style="text-align: justify;">Conformismo - A face Construtiva: aceitar a pluralidade racial e cultural da esp&eacute;cie humana.&nbsp;</div>

<div style="text-align: justify;">A face destrutiva: Desenvolver posturas preconceituosas face &agrave; diversidade humana.</div>

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<div style="text-align: justify;">Inconformismo &ndash; A face construtiva: N&atilde;o se resignar diante da adversidade.&nbsp;&nbsp;</div>

<div style="text-align: justify;">A face destrutiva: Aceitar a adversidade como uma fatalidade.</div>

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<div style="text-align: justify;">Revolta &ndash; A face construtiva: Canaliz&aacute;-la para a realiza&ccedil;&atilde;o de um sonho.&nbsp;</div>

<div style="text-align: justify;">A face destrutiva: Remoer-se no &oacute;dio, no ressentimento e na inveja.</div>

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<div style="text-align: justify;">Ao rejeitar a sina dos anos 50 e 60, onde Made in Japan era sin&ocirc;nimo de porcaria, o Jap&atilde;o contempor&acirc;neo est&aacute; sendo um exemplo de inconformismo positivo. Penso que as organiza&ccedil;&otilde;es ao apostarem no potencial criativo do inconformismo v&atilde;o fazer toda diferen&ccedil;a e se tornarem alternativas &agrave;s solu&ccedil;&otilde;es importadas.</div>

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<div style="text-align: justify;">A vis&atilde;o do t&uacute;nel...</div>

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<div style="text-align: justify;">Crise e adversidades, quando mal gerenciadas, t&ecirc;m o dom de criar uma vis&atilde;o negra a respeito do presente. Se elas persistirem por muito tempo, a escurid&atilde;o poluir&aacute; o futuro tamb&eacute;m. Dentro do t&uacute;nel, por mais que procuremos a luz, a paisagem &eacute; mon&oacute;tona e indistingu&iacute;vel. Fora do t&uacute;nel, podem estar acontecendo coisas fant&aacute;sticas. Por&eacute;m quem est&aacute; dentro, com certeza, estar&aacute; perdendo o incr&iacute;vel espet&aacute;culo de ver um elefante cor de rosa voando. Ali&aacute;s, dentro do t&uacute;nel sem eletricidade n&atilde;o poder&atilde;o nem mesmo ver o Dumbo do Walt Disney, que dir&aacute; um paquiderme ex&oacute;tico.</div>

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<div style="text-align: justify;">A s&iacute;ndrome do t&uacute;nel costuma ter muitos nomes:&nbsp;</div>

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<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Choque do Futuro, na linha de Toffler;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Apatia, na psican&aacute;lise;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Impot&ecirc;ncia, na linha sexual;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Aliena&ccedil;&atilde;o, na linha sociol&oacute;gica;</div>

<div style="text-align: justify;">&bull;<span style="white-space:pre"> </span>Burocracia, na linha organizacional (isso te lembra alguma coisa)?</div>

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<div style="text-align: justify;">N&atilde;o importa, d&aacute; na mesma! Isto &eacute;, as pessoas sempre acabam, de uma forma ou de outra, inviabilizando a sa&iacute;da. Elaboram milhares de desculpas. A &uacute;nica coisa que n&atilde;o fazem &eacute; examinar a sua pr&oacute;pria responsabilidade.</div>

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<div style="text-align: justify;">Entre o passado, o presente e o futuro...</div>

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<div style="text-align: justify;">No entanto, a partir do momento em que analisamos o tema com maior isen&ccedil;&atilde;o e menor esp&iacute;rito de autodefesa, somos capazes de antever que a resist&ecirc;ncia ao novo est&aacute; com seus dias contados. &Eacute; claro que o reconhecimento do descompasso que existe hoje n&atilde;o tem o poder de diminuir a inquieta&ccedil;&atilde;o gerada pelos impactos do &ocirc;nus que recai sobre as organiza&ccedil;&otilde;es. Por&eacute;m, a esperan&ccedil;a se infiltra quando nos damos conta que o futuro pertence &agrave;queles que o est&atilde;o construindo hoje. O meu trabalho de criar nas empresas uma cultura de inova&ccedil;&atilde;o &eacute; parte dessa hist&oacute;ria. Sem d&uacute;vida, um bom come&ccedil;o para ver, voando o elefante cor de rosa.</div>

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<div style="text-align: justify;">*Maria Carmen Tavares Christ&oacute;v&atilde;o &eacute; Mestre em Gest&atilde;o da Inova&ccedil;&atilde;o com &aacute;rea de pesquisa em Inova&ccedil;&atilde;o Educacional. Diretora da Pro Innovare Consultoria de Inova&ccedil;&atilde;o atuou como Reitora, Pr&oacute; Reitora e Diretora de Institui&ccedil;&otilde;es de Ensino de diversos portes e regi&otilde;es no Brasil.&nbsp; <a href="https://proinnovare.com.br/sobre" target="_blank">www.proinnovare.com.br</a>&nbsp;&nbsp;</div>

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