Os resultados da 5ª edição do Indicador ABMES/Symplicity de Empregabilidade (IASE) mostram um cenário de elevada inserção profissional entre recém-formados e, ao mesmo tempo, ampliam o olhar sobre o papel das instituições de ensino superior na trajetória de seus egressos. Os dados foram apresentados nesta terça-feira (22), durante evento virtual promovido pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), em parceria com a Symplicity.
Com mais de 10 mil egressos respondentes e participação de 99 instituições, o IASE 2026 alcançou a maior base desde o início do levantamento. A pesquisa considera pessoas que colaram grau entre julho de 2024 e junho de 2025 e acompanha sua situação profissional de nove a 20 meses após a conclusão do curso. Desde o início da série, mais de 34 mil egressos já foram ouvidos.
Na abertura do encontro, o diretor-geral da ABMES, Paulo Chanan, destacou que o acompanhamento dos egressos ganha importância não apenas para demonstrar os resultados da formação, mas também como instrumento para a gestão das próprias instituições. Segundo ele, dados estruturados permitem aperfeiçoar programas formativos, fortalecer a relação com empregadores e parceiros locais e oferecer aos estudantes informações concretas sobre as possibilidades abertas pela graduação. “Quando ela detém esses dados, ela consegue conversar de maneira muito mais apropriada, muito mais segura e consegue fazer com que os alunos também se beneficiem disso”, afirmou.
Chanan chamou atenção ainda para o espaço que o acompanhamento da empregabilidade tende a ocupar nos novos instrumentos de avaliação da educação superior. Segundo ele, o tema já aparece em alguns indicadores, mas deverá ganhar maior relevância no processo regulatório, reforçando a necessidade de as IES estruturarem mecanismos permanentes de acompanhamento de seus egressos.
Empregabilidade, renda e atuação na área mostram avanço da trajetória profissional
Apresentados pelo gerente nacional da Symplicity, Gabriel Custódio, os resultados mostram que 85,2% dos egressos participantes estão trabalhando. O indicador permanece praticamente no mesmo patamar de 2025, quando chegou a 85,5%, consolidando uma evolução expressiva em relação ao início da série, quando a empregabilidade estava abaixo de 70%.
Outro resultado destacado foi a relação entre trabalho e formação. Atualmente, 67,2% dos egressos trabalham diretamente na área em que se graduaram. Quando são considerados também aqueles que atuam em outro segmento por escolha própria, a chamada inserção favorável chega a 76,6%.
A evolução também aparece na renda. Pela primeira vez, o IASE passou a apresentar a série com valores corrigidos pelo IPCA, permitindo observar a evolução em termos reais. Segundo Custódio, os resultados indicam crescimento da remuneração ao longo das edições e ajudam a qualificar o debate sobre o valor da formação superior. Para ele, porém, levantar os números é apenas o início do trabalho. “Os dados trazem informação e, a partir dos dados, é importante derivar ações”, afirmou, ao defender que as instituições utilizem os resultados para identificar oportunidades, aperfeiçoar o relacionamento com estudantes e egressos e acompanhar os efeitos das iniciativas adotadas.
Os recortes por área de formação também evidenciaram diferenças. Medicina e Engenharia e Construção aparecem entre os grupos de maior destaque na combinação entre empregabilidade e renda. Custódio chamou atenção especialmente para Engenharia, área que, apesar de percepções recorrentes sobre dificuldades de inserção profissional, apresentou resultados elevados no levantamento. Já Serviços e Artes e Humanidades aparecem entre aquelas em que os dados indicam maior necessidade de apoio na primeira colocação profissional.
O levantamento trouxe ainda um resultado inédito na comparação entre modalidades. Pela primeira vez, a renda média dos egressos da educação a distância apareceu ligeiramente acima da registrada entre os formados no presencial, embora a empregabilidade seja maior entre os egressos de cursos presenciais. Custódio ponderou que características distintas dos dois grupos, especialmente a idade, precisam ser consideradas na interpretação: 69,6% dos respondentes da EaD têm mais de 30 anos, ante 26% no presencial.
As diferenças regionais também apareceram como um ponto de atenção do IASE 2026. Entre os recortes com amostra mais representativa, o Nordeste apresentou resultados inferiores em empregabilidade e renda, apesar de concentrar parcela relevante dos respondentes. Custódio ressaltou que o dado merece uma análise mais aprofundada para compreender os fatores envolvidos. Ao comentar o resultado, Chanan reforçou a necessidade de atenção à região, lembrando seu peso na educação superior brasileira. “O Nordeste em número de matrículas é a segunda região brasileira. Então, você vê que a segunda região brasileira em número de matrículas tem a pior renda média dos egressos”, afirmou. Para ele, mais do que estabelecer explicações imediatas, o resultado deve estimular novas análises sobre as condições de inserção profissional dos recém-formados na região.
Diferenças regionais também acendem sinal de atenção
Os recortes regionais do IASE 2026 revelam diferenças importantes na inserção profissional dos recém-formados. Entre as regiões com base mais representativa, o Nordeste apresentou os menores resultados de empregabilidade e renda, com 79,2% dos egressos trabalhando e renda média de R$ 4.139.
Os dados mostram ainda que renda e empregabilidade não caminham necessariamente juntas. O Sul, por exemplo, registra a maior taxa de empregabilidade, 90,2%, mas apresenta renda média inferior à observada no Sudeste e no Centro-Oeste. A região Norte aparece no levantamento apenas para completude, já que conta com 57 respondentes, base considerada insuficiente para uma comparação regional. O próprio gráfico da apresentação faz essas ressalvas.

Ao comentar os resultados, Paulo Chanan chamou atenção para o contraste entre os indicadores do Nordeste e o peso da região na educação superior brasileira. “O Nordeste em número de matrículas é a segunda região brasileira. Então, você vê que a segunda região brasileira em número de matrículas tem a pior renda média dos egressos”, afirmou.
Para Chanan, o resultado deve funcionar como ponto de partida para aprofundar a análise sobre as condições de inserção profissional dos recém-formados na região, sem estabelecer explicações imediatas para as diferenças observadas.
Apoio à carreira amplia possibilidades de atuação na área de formação
Um dos resultados que ganharam maior destaque durante o encontro foi a relação entre o apoio à carreira percebido pelos egressos e sua situação profissional. A pesquisa identificou uma progressão na atuação na área de formação à medida que aumenta a percepção de suporte recebido da instituição.
Custódio ressaltou a importância desse resultado para uma atuação mais intencional das IES na transição entre formação e mercado de trabalho. “Eu gosto de destacar aqui a importância do apoio da instituição para essa colocação profissional relevante e na área. E isso é um aspecto em que a gente vê ainda bastante oportunidade de institucionalizarmos mais”, afirmou. Segundo ele, além da formação acadêmica de qualidade, existe espaço para uma atuação direta na aproximação dos estudantes com empresas e oportunidades profissionais, movimento que tende a ganhar ainda mais relevância com a incorporação do apoio à inserção profissional aos novos instrumentos de avaliação.
A discussão se estendeu às desigualdades observadas no mercado de trabalho. O IASE identificou diferenças de remuneração entre homens e mulheres nas 12 áreas de formação analisadas, inclusive quando a comparação é feita dentro de uma mesma área. Para Custódio, o resultado deve servir também como ponto de partida para ações concretas. “Um dos papéis inegáveis dos agentes educadores e das instituições é mitigar as disparidades e as diferenças. Aqui nós temos uma oportunidade de agir”, afirmou.
Ao comentar os resultados, Chanan classificou a diferença salarial como um dos pontos que merecem atenção da sociedade. “O país já avançou muito em questões sociais e tem que avançar nessa questão dos salários. Então, a pesquisa traz essa incomodação, que eu acho que é importante”, disse.
Para o diretor-geral da ABMES, a manutenção da empregabilidade em patamar elevado também reforça a importância de levar os resultados aos próprios estudantes. Na avaliação dele, mostrar ao ingressante as perspectivas profissionais dos egressos ajuda a demonstrar de forma concreta o valor da formação superior e pode contribuir para retroalimentar o processo educacional.
Ao final, Custódio defendeu que o acompanhamento da trajetória profissional não comece apenas depois da formatura, mas esteja presente desde o ingresso do estudante. “Esse acompanhamento tem que começar na matrícula. Já fale sobre carreira com o aluno, mapeie as informações dele”, destacou. Para ele, esse relacionamento contínuo permite que a instituição conheça melhor seus estudantes, ofereça apoio mais direcionado e construa, ao longo do tempo, uma cultura de carreira capaz de envolver também os próprios egressos. “A instituição vira esse centro de articulação”, resumiu.
O IASE é realizado anualmente pela ABMES e pela Symplicity e está aberto à participação de instituições de ensino superior públicas e privadas, associadas ou não à ABMES. Para a próxima edição, a expectativa é superar a marca de 100 instituições participantes e ampliar a representatividade do levantamento, especialmente nas regiões que ainda registram menor participação. Ao reforçar o convite às IES, Chanan destacou que “quanto mais nós tivermos de adesão a esse trabalho da coleta, mais esses dados vão ficando importantes”.
CLIQUE AQUI e acesse os dados do IASE 2026