Os caminhos da inovação

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues Presidente do Conselho de Administração da ABMES ***
“Atrelar Inovação à estratégia empresarial exige entendimento de que a via de diferenciação baseada em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) é longa e repleta de sobressaltos. Abandonar projetos significa perda de energia, de capital e de competitividade”. Ediane Tiago - Valor Especial
A palavra de ordem hoje em dia é inovar! Falar de inovação virou mantra; todos a citam e a prescrevem. O termo viralizou e ocupa uma posição de destaque em todos os negócios de todos os setores. Todos falam em inovação, que é preciso inovar, que é preciso criar, imaginar e por aí afora. Afinal, todos buscam inovação para crescer, desenvolver e aumentar seus resultados. No atual mundo competitivo, quando se pensa em inovação, raciocina-se como uma necessidade estratégica de negócio, seja ele qual for. O Valor Econômico publicou neste mês o especial “Valor Inovação Brasil”. O suplemento traz a segunda edição do anuário produzido em conjunto com a consultoria Strateg& e apresenta as cem melhores empresas brasileiras classificadas como inovadoras. Não foi com surpresa que a Embraer ficou em primeiro lugar. Ela investe mais de R$ 1 bilhão por ano em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para cruzar a fronteira da tecnologia e avançar no mercado global. Analisando a estratégia da empresa, verifica-se que 5,6% de seu faturamento são aplicados em inovação; ela possui oito centros de pesquisa, sendo três no exterior; 533 patentes nacionais e internacionais; 200 funcionários em P&D e 50 parcerias. Mas o mais surpreendente é que ela tem uma equipe de engenheiros especializados pensando o futuro 15 anos à frente. Os resultados disso tudo está aí nos produtos que fazem sucesso no mundo inteiro no campo da aviação civil e militar. Seguindo a lista das empresas mais inovadoras, as nove seguintes são: 3M; Natura; Whirlpool; Itaú Unibanco; Grupo Boticário; Weg; Bradesco; Embraco e Ambev. A publicação traz ainda os destaques setoriais numa lista de cem empresas. E chama a atenção na pesquisa a listagem dos principais problemas apontados por elas relacionados a inovação:

- Distanciamento entre empresas e universidades – 31

- Falta de política de incentivos 31

- Cultura da inovação – 27

- Burocracia – 15

- Qualidade de mão de obra e do ensino – 23

- Custo Brasil – 17

- Falta de investimento do setor privado – 16

No nosso meio Educacional, a conta no terreno da inovação comparativamente está no vermelho apesar de excelentes iniciativas de algumas instituições de pesquisa que já acumulam duas dezenas de patentes e inovações, mas que no universo universitário, estatisticamente, é pouco representativo. Onde está o problema? Ao nosso ver, está no nosso próprio ambiente conformista, pois ninguém gosta de arriscar e a política que predomina é a de importar e copiar produtos e serviços, por sermos avessos a criar, inovar e arriscar. Os resultados da pesquisa aqui mencionada evidencia isso quando aponta o distanciamento entre empresas e universidades. Também influenciam a ausência de política de incentivos e a burocracia. Temos, porém, que reconhecer que o problema maior reside na ausência da Cultura de Inovação. Falta ao sistema educacional brasileiro o embasamento da criatividade para vencer desafios, o que precisa estar incutido na mente dos alunos, desde o ensino fundamental ao universitário. Ninguém inova nada se não tiver a mente alinhada e treinada com a naturalidade dos desafios. Isto leva tempo até transformar-se em costume e tradição. Não apostamos nem acreditamos em inovação, apesar de falarmos o contrário nos discursos, e isso fica evidente nos investimentos realizados.  Conversando com dirigentes de dezenas de instituições de médio e grande porte, se perguntarmos quantos pesquisadores são pagos para pensar, a pergunta pode causar espanto. Pagar para pensar? Sim, quem tem visão estratégica precisa ter pesquisadores e especialistas dedicados a pensar o amanhã e a desenvolver inovação, pois, sem ela, não podemos pensar cenários futuros e vamos ao sabor da onda. E por que isso acontece? Porque somos imediatistas, queremos resultados rápidos, queremos caixa e não investimos no futuro. Precisamos refletir: como ocorre a inovação? Ela ocorre através de um processo de criatividade de experimentação e exploração contínuos de ensaio e erro e muito suor e imaginação. Então, lamentavelmente, em nosso universo do ensino superior particular estamos atrasados, pois não é meia dúzia de instituições que se destacam que vão representar todo o setor. Falta diálogo; falta procurar clientes que queiram desenvolver produtos e soluções em outros ambientes que não a sala de aula. E um trabalho metódico, quando saímos de nossa zona de conforto e começamos a questionar “e se pensarmos diferente, o que acontece?”. Desarmar o espírito é o primeiro passo para se libertar e começar a pensar de forma diferente, ter outras visões das coisas, de como elas acontecem e por que acontecem. Temos que nos desafiar a cada momento e é aí que o espírito da criatividade e da inovação começa a nascer, crescer, se desenvolver e a produzir frutos. Deixo aqui uma recomendação: vale a pena ler a revista Inovação Brasil, pois ela nos apresenta cenários alternativos de mais de cem empresas que inovam em alguma área. Talvez isso nos impressione e comecemos a pensar em investir em inovação alocando especialistas para pensar. Eles não são inúteis nas Faculdades, nos Centros Universitários e na Universidades desde que lhes sejam propostos desafios para um espaço temporal no futuro. Como desejo que minha instituição esteja daqui a dez anos? No que ela estará focada? Que produtos e serviços ela estará oferecendo? Para quem, de que forma e com que qualidade? O caminho é uma densa floresta a ser explorada e precisamos de exploradores. Precisamos mudar de atitude, o modo de encarar resultados. Precisamos voltar a sermos aprendizes aceitando os erros e acreditando que somos capazes de encontrar os melhores caminhos para desenvolver nosso sistema educacional e para atender aos reclamos das empresas pesquisadas que estão no topo das inovadoras. O desafio está posto. Pensar de forma criativa no dia a dia sem medos não só exige mudanças organizacionais, mas, principalmente, de mentalidade. É preciso acreditar em ideias novas e no poder de fazer acontecer.

26/07/2016

RAULINO TRAMONTIN

O artigo de Dr.Gabriel toca em cheio na questao da inovaçao e por que ela nao ocorre com tanta frequencia em nosso meio universitario. Oportuno foi falar na revista Inovaçao Brasil que tras excelentes textos das principais empresas e que todos deveriam ler. Creio que o articulista se deu conta da importancia que a inovaçao para o ensino superior. Se o segmento particular quiser ocupar algum lugar de destaque tera sim que promover inovaçao, atraves de parcerias, união de esforços e procurar mesmo empresas para dialogar, ver o que precisam e de que forma cada Instituiçao pode pesquisar para resolver os problemas. Ai mora o feeling da pesquisa, do criar, do imaginar do idealizar. E muito suor que produz resultados. Parabens pela clareza do artigo e por sua induçao a que as IES procurem mais pensar o futuro do que ser imediatistas.Nao custa começar a colocar pessoas qualificadas para pensar o amanha, vale tentar!

26/07/2016

Harry Fockink

Aplicando o TOC - Theory of Constrains, se resolver o principal gargalo - universidades publicas alienadas, aparelhadas e mal geridas, as demais instituições mudam e derrubam boa parte das outras restrições. A partir de então o ciclo virtuoso elimina gargalo por gargalo.

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Psicoterapeuta Clínico, especializado em Neuropsicologia, TCC e Psicanálise. Analista Sênior de Treinamento e Desenvolvimento, especializado em Inteligência Emocional e Soft Skills.

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Diretor-Secretário da Academia Brasileira de Educação e Professor Titular de Física aposentado da Universidade Federal de Santa Maria

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Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

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