*Por: Carmen Tavares
A ISTELive 2026, promovida pela International Society for Technology in Education (ISTE), consolidou-se como um dos mais relevantes fóruns mundiais para a discussão do futuro da educação em uma sociedade profundamente impactada pela inteligência artificial. Mais do que apresentar novas ferramentas tecnológicas, o encontro evidenciou uma mudança de paradigma: o diferencial competitivo das instituições de ensino não residirá na capacidade de adotar plataformas digitais, mas na habilidade de redesenhar seus modelos acadêmicos para formar profissionais aptos a pensar criticamente, colaborar com sistemas inteligentes e produzir conhecimento em ambientes de elevada complexidade.
Essa percepção tem sido reiterada por pesquisadores de referência na área da inovação educacional, que defendem uma transição da lógica da transmissão de conteúdos para a construção de ecossistemas de aprendizagem contínua, personalizados e orientados por dados. A inteligência artificial passa a ser compreendida como instrumento de ampliação das capacidades humanas, capaz de apoiar a pesquisa científica, personalizar trajetórias formativas, otimizar processos institucionais e oferecer suporte à tomada de decisões estratégicas, sem substituir o papel insubstituível do professor como mediador do conhecimento e formador do pensamento crítico.
Em sintonia com essa agenda, eventos internacionais como a Bett UK, o ASU+GSV Summit, o SXSW EDU e a EduTECH Australia ampliaram o debate sobre governança da inteligência artificial, credenciais flexíveis, aprendizagem baseada em competências e integração entre universidades, empresas e ecossistemas de inovação. O consenso emergente é claro: a educação superior precisa abandonar estruturas excessivamente rígidas e aproximar-se de modelos capazes de responder, com rapidez e qualidade, às transformações tecnológicas, econômicas e sociais.
Essas discussões encontram ressonância direta no cenário brasileiro. Nos principais encontros nacionais dedicados à inovação educacional, observou-se uma crescente preocupação com o uso ético da inteligência artificial, a formação docente para novos ambientes digitais, a personalização da aprendizagem e o fortalecimento das competências relacionadas à criatividade, à resolução de problemas complexos e ao pensamento analítico. A pauta nacional demonstra que o país acompanha as tendências globais, embora ainda enfrente desafios significativos na velocidade de implementação e na capacidade de transformar iniciativas pontuais em estratégias institucionais consistentes.
Nesse contexto, a universidade brasileira é chamada a assumir um papel protagonista. Permanecer centrada em currículos fragmentados, metodologias expositivas e avaliações voltadas predominantemente à memorização representa um risco de desalinhamento em relação às exigências contemporâneas do mercado, da pesquisa e da própria sociedade. Em contrapartida, instituições que integrem inteligência artificial à gestão acadêmica, utilizem análise de dados para apoiar decisões, promovam experiências de aprendizagem interdisciplinares e fortaleçam a conexão com o setor produtivo estarão mais preparadas para formar profissionais capazes de liderar processos de inovação.
Outro aspecto recorrente nas discussões internacionais diz respeito à redefinição do conceito de empregabilidade. Em um cenário em que tarefas repetitivas tendem a ser automatizadas, cresce a valorização das competências essencialmente humanas: capacidade de formular perguntas relevantes, interpretar contextos complexos, tomar decisões fundamentadas, agir com responsabilidade ética e colaborar em ambientes multidisciplinares. A universidade do século XXI deixa, assim, de ser apenas um espaço de certificação do conhecimento para tornar-se um ambiente de desenvolvimento de inteligência crítica e adaptabilidade permanente.
As evidências apresentadas pelos grandes fóruns internacionais no 1º semestre de 2026 indicam, portanto, que a transformação educacional não será determinada pelo avanço tecnológico isoladamente, mas pela disposição das instituições em rever seus modelos de governança, suas práticas pedagógicas e sua relação com a sociedade. Para o ensino superior brasileiro, essa agenda representa uma oportunidade histórica: consolidar-se como protagonista na formação de lideranças capazes de utilizar a inteligência artificial não como substituta da inteligência humana, mas como instrumento para potencializar a inovação, a produção científica e a geração de impacto econômico e social.
A Profa. Msc. Carmen Tavares, mestre em Gestão da Inovação, acompanha e participa ativamente dos principais eventos, fóruns e discussões estratégicas do cenário global sobre inteligência artificial, inovação e educação superior, transformando essas tendências em soluções práticas para as Instituições de Ensino Superior brasileiras. Para levar essa visão e apoiar a transformação da sua IES, entre em contato com a PRO INNOVARE em www.proinnovare.com.br Acesse nosso podcast e saiba mais sobre pesquisas na área e grandes nomes do cenário internacional.
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*Maria Carmen Tavares Christóvão é Mestre em Gestão da Inovação com área de pesquisa em Inovação Educacional. Diretora da Pro Innovare Consultoria de Inovação Educacional, atuou como Reitora, Pró Reitora e Diretora de Instituições de Ensino de diversos portes e regiões no Brasil.


