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Quem tem medo da inteligência artificial?

Janguiê Diniz

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação - Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional, presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

17/08/2022 06:00:01

Na franquia “O Exterminador do Futuro”, o mundo é dominado por robôs, controlados pela Skynet, inteligência artificial que se desenvolveu a ponto de criar consciência própria e não se rebelar contra os humanos. Recentemente, no presente real, a notícia de que um engenheiro de software da Google fora afastado por citar que um sistema de inteligência artificial da empresa teria criado “consciência e alma” gerou alarme e debates sobre os rumos da tecnologia. Seria uma ameaça, ou mais uma ferramenta de desenvolvimento para a humanidade?

Há muito se discute sobre a inteligência artificial, suas vantagens e ameaças. Por um lado, estudos apontam que mais de 50% dos postos de trabalho existentes hoje no Brasil serão assumidos por robôs em um futuro próximo. A informação traz dois alertas. O primeiro é que devemos, sim, tomar cuidado com os rumos da tecnologia, de forma que ela não tome, de fato, o lugar do humano. O segundo é que, cada vez mais, profissionais precisam se especializar, reciclar e reinventar suas carreiras para se manterem relevantes em um mercado cada vez mais competitivo. A ameaça também pode ser encarada como uma oportunidade. Novas profissões surgirão, com postos de trabalho que receberão os “órfãos” daquelas que sumirem.

O desenvolvimento da automação e das máquinas inteligentes vai impor a adaptação dos atuais empregados a essa nova realidade, mas também ampliará a demanda por postos de trabalho em tarefas que não podem ser realizadas por máquinas inteligentes, pois elas exigem habilidades como originalidade, criatividade, sensibilidade, inteligência social, inteligência emocional, valores, crenças e sonhos, impossíveis de serem automatizadas. Como outrora defendeu Theodor Heuss, “chegará o dia em que talvez as máquinas pensem, porém elas nunca terão sonhos”.

Também importa ressaltar que a tecnologia e a inteligência artificial serão de primacial importância para o futuro das empresas. A tecnologia, embora seja apenas um instrumento ou um aspecto da inovação, é um dos mais importantes, uma vez que as pessoas e as empresas, em virtude da Revolução Digital (ou Quarta Revolução Industrial) que estamos vivendo, têm necessariamente de migrar para o mundo digital e fazer uso de tecnologias como a inteligência artificial, sob pena de padecerem da chamada síndrome da Kodak – empresa das maiores de sua época que, por negar a inovação, quebrou. Essa já é uma realidade atual, que se intensifica a cada dia: quem não está no digital já morreu ou vai morrer em breve. Cabe saber utilizar as ferramentas adequadas da melhor forma possível.

Se um sistema de inteligência artificial criar “consciência”, não acredito que chegará à profundidade complexa da mente humana e, portanto, não conseguirá nos dominar. É necessário, no entanto, atentar para os limites que essa tecnologia pode e deve exercer, para que não se torne prejudicial ao desenvolvimento da humanidade. Ou será que devemos temer a rebelião das máquinas como nos filmes “Eu, robô” e “O Exterminador do Futuro”?

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