Espaço destinado à atualização periódica de tecnologias nacionais e internacionais que podem impactar o segmento educacional e, portanto, subsidiar gestores das instituições de ensino para que sejam capazes de agir proativamente olhando para essas tendências.

06/12/2022 | 1298

Como a Finlândia vem ensinando inovação

Como a Finlândia vem ensinando inovação

Uma das reflexões importantes no cenário do ensino superior deve-se a questão de como ensinar e aprender inovação nos currículos dos variados cursos. Um estudo de caso da Finlândia, líder mundial em classificações de inovação, mostrou como um modelo orientado para a aprendizagem prática foi elaborado para a aprendizagem sobre inovação, desenvolvido e implementado na escola de negócios da University of Eastern Finland. Esse case demonstra como o ensino de graduação em negócios em nossas IES podem ser ofertados de forma inovadora por meio de aprendizado experimental, apostando na elaboração de projetos que representem uma demanda real e o desenvolvimento possa se dar em parceria com empresas e outras organizações. Os resultados destes projetos são sempre animadores. No case da University of Eastern Finland a compreensão sobre inovação foi muito maior que a ministrada em outros cursos. Além disso, o interesse dos estudantes de administração pela ação empreendedora aumentou consideravelmente.

Nas universidades e escolas de negócios finlandesas a inovação no ensino e na aprendizagem é um tópico importante. As abordagens sobre a inovação têm sido tradicionalmente ensinadas nas instituições de ensino superior como parte do curso de engenharia. Geralmente através de atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e desenvolvimento de produtos tradicionais. O foco tem sido mais em inovação tecnológica e indústrias baseadas em produtos do que serviços e inovação social. A discussão sobre uma visão holística da inovação nas instituições de ensino finlandesas vem mudando o cenário da inovação durante a última década. A visão mais ampla sobre inovação foi além dos cursos de negócios com a atenção para serviços, design, gestão, marketing e inovação social, bem como para a inovação pública e do terceiro setor. Neste contexto, as universidades finlandesas também começaram a reconsiderar seus papéis como atores ativos dos sistemas de inovação regional e nacional.

No Brasil também já compreendemos que a inovação é fundamental para qualquer segmento. Entendida como crucial no fortalecimento da economia e para o desenvolvimento do país. Temos assistido a milhares de eventos cuja proposta é falar sobre as tendências de inovação no ensino superior. Quase todas elas esvaziadas de uma fundamentação capaz de construir os aportes teóricos necessários ao campo temático da inovação.

Em setembro de 2020, tratamos aqui sobre um programa denominado Academic Working Capital criado em 2015 pelo Instituto Tim e professores da USP, destinado a transformar TCCs em Startups. Uma iniciativa campeã onde se aprende inovação na prática.

Todos os anos, dezenas de alunos da graduação de todo o Brasil são contemplados pelo programa que possui a seguinte estrutura: Workshops online e presenciais onde são realizadas atividades práticas com o objetivo de desenvolvimento de um produto ou serviço/negócio; orientação com professores durante todo o processo de desenvolvimento da solução; realização do protótipo financiado pelo Instituo Tim e, finalmente, os alunos são levados para uma feira de investidores, geralmente realizada em ambientes empresariais, como a FIESP , onde o negócio é apresentado para aceleradoras e investidores. Desta iniciativa já saíram dezenas de startups que ganharam o mercado. Entre elas a Binahki, a Kartado e a Mvisia. Esse número de startups aumenta a cada dia e hoje existe uma dezena delas com grande projeção.

Os professores criaram uma metodologia própria denominada SHELL4STARTUPS com base no empreendedorismo científico. A metodologia se transformou no livro “Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship”, disponível no link: https://openaccess.blucher.com.br/article-list/9788580393903-429/list#undefined

Aqui reside uma oportunidade de ação do ensino da inovação através do empreendedorismo universitário.  Um projeto dessa natureza é possível envolver Ensino, Pesquisa e Extensão numa mesma atividade, somando-se o fato de que a instituição se engaja com o mercado em um processo de cooperação intersetorial, através da parceria com empresas e outros setores da sociedade. No site do Instituto Tim, pode-se conferir todas as etapas do projeto, cases e eventos da Academic Word Capital. Abaixo uma imagem que demonstra as fases da metodologia utilizada no empreendedorismo acadêmico.

Fonte: Early Stage: Shell For Scientific Entrepreneurship, 2020.

 

No case retratado pela University of Eastern Finland, após alguns anos de implantação os resultados foram animadores. O interesse e a compreensão dos alunos sobre a inovação aprendidos de forma prática geraram mais resultados inclusive com uma ligação clara no aumento da ação empreendedora. É o que temos assistido no Brasil também.  O entusiasmo dos alunos na criação de suas próprias empresas aumentou na Finlândia. De forma semelhante ao realizado pelo Instituto Tim o trabalho de final de curso foi direcionado para ser extremamente prático propondo a abertura de uma empresa ao longo da graduação. Anteriormente, o interesse dos alunos das escolas de negócios finlandesas pelo empreendedorismo era muito baixo.

Da prática do ensinar inovação através de atividades que gerem ações empreendedoras o mais importante em ambos os países é a aproximação das reais demandas de mercado e ainda, as parcerias estabelecidas com o setor produtivo. Venho assessorando faculdades brasileiras que no final do primeiro ano de ingresso dos alunos no curso 30% deles já estão empreendendo e ao final do curso a maioria que não parte para abertura do seu próprio negócio está trabalhando com o desenvolvimento de soluções complexas com valor reconhecido pelo mercado.

Para reafirmar toda a narrativa do case que trouxemos hoje, retrato a declaração de Jeff Dean, diretor de IA do Google, à estudantes universitários ocorrido em 22 de setembro de 2020 em uma live, na qual incentivou os alunos a buscarem áreas de estudo que gere impacto coletivo na sociedade. Dean afirmou que em 2020 estava havendo uma “confluência incomum de eventos”, ambiente propício a buscar inspiração a fim de detectar lacunas sociais. Através de inúmeros eventos gratuitos os alunos se capacitaram para buscarem carreiras onde poderão desenvolver soluções inovadoras “que abordem grandes problemas, como mudança climática, saúde e justiça social”. Em referências as grandes queimadas, a pandemia e as lutas sociais. Hoje, em 2022 e no contexto Brasil, certamente existem outras demandas também para serem exploradas.

Por fim, gostaria de incentivar as instituições de ensino superior brasileiras a trilhar o caminho da inovação e divulgar experiências fantásticas. Para saber mais sobre o case citado acima, ou entender como a Pro Innovare vem polinizando a inovação através da assessoria às IES, entre em contato conosco.

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*Carmen Tavares é Gestora Educacional e de Inovação com 28 anos de experiência no mercado educacional privado brasileiro em instituições de diversos portes e regiões

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Carmen Tavares

Gestora educacional e de inovação com 28 anos de experiência em instituições de diversos portes e regiões, com considerável bagagem na construção de políticas para cooperação intersetorial, planejamento e gestão no ensino privado tanto na modalidade presencial quanto EAD. Atuou também como executiva em Educação Corporativa e gestora em instituições do Terceiro Setor. É mestre em Gestão da Inovação pela FEI/SP, com área de pesquisa em Capacidades Organizacionais, Sustentabilidade e Marketing. Pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e graduada em Pedagogia pela UEMG.

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