Espaço destinado à atualização periódica de tecnologias nacionais e internacionais que podem impactar o segmento educacional e, portanto, subsidiar gestores das instituições de ensino para que sejam capazes de agir proativamente olhando para essas tendências.

20/04/2021 | 2304

Práticas inovativas em educação e as políticas de financiamento

Recentemente, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, aponta a educação como forma de impulsionar a inovação. Em um pronunciamento em que enfatiza a necessidade do país desenvolver as suas próprias tecnologias e talentos devido ao aumento das tensões com os EUA. O primeiro ministro enfatizou a necessidade de apoiar os cientistas em pesquisa e desenvolvimento.  Li disse: “Quero dizer algumas palavras aos jovens estudantes. Independentemente de quais sejam suas futuras carreiras ou ambições, você deve fortalecer seu aprendizado de conhecimentos básicos”. Esse conhecimento “anda de mãos dadas” com a inovação, disse Li. Tal pronunciamento aponta para a capacidade da China em encontrar talentos para liderar pesquisas que possam contribuir com o esforço nacional de promoção da inovação.

A ênfase dada para os alunos no fortalecimento dos conhecimentos básicos está associada as áreas de conteúdo, como alfabetização, ciência da computação e matemática. Em nossa matriz curricular seria Língua Portuguesa, Matemática e Computação. Para além da Matriz curricular, as ações inovativas já adotadas pelas escolas internacionais e algumas nacionais descontruindo seus modelos de sala de aula e propiciando que seus alunos passem seus dias trabalhando em laboratórios com projetos e/ou se reunindo com grupos consultivos (professores, tutores) é um dos caminhos para inovação. Nas metodologias ativas os discentes trabalham na construção do próprio conhecimento em momentos presenciais e online. Em algumas instituições são os alunos que decidem quando, onde e como aprender, pois desta forma consideram-se responsáveis e coparticipantes do próprio aprendizado. A resolução de problemas é uma rotina neste design flexível de aprendizagem que se apoia na criatividade e autonomia. O ambiente é dedicado à instrução baseada em pesquisa e promoção da inovação na educação, com processos e estratégias para estudar e compartilhar lições aprendidas sobre novas práticas educacionais o que gera uma mentalidade de solução de problemas e criação de negócios propício ao desenvolvimento de startups. Assim o jovem é formado para resolver problemas e para empreender. Acima, temos, portanto, um modelo ideal de práticas inovativas em educação que formará pesquisadores e empreendedores durante sua trajetória acadêmica que corrobore ao final com a inovação tecnológica.

Em contraponto, demonstrando a desigualdade existente na educação entre países do primeiro mundo e os países mais pobres, um outro apelo importante realizado no início de abril, o do ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, pedindo às nações que façam grandes investimentos em educação para preencher a lacuna cada vez maior de desigualdade global criada pela crise do coronavírus. “Uma tragédia humana está se desenrolando se não fizermos nada e deixarmos a educação completamente sem fundos”, alertou ele, dizendo que “a esperança morrerá” se as nações mais pobres não forem capazes de direcionar o investimento em educação como parte de sua resposta à crise do coronavírus.

″ Além de persuadir os países de que não podem construir um futuro de longo prazo sem investir em educação, devemos lembrá-los de que a educação abre oportunidades de emprego ″ acrescentou Brown. Nesta mesma linha de raciocínio o SEMESP (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo) apresentou recentemente gráficos relacionando o benefício de maior inserção no mercado de trabalho para alunos que concluem a graduação.

Percebo que existe o maior interesse por parte das instituições de ensino e dos educadores em promover uma prática diferenciada de educação, por outro lado existe a dificuldade econômica em fazê-lo.

Para Brown “Oitenta bilhões devem ser gastos em pagamentos de serviço da dívida nos próximos 18 meses nos 76 países mais pobres do mundo”, referindo-se aos países de baixa e média renda apoiados pela International Development Association (IDA), onde 80% dos as crianças do mundo chamam de lar.“Em vez de cobrar o pagamento do serviço da dívida, vamos permitir que os países mais pobres tenham esse dinheiro para educação e saúde agora”, disse ele. “É provavelmente a maneira mais rápida de conseguirmos mais dinheiro para a educação e também para a saúde”, acrescentou.

Brow não especificou nenhum país específico foi nomeado. No entanto, já havia dito que os credores do setor privado e nações como a China - um grande provedor de fundos de investimento e detentora de dívida bilateral - serão essenciais para o avanço da proposta de alívio da dívida.

Na corrida para inovação a educação é um setor fundamental. As instituições estão sendo submetidas a novos questionamentos críticos evocados pelos espaços multidimensionais de atuação das empresas, influenciados por uma nova diplomacia de relações internacionais com a entrada de novos atores, novos mercados regionais de consumo e os efeitos de uma crise econômica de longa duração. Fatores que no Brasil criam um grande distanciamento entre educação pública e privada.

Assim, o que vimos durante o último ano foi a necessidade do aparato tecnológico, sobretudo para as escolas públicas, pois é um fator indispensável para diminuir a desigualdade existente entre alunos da iniciativa pública e privada, bem como a formação permanente de professores e educadores, juntamente com uma remuneração adequada.

 Para as instituições privadas, onde a grande maioria já possui uma boa tecnologia para atuar com o ensino híbrido, o fator econômico é determinante para tornas as práticas de ensino e aprendizagem mais inovativas, e de igual forma, capacitar e valorizar professores e gestores.

Observando as pontuações de Érica Dias e Fátima Pinto no artigo Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação,Scielo 2020, “Para construirmos um futuro mais saudável, próspero e seguro, precisamos de políticas públicas que garantam um financiamento adequado para a Educação”, nos perguntamos: Como enfrentar o desafio da queda das receitas vinculadas ao ensino e a necessidade de aporte financeiro no sistema educacional brasileiro?

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Carmen Tavares

Gestora educacional e de inovação com 28 anos de experiência em instituições de diversos portes e regiões, com considerável bagagem na construção de políticas para cooperação intersetorial, planejamento e gestão no ensino privado tanto na modalidade presencial quanto EAD. Atuou também como executiva em Educação Corporativa e gestora em instituições do Terceiro Setor. É mestre em Gestão da Inovação pela FEI/SP, com área de pesquisa em Capacidades Organizacionais, Sustentabilidade e Marketing. Pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e graduada em Pedagogia pela UEMG.

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