A Insuperável Inteligência Humana

Espaço destinado à atualização periódica de tecnologias nacionais e internacionais que podem impactar o segmento educacional e, portanto, subsidiar gestores das instituições de ensino para que sejam capazes de agir proativamente olhando para essas tendências.

12/09/2023 | 3016

A Insuperável Inteligência Humana

Por: Carmen Tavares*

À medida que a inteligência artificial (IA) avança, alcançando marcos significativos e permeando uma miríade de setores e facetas do cotidiano humano, torna-se imperativo explorar os domínios em que a inteligência humana mantém sua preeminência. O intuito desta análise é trazer à luz os aspectos e nuances que destacam o poder da mente humana, que ainda não foram, e talvez jamais sejam replicados pelas máquinas.

Na era moderna, não podemos negar os avanços assombrosos que as IAs têm feito, seja na realização de cálculos complexos em frações de segundo ou na condução de veículos autônomos com uma precisão quase perfeita. No entanto, há uma tapeçaria rica e multifacetada de competências humanas que vai além da habilidade de processar informações rapidamente ou executar tarefas com precisão meticulosa.

A inteligência humana, embasada em um complexo emaranhado de emoções, cognições, experiências pessoais e sociais, permanece insuperável em várias fronteiras. Dentre elas, destacam-se a criatividade e a capacidade de inovação espontânea, que permitem ao ser humano não apenas resolver problemas, mas também conceber universos inteiros a partir do nada. É a mente humana que dá origem à arte, à música, à poesia e à filosofia — campos que requerem uma compreensão profunda da condição humana e uma empatia que, até agora, a IA não conseguiu emular.

Além disso, a habilidade humana de navegar por contextos sociais complexos e mutáveis, de compreender e interpretar sutilezas emocionais e de adaptar-se de maneira fluida a situações novas e inesperadas são competências que ainda encontram poucos paralelos no mundo da inteligência artificial.

Ao longo deste texto, nos dedicaremos a explorar a complexidade e a profundidade da inteligência humana em uma jornada que nos levará através de domínios como a psicologia, a arte, a sociologia e a neurociência. Investigaremos os fundamentos da criatividade humana, o espírito inovador inerente ao ser humano e a sofisticação do nosso entendimento emocional e social — áreas onde a inteligência humana não apenas supera, mas transcende as capacidades atuais da IA.

Conduziremos essa exploração não para diminuir as conquistas notáveis da inteligência artificial, mas para celebrar a extraordinária tapeçaria da mente humana, que continua a ser uma fonte inesgotável de inovação, inspiração e compreensão profunda da nossa existência e do mundo que nos cerca.

Ao desvendar os intricados caminhos pelos quais a inteligência humana supera a artificial, buscamos não apenas uma compreensão mais rica do que significa ser humano, mas também uma visão mais clara de como podemos trabalhar em harmonia com as máquinas, aproveitando o melhor de ambos os mundos para construir um futuro mais brilhante e compassivo. Em última análise, esta jornada nos convida a uma reflexão profunda sobre o potencial infinito da colaboração entre humanos e máquinas, elevando nosso entendimento sobre a cooperação e simbiose interespécies a novas alturas.

Junte-se a nós nesta imersão profunda no fascinante e complexo terreno da inteligência humana, enquanto celebramos as incontáveis nuances e facetas que nos fazem únicos, em uma era de avanços tecnológicos sem precedentes.

Há uma crescente preocupação com a possibilidade de máquinas assumirem tarefas tradicionalmente humanas, inclusive aquelas que requerem habilidades socioemocionais, ou "soft skills". No entanto, há uma série de "soft skills" que estão fora do alcance da programação da IA, pelo menos em sua essência genuína e profunda.

A primeira e mais óbvia é a empatia genuína, uma capacidade intrinsecamente humana que envolve compreender e compartilhar os sentimentos de outra pessoa de uma forma profundamente sentida e personalizada. A IA pode ser programada para reconhecer e responder a certos estímulos emocionais, mas isso está longe de replicar a empatia humana verdadeira, que se baseia em uma rica tapeçaria de experiências pessoais e sentimentos.

Outra "soft skill" irreplicável é a criatividade intrínseca, que vai além da capacidade de gerar novas ideias, englobando também a habilidade de perceber o mundo de maneiras únicas e individuais. A IA pode ser treinada para criar dentro de determinados parâmetros, mas falta-lhe a faísca de inspiração verdadeira, que nasce da experiência humana e da introspecção.

Além disso, a capacidade de nutrir e cultivar relações interpessoais profundas, enraizadas em um entendimento mútuo e crescimento conjunto, permanece fora do alcance da IA. Máquinas podem ser programadas para simular amizade até certo ponto, por meio de respostas predeterminadas e análises de dados, mas a verdadeira conexão interpessoal exige uma compreensão e uma resposta emocional que vão além das capacidades atuais da IA.

Por fim, a consciência moral e ética, que orienta o nosso comportamento e decisões de uma maneira significativa e humanizada, não pode ser totalmente replicada por uma IA. Apesar de podermos programar máquinas para seguir determinados princípios éticos, a profundidade e a nuance da compreensão moral humana, fundamentada em uma consciência viva e em constantes reflexões, estão fora do alcance da inteligência artificial.

Dessa forma, ao passo que a IA continua a avançar, é fundamental que valorizemos e cultivemos essas "soft skills" inerentemente humanas, não apenas para preservar nossa humanidade, mas também para garantir que a IA seja guiada e moldada por mãos capazes de empatia genuína, criatividade, compreensão profunda e ética sólida.

Termino essa reflexão com um tributo à um grande pesquisador sobre educação e criatividade: Domenico de Masi, falecido essa semana. Sua definição sobre criatividade nos auxilia a pensar sobre essa parceria homem X máquina.

O que é a criatividade?

“Vivemos, agora em uma sociedade pós-industrial, o que é algo muito bonito; pois compreendemos que as emoções são importantes, mas que a razão também é importante; e tanto a razão quanto as emoções são fundamentais.

Porque razão mais emoção, resultam a criatividade. A criatividade é a síntese de razão e emoção. Reavaliamos o emocional e valorizamos a racionalidade. Conseguimos entender a importância de um e do outro. A racionalidade não deve prevalecer sobre o emocional e o emocional não deve prevalecer sobre a razão”

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*Maria Carmen Tavares Christóvão é Mestre em Gestão da Inovação com área de pesquisa em Inovação Educacional. Diretora da Pro Innovare Consultoria de Inovação atuou como Reitora, Pró Reitora e Diretora de Instituições de Ensino de diversos portes e regiões no Brasil. www.proinnovare.com.br 

 

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Carmen Tavares

Gestora educacional e de inovação com 28 anos de experiência em instituições de diversos portes e regiões, com considerável bagagem na construção de políticas para cooperação intersetorial, planejamento e gestão no ensino privado tanto na modalidade presencial quanto EAD. Atuou também como executiva em Educação Corporativa e gestora em instituições do Terceiro Setor. É mestre em Gestão da Inovação pela FEI/SP, com área de pesquisa em Capacidades Organizacionais, Sustentabilidade e Marketing. Pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e graduada em Pedagogia pela UEMG.

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