Espaço destinado à atualização periódica de tecnologias nacionais e internacionais que podem impactar o segmento educacional e, portanto, subsidiar gestores das instituições de ensino para que sejam capazes de agir proativamente olhando para essas tendências.

15/09/2020 | 1612

Momento Tech Educacional

Primeira quinzena de setembro

Definitivamente, Elon Musk deixou a comunidade científica perplexa ao anunciar os avanços significativos em seu plano de conectar o cérebro humano a computadores. Para o bilionário que possui a startup Neuralink, isso será possível através da tecnologia em um futuro próximo. Numa iniciativa a que chamou de “jornada para capacitar humanos com superpoderes", anunciou o resultado de experimentações que a Neuralink vem desenvolvendo em animais (porcos). O objetivo final de Musk é o que ele denomina de "cognição super-humana" – processo em que se integra o cérebro humano com a IA (Inteligência Artificial), o que significa utilizar BCIs (Brain Computer Interface) em uma capacidade bidirecional, fazendo com que a conexão torne o ser humano mais inteligente, aprimore a memória, auxilie na tomada de decisões etc.

Imaginem as experiências que poderiam ser vivenciadas com essa iniciativa, é o que nos propôs a BBC: “cada um de nós poderia gravar suas próprias recordações, diretamente do seu cérebro para um computador, e revê-las quando quiser, ou até mesmo compartilhar essas memórias com outras pessoas”.

Fato é que a integração homem e AI tem sido objeto de estudo há várias décadas para tratamento na área da saúde através de modulação neural e técnicas de reabilitação para trazer qualidade de vida aos pacientes afetados por deficiências sensoriais e motoras. Pesquisadores de todo mundo têm experimentado ideias de interface computador-cérebro: tecnologias que permitem que os sinais elétricos produzidos pelo cérebro sejam lidos, decodificados e traduzidos por um computador para que uma pessoa possa realizar várias ações por meio do pensamento.

Muitos acreditam que essa integração homem e AI venha revolucionar a maneira como usamos as ferramentas ao nosso redor e dar aos humanos um salto imaginário em suas capacidades. Há grandes promessas nisso – mas também alguns perigos perturbadores. Existem questões éticas que chamam a atenção para o perigo de segurança, privacidade, saúde psicológica e bem-estar espiritual dos usuários. Pesquisadores no campo teológico já alertam para a possibilidade de manipulação da humanidade criando um sistema paralelo de domínio da raça humana.

No dia seguinte da apresentação de Elon Musk sobre o avanço das pesquisas na Neuralink, a Fortune estampou em suas páginas que Neurologistas não têm tanta certeza sobre o lançamento do implante cerebral Neuralink de Elon Musk”.

Como toda nova tecnologia a experiência é olhada como um grande potencial de desenvolvimento científico, mas também com a cautela necessária. Contudo, os primeiros testes clínicos do Neuralink com um pequeno número de pacientes humanos, previstos para 2020, com o objetivo do tratamento de paralisia ou paraplegia, foram postergados, afirmou o cirurgião-chefe da empresa, Dr. Matthew MacDougall. Parece-me que, apesar dos grandes avanços apresentados à mídia internacional por Elon Musk, o tema ainda necessita de estudos mais longos.

É possível que vejamos aplicações significativas não apenas na esfera pessoal, mas também na indústria, na medicina e em muitos outros campos, incluindo o militar.

The Guardian. Fotografia: Jean-Pierre Clatot / AFP / Getty Images 
The Guardian. Fotografia: Jean-Pierre Clatot / AFP / Getty Images

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Mais especificamente na área da saúde, existem dois temas que merecem destaque. O primeiro foi o lançamento do novo smartwatch da Fitbit que possui sensores para rastreamento do estresse além de um conjunto completo de métricas de aferição de aspectos da saúde. Seu lançamento, previsto para 25 de setembro, pretende concorrer com o Apple Watch que não possui esse diferencial. Para Kalliopi Kyriakou, pesquisador do Instituto de Ciências de Avaliação de Risco (IRAS), Universidade de Utrecht, “a resposta galvânica da pele (GSR), também chamada de atividade eletro dérmica (EDA), é um biomarcador da ativação do sistema nervoso eficiente e é considerada um dos marcadores mais sensíveis e válidos da excitação emocional". A Fitbit Labs já vem trabalhando desde 2017 com o aplicativo, bem como em outros com a finalidade de registrar o humor relacionando-o à qualidade do sono e estudos de longevidade, embora não haja ainda publicações oficiais. Aguardamos inovações consideráveis com aquisição da Fitbit por US$ 2,1 bilhões pela Google, operação que está ainda em sigilo, mas em que a Google já se comprometeu a não usar os dados de saúde do usuário do Fitbit para publicidade. O controle do estresse tem aplicações importantes na vida acadêmica e agrega valor para alunos, professores, gestores e funcionários. Pode ser uma ferramenta de humanização no tratamento com colaboradores.

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O segundo tema que quero abordar em saúde é como podemos reduzir o cansaço visual num período de isolamento social em que passamos tanto tempo diante das telas. Com tablets, notebooks e celulares ligados, estamos expostos ao excesso de luz, o que pode trazer problemas para a visão. O site da Apple , por exemplo, diz que “estudos mostraram que a exposição à luz azul brilhante à noite pode afetar seus ciclos circadianos e dificultar o sono”. A expressão “circadianos” designa o período de aproximadamente 24 horas sobre o qual se baseia o ciclo biológico, de acordo com a Wikipedia. Segundo a CNBC, “existem algumas configurações integradas ao iPhone, Android, macOS e Windows 10 que podem ajudar a reduzir o cansaço visual e podem tornar mais fácil adormecer alterando a cor da tela de branco para laranja”. A compreensão dos problemas gerados à saúde é a melhor forma de nos levar a configurar adequadamente cada um dos aparelhos para que a estimulação excessiva não venha nos prejudicar.

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A notícia que achei fantástica, mesmo por já ter usado a ferramenta, foi a da Startup Mural, que oferece um espaço de trabalho digital para colaboração visual captando R$ 650 milhões para melhoria do produto, da experiência com o cliente e do envolvimento com a comunidade.  A Mural oferece um quadro virtual para que equipes possam trabalhar em colaboração, independentemente de sua localização. Utilizam-se de várias metodologias como o Canvas, design thinking, métodos ágeis para projetos, onde as equipes podem brincar com notas adesivas digitais, vídeos, imagens para organização de ideias. Ambiente muito propício para elaboração de TCCs, trabalhos escolares, projetos que a IES precisa desenvolver com seus colaboradores, inclusive com a participação de consultores a distância. Um case significativo da empresa que utiliza a Mural já de longa data para alavancar projetos e reduzir custos foi o da IBM. Os resultados dessa parceria foram inseridos em um material elaborado pela Forrester Consulting, consultoria contratada pela IBM para conduzir um relatório de impacto econômico total (TEI), estudar e examinar o potencial retorno sobre o investimento (ROI) que as empresas podem perceber usando a Mural.

A íntegra do relatório, que pode ser encontrado no site da startup, afirma que a plataforma digital da MURAL ajuda as organizações a aumentarem tanto a qualidade quanto a eficiência dos programas de design thinking para produtos e serviços, colaboração ágil, suporte ao cliente e quase todas as outras facetas das operações de negócios”. Meghan McGrath, Design Lead da IBM, disse à Forrester: “Foi difícil reunir uma equipe inteira e normalmente não incluía a todos por causa dos horários. Algumas vozes são mais fortes do que outras na sala. As ideias fluem aleatoriamente e, às vezes, é difícil progredir de forma sistemática, especialmente com equipes que estão trabalhando em projetos de design thinking pela primeira vez.”

Enfim, o percentual de ROI (retorno sobre os investimentos) obtido pela IBM foi de 495% e vale a pena conferir no relatório os benefícios econômicos obtidos por cada operação. São realmente muito significativos e podem trazer os mesmos resultados para nossas instituições de ensino. Caso não tenham acesso ao relatório, podem solicitar pelo site da Pro Innovare.

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Um evento interessante ao qual eu gostaria de dar evidência foi a realização do 4º Fórum de Doadores da América Central. A abordagem do tema é oportuna devido à Campanha de Responsabilidade Social do Ensino Superior Particular, promovida pela ABMES. Ocorrido de 1 a 3 de setembro na Guatemala, mas com transmissão para todo o mundo, o Fórum teve seu foco na implementação de boas práticas empresariais, trabalhistas, sociais e ambientais. O tema desse ano foi a “Progresso na Encruzilhada”, buscando a reinvenção e resistência em tempos de crise. Com a exposição de muitas vulnerabilidades durante a pandemia, os apoiadores do Fórum se reuniram com o objetivo de construir respostas alternativas ao impacto econômico. Os apoiadores afirmam que continuarão contribuindo com iniciativas que promovam uma região mais inclusiva por meio de suas   estratégias corporativas de sustentabilidade e alianças estratégicas com atores sociais. Entre os patrocinadores, grandes nomes conhecidos em todo o mundo, com projetos patrocinados inclusive no Brasil, tais como: Ford Foundation, Rockfeller Brothers Fund, Foundation for a Just Society, Agro America, The Summit Foundation, Helvetas USA, Tinker Foundation, Child Fund International, Creative, Kenoli, entre outras.

Com a Covid 19, os empreendedores têm a responsabilidade de desenvolver produtos e programas que gerem mais do que impacto nos resultados financeiros. Na crise provocada pela pandemia, muitos empresários agiram proativamente demonstrando responsabilidade social de maneira muito simples. Rashan Dixon, consultor da Microsoft detalhou algumas formas de colaboração social:

  • Tornar a educação acessível virtualmente para que os alunos não fossem prejudicados.
  • Várias startups e empresas de saúde já consolidadas desenvolveram aplicativos e outras ações para diagnóstico, prevenção e tratamento da Covid 19.
  • Distribuição de máscaras para prevenção, alimentos aos necessitados, informação para conscientização.
  • Tornar a saúde mental dos colaboradores uma prioridade.
  • Ajudar a fortalecer os laços sociais. Várias companhias de telecomunicações se esforçaram para que os contatos fossem possíveis no período de isolamento social.

Acredita-se que o crescimento da Responsabilidade Social, da Inovação e do Empreendedorismo Social seja uma tendência resultante das inquietações de muitos empresários com vontade de mudar o mundo, inovando e criando oportunidades de negócios que tragam qualidade de vida para a sociedade com uma grande geração de valor.

Que os empresários da educação também tenham um coração inclinado a construir políticas consistentes de Responsabilidade Social, pois são os responsáveis por instituições humanas, tanto em seus processos, como em seus resultados. Afinal, o futuro das próximas gerações pertencem aqueles que o estão construindo hoje!

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Os textos aqui apresentados são de responsabilidade do autor e não representam necessariamente a opinião e/ou o posicionamento da ABMES.

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Carmen Tavares

Gestora educacional e de inovação com 28 anos de experiência em instituições de diversos portes e regiões, com considerável bagagem na construção de políticas para cooperação intersetorial, planejamento e gestão no ensino privado tanto na modalidade presencial quanto EAD. Atuou também como executiva em Educação Corporativa e gestora em instituições do Terceiro Setor. É mestre em Gestão da Inovação pela FEI/SP, com área de pesquisa em Capacidades Organizacionais, Sustentabilidade e Marketing. Pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e graduada em Pedagogia pela UEMG.

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