Espaço destinado à atualização periódica de tecnologias nacionais e internacionais que podem impactar o segmento educacional e, portanto, subsidiar gestores das instituições de ensino para que sejam capazes de agir proativamente olhando para essas tendências.

08/12/2020 | 2969

Tecnologias que transformam vidas

Na véspera da eleição presidência dos EUA, Donald Trump foi filmado dizendo que estava conversado com os russos e o vídeo gravado secretamente saiu em todos os jornais. “Acredite em mim, tenho feito espionagem incrível. Realmente incrível”, dizia o vídeo. Apesar dos protestos de Trump de que ele nunca havia dito aquelas palavras, o fato gerou um grande impacto com efeito sobre os eleitores, as vozes dissonantes deram ao candidato democrata rival a vitória na eleição.

Mas, pelo menos dessa vez, Trump estava falando a verdade - ele não gravou aquele vídeo. A filmagem foi gerada por uma tecnologia denominada “deepfake”, que usa inteligência artificial (IA) sofisticada  para criar vídeos e áudios que personificam pessoas reais. A tecnologia já está em uso e, se não for controlada, pode nos levar a começar a duvidar de tudo que assistimos e ouvimos online. Embora essa mídia tenha potencial para uma explosão de criatividade quando usada para o bem, também tem potencial para causar grandes danos, ao veicular notícias falsas e desinformação. Uma mídia com o poder de minar não apenas a realidade, mas difamar pessoas, assim como o poder das más línguas. A ética sobre o bom uso das tecnologias aparece como elemento central para as reflexões dentro das universidades.

Outra revolução a que assistiremos é a da robótica na nuvem. Robôs com supercérebros armazenados na nuvem online. A ideia é de que esses robôs, com sua influência intelectual, serão mais flexíveis nos trabalhos que realizam e nos locais em que podem trabalhar, talvez até acelerando sua chegada em nossas casas. O sonho da robótica em nuvem é criar máquinas que possam ver, ouvir, compreender a linguagem natural e entender o mundo ao seu redor. Tal tecnologia pode ser utilizada para retirar milhares de trabalhadores de tarefas degradantes para o ser humano.

Ainda em 2018, vimos o nascimento dos primeiros bebês com edição de genes do mundo. As gêmeas cujos genomas foram modificados durante procedimentos de fertilização in vitro tiveram seu DNA alterado usando a tecnologia de edição de genes CRISPR, para protegê-las do HIV. O CRISPR usa uma enzima bacteriana para direcionar e cortar sequências de DNA específicas. A ferramenta de edição de genes CRISPR pode finalmente tratar doenças em nível genético e eliminá-las do nosso código genético. Merece destaque também o fato de que, por meio da neurotecnologia, pacientes paralisados já estão voltando a andar. Imaginem o que significam essas tecnologias para uma vida humana em sofrimento, para uma família que possui um dos seus queridos paralisados em cima de uma cama. 

Não há como não se emocionar com os avanços da tecnologia ao nos lembrarmos do britânico Stephen Hawking, sem dúvida, um dos cientistas mais importantes do mundo. Diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), aos 21 anos de idade teve sua qualidade de vida totalmente melhorada pela tecnologia, escreveu livros, teorias, ganhou prêmios e faleceu com 76 anos ativamente. Esse é um dos aspectos em que a academia tem que se preocupar: pesquisas na saúde capaz de melhorar a vida de todas as pessoas. Tem que existir conexão com o extremo do sofrimento humano e não apenas atender aos interesses do vil metal.

Stephen Hawking

Abordando ainda a tecnologia para a área da saúde, as interfaces cérebro máquina irão mudar a forma como trabalhamos e andamos. O exoesqueleto controlado por sinais cerebrais permite que o homem com deficiência ande e vimos isso, em outubro de 2019, quando o paralítico Thibaut, um jovem de 28 anos, deu os seus primeiros passos.

Na era cristã, Pedro, um dos discípulos de Jesus Cristo disse a um paralitico: "Não tenho ouro e nem prata, mas o que tenho isso te dou – levanta e anda!"

Hoje, não temos a fé nos apoiamos na ciência para vermos histórias maravilhosas como essa acontecendo. Mas, que tal se mantivermos a fé e a ciência? Para o Dr. Francis Schaeffer, diretor da Comunidade L’Abri na Suíça, no mundo atual “a esfera da fé está situada no âmbito do não-racional e não lógico em oposição ao racional e lógico”. Portanto, excludentes, o que Schaeffer demonstra ser um grande equívoco.

Outro fato é que o cérebro humano será mapeado. A Iniciativa Brain Research, por meio do Advancing Innovative Neurotechnologies ® (BRAIN) 

tem como objetivo revolucionar nossa compreensão do cérebro humano. Ao acelerar o desenvolvimento e a aplicação de tecnologias inovadoras, os pesquisadores serão capazes de produzir uma nova imagem dinâmica revolucionária do cérebro que, pela primeira vez, mostra como células individuais e circuitos neurais complexos interagem no tempo e no espaço. Desejada por pesquisadores que buscam novas maneiras de tratar, curar e até mesmo prevenir distúrbios cerebrais, esta imagem preencherá as principais lacunas em nosso conhecimento atual e fornecerá oportunidades sem precedentes para explorar exatamente como o cérebro permite que o corpo humano registre, processe, utilize, armazene , e recuperar grandes quantidades de informações, tudo na velocidade do pensamento. (https://braininitiative.nih.gov, acessado em dezembro/2020).

Não poderia terminar esse texto sem demonstrar minha admiração e de toda a equipe da ABMES aos cientistas que, nesse momento, se encontram dentro de seus laboratórios desenvolvendo vacinas contra a Covid-19 e tantos outros males que assolam a humanidade. A universidade tem que fazer conexão com o extremo do sofrimento humano e auxiliar na descoberta de sentido e propósito na vida de cada aluno ou colaborador ou iremos perpetuar uma sociedade desumana. E com advento, somando-se a celebração atípica de natal que teremos esse ano, é um bom momento para pensarmos nisso. Adeus árvore de natal, adeus Papai Noel, acolho em mim o Presépio, o nascimento do Cristo que chegou para nos lembrar que a maior virtude é o amor. Seja o amor a Deus, ao próximo, a si mesmo ou o amor que nos faz debruçar sobre uma profissão com o objetivo de cooperar para a resolução dos grandes dilemas da humanidade. Que o desejo de contribuir para o bem more em nosso peito e fertilize-se. Até 2021!

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Carmen Tavares

Gestora educacional e de inovação com 28 anos de experiência em instituições de diversos portes e regiões, com considerável bagagem na construção de políticas para cooperação intersetorial, planejamento e gestão no ensino privado tanto na modalidade presencial quanto EAD. Atuou também como executiva em Educação Corporativa e gestora em instituições do Terceiro Setor. É mestre em Gestão da Inovação pela FEI/SP, com área de pesquisa em Capacidades Organizacionais, Sustentabilidade e Marketing. Pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e graduada em Pedagogia pela UEMG.

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