Espaço destinado à atualização periódica de tecnologias nacionais e internacionais que podem impactar o segmento educacional e, portanto, subsidiar gestores das instituições de ensino para que sejam capazes de agir proativamente olhando para essas tendências.

18/10/2022 | 2599

Harvard e Amazon numa parceria campeã!

Um dos projetos incríveis que presenciamos nesses últimos meses de 2022 foi a parceria estratégica da Harvard com a Amazon financiando um projeto com os professores da universidade para promoverem pesquisas e inovações fundamentais em redes quânticas – um método de envio e recebimento de informações digitais – na Harvard Quantum Initiative. O financiamento permitirá que mais alunos se envolvam em esforços de pesquisa e o interesse da Amazon vai muito além. O foco está em conectar a Amazon a tudo o que ela já tem potencializado pela internet quântica.

A Universidade de Harvard e a Amazon Web Services declaram que o objetivo da colaboração de pesquisa de três anos é desenvolver métodos e tecnologias fundamentais para o que eventualmente poderia se tornar uma Internet quântica. A Internet quântica é uma tecnologia que se baseia nos avanços da ciência em relação às partículas subatômicas e promete mais segurança na web em um futuro próximo. A novidade se apresenta como uma solução para os problemas de segurança e roubo de dados que são tão comuns hoje em dia.


Fonte: The Harvard Gazette.

A aliança será liderada pelo Escritório de Desenvolvimento de Tecnologia de Harvard, enquanto a AWS fornecerá suporte para projetos de pesquisa liderados por professores e projetados nas áreas de memória quântica, fotônica integrada e materiais quânticos.

Lukin, um dos professores envolvidos no projeto disse ao Harvard Gazette, uma publicação da Universidade, que acredita que Boston “desempenha um papel de liderança na pesquisa de redes quânticas graças à colaboração entre instituições acadêmicas como Harvard e MIT e parceiros corporativos”. O professor afirma ainda que “Iniciativas desse tipo – unindo pesquisas acadêmicas de ponta e parceiros líderes da indústria – são indispensáveis para a indústria quântica emergente e o ecossistema quântico nos EUA como um todo”. Mas, Harvard não é a única universidade em apostar em pesquisas nessa área. Vimos numa das edições de setembro da revista ISTO É DINHEIRO, a reportagem sobre a Delft University of Technology investindo na Internet quântica e afirmando que em breve será uma realidade.

O campo emergente das redes quânticas é uma imensa promessa para enfrentar “desafios de crescente importância para o nosso mundo, como a comunicação segura com poderosos clusters de computação quântica”, disse Lamas-Linares, que liderará a aliança Harvard-Amazon. A parceria segue o anúncio da Amazon em junho de seu novo AWS Center for Quantum Networking, que visa desafios científicos e de engenharia urgentes por meio do desenvolvimento de novos hardwares, softwares e aplicativos quânticos. Em um mundo cada vez mais digital repleto de ameaças à privacidade e segurança, a rede quântica pode ajudar a permitir comunicação segura e o anonimato. “Ao trabalhar juntos, a academia e a indústria podem acelerar a descoberta e o progresso tecnológico”, escreveu o reitor de Harvard Alan M. “Através desta aliança com a AWS, traremos estudos científicos e educação para suportar algumas das fronteiras mais emocionantes da ciência quântica.” Ou seja, a iniciativa campeã em ver as universidades trabalhando com pesquisa aplicada. Lembremos da Coréia do Sul na década de 1960 que se encontrava no mesmo patamar de investimento em tecnologia e inovação que o Brasil se encontra hoje. Após 60 anos mais de 70% da pesquisa desenvolvida na Coreia é pesquisa aplicada enquanto que no Brasil 70% é pesquisa básica. Apesar das inúmeras objeções encontradas pelas universidades brasileiras para produzir esse tipo de pesquisa uma coisa é fato: precisamos de um país com ciência e não apenas com cientistas.

Assim, parcerias entre as IES brasileiras com o setor produtivo é cada vez mais importante, seja na pesquisa, no ensino ou extensão.

Para reafirmar toda a narrativa do case que trouxemos hoje, retrato a declaração de Jeff Dean, diretor de IA do Google, à estudantes universitários ocorrido em 22 de setembro de 2020 em uma live, na qual incentivou os alunos a buscarem áreas de estudo que gere impacto coletivo na sociedade. Dean afirmou que em 2020 estava havendo uma “confluência incomum de eventos”, ambiente propício a buscar inspiração a fim de detectar lacunas sociais. Através de inúmeros eventos gratuitos os alunos podem se capacitar para buscarem carreiras onde poderão desenvolver soluções inovadoras “que abordem grandes problemas, como mudança climática, saúde e justiça social”. Em referências as grandes queimadas, a pandemia e as lutas sociais. Enfim, esse caminho de aproximação entre o universo acadêmico e empresas precisa ser cada dia mais propositivo e real em nossos espaços de formação.

 

 

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*Carmen Tavares é Gestora Educacional e de Inovação com 28 anos de experiência no mercado educacional privado brasileiro em instituições de diversos portes e regiões

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Carmen Tavares

Gestora educacional e de inovação com 28 anos de experiência em instituições de diversos portes e regiões, com considerável bagagem na construção de políticas para cooperação intersetorial, planejamento e gestão no ensino privado tanto na modalidade presencial quanto EAD. Atuou também como executiva em Educação Corporativa e gestora em instituições do Terceiro Setor. É mestre em Gestão da Inovação pela FEI/SP, com área de pesquisa em Capacidades Organizacionais, Sustentabilidade e Marketing. Pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e graduada em Pedagogia pela UEMG.

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