Saúde Mental e Competitividade na Era da Inteligência Artificial: Papel das Universidades

Espaço destinado à atualização periódica de tecnologias nacionais e internacionais que podem impactar o segmento educacional e, portanto, subsidiar gestores das instituições de ensino para que sejam capazes de agir proativamente olhando para essas tendências.

07/05/2024 | 1322

Saúde Mental e Competitividade na Era da Inteligência Artificial: Papel das Universidades

Por Carmen Tavares*

As tecnologias de inteligência artificial generativa têm diversas aplicações nas universidades, especialmente nas áreas de pesquisa, ensino e interação com os alunos. Uma dessas aplicações envolve o uso de assistentes virtuais e chatbots educacionais. Essas ferramentas baseadas em IA podem auxiliar os alunos respondendo a perguntas frequentes sobre cursos, matrículas e requisitos acadêmicos, integrando-se aos sistemas de gestão educacional das universidades para oferecer suporte contínuo.

Além disso, a IA generativa pode ser empregada na tutoria personalizada e no fornecimento de feedback automatizado aos alunos. Por exemplo, em cursos de redação, modelos de linguagem avançados podem identificar erros gramaticais, sugerir melhorias e avaliar o estilo de escrita dos alunos.

Outra aplicação está na criação de conteúdos educativos personalizados e interativos. Os sistemas de IA podem gerar exercícios adaptados ao nível de conhecimento de cada aluno, facilitando o aprendizado individualizado.

Na área de pesquisa, os grandes modelos de linguagem podem ser utilizados para analisar grandes volumes de textos acadêmicos e científicos. Eles ajudam os pesquisadores a encontrar conexões, identificar padrões e até mesmo gerar hipóteses com base em dados existentes.

Além disso, a IA generativa pode ser aplicada na criação de recursos multimídia, como imagens, vídeos e simulações interativas para enriquecer os materiais de ensino. Ferramentas de tradução baseadas em IA também podem facilitar o acesso a materiais educacionais em diferentes idiomas, promovendo a colaboração internacional.

Os dados educacionais também podem ser analisados por meio de modelos de aprendizado de máquina, identificando padrões de desempenho dos alunos e fornecendo insights para melhorar os programas acadêmicos e as estratégias de ensino.

Considerando a crescente adoção das tecnologias de inteligência artificial generativa nas universidades, é crucial examinar os impactos mais amplos dessas tendências. Engenheiros e profissionais em outras funções na área expressaram preocupações sobre a direção dessa corrida tecnológica, destacando que uma parte significativa de seu trabalho está cada vez mais voltada para atender aos interesses dos investidores e manter-se competitivo em relação aos concorrentes, em detrimento da resolução de problemas reais para os usuários. Muitos foram realocados para equipes de IA para apoiar implementações em ritmo acelerado, sem ter tempo suficiente para treinamento ou aprofundamento na tecnologia, mesmo sendo novos nesse campo.

Um tema recorrente entre esses profissionais é o esgotamento provocado pela imensa pressão, longas jornadas de trabalho e metas em constante mutação. Muitos relataram que seus empregadores estão ignorando preocupações legítimas relacionadas à vigilância, impactos da IA no clima e outros danos potenciais, priorizando exclusivamente a velocidade e o sucesso comercial. Como resultado desse ambiente de trabalho, alguns estão considerando buscar novas oportunidades de emprego ou estão deixando os departamentos de IA devido ao ritmo insustentável imposto pela crescente demanda e pela busca incessante por resultados imediatos.

Por fim, as universidades podem desempenhar um papel crucial no apoio aos profissionais de inteligência artificial (IA) oferecendo cursos e programas que abordem questões fundamentais, como saúde mental e habilidades essenciais para competir nesse campo desafiador. Uma abordagem eficaz seria integrar componentes relacionados à saúde mental e bem-estar nos currículos de disciplinas como ciência da computação, engenharia de software e inteligência artificial. Esses componentes podem incluir conscientização sobre saúde mental, com cursos ou workshops dedicados a temas como gerenciamento do estresse, estratégias de enfrentamento e importância do equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

Além disso, os programas podem oferecer desenvolvimento de habilidades práticas, como técnicas de relaxamento, meditação e mindfulness, para ajudar os profissionais de IA a lidar com a pressão e demandas do trabalho. Outra área importante é a ética em IA, onde cursos podem explorar preocupações éticas relacionadas ao desenvolvimento e uso da tecnologia, como privacidade, bias algorítmico e responsabilidade social.

Os profissionais também podem se beneficiar de cursos que desenvolvam habilidades de comunicação e colaboração, fundamentais para interações eficazes com colegas e stakeholders. Além disso, programas que abordem gestão de projetos, planejamento estratégico e definição de metas realistas são essenciais para o sucesso em um ambiente competitivo.

Além dos aspectos acadêmicos, as universidades podem criar espaços de apoio, como grupos de discussão ou sessões de aconselhamento, para que os profissionais de IA possam compartilhar experiências e buscar orientação sobre questões relacionadas à saúde mental. Cultivar uma cultura de apoio mútuo e promover a abertura sobre desafios pessoais e profissionais pode ser fundamental para ajudar os profissionais de IA a prosperar em um ambiente dinâmico e exigente.

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*Maria Carmen Tavares Christóvão é Mestre em Gestão da Inovação com área de pesquisa em Inovação Educacional. Diretora da Pro Innovare Consultoria de Inovação atuou como Reitora, Pró Reitora e Diretora de Instituições de Ensino de diversos portes e regiões no Brasil.  www.proinnovare.com.br 

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Carmen Tavares

Gestora educacional e de inovação com 28 anos de experiência em instituições de diversos portes e regiões, com considerável bagagem na construção de políticas para cooperação intersetorial, planejamento e gestão no ensino privado tanto na modalidade presencial quanto EAD. Atuou também como executiva em Educação Corporativa e gestora em instituições do Terceiro Setor. É mestre em Gestão da Inovação pela FEI/SP, com área de pesquisa em Capacidades Organizacionais, Sustentabilidade e Marketing. Pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e graduada em Pedagogia pela UEMG.

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