Espaço destinado à atualização periódica de tecnologias nacionais e internacionais que podem impactar o segmento educacional e, portanto, subsidiar gestores das instituições de ensino para que sejam capazes de agir proativamente olhando para essas tendências.

15/08/2020 | 1522

Momento Tech Educacional

Os desafios da tecnologia no ambiente educacional

Viver em época de COVID-19 significa enfrentar não apenas uma emergência de saúde global, mas um apelo diário para reinventar nossas instituições de ensino. No artigo Os Desafios da Tecnologia no Ambiente Educacional, refletimos bastante sobre o tema. Contudo, muitos leitores me solicitaram que aprofundasse nas aplicações da RA (realidade aumentada) e RV (realidade virtual) na educação.

Não voltaremos aos conceitos, mas traremos uma reflexão sobre o avanço da RA. O Google Class a alguns anos atrás lançou os óculos de realidade aumentada como uma grande promessa para revolucionar o ensino virtual, mas não obteve o êxito que almejava. Hoje em dia o dispositivo para se utilizar a RA é o smartphone, um aparelho mais descomplicado, permitindo a inclusão tecnológica. Você pode ter o seu objeto de pesquisa em 3D e na tela de seu celular, portanto uma ferramenta mais acessível. A pesquisa se torna mais real e prazerosa permitindo uma experiência mais concreta, ainda que virtual. As aulas se tornarão muito mais dinâmicas e os currículos ganharão uma nova dimensão.

Nos Estados Unidos acessando o site www.covidfeelgood.com profissionais e alunos podem ter acesso a um vídeo online em 360 VR “Secret Garden” que simula um ambiente natural com o objetivo de promover o relaxamento e a autorreflexão durante a Pandemia. O uso da realidade aumentada vem despertando o interesse de médicos, psicólogos, fisioterapeutas, outros profissionais da saúde e pesquisadores, pois permite que os usuários experimentem o enfrentamento de situações temerosas por meio de ambientes padronizados que simulam a realidade. São capazes de evocar estados emocionais, como ansiedade, cognições e comportamentos que são muito semelhantes aos experimentados no cotidiano diariamente. Este aspecto torna a RA uma ferramenta potencial para reabilitação funcional permitindo um controle preciso na apresentação de estímulos complexos que garante a avaliação do desempenho cognitivo e funcional com precisão.

A tecnologia através da RV oferece novas oportunidades para o desenvolvimento de ferramentas inovadoras em todos os segmentos e atividades, dentre as muitas aplicações em educação vale ressaltar as reuniões remotas que simulam uma reunião presencial em RA tornando mais real o ambiente de negócios.

Enfim, a RV é uma ação inovativa crescente e muito promissora para a intervenção em educação. No entanto, é importante compreender as novas tecnologias como uma ferramenta e não como a substituição para todas as iniciativas e intencionalidades da educação.

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Outro destaque em tecnologia ocorrido na primeira quinzena de agosto foi a Semana de Transformação Digital da Sambatech, do empresário Gustavo Caetano, com a participação de mais de 23 painéis abordando cases de sucesso de empresários de sucesso de variados setores. Entre eles, Chaim Zaher da Maple Bear & Grupo SEB reiterando alguns pressupostos para quem quer inovar em educação. Entre eles:

Tecnologia e educação: Para que a implementação da tecnologia aconteça é importante definir primeiro a estratégia e depois ter o incentivo de um bom líder para motivar às pessoas a adotar os recursos digitais. A interação entre professor e aluno e as formas de engajamento foram fundamentais para o sucesso da segunda rede de escolas a implementar o ensino a distância no Brasil, 20 anos atrás.

Papel do professor: Hoje em dia o professor não é mais o único detentor do conhecimento. Ele deve ser um líder, e por isso deve ter criatividade e incentivar os alunos a aprenderem de forma que realmente seja interessante para eles.

Investimento na educação: É preciso que se invista a mesma quantidade de dinheiro que é direcionada à educação superior na educação básica, para que o ensino passe a ser mais igualitário para todos e não apenas para aqueles capazes de pagar por isso.

Foco no Aluno: O maior problema da educação a distância é o engajamento com os alunos. Por isso é tão importante colocar o aluno no centro. Se ele for incentivado, consegue fazer coisas fantásticas. Ele quer algo a mais e não vai aceitar mais agressão, preconceito e injustiças. Por isso o ensino deve se adaptar à linguagem atual.

Preparo psicológico: A maioria das pessoas que estão entrando nas faculdades hoje em dia não têm o preparo psicológico e acadêmico que deveriam ter. Quando falamos do cenário atual de isolamento questões como essa que são relacionadas à saúde mental são muito importantes. A tecnologia e inovação são formas de contornar esses desafios.

Insight final: “Ensino público e privado devem trabalhar juntos. Ensinar é uma obrigação de todos”.

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Outra notícia interessante que merece nossa atenção é a da startup de educação – Edutech, a Classpert, que funciona como uma ferramenta de busca por cursos, captando cinco milhões de investimento.  A startup possui mais de 150 cursos cadastrados em mais de 30 grandes plataformas como Coursera, Udemy, Edx, Pluralsight, Treehouse, Udacity, Alura e Eduk. Funciona como um buscador de cursos no mundo todo e ao mesmo tempo possui a função de comparação entre os diversos cursos. Na Classpert além de informações detalhadas você pode ainda assistir a aulas prévias para optar por um curso com maior segurança. A aula prévia é uma experiência importantíssima para o usuário, pois como bem sabemos a experiência na compra de cursos online sem uma boa indicação ou referência pode ser frustrante.

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Como dica da primeira quinzena de agosto fica o MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) em parceria com o CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos) promovendo oficinas temáticas sobre inovação entre os dias 04 e 20 de agosto. Se perdeu alguma, aproveite as que estão por vir e confira no site as que foram realizadas. Dos dias 04 a 06 de agosto, as oficinas abordarão o tema de fomento à inovação. De 11 a 13 a abordagem será sobre a cultura de inovação e nos dias 18 a 20 aconteceram as discussões sobre bases tecnológicas para a inovação. A iniciativa pretende coordenar temas e desafios comuns ao processo de inovação no Brasil e as instituições privadas de ensino superior tem muito a contribuir, haja vista que 80% das matriculadas estão na rede privada. Portanto, a contribuição do segmento na construção da Estratégia Nacional de Inovação é fundamental.

Esse foi mais um Momento Tech Educacional. Estaremos de volta na segunda quinzena de agosto.

 

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Os textos aqui apresentados são de responsabilidade do autor e não representam necessariamente a opinião e/ou o posicionamento da ABMES.

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Carmen Tavares

Gestora educacional e de inovação com 28 anos de experiência em instituições de diversos portes e regiões, com considerável bagagem na construção de políticas para cooperação intersetorial, planejamento e gestão no ensino privado tanto na modalidade presencial quanto EAD. Atuou também como executiva em Educação Corporativa e gestora em instituições do Terceiro Setor. É mestre em Gestão da Inovação pela FEI/SP, com área de pesquisa em Capacidades Organizacionais, Sustentabilidade e Marketing. Pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e graduada em Pedagogia pela UEMG.

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