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Novos horizontes para o ensino superior

01/06/2017 | Por: Linha Direta | 825

Com recorde de público, o Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular (CBESP) celebrou a sua décima edição, comemorando também os 10 anos do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular (Fórum) e os 20 anos da Linha Direta. O evento aconteceu em Gramado/RS, de 25 a 27 de maio de 2017, e trouxe o tema Educação Superior no século XXI: inovação e sustentabilidade.

Na abertura do CBESP 10, o diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) e presidente do Fórum, Janguiê Diniz, lembrou que 87,5% das instituições brasileiras de Ensino Superior são particulares, representando 78,16% do total de matrículas na graduação presencial e a distância. Ele ainda destacou que, na sociedade atual, o conhecimento, como fator de desenvolvimento humano, é mais importante do que os recursos materiais. “Nessa sociedade, nenhum país do mundo sai do estágio de subdesenvolvimento para desenvolvimento se não investir maciçamente em educação”, salientou.

O secretário de Educação do Rio Grande do Sul, Ronald Krummenauer, falou sobre a importância de instituições e organismos particulares e públicos se unirem para alavancar a qualidade da educação no País. Já Ana Elena Schalk, membro do Conselho Consultivo da Education Partners, abordou as demandas do século XXI para a Educação Superior. A educadora falou sobre a necessidade da formação voltada não só para as demandas do País, mas também para as mundiais. A conferência de abertura foi sintetizada pelo representante do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado do Rio de Janeiro (Semerj) no Fórum, Celso Niskier.

Em um momento especial, o presidente da Linha Direta, Marcelo Chucre, recebeu homenagem pela trajetória de 20 anos da empresa na contribuição do setor educacional, e também por ter idealizado, há uma década, o CBESP. O primeiro dia do Congresso foi encerrado com um jantar e o show Grandes Sucessos, da cantora Ana Carolina, que envolveu os congressistas em uma grande noite de confraternização.

INOVAÇÃO

As reflexões do segundo dia começaram com um debate acerca da formação acadêmica e as exigências do século XXI, sob a mediação do representante do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), Fábio Reis. Durante os trabalhos, o chefe de gabinete da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres/MEC), Rubens Martins, ressaltou a importância do setor educacional na atualidade, principalmente no que diz respeito às transformações tecnológicas. “Se a função da educação é preparar as gerações para o novo mundo, o modelo escolar que estiver refletido no passado e não olhando para frente estará fadado a falhar”, disse. Na oportunidade, a diretora de Regulação da Educação Superior da Seres/MEC, Patricia Vilas Boas, comentou sobre o novo decreto que regulamenta o ensino a distância no País, bem como a revisão prevista no Decreto 5.773/2006, que dispõe sobre a regulação, supervisão e avaliação de instituições e cursos superiores. A síntese ficou por conta de Iara Xavier, membro do Conselho Consultivo do Programa de Aperfeiçoamento dos Processos de Regulação e Supervisão da Educação Superior (CC-Pares/MEC).

Na sequência, o presidente do Semesp, Hermes Figueiredo, mediou o painel focado na inovação como fator para que as IES não pereçam. O consultor e pesquisador de Inteligência Artificial do Google e da bMind.ai, Moacyr Galo, destacou que esta é uma das épocas de maior transformação. “Qualquer coisa que não puder ser digitalizada e automatizada será extremamente valorizada daqui para frente. Quais são essas coisas? Criatividade, imaginação, intuição, emoção e ética”, disse. Já o vice-presidente de Professional Services da TOTVS, Marcelo Cosentino, falou sobre como o uso da inteligência artificial pode ajudar as instituições na retenção de alunos. “Temos uma quarta revolução: a do conhecimento”, afirmou Cosentino, enfatizando que não basta saber, também é preciso entender o que fazer com os dados disponíveis. O diretor da Google for Education – América Latina, Rodrigo Pimentel, falou sobre a importância de as instituições direcionarem seu foco para o aluno, tendo o professor como um tutor. “É preciso criar o ambiente para que a inovação cresça de forma orgânica”, disse Pimentel. A síntese das palestras foi elaborada pelo membro do CC-Pares/MEC, Rui Otávio de Andrade.

SUSTENTABILIDADE

O segundo painel, que tratou sobre alternativas para que as instituições se mantenham sustentáveis no futuro, contou com a coordenação da representante da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) no Fórum, Amábile Pacios. O diretor-presidente da Faculdade Uniamérica, Ryon Braga, explicou que está acontecendo na atualidade uma mudança na estrutura acadêmica, e consequentemente na gestão. Nesse cenário, para manter a sustentabilidade de pequenas e médias IES, é preciso adotar um modelo em que o aprendizado tenha maior qualidade ao menor custo. O CEO da Ideal Invest, Carlos Furlan, destacou a evolução do financiamento estudantil. Sobre a experiência com o crédito universitário PRAVALER, ele citou conquistas importantes, como a melhoria dos índices de evasão e um ticket médio mais saudável. O vice-presidente internacional da Symplicity Corporation, Thomas Frost Jepsen, e o gerente da Symplicity – Grupo A Educação, Rodrigo Madeira, falaram sobre a empregabilidade como estratégia para aumentar a competitividade das IES. Nesse sentido, ambos defenderam a importância de a instituição ter como um de seus focos a preparação do aluno para o mercado de trabalho, até mesmo para possibilitar a ele quitar débitos do financiamento estudantil, temática também destacada na síntese de Rodrigo Capelato, membro do CC-Pares/MEC.

O segundo dia foi encerrado com um painel sobre o ensino e aprendizagem para a era digital, sob a coordenação da presidente da Associação Brasileira das Mantenedoras das Faculdades (Abrafi), Maria Eliza de Aguiar e Silva. Em uma apresentação dinâmica, envolvendo a participação de todos os congressistas com o uso dos seus smartphones, o fellow na Universidade de Harvard/Laspau e diretor de Inovação e Internacionalização da Anima Educação, Gustavo Hoffmann, destacou os conceitos de blended learning e flipped classroom. “As pessoas realmente aprendem praticando, mas insistimos em expor conteúdo nas nossas salas de aula”, alertou, ao defender o uso de metodologias ativas de aprendizagem. Na sequência, a pesquisadora na área de Processos Cognitivos e Ambientes Digitais e Certified Google Innovator, Luciana Santos, ressaltou a necessidade de as IES irem além da avaliação, ao informar aos alunos os gaps de habilidades e competências – um trabalho possível quando aliado à análise de dados por meio de métodos estatísticos. “São grandes as dimensões que podem ser trabalhadas ao transformar dados em informações para que eles se revertam em qualidade acadêmica voltada para experiência de aprendizagem”, disse a pesquisadora. O painel foi sintetizado com as considerações do membro do CC-Pares/MEC, Maurício Garcia.

TENDÊNCIAS

O sábado começou com o debate sobre pesquisas e tendências na Educação Superior. Sob a mediação do vice-presidente da ABMES, Daniel Castanho, o fundador da Educa Insights e da Sagah, Luiz Trivelato, falou sobre os primeiros meses de um aluno do ensino a distância. Ele destacou o relacionamento como algo relevante para o aluno. “É o serviço associado tanto ao componente pedagógico, acadêmico, quanto ao componente relativo ao modo de tratar o estudante”, disse. Já o analista de investimentos do Santander, Bruno Giardino, apontou o EaD como um segmento em consolidação. Segundo ele, “EaD não é só questão de credenciamento, de acesso, mas também de execução”. Finalizando o painel, o diretor-executivo da QH Care, Mauro J. Silva Jr., chamou a atenção para o cuidado com a saúde dos funcionários das instituições de ensino, seguido pela síntese do presidente do Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe/RS), Bruno Eizerik.

Por fim, a mesa-redonda com os representantes do Conselho Nacional de Educação (CNE) abordou a produção de saberes para o século XXI. Mediados pelo presidente da Associação Nacional dos Centros Universitários (Anaceu), Arthur Macedo, e conduzidos pelo vice-presidente da Abrafi e conselheiro da ABMES, Décio Corrêa Lima, os conselheiros levantaram diversas questões que circundam os desafios e perspectivas para a Educação Superior brasileira, como a inovação, os modelos de pós-graduação, licenciaturas e a participação de entidades profissionais na formação dos currículos acadêmicos. O momento contou também com a participação do secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, Henrique Sartori, que destacou os principais pontos do Decreto 9.057/2017, que regulamenta a oferta de EaD. Entre eles, a possibilidade de a IES ofertar exclusivamente a modalidade. “O Decreto precisava ser regulamentado no intuito de criar um ambiente de inovação. Era uma regulamentação que já tinha mais de 12 anos e que necessitava de uma revisão no sentido regulatório e, automaticamente, agregando novas tecnologias”, ressaltou Sartori. O encerramento das conferências contou com a leitura da Carta de Gramado – Uma agenda para o futuro.

Durante o CBESP 10, Seres/MEC atendeu a demandas processuais de IES

Cerca de cem IES passaram pelo atendimento da Seres/MEC durante o CBESP 10. Em um espaço exclusivo, os servidores da Secretaria receberam atos de credenciamento de instituições, autorização e reconhecimento de cursos e esclarecimento de dúvidas em instrução processual. A atividade foi inédita e teve como objetivo aproximar o MEC das entidades reguladas do Sistema Federal de Ensino, dando a oportunidade de as IES despacharem seus processos com maior rapidez. De acordo com o titular da Seres, Henrique Sartori, a relação de parceria é importante para o desenvolvimento da Educação Superior. “Costumo dizer que o momento que a Seres atravessa é de reciprocidade, no qual a Secretaria e o Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular, juntos, podem trabalhar com uma sinergia mais fina”, ressaltou o secretário. Outros quatro atendimentos in loco da Seres estão programados para este ano, durante eventos das associações representativas.


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Legislação

PORTARIA NORMATIVA Nº 20, DE 21 DE DEZEMBRO DE 2017

Dispõe sobre os procedimentos e o padrão decisório dos processos de credenciamento, recredenciamento, autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento de cursos superiores, bem como seus aditamentos, nas modalidades presencial e a distância, das instituições de educação superior do sistema federal de ensino.


PORTARIA NORMATIVA Nº 23, DE 21 DE DEZEMBRO DE 2017

Dispõe sobre o fluxo dos processos de credenciamento e recredenciamento de instituições de educação superior e de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento de cursos superiores, bem como seus aditamentos.


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