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Preconceito cai e capacitação online avança

25/02/2018 | Por: Estadão | 678

O avanço da tecnologia permite que, cada vez mais, trabalhadores corporativos, profissionais autônomos e jovens em busca de uma graduação utilizem métodos de educação à distância para se manterem atualizados e em sintonia com as necessidades do mercado. Entretanto, o aumento da oferta de instituições que trabalham com esse formato faz com que os cuidados precisem ser redobrados para que o currículo não acabe sendo prejudicado.

A artista de marmorização Tarsila Soares é uma das pessoas que usam os cursos online como forma de aumentar seu conhecimento. Ela gosta da possibilidade de poder assistir às aulas várias vezes para assimilar o conteúdo antes de passar para a próxima lição disponível. “Eu me disperso um pouco em aulas teóricas”, confessa Tarsila, que já fez quatro cursos e tenta aliá-los ao seus interesses profissionais.

“Ao longo dos anos, pararam de olhar para onde a pessoa se formou e qual curso ela fez, para entender o que esse profissional aprendeu e o que ele pode desempenhar”, diz o gerente da recrutadora Page Personnel, Renato Trindade. No passado, os cursos à distância eram vistos com certo preconceito por parte de empregadores ou até mesmo de clientes, quando o profissional era um prestador de serviço, mas a evolução do mercado favoreceu o curso online.

É o caso de Mariana Fago. Ela, que trabalhava com estética, se interessou pelos cursos online após ter uma filha e, para ficar mais tempo com ela e não parar no mercado, começou a estudar de casa. E não parou mais. “Fiz curso de gestão da produção, formação de vendas, pesquisa de mercado, marketing, assistente administrativo, atendimento ao cliente… aprendi muitas coisas novas e me atualizei nas informações”, diz. Hoje, ela é autônoma e não pensa em voltar para uma empresa, porque trabalhando por conta própria consegue obter mais renda.

“Havia uma espécie de demérito com relação ao online, mas agora as empresas já sabem que assim como existem os bons e os maus cursos presenciais, existem os bons e os maus online”, afirma o diretor de Programas e Processos Acadêmicos do FGV-IDE e responsável pelo FGV Online, Gerson Lachtermacher. Para ele, é preciso que as pessoas busquem não passar muito tempo sem ter novas capacitações. E com o curso online, diz, é uma das melhores formas de se atingir esse objetivo.

Eduardo Fadul é consultor de negócios e fez um curso de MBA em Marketing pela FGV Online. Ele não tem uma rotina definida por causa das solicitações do cliente e não faz a própria agenda. “Eu vivo em função deles. Não conseguiria fazer o curso presencial porque não poderia me comprometer. Então, optei pelo online, porque eu posso estudar quando fico livre”, diz.

Ele reconhece que teve que se esforçar para aprender e a se autodisciplinar. “Uma pessoa descompromissada não tem facilidade em um curso online.”

O vice-presidente de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Cássio Matos, acredita que as consultorias valorizam quem mantém uma sequência de estudos, seja presencial ou à distância.

“É uma questão de análise crítica do comportamento da pessoa frente a uma necessidade de atualização constante. Se essa pessoa tem feito alternadamente cursos presenciais e cursos EAD, ela está ganhando pontos sim”, acrescenta.

Com a evolução da tecnologia, há a possibilidade de ter acesso ao conhecimento oferecido por instituições de fora do Brasil, como universidades dos Estados Unidos que oferecem cursos gratuitos.

“O mercado valoriza ainda uma formação básica sólida, mas você pode ter acesso à mesma base de dados que uma elite detentora de fato tem. É muito importante na minha cabeça esse mix de uma formação básica sólida com uma atualização constante que o online proporciona”, diz o diretor da recrutadora Hays Response e Experts, Raphael Falcão.

A coordenadora do curso de Gestão da Educação Corporativa da Fundação Instituto de Administração (FIA), Marisa Eboli, diz que há áreas que podem aproveitar melhor o ensino à distância. “Cursos de matemática financeira, cursos mais técnicos, eles funcionam maravilhosamente à distância. Os bancos que digam”, afirma.

O barista Hiram Moyano optou por esse método de ensino há três anos por uma série de razões, como a flexibilidade de horários e a própria dinâmica de estudos. “Há opção de poder assistir a mesma aula quantas vezes forem necessárias até a fixação do conhecimento”, exemplifica. Ele não sente falta do professor presencial e estuda de acordo com as possibilidades do trabalho. “Isso é porque eu estabeleci uma cobrança mais leve nesse sentido. Preciso ser flexível”, comenta Moyano, que estuda na área de gastronomia, fotografia e administração de empresas.

Cuidados. Entretanto, alguns cuidados precisam ser adotados por quem pretende fazer um curso online. Matos ressalta que a instituição escolhida para estudar não pode ser “qualquer uma”. Preço, histórico da instituição, reputação frente a profissionais que se formaram lá e que posições eles ocupam nas empresas são alguns dos itens que o vice-presidente da ABRH recomenda serem observados. De acordo com ele, o mercado já sabe quais são as boas empresas que prestam bons cursos.

As redes sociais são uma boa forma para saber se a instituição escolhida é adequada. A página do LinkedIn da empresa pode apontar onde estão trabalhando algumas das pessoas que já foram alunas e as mudanças que aconteceram na carreira após o curso. Fóruns com pessoas que estão assistindo às aulas podem ajudar a decidir se o curso também é indicado.

Professores creem que métodos de ensino devem evoluir

“Nós precisamos reaprender a forma como aprendemos. Acredito que este seja um novo modelo de ensino, que vai se propagar cada vez mais nos próximos anos”, acredita Hiram Moyano.

Seu pensamento é similar ao do professor Gerson Lachtermacher, da FGV. Ele prevê que haverá um meio termo entre o ensino presencial e à distância. “O ser humano precisa se relacionar e ter o ponto de vista de outra pessoa sobre materiais diferentes”, diz. Para ele, a mistura entre cursos online e presencial é necessária, pois ambos os métodos não são “metodologias vencedoras ”.

Para a professora da FIA Marisa Eboli, o formato blended, que mescla aulas presenciais com online, já é o ideal. “Hoje existem ferramentas para dar aula somente à distância, mas com todos os alunos conectados ao mesmo tempo e tudo o que você pode fazer em sala de aula você faz numa aula pelo computador”, analisa.

Lachtermacher salienta a importância de ter autodisciplina para fazer um curso online. “É preciso aprender a ter rigidez em seus horários. Há a flexibilidade, mas é necessário er rígido com seus horários”, diz o diretor da FGV.

Também é imperativo se esforçar e se dedicar mais ao conteúdo, já que não há a presença do professor para explicar o que está sendo ensinado. Marisa aponta que um dos problemas da falta de disciplina é o acúmulo do que tem que ser estudado.

“Nós reparamos que as pessoas precisam de uma de orientação, então criamos uma espécie de guia de aprendizado. As pessoas, às vezes, precisam disso pra conseguir manter o foco, porque estudar é sempre essa questão de você se organizar”, afirma Melanie Siqueira, cofundadora da plataforma de cursos Caeli TV.

Esse é um desafios que Paulo Silveira, um dos fundadores da Alura, empresa que oferece cursos online com foco no mercado tecnológico, tenta superar. “Nossos cursos se baseiam na troca entre alunos, professores e monitores, com alunos seniores até ganhando pontos por isso. É como quando saímos da aula em um curso presencial e discutimos uma matéria no bar. Precisamos replicar isso.”

Os métodos de ensino online ainda estão em evolução e o mercado se adapta continuamente. “Existem vários modelos e ainda estamos na infância disso”, diz Silveira.


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PORTARIA NORMATIVA Nº 11, DE 20 DE JUNHO DE 2017

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