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Pandemia faz 52% dos jovens adiarem sonho da faculdade

12/02/2021 | Por: Gazeta de S.Paulo | 539
Foto: Wagner Souza/Futura Press/Folhapress

Além de eventos e viagens, a pandemia têm adiado muitos sonhos e o de iniciar o curso em uma faculdade é um deles. Pesquisa revela que 52% dos jovens paulistas, que acabaram de terminar o ensino médio, devem adiar o sonho de iniciar uma faculdade. O levantamento foi realizado pela empresa de pesquisas educacionais Educa Insights, em parceria com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES).

De acordo com a pesquisa, 39% dos jovens paulistas planejam iniciar a graduação apenas no meio do ano, enquanto outros 13% irão esperar até 2022. No Brasil, estes percentuais são de 38% e 13%, respectivamente; um aumento, no primeiro caso, de 14 pontos percentuais, em relação ao verificado em novembro.

A alta de casos e mortes provocada pela segunda onda da pandemia de Covid-19 no Brasil e o início do plano nacional de imunização, estão entre os motivos de adiamento dos jovens, que esperam a vacina para retomar os estudos com segurança. Além disso, na opinião de Celso Niskier, diretor presidente da ABMES, o fim do auxílio emergencial e a crise econômica também impactam a decisão.

“Não é só a perspectiva da vacina, mas também a questão do emprego e renda, que prejudica a captação”, avalia Niskier, que diz ainda que os jovens não devem optar pelo adiamento, pois correm o risco de perder oportunidades.

“Os alunos não devem adiar o sonho da graduação esperando o fim da pandemia sob o risco de perder as oportunidades que virão. O Brasil vai precisar de profissionais qualificados no pós-pandemia e as instituições de ensino superior estão preparadas para oferecer a melhor educação, independente do formato, seja presencial ou remoto.”

 

Evasão
O adiamento do ensino superior não é verificado apenas entre aqueles que iriam começar uma graduação. O medo da Covid-19, as questões econômicas e a não adaptação ao ensino remoto fizeram com que 10,1% dos estudantes matriculados no ensino superior privado desistissem temporariamente ou definitivamente da graduação, entre o primeiro e o segundo semestre de 2020, número que é 14,7% maior do que o registrado em igual período do ano anterior, e representa um contingente de 608 mil estudantes, segundo dados do Sindicato de Mantenedoras dos Estabelecimentos de Ensino Superior (Semesp).

A moradora da Vila Bruna, em São Paulo, Geovanna Celestino, de 18 anos, é uma desses alunos. Ela cursava relações internacionais na Universidade Paulista (Unip), mas decidiu deixar o curso depois do atípico ano de 2020. “Fiz meu primeiro ano de faculdade em modo EAD, porém não queria passar mais um semestre ou mais um ano assim. Outro fator que me levou a desistir do curso foi que a mensalidade continuou o mesmo valor do presencial. Diante de toda a situação, eu refleti e decidi trancar a matrícula. Agora, faço um cursinho preparatório para o vestibular e vou tentar uma universidade pública”, diz ela.

 

Universidades públicas
A Gazeta procurou as principais universidades públicas presentes no estado de São Paulo (USP, UNESP, UFSCar, Unicamp, Unifesp e IFSP), porém, até o fechamento desta matéria, apenas a Unicamp dispunha de números concretos sobre matrículas e evasão em 2020.

Segundo a Universidade de Campinas, por conta das ações tomadas pela instituição, como flexibilização nos prazos de conclusão e desistência de matrículas, entre outros, o número de trancamentos oficiais solicitados pelos estudantes caiu entre 2019 e 2020, passando de 793 para 208. Porém, a partir do cenário da pandemia, o número de trancamentos automáticos não justificados, passou de 11 para 1634, entre 2019 e 2020.


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