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Ensino superior fica em segundo plano na campanha

17/09/2022 | Por: O Globo | 188

Ninguém deveria duvidar da importância da educação superior para o desenvolvimento do país. A formação de profissionais e cientistas qualificados — com pensamento crítico e capacidade empreendedora — é a mola mestra para que o Brasil alcance seu lugar entre as nações mais desenvolvidas. Infelizmente, o tema não tem merecido o devido destaque no programa dos candidatos à Presidência.

Pesquisa recente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), em parceria com a empresa Symplicity, mostrou que 69% dos egressos, ao final de um ano, estão inseridos no mercado de trabalho, com renda média mensal de R$ 3,8 mil, bem acima da renda média dos brasileiros. Segundo o IBGE, graduados recebem, em média, três vezes mais do que aqueles que estudam até o ensino médio. Mesmo com a pandemia, a educação superior continua sendo um ótimo investimento para os jovens e para o país.

Apesar disso, os números das matrículas na educação superior, nos últimos anos, trazem preocupação. Entre 2019 e 2020 (último ano do Censo da Educação Superior), o crescimento foi de apenas 0,9%, variação sustentada pelo crescimento de 26,2% nos ingressantes da modalidade à distância. Se considerarmos apenas os cursos presenciais, a queda foi de 13,9% no número de novos estudantes. As universidades públicas, celeiro da produção científica brasileira, registraram uma queda de 5,8% de novos ingressantes. Caso a situação não seja revertida, teremos em breve um apagão de mão de obra qualificada no Brasil.

O setor privado da educação superior, que responde por 77,4% das matrículas, tem uma importante contribuição a dar, e para isso lançou, por meio do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular, um manifesto com dez propostas de políticas públicas para levar o Brasil a um novo patamar econômico e social. Novas formas de financiamento estudantil atreladas à renda futura dos estudantes, simplificação regulatória, financiamento à inovação e maior integração da educação superior com a educação básica são algumas dessas propostas — elaboradas por especialistas e endossadas por mais de 10 entidades representativas do setor, que hoje responde por cerca de 6,5 milhões de universitários.

Além disso, defendemos a ampliação do Prouni, um exemplo de política pública bem-sucedida, que permitiu que milhões de jovens de famílias de baixa renda conquistassem um lugar na universidade, lado a lado com jovens de estratos mais favorecidos da população. Junto com políticas de amplo alcance social, defendemos também uma reforma tributária justa para a educação particular, que desonera o Estado e atende prioritariamente as classes C, D e E. Não é aceitável qualquer proposta que resulte em aumento de impostos sobre as mensalidades.

A educação superior não pode parar, e os empreendedores educacionais estão na linha de frente da implantação de novos modelos híbridos em direção ao futuro. Para tanto, o assunto deve ser amplamente debatido durante a campanha, e os futuros governantes devem empenhar esforços e investimentos para que os milhões de estudantes universitários —e os outros tantos milhões que ainda não ingressaram no ensino superior por falta de condições financeiras — não fiquem desamparados em seus sonhos de um futuro melhor.

Somente assim construiremos um futuro mais justo e próspero para todos os brasileiros. No site do movimento, é possível saber mais sobre as propostas (educacaomaisforte.org.br).