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Desemprego acelera projeção para crescimento do EAD no ensino superior

10/06/2020 | Por: Correio Braziliense | 345
Foto: Reprodução/ Correio Braziliense

O Brasil terá mais alunos do ensino superior estudando na modalidade a distância (EAD) que na presencial em 2022. É o que diz a 3ª parte da pesquisa  “Coronavírus e Educação Superior: o que pensam os alunos e prospects”, divulgada nesta quarta-feira (10/6), feita pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) em parceria com a empresa de pesquisas educacionais Educa Insights.

A queda do índice de emprego e renda da população brasileira causado pela pandemia da covid-19 e o aumento da oferta de cursos de graduação totalmente on-line ou híbridos, em que parte é feito virtualmente, vão atrair mais alunos a cada ano, principalmente por apresentarem custos menores.

A pesquisa ouviu 1.607 alunos e os que pretendem ingressar no ensino superior da rede particular pelos próximos 12 meses. O levantamento evidencia que 94% dos estudantes querem dar continuidade aos estudos mesmo com os impactos econômicos causados pela pandemia.

O diretor presidente da ABMES, Celso Niskier, afirma que para boa retenção de alunos, neste momento, é preciso que as instituições privadas invistam em uma boa comunicação e descontos. “Ao mesmo tempo, a ABMES tem trabalhado em busca de linhas alternativas, não só de financiamento para estudantes nesse momento de crise, mas também de linhas de crédito para as instituições oferecerem esses descontos sem impacto no caixa”, diz.

Desde 2019, as projeções apontam que a educação a distância ultrapassou a presencial em número de novas matrículas. De acordo com o último Censo da Educação Superior, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), em 2018, as duas modalidades apresentavam diferença de apenas 243 mil matrículas.

No entanto, o agravamento da situação econômica vem provocando crescimento exponencial da EAD, que tem mensalidades mais acessíveis que os cursos presenciais, além da maior flexibilidade para conciliar trabalho e estudo.

Impactos da pandemia
Assim como nas etapas anteriores, a principal preocupação dos alunos é com a manutenção do emprego e da renda. Quando perguntados sobre os principais fatores que poderiam acarretar na interrupção dos seus estudos, 60% dos estudantes apontaram a perda de emprego como fator determinante. 

Como esperado, o fechamento de empresas e comércios em função do isolamento social imposto pela covid-19 afetou o rendimento de parte dos alunos. Quando perguntados sobre este tema, 60% afirmaram não ter sofrido impactos significativos com a pandemia.

No entanto, 22% informaram ter perdido o emprego em função da crise. No levantamento anterior, esse percentual era de 20%. O índice de demissões relatadas foi alto, porém, mesmo assim, somente 11% desse total informaram que pretendem deixar ou já deixaram o curso.

Mais de um terço dos estudantes que participaram da pesquisa (41%) afirmaram que ainda não conseguem mensurar quanto tempo vão conseguir continuar pagando as mensalidades, mas acham que poderão ter problemas em algum momento. Outros 30% conseguem pagar sem nenhum problema pelos próximos três meses. Esse indicador foi o que sofreu maior variação em relação à 2ª onda da pesquisa, que registrava 40%.

Entre os estudantes que enfrentam alguma dificuldade para honrar com o pagamento das mensalidades, 42% admitiram ter recebido algum tipo de auxílio por parte da instituição de ensino onde estuda para se manter no curso. Desses, 34% relataram que a instituição ofereceu um plano de pagamento individual, enquanto que 66% foram atendidos em programas coletivos de facilitação do pagamento das mensalidades.

Quanto ao grau de satisfação dos alunos com as condições de auxílio ofertadas pelas instituições, 61% dos estudantes que receberam auxílio exclusivo avaliaram positivamente a medida. Entre os alunos que foram atendidos pelos programas de auxílio coletivos, os chamados planos horizontais, o grau de satisfação foi de 21%.

Levantamento
A 3ª etapa do levantamento foi realizado virtualmente entre 28 e 31 de maio, com homens e mulheres, de idades entre 17 e 50 anos, pertencentes às classes sociais A, B, C e E. Foram ouvidos 644 alunos de graduação, matriculados em cursos presenciais ou EAD de instituições particulares, há pelo menos seis meses. Também foram entrevistados outros 963 potenciais alunos que tenham interesse de início em cursos de graduação presencial ou EAD em faculdades privadas nos próximos 12 meses.


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