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Pesquisa revela que 42% dos alunos podem abandonar faculdades privadas

10/06/2020 | Por: Estadão | 408
Foto: Reprodução/ Estadão

A inadimplência no pagamento de mensalidades do ensino superior subiu 75% entre abril e maio, de acordo com uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) em parceria com a consultoria Educa Insights. Essa é a terceira edição da pesquisa, que vem sendo realizada com estudantes de todo o país desde abril para medir o impacto da pandemia no setor de educação.

De acordo com o levantamento, em abril, 8% dos estudantes afirmaram que não pagaram o boleto referente ao mês e não sabiam quando iriam pagar. Agora, eles representam 14% do total de alunos de ensino superior privado. A fatia que não teve quaisquer dificuldades para pagar a mensalidade passou de 47% para 49% em maio, enquanto os que pagaram após o prazo de vencimento caíram para 21%, ante 29% em abril.

O porcentual de alunos que vai continuar estudando independente do cenário caiu para 52%, ante 55% em maio e 57% em abril. Já o número de estudantes que vão seguir estudando, mas com risco de interromperem o curso, passou de 36% para 42% na terceira fase da pesquisa.

Segundo a ABMES, 22% dos alunos apontam que os familiares não conseguirão arcar com as mensalidades, ante 17% e 12% das pesquisas anteriores. Já o número de estudantes que tiveram o emprego diretamente afetado pela pandemia se manteve em 60% do mês passado para cá.

As instituições que oferecem auxílio para pagamento das mensalidades representam agora 42% do total, ante 25% da pesquisa passada. Também aumentou o número de faculdades que oferecem planos de pagamento personalizados para cada estudante: de 26% para 34%.

O nível de satisfação com os chamados planos horizontais, sem distinção por aluno, caiu de 32% para 21% enquanto a insatisfação aumentou de 23% para 51%. Já no caso dos planos personalizados para cada aluno, a avaliação positiva dos estudantes passou de 58% para 61%, enquanto a avaliação negativa caiu de 22% para 14%.

Ensino a Distância
Celso Niskier, diretor presidente da Abmes, afirma que a pandemia antecipou a tendência de que a educação a distância ultrapasse os cursos presenciais em número de alunos de 2023 para 2022. Ainda de acordo com ele, os cursos presenciais devem ampliar a participação de conteúdos a distância de acordo com a legislação vigente. “Com isso conseguem dar mais flexibilidade para o aluno e segurança nesse momento de incerteza da volta gradual”, aponta. “Nós vamos caminhar para o fim da dicotomia presencial x EAD”, afirma.

De acordo com o levantamento, o segmento EAD tradicional deve apresentar recuperação mais rápida no período pós pandemia em relação aos cursos presenciais. No curto prazo, até dois anos, o EAD responde mais rapidamente à queda do desemprego do que o segmento presencial. “Mesmo com a melhoria do emprego, o ensino presencial e novas matrículas não crescem nos primeiros dois anos. Ele corrige a tendência de decrescimento, mas não cresce”, afirma Daniel Infante, sócio diretor da consultoria Educa Insights. No caso do EAD, segundo ele, há uma “reação bastante aguda” à melhora dos indicadores. Após dois anos de queda do desemprego, ambos os segmentos registram aumento na captação de matrículas.

A pesquisa também consultou os futuros estudantes, ou seja, quem tem planos para começar um curso de graduação nos próximos meses. O número de alunos que pretendem iniciar uma graduação presencial no próximo semestre caiu de 15% para 7%. Já os que têm total incerteza quanto ao momento de início aumentaram de 41% para 49%.

Para Daniel Infante, a estatística não deve recuar até o fim do período de captação de matrículas para o próximo semestre, que segue por mais dois meses. “Mesmo com a flexibilização que governos estão fazendo, a percepção do aluno quanto à rotina presencial não estará normalizada até o final da captação”, pontua.

No caso dos futuros alunos de cursos de educação a distância, os planos de começar uma graduação já no segundo semestre de 2020 passaram de 28% para 30%. “Isso aponta já uma migração entre essas duas modalidades, o aluno na pré pandemia teria o presencial como opção e hoje já opta por um curso na modalidade a distância”, observa.


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