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Graduação EAD aumenta 700% em 10 anos; São 171 alunos por professor

11/10/2023 | Por: Jornal de Brasília | 997

Dados do Censo da Educação Superior divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) ontem mostram que o número de cursos na modalidade EAD ofertados no País aumentou 700% nos últimos dez anos, saindo de 1.148 em 2012 para 9.186 no ano passado. O ritmo aumentou a partir de 2018, impulsionado pela edição de um decreto do presidente Michel Temer que flexibilizou a abertura de polos de educação a distância no País Depois disso, houve um crescimento de 189,1% na oferta desses cursos.

Ainda de acordo com dados do MEC, o ensino a distância apresenta uma expressiva quantidade de alunos por professor, mais de sete vezes maior do que no presencial. A média é de 171 alunos para cada professor nos cursos a distância e 22 por docente na modalidade presencial. A análise é feita anualmente pelo Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em instituições de ensino públicas e privadas. Nos últimos anos, o Censo da Educação Superior vem mostrando algumas tendências da etapa como o crescimento da EAD, sobretudo depois da pandemia de covid-19. A edição do ano passado mostrou que seis em cada dez estudantes ingressaram no ensino superior na modalidade EAD. Durante a pandemia, o ensino presencial encolheu 28%.

Preocupação

O ministro da Educação, Camilo Santana, demonstrou preocupação. Segundo ele, o MEC vai aprimorar a regulação do setor, implementando novas diretrizes para qualificar os cursos a distância. “Estou bastante preocupado, primeiro com a qualidade desses cursos. Claro que facilita muito a vida do trabalhador, que tem de trabalhar, se deslocar. Temos de avaliar qual tipo de curso ofertado para boa formação do profissional que possa ser a distância”, disse. “Não estamos aqui demonizando o ensino a distância. Ele é importante para facilitar a vida. Mas, quero prezar pela qualidade da oferta desses cursos”, disse.

“Nas universidades federais, 34% dos cursos EAD são nota 4 ou 5. Na privada, são 19%. É muito baixo o número de cursos EAD de nota 4 ou 5. Eu determinei realizar uma supervisão especial nos cursos a distância para rever todo o marco regulatório disso. A nossa preocupação não é o fato de ter um curso a distância, mas garantir qualidade nesse curso. E é impossível determinados cursos serem feitos a distância neste país.”

Matrículas

O crescimento na quantidade de matrículas a distância é expressivo, passando de 1.113.850 em 2012 para 4.330.934 em 2022, um aumento de 289%. Apesar do avanço, o número de matrículas na modalidade presencial ainda é ligeiramente maior do que na EAD: são 5.112.663. A tendência de alta na educação a distância, no entanto, indica que esse modelo poderá superar em breve o ensino tradicional.

Desde 2019, o número de estudantes que ingressam no ensino superior a distância é maior do que a quantidade de pessoas que entram na modalidade presencial. Em 2022, dado mais recente, foram 3.100.556 novos ingressantes na EAD, um recorde. Enquanto isso, no presencial foram apenas 1.656.172 novos alunos.

Professores

Outro ponto de preocupação do MEC é a formação de professores. Os dados do Censo mostraram que cerca de oito em cada dez estudantes que entram em cursos de licenciatura optam pela modalidade a distância. Atualmente, 64% das matrículas nesses cursos são por EAD, o que demonstra que a maior parte dos professores de educação básica do País está obtendo sua formação a distância. “Não podemos aceitar que a maioria dos cursos de licenciatura do Brasil seja a distância”, disse Camilo Santana.

Segundo o ministro, nessa perspectiva o MEC vai reservar 40% das vagas remanescentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para licenciaturas. “Precisamos rever, porque o último Enade já mostrou que todas as licenciaturas numa escala de 0 a 10 estão abaixo de 5. Pedagogia tem 3,6 na escala de 0 a 10.”

Presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), Celso Niskier destacou o papel da EAD na ampliação do acesso de estudantes às universidades. “EAD é fundamental para democratizar o acesso à educação superior, sem ele nossas taxas não estariam crescendo, mas é necessário sempre que isso seja feito com uma qualidade importante. Conseguimos vencer a batalha da quantidade, agora nos cabe lutar pela qualidade.”

 

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