Detalhe

Futuros universitários ainda sofrerão efeitos da pandemia em 2021

03/11/2020 | Por: Guia da Faculdade | 471
Divulgação/Guia da Faculdade Futuros universitários serão afetados pela pandemia em 2021

Além de interferir na rotina de quem já está matriculado no ensino superior este ano, a pandemia de covid-19 também vai impactar aqueles que pretendem entrar na universidade em 2021. Afinal, com calendários suspensos e aulas a distância no ensino médio, qual é a expectativa para o estudante que está no ano de prestar o vestibular?

Na maior parte dos países do hemisfério norte, o ano acadêmico começa em meados de agosto e setembro, e as seleções são realizadas ainda no primeiro semestre. Devido à pandemia, diversos vestibulares foram adiados. Na França, o vestibular nacional Baccalauréat (BAC) foi suspenso e a seleção para universidades, realizada por um sistema de avaliação contínua das notas escolares. Na China, o Gaokao, maior exame de acesso ao ensino superior do mundo, teve sua data inicial postergada e foi aplicado apenas em julho. Nos Estados Unidos, o SAT, teste de aptidão escolar, teve seu cronograma suspenso e algumas universidades deixaram de exigir a prova como pré-requisito para os ingressantes.

No Brasil, além da preocupação com a manutenção ou adiamento dos vestibulares, há o receio sobre como as universidades vão acolher os novos estudantes, sendo que o calendário acadêmico de diversas instituições foi totalmente modificado devido à pandemia. Não há mais um padrão para o início e fim do ano para os universitários.

Com 34 unidades, a Universidade Estadual Paulista (Unesp), por exemplo, preferiu não escolher uma única forma de lidar com a pandemia no primeiro semestre do ano: enquanto alguns cursos estavam com as aulas suspensas, outros seguiram em atividade com ensino remoto. “Devido às especificidades dos cursos e à dimensão da Unesp, entendemos que os docentes, amparados por critérios mínimos para continuidade das disciplinas em ensino remoto, poderiam escolher a melhor metodologia para dar continuidade de forma não presencial às disciplinas”, explica Gladis Massini-Cagliari, pró-reitora de graduação da universidade.

Assim a instituição não terá um calendário único para todos os cursos, mas calendários locais de acordo com o avanço das aulas em cada faculdade. Os cursos que tiverem maior acesso a aulas remotas sentirão menos os impactos sobre o cronograma escolar.

Já a Estácio, assim como a PUC-SP, buscou padronizar o tipo de ensino e oferecer aulas remotas síncronas, permitindo que o calendário acadêmico permanecesse intacto. “Se não houver diálogo entre as universidades públicas, privadas e com a rede de ensino básico, para discutir calendário e quando é que vai começar o ano letivo de 2021, nunca teremos essa resposta”, critica Maria Inês Fini, pedagoga e ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do governo responsável por avaliações do sistema educacional brasileiro. Fini ainda aponta que o papel de discutir um calendário viável para as universidades é do Ministério da Educação (MEC), o que, na visão da especialista, não está sendo feito.

Outro ex-presidente do Inep, professor Luiz Cláudio Costa, hoje vice-reitor do Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), também acredita que, no cenário atual, cada instituição de ensino terá de corrigir por conta própria o calendário nos próximos semestres: “Onde as aulas estão suspensas ou que ainda não entraram no formato remoto, o primeiro semestre do próximo ano deve começar bem tarde”.

Adiamento do Enem muda o acesso às universidades públicas

O primeiro edital do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 foi divulgado no dia 31 de março, quando o Brasil registrava 5.812 infectados por covid-19 e 202 mortos. Nele, o Inep confirmava as datas das provas do Enem Digital e do Enem Impresso para os meses de outubro e novembro de 2020, respectivamente.

Logo após a divulgação, estudantes e entidades estudantis começaram a protestar e pedir o adiamento do exame. Na época, as aulas da rede pública na educação básica já estavam suspensas e a preocupação era com as condições ainda mais desiguais de preparação para a prova que seriam criadas para esses alunos, muitos deles nem sequer com acesso à internet para acompanhar conteúdos transmitidos a distância. A hashtag #AdiaEnem chegou a ficar em primeiro lugar nos trendings topics do Twitter Brasil.

Porém, foi apenas em 20 de maio que o então ministro da educação, Abraham Weintraub, confirmou a suspensão do calendário inicial e anunciou que realizaria uma consulta pública com os candidatos inscritos para saber em quais dias as provas deveriam ser aplicadas: 30, 60 ou 180 dias após as datas previstas no edital.

Para a pedagoga Maria Inês Fini, a realização da enquete foi uma decisão errada: “Essa é uma decisão política do governo. Quem tem que decidir quando será o exame é o MEC em contato com as escolas de ensino médio e com as redes de ensino superior, não tem nada do estudante decidir como ele quer a prova. Isso é um absurdo”.

Na consulta pública, os estudantes escolheram realizar a prova em maio de 2021, porém, após alinhamento com secretarias estaduais de educação e órgãos representativos das universidades públicas e privadas, o Inep anunciou que a prova seria realizada em janeiro do próximo ano, contrariando o resultado da enquete. “A gente também está atendendo à necessidade desses alunos que votaram. Como dissemos desde o início, a enquete não seria o único parâmetro para a definição da data. Também ouvimos os secretários de Educação e demais representantes das entidades educacionais”, afirmou Alexandre Lopes, atual presidente do Inep.

Apesar da tentativa de conciliar interesses dos estudantes e das universidades, as novas datas do Enem não deixaram de trazer impactos para as instituições. A Unesp, que pretendia adotar ainda neste ano um processo seletivo exclusivamente com base nas notas do Enem, possivelmente adiará a novidade para a próxima seleção. A Unicamp, que reservaria 20% das vagas de graduação para ingresso por meio da nota do Enem, também afirmou que não vai utilizar a prova para seleção de candidatos no vestibular deste ano.

Por outro lado, a Universidade de São Paulo (USP) confirmou que manteria a destinação de 2.905 vagas de acesso à instituição via o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que se baseia justamente na nota do Enem.

Calendário das instituições privadas também deve ser afetado

Se as universidades públicas se preocupam com o adiamento do Enem por causa da utilização da nota do exame no Sisu, as instituições privadas também terão problemas para adaptar seu calendário. Elas precisarão garantir o ingresso de alunos que usam a nota do Enem para entrar nas faculdades com as bolsas de estudo do Programa Universidade Para Todos (Prouni) e os financiamentos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Para Sólon Caldas, diretor executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), apesar da realização do Enem só em janeiro, o calendário acadêmico não pode sofrer grandes alterações: “Sem dúvida, o Enem irá comprometer o cronograma do ano que vem, mas o calendário acadêmico das instituições de ensino não pode ficar esperando o resultado da prova. Até porque pode prejudicar os alunos que estão matriculados e que não dependem desse resultado”.

Na PUC-SP, 25% dos alunos da graduação contam com algum tipo de bolsa ou programa de apoio para estudar, boa parte deles por meio do Prouni e do Fies. “Eu sou uma defensora do Prouni de muito tempo, porque ele trouxe para a universidade quem não tinha acesso. Então, me preocupa muito o que vai acontecer. Nós vamos ter que nos adaptar, nós não vamos abrir mão de ter esses estudantes”, compromete-se Maria Amalia Andery, reitora da PUC-SP.

No Iesb, em Brasília, o calendário será adaptado para não excluir qualquer tipo de estudante. “O Iesb terá aulas remotas até o fim do ano porque o mais importante agora é a segurança dos estudantes, professores e funcionários. Porém, nós vamos fazer o nosso calendário de 2021 olhando para esses programas de acesso e evitando afetar aqueles que já estão na faculdade”, afirma o vice-reitor Luiz Cláudio Costa.

A Laureate Brasil, responsável pela operação de instituições como Anhembi Morumbi e FMU, apesar de ainda não ter nenhuma previsão sobre o calendário acadêmico de 2021, garante que continuará aceitando a nota do Enem para ingresso em suas instituições.

Também indefinida está a situação do formato das aulas no próximo ano. Outro importante grupo educacional, a Estácio, não possui ainda uma programação fechada, mas assegura ter um planejamento estruturado para quando for possível voltar totalmente ao ensino presencial. “Ainda não sabemos por quanto tempo perdurará esta situação, mas, até o presente momento, nosso calendário está mantido com as aulas ao vivo. E temos um planejamento com uma série de medidas preventivas, para garantir a segurança e a saúde de alunos e professores no retorno da modalidade presencial”, afirma Adriano Pistore, vice-presidente de Operações Presenciais da Estácio.


Conteúdo Relacionado

Vídeos

Coronavírus e educação superior: 5ª fase do estudo sobre o que pensam os alunos

Confira a íntegra do seminário "Coronavírus e educação superior: 5ª fase do estudo sobre o que pensam os alunos". O evento foi realizado na terça-feira (17/11), pelo YouTube da ABMES

 

Seminário Virtual ABMES | Coronavírus e educação superior: 4ª onda do estudo

Confira a íntegra do seminário virtual da ABMES "Coronavírus e educação superior: 4ª fase do estudo sobre o que pensam os alunos". Coordenação: Celso Niskier, diretor presidente da ABMES Participação: Daniel Infante, sócio-fundador Educa Insights Sólon Caldas, diretor executivo da ABMES

Webinar | Retomada com segurança das atividades presenciais nas IES

Confira a íntegra do webinar "Retomada com segurança das atividades presenciais nas IES", realizado em 21 de julho de 2020, com a participação de Maurício Garcia, consultor educacional e cientista digital;  Margareth Dalcolmo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, e Marcos Alencar, advogado especializado no ramo trabalhista empresarial

Bate-papo CNE e Seres/MEC: Aula práticas nas IES em tempos de Covid-19

Confira a íntegra do webinar "Bate-papo CNE e SERES/MEC: aulas práticas nas IES em tempos de Covid-19", realizado em 16 de junho 2020, com a participação de Luiz Roberto Liza Curi, presidente do CNE e Márcio Coelho, diretor de Política Regulatória da SERES/MEC

Seminário Virtual ABMES | Coronavírus e educação superior: 3ª onda do estudo

Confira a íntegra do seminário virtual da ABMES "Coronavírus e educação superior: 3ª fase do estudo sobre o que pensam os alunos". Coordenação: Celso Niskier, diretor presidente da ABMES Participação: Daniel Infante, sócio-fundador Educa Insights Sólon Caldas, diretor executivo da ABMES 

Seminário Virtual ABMES | Coronavírus e educação superior: 2ª onda do estudo

Confira a íntegra do Seminário Virtual ABMES, realizado no dia 5 de maio de 2020, que apresentou a segunda onda do do estudo sobre o impacto do novo coronavírus na educação superior, feito pela empresa de pesquisas educacionais Educa Insights. Coordenado por Celso Niskier, diretor presidente da ABMES, o evento contou com a participação de Daniel Infante, sócio-fundador Educa Insights, e Sólon Caldas, diretor executivo da ABMES

Legislação

EDITAL SESU Nº 65, DE 06 DE NOVEMBRO DE 2020

Torna público o cronograma e demais procedimentos relativos à adesão e à emissão de Termo Aditivo ao processo seletivo do Programa Universidade para Todos - Prouni referente ao primeiro semestre de 2021.


EDITAL INEP Nº 65, DE 06 DE NOVEMBRO DE 2020

Torna público o cronograma e demais procedimentos relativos à adesão e à emissão de Termo Aditivo ao processo seletivo do Programa Universidade para Todos - Prouni referente ao primeiro semestre de 2021.


RETIFICAÇÃO EDITAL SESU Nº 65, DE 06 DE NOVEMBRO DE 2020

Retificação do Edital 65/2020, referente ao primeiro semestre de 2021.


PORTARIA FNDE Nº 655, DE 29 DE OUTUBRO DE 2020

Prorrogar, para o dia 30 de novembro de 2020, o prazo estabelecido na Resolução nº 03, de 28 de junho de 2012, para a realização dos aditamentos de renovação semestral dos contratos de financiamento concedidos pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), simplificados e não simplificados, do 2º semestre de 2020.


PORTARIA CAPES Nº 157, DE 27 DE OUTUBRO DE 2020

Dispõe sobre os prazos para entrega da prestação de contas final e para atendimento à diligências de beneficiários de Auxílio Financeiro a Projeto Educacional ou de Pesquisa (AUXPE) da CAPES durante a pandemia reconhecida pelo Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020.


Notícias

Pandemia cria demanda reprimida para educação superior em 2021

Estudo com mais de 1.000 pessoas mostra que brasileiros que estavam adiando os estudos pretendem retomar planos nos próximos meses

Educação é atividade essencial

Correio Braziliense: Em artigo, Celso Niskier, diretor presidente da ABMES, avalia que o setor educacional é tão importante quanto outras atividades econômicas

Estudantes não querem mais adiar o sonho do curso superior

Pesquisa da ABMES e Educa Insights aponta melhoria do otimismo e confiança dos futuros alunos. Demanda acumulada do segundo semestre tende a buscar as IES no início de 2021

Brasil ainda longe das metas na educação

Os números projetados em 2014 para o Brasil ter de fato um salto na educação no prazo de um decênio estão ficando cada vez mais distantes e não serão alcançados no tempo estipulado.

ProUni: Prazo para adesão de instituições começa nesta quarta-feira

MEC divulgou edital para participação no processo seletivo do primeiro semestre de 2021. Inscrições termina em 18 de novembro

CNE edita normas educacionais a serem adotadas durante a pandemia da Covid-19

Deliberação do Conselho regulamentou a Lei nº 14.040, de 18 de agosto de 2020

Ministério da Educação abre inscrições para vagas do Fies que não foram preenchidas

Jornal Nacional: Sólon Caldas, diretor executivo da ABMES, comenta sobre a dificuldade dos estudantes em pagarem o financiamento estudantil

Conselho de Educação permite aula remota até fim de 2021 no ensino básico e no superior

Flexibilização valerá em instituições públicas e particulares

Covid-19 obriga mudanças profundas no ensino superior

Rede Brasil Atual: Segundo estudo divulgado pela ABMES, o processo é pelo momento que estamos vivendo, de pandemia de covid-19

Começam hoje inscrições para bolsas remanescentes do ProUni

Inscrições podem ser feitas até o dia 30

Serão oferecidos pelo MEC vagas não preenchidas do Fies e Prouni

Mix Vale: A seleção começa em setembro, informou Ribeiro durante participação em uma videoconferência promovida pela ABMES

Cerca de 140 mil vagas não preenchidas do Fies e Prouni serão disponibilizadas

Mix Vale: A seleção começa em setembro, disse o ministro da Educação em bate papo com a ABMES

Atual reforma tributária ameaça futuro dos jovens

Estadão: As entidades representativas do setor privado de ensino se uniram para alertar a população e sensibilizar os parlamentares sobre os sérios danos que podem ser provocados pela alíquota indiferenciada da CBS

ABMES Pesquisas