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Especialistas defendem profissionalização da governança para fortalecer a educação superior

09/06/2026 | Por: ABMES | 80
Foto: Gherald George/ABMES Foto: Gherald George/ABMES

A governança institucional está assumindo papel cada vez mais estratégico para as instituições de ensino superior (IES). Mais do que uma ferramenta de controle ou conformidade, ela passou a ser considerada um elemento essencial para a sustentabilidade, a gestão de riscos e a perenidade das organizações. Esse foi o tema central do seminário realizado pela ABMES, nesta terça-feira (9), que reuniu especialistas para discutir tendências, desafios e boas práticas de governança aplicadas ao setor educacional.

Ao abrir o debate, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, destacou que a confiança é um dos principais ativos das organizações e elemento indispensável para uma governança efetiva. “A confiança é muito importante, aliás, é o item mais importante da governança, conquistar a confiança”, afirmou. Para o ministro, a construção dessa credibilidade está diretamente relacionada à capacidade das instituições de entregar resultados e manter estruturas sólidas de controle e acompanhamento. “Sem confiança não existe credibilidade”, reforçou.

Nardes também chamou atenção para problemas recorrentes observados em auditorias e avaliações conduzidas pelo TCU, como ausência de planejamento, fragilidade na gestão de riscos e deficiência na utilização de indicadores. Segundo ele, organizações que monitoram resultados e tomam decisões baseadas em evidências tendem a responder melhor aos desafios e gerar mais valor para a sociedade.

A discussão avançou para os desafios da sustentabilidade com a participação de Renata Andrade, presidente e fundadora da Rede de Governança Climática e Sustentabilidade. Ao destacar a crescente relevância do tema para organizações públicas e privadas, ele reforçou que a sustentabilidade não pode ser tratada apenas como discurso institucional. “De nada adianta falar de clima se eu não estiver em um monitoramento e métricas reais de tudo que interfere no clima”, observou.

Na sequência, o presidente do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Antônio Bizzo, apresentou uma visão atualizada da governança corporativa e seu papel na geração de valor sustentável para as organizações. Ao abordar a evolução do tema no ambiente empresarial, destacou que a governança precisa estar conectada aos desafios reais enfrentados pelas instituições. “Ela quer olhar a matriz de risco, probabilidade de acontecer impacto e os planos de ação”, explicou ao tratar do papel dos conselhos na antecipação de cenários e na tomada de decisões. O especialista também ressaltou que temas como inteligência artificial, cibersegurança, sucessão de lideranças e gestão de pessoas já ocupam posição central na agenda dos conselhos de administração.

Da conformidade regulatória à sustentabilidade institucional
Encerrando o ciclo de apresentações, Daniel Tanigushi trouxe a discussão para a realidade das instituições de educação superior, especialmente as familiares e confessionais. A exposição do executivo em Educação Superior, com atuação em reestruturações e Governança  partiu de uma provocação sobre o aumento das exigências regulatórias e a necessidade de fortalecer estruturas de governança capazes de sustentar o crescimento institucional. “O cerco regulatório fechou. Sua IES está preparada?”, questionou.

Ao longo da exposição, o especialista defendeu que muitos dos problemas regulatórios enfrentados pelas instituições não têm origem nas normas em si, mas em fragilidades anteriores relacionadas à governança. “Conformidade é consequência de governança”, afirmou ao explicar que estruturas claras de decisão, responsabilização e prestação de contas tendem a reduzir riscos e evitar passivos institucionais.

Tanigushi também destacou que governança e gestão são conceitos distintos e complementares. Enquanto a gestão está voltada para a operação cotidiana, a governança define responsabilidades, supervisiona decisões e assegura que a organização permaneça alinhada à sua missão de longo prazo. Segundo ele, desafios como sucessão, profissionalização da gestão e separação entre propriedade e administração exigem atenção especial das mantenedoras.

Ao reunir especialistas da governança pública, corporativa e educacional, o seminário reforçou que as instituições de ensino superior precisam desenvolver estruturas cada vez mais maduras de liderança, monitoramento e gestão de riscos. Em um ambiente marcado por transformações regulatórias, tecnológicas e sociais, a governança deixa de ser apenas um mecanismo de controle para se consolidar como um fator estratégico de sustentabilidade e perenidade institucional.

 


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