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Manifesto em defesa da democracia e da segurança jurídica

10/09/2026 | Por: ABMES | 113
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A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), entidade representativa da educação superior privada no país, manifesta profunda preocupação diante da crise institucional que se abateu sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) e dos graves impactos que o prolongamento desse cenário pode produzir sobre a democracia, a estabilidade das instituições e o desenvolvimento nacional.

Há 125 anos, a Suprema Corte ocupa posição central na preservação do Estado Democrático de Direito, na defesa da Constituição Federal, na proteção dos direitos fundamentais e na garantia do equilíbrio entre os Poderes da República. Seu funcionamento regular, independente, responsável e plenamente integrado é indispensável à segurança jurídica, à pacificação dos conflitos e à manutenção da confiança da sociedade nas instituições do Estado brasileiro.

Qualquer situação que comprometa, ainda que temporariamente, a capacidade de funcionamento do STF ultrapassa os limites internos do Tribunal. Suas consequências alcançam a sociedade como um todo, afetam a relação entre os Poderes e fragilizam a confiança necessária à normalidade democrática. Quando a instância máxima do Poder Judiciário enfrenta uma crise dessa dimensão, instala-se um ambiente de incerteza que não pode ser naturalizado nem prolongado indefinidamente.

Para além das graves repercussões políticas e institucionais, a atual conjuntura ameaça diretamente os setores produtivos. A previsibilidade das decisões judiciais constitui condição essencial para o planejamento, a realização de investimentos, a geração de empregos e a continuidade das atividades econômicas. A lentidão no julgamento de matérias relevantes, a eventual interrupção dos trabalhos e a postergação de debates que dependem da manifestação da Suprema Corte ampliam a insegurança jurídica e podem causar prejuízos concretos ao desenvolvimento econômico e social do país.

Na educação superior, os efeitos também são expressivos. Questões fundamentais para as instituições de ensino, os estudantes, os professores e toda a comunidade acadêmica aguardam definições do STF. São decisões capazes de repercutir sobre políticas públicas, relações regulatórias, modelos de oferta, sustentabilidade institucional e direitos de milhões de brasileiros. A permanência desses temas em suspenso compromete a tomada de decisões e impõe riscos adicionais a um setor que precisa de estabilidade para cumprir a sua missão educacional.

Em momentos de tensão institucional, o respeito à Constituição, às leis, ao devido processo legal e à independência e harmonia entre os Poderes deve prevalecer sobre interesses individuais, políticos ou circunstanciais. Preservar o STF não significa afastá-lo do escrutínio público ou impedir a apuração rigorosa de quaisquer fatos. Significa assegurar que todos os encaminhamentos ocorram com transparência, responsabilidade, imparcialidade e respeito absoluto à ordem constitucional.

A sociedade brasileira não pode permanecer submetida aos efeitos dessa instabilidade. Cada dia de incerteza aprofunda os riscos para as instituições, aumenta a apreensão dos cidadãos e amplia as dificuldades enfrentadas pelos setores responsáveis pela geração de conhecimento, trabalho, renda e desenvolvimento. A gravidade do momento exige serenidade, mas serenidade não pode ser confundida com imobilismo. É indispensável que as autoridades competentes atuem imediatamente, dentro dos limites de suas atribuições constitucionais, para restabelecer a normalidade institucional.

A ABMES, portanto, conclama todos os envolvidos a colocar os interesses do Brasil acima de divergências particulares e a trabalhar por uma resolução imediata, transparente e definitiva da crise. O país exige e merece uma resposta urgente, capaz de assegurar a continuidade plena dos trabalhos da Suprema Corte, destravar decisões relevantes e restabelecer a confiança da sociedade brasileira.

Não há espaço para omissões, protelações ou soluções provisórias que apenas adiem o enfrentamento do problema. É necessário construir uma saída institucional sólida, responsável e duradoura, orientada pela Constituição e capaz de preservar tanto a independência do STF quanto a credibilidade de suas decisões.

A ABMES reafirma sua confiança nas instituições democráticas e espera que a Suprema Corte continue a exercer sua elevada missão com ética, responsabilidade, independência, transparência e absoluto compromisso com a ordem constitucional. Mais do que superar uma crise circunstancial, é preciso fortalecer as bases institucionais que sustentam a democracia e garantir que o Brasil possa avançar com segurança jurídica, estabilidade e respeito aos direitos de todos os cidadãos.

Janguiê Diniz
Diretor-presidente

Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)